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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.26  Ribeirão Preto  2018  Epub 07-Maio-2018

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.2185.3006 

Artigos Originais

Presenteísmo e sintomas musculoesqueléticos entre trabalhadores de enfermagem1

Heloisa Ehmke Cardoso dos Santos2 

Maria Helena Palucci Marziale3 

Vanda Elisa Andres Felli4 

2Msc. Enfermeiro. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil.

3PhD. Professor Titular. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil.

4PhD. Professor Senior, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

identificar as prevalências de sintomas musculoesqueléticos em duas etapas (antes e após seis meses da primeira etapa) e sua associação com o presenteísmo entre trabalhadores de enfermagem.

Método:

estudo longitudinal com abordagem quantitativa dos dados desenvolvido em um hospital de ensino brasileiro com 211 trabalhadores de enfermagem. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram o Cultural and Psychosocial Influences on Disability - CUPID Questionnaire, para identificar os sintomas musculoesqueléticos e a Stanford Presenteeism Scale, para verificar o presenteísmo. Os respectivos instrumentos foram validados para a língua portuguesa falada no Brasil. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa com seres humanos. Para a análise dos dados, foi utilizada a estatística descritiva, teste Mann Whitney e análise de regressão.

Resultados:

158 (74,9%) trabalhadores apresentaram presenteísmo e 151 (71,6%) referiram como sintoma musculoesquelético a dor lombar. Os trabalhadores com dor lombar apresentaram menor pontuação na escala do presenteísmo. A dor no ombro estava relacionada à perda de concentração durante o trabalho.

Conclusão:

o presenteísmo ocasionou redução no desempenho do trabalho, manifestou-se na presença dos sintomas musculoesqueléticos e a dor no ombro causou perda de concentração no trabalho.

Descritores: Transtornos Traumáticos Cumulativos; Eficiência; Presenteísmo; Saúde do Trabalhador; Enfermagem; Trabalho

Introdução

Os distúrbios musculoesqueléticos são um importante problema de saúde pública em diversos países. Causam limitações funcionais entre adultos1 e podem interferir nas atividades laborais e de vida diária, provocar sentimentos como impotência, inutilidade, abandono, fracasso nos trabalhadores adoecidos e acarretar incapacidades, custos, diminuição ou ausência de produtividade e perda de emprego2-3.

Estudos têm mostrado uma elevada prevalência de sintomas musculoesqueléticos entre os trabalhadores de enfermagem, sendo superior a 70,0%4-5. No Brasil, essa prevalência apresenta valor acima de 80,0%6-7. Dentre os sintomas musculoesqueléticos, a dor é o mais prevalente nos trabalhadores de enfermagem, segundo estudos realizados5,7.

Os profissionais de enfermagem estão sujeitos aos riscos ocupacionais que podem comprometer a saúde física e mental8, interferindo na qualidade de vida do trabalhador, na qualidade da assistência prestada ao paciente9, além de causar adoecimento, absenteísmo, presenteísmo e custos para as instituições10.

O absenteísmo é definido como a falta do empregado ao trabalho, ou seja, os períodos em que se encontra ausente devido a algum motivo interveniente. Está relacionado à frequência ou duração do tempo de trabalho perdido quando o trabalhador não comparece ao trabalho e corresponde às ausências quando se esperava que ele estivesse presente11.

O presenteísmo é caracterizado pela condição em que os trabalhadores comparecem ao local de trabalho e realizam as atividades referentes às suas funções de maneira não produtiva, sem proporcionar um bom desempenho por doenças e/ou problemas relacionados ao trabalho12. Nesse sentido, pode estar relacionado aos fatores físicos e psicológicos13.

Esse fenômeno tem sido motivo de preocupação entre a população trabalhadora. No entanto, entre a equipe de enfermagem o presenteísmo é considerado um problema contemporâneo e mal diagnosticado, que pode representar consequências graves e riscos para os trabalhadores, instituição e usuários de saúde14.

O presenteísmo afeta a qualidade do trabalho desempenhado, refletindo em erros e omissões nas tarefas. É reconhecido como um dos fatores de risco para um futuro absenteísmo por doença10 e ocasiona restrição na produtividade do trabalho não só em relação à quantidade, mas também em questões relacionadas à qualidade do trabalho produzido15-16. Esse fenômeno também pode ser ocasionado por problemas de saúde, tais como estresse, gripe, resfriado, alergia, asma e dor musculoesquelética, que interferem frequentemente na produtividade do trabalho16. O trabalhador presenteísta permanece fisicamente no trabalho, porém, com atenção dispersa, o que pode causar acidentes e eventuais eventos adversos aos pacientes que estão sob sua responsabilidade.

Considerando que os problemas musculoesqueléticos são incidentes na população de trabalhadores de enfermagem, que o presenteísmo no trabalho de enfermagem já fora evidenciado em outros estudos10,17-18 e que a elaboração de medidas preventivas é necessária para a minimização desses problemas, motivamo-nos a buscar resposta ao seguinte questionamento: os sintomas musculoesqueléticos em profissionais de enfermagem causam presenteísmo? Nesse sentido, o estudo foi desenvolvido com os objetivos de identificar as prevalências de sintomas musculoesqueléticos em duas etapas (antes e após seis meses da primeira etapa) e observar sua associação com o presenteísmo entre trabalhadores de enfermagem.

Método

Este estudo caracteriza-se como longitudinal com abordagem quantitativa dos dados, realizado com auxiliares de enfermagem, técnicos de enfermagem e enfermeiros de um hospital de ensino de Ribeirão Preto/SP - Brasil. A amostra do estudo foi baseada na presença de dor musculoesquelética, considerando a informação da prevalência da região do corpo que apresentou maior valor. Para o cálculo da amostra, realizou-se um estudo piloto com 30 profissionais de enfermagem, sendo dez de cada categoria (auxiliar de enfermagem, técnico de enfermagem e enfermeiro), cujas informações sobre as prevalências de dor musculoesquelética e a perda (profissionais que recusaram participar da segunda etapa do estudo) foram obtidas. O método empregado foi o de amostragem estratificada, sendo que as categorias profissionais foram utilizadas como variáveis estratificadoras.

Foram incluídos na pesquisa os profissionais de enfermagem atuantes no hospital por no mínimo um ano e com idade entre 20 e 59 anos, excluídos aqueles que estavam de férias e que completaram 60 anos de idade em abril de 2015. O critério de inclusão está baseado em outros estudos realizados pelo autor principal do Cultural and Psychosocial Influences on Disability - CUPID Questionnaire, em que há uma maior quantidade de trabalhadores em atividade laborativa.

A coleta de dados foi realizada em duas etapas. A primeira etapa ocorreu no período de maio a junho de 2015, utilizando o questionário base do CUPID Questionnaire19-20, validado para o português falado no Brasil19, cujo objetivo no presente estudo foi identificar as características demográficas e ocupacionais e os sintomas musculoesqueléticos presentes nos últimos doze meses (questionário base) e no último mês (questionário de acompanhamento) entre os trabalhadores de enfermagem, com um intervalo de seis meses entre uma etapa e a outra devido ao tempo reduzido para a execução do estudo. Também foi utilizada a Stanford Presenteeism Scale - SPS 610, validada para o português do Brasil, para avaliar o presenteísmo geral no trabalho por meio dos fatores trabalho finalizado e distração evitada. As questões associadas ao trabalho finalizado referem-se à quantidade de trabalho que é realizado quando o trabalhador está sob a influência das causas de presenteísmo, manifestando-se por meio de sintomas físicos. As questões referentes à distração evitada correspondem à capacidade de concentração que os trabalhadores apresentam quando sintomas de presenteísmo são manifestados. Esse instrumento aponta de que forma as circunstâncias e problemas de saúde atingem a produtividade de cada trabalhador e considera que cada indivíduo tem formas diferentes de reagir e superar os sintomas causados por um adoecimento, resultando em diferentes graus de comprometimento físico e/ou mental para o desempenho no trabalho10,21. A SPS 6 foi aplicada somente em trabalhadores que apresentaram dor em uma ou mais região do corpo, visto que a referida escala avaliou o quanto a presença dessa dor interferiu no trabalho.

A segunda etapa foi desenvolvida em novembro e dezembro de 2015, com aplicação novamente na mesma amostra de trabalhadores de enfermagem participantes da primeira etapa e que aceitaram participar do segundo questionário de acompanhamento, que integra o CUPID Questionnaire19, objetivando coletar informações semelhantes ao do questionário base em um prazo de aproximadamente seis meses após o preenchimento do primeiro. Nessa etapa, foram investigados dados demográficos, ocupacionais e a presença de dor durante o último mês em cada uma das seis regiões anatômicas (lombar, pescoço, ombro, cotovelo, punho/mão e joelho)19).

A análise dos dados do CUPID Questionnaire foi feita por meio de porcentuais, enquanto os dados referentes à SPS 6 foi efetuada seguindo as recomendações do autor principal do instrumento. O escore total da SPS 6 é feito pela soma dos valores dos itens da escala que podem variar de 6 a 30. Sendo assim, o escore baixo (6 a 18) significa redução de desempenho e pontuações elevadas (próximas ou iguais a 30) significa uma maior capacidade do trabalhador em se concentrar e realizar seu trabalho, apesar do problema de saúde10,21.

Os dados coletados foram armazenados em um banco de dados construído no programa Microsoft Office Excel versão 2010. Posteriormente, foram inseridos no programa de análise estatística Statical Package for the Social Science (SPSS) versão 22, no programa R versão 3.1.2 e foram utilizados a estatística descritiva, o teste Mann Whitney e a regressão linear múltipla truncada no intervalo de 6 a 30 de acordo com os valores da SPS 622 para a análise dos dados, sendo estes apresentados em tabelas. Em todas as análises, o valor do nível de significância (alfa) adotado foi de 5% (0,05).

Este estudo seguiu todas as recomendações éticas com pesquisas com seres humanos e as boas práticas em pesquisa23. Não houve qualquer conflito de interesse e o projeto de pesquisa foi aprovado sob protocolo CAAE: 37430614.0.0000.5393 do Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - Brasil. Os questionários foram entregues aos trabalhadores de enfermagem que consentiram em participar do estudo, a partir da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Todos os questionários foram preenchidos por meio do autopreenchimento conforme orientação do autor principal, fora do horário de trabalho e com duração de aproximadamente 30 minutos.

Resultados

Da amostra composta por 348 trabalhadores de enfermagem, 211 profissionais (60,6%) aceitaram participar da primeira etapa do estudo. Desse total, 134 (63,5%) sinalizaram por escrito a intenção em participar da segunda etapa da pesquisa. No entanto, quando da realização da coleta dos dados da segunda etapa, 90 profissionais de enfermagem (67,2% da amostra de 134) responderam o instrumento de coleta de dados.

Com relação às perdas na primeira etapa, 62 (17,8%) recusaram, 31 (8,9%) não trabalhavam mais na instituição no período da coleta de dados, 23 (6,6%) estavam afastados e 21 (6,0%) estavam de férias.

Dos 211 (60,6%) trabalhadores que participaram da primeira parte pesquisa, 175 (82,9%) eram mulheres e 36 (17,1%) homens, com média de idade de 42,3 anos. Com relação às variáveis ocupacionais, 106 (50,2%) eram auxiliares de enfermagem, 53 (25,1%) técnicos de enfermagem e 52 (24,7%) enfermeiros. Sobre os dados demográficos dos 90 trabalhadores que participaram da segunda etapa, 74 (82,2%) eram do sexo feminino, 16 (17,8%) do sexo masculino, 45 (50,0%) auxiliares de enfermagem, 21 (23,3%) técnicos de enfermagem, 24 (26,7) enfermeiros e a média da idade foi de 42,51 anos.

Na Tabela 1, são apresentadas as prevalências de dores nas regiões anatômicas (lombar, pescoço, ombro, cotovelo, punho e/ou mão e joelho) nos últimos doze meses entre os trabalhadores de enfermagem participantes da primeira etapa do estudo.

Considerando os dados da Tabela 1, a dor lombar foi a mais manifestada entre os participantes na primeira etapa do estudo, sendo 151 (71,6%) trabalhadores de enfermagem nos últimos doze meses. Na sequência, a dor no pescoço foi a segunda mais mencionada entre os trabalhadores de enfermagem.

A Tabela 2 mostra as frequências de dores nas regiões anatômicas no último mês entre os trabalhadores de enfermagem participantes da primeira etapa do estudo.

De acordo com a Tabela 2, 118 (78,1%) participantes manifestaram dor na região lombar.

A Tabela 3 mostra os dados sobre a prevalência de dores entre os profissionais de enfermagem que participaram da segunda etapa.

De acordo com a Tabela 3, a dor lombar (42 - 46,7%) e a dor no pescoço (34 - 37,8%) foram as mais referidas pelos 90 profissionais que participaram da segunda etapa do estudo.

A Tabela 4 apresenta os valores do escore do presenteísmo e a presença de dores no último mês referente à primeira etapa do estudo.

Dentre os 211 profissionais de enfermagem da amostra, 163 (77,3%) apresentaram dor em uma ou mais regiões anatômicas no último mês, enquanto 48 (22,7%) referiram que não tiveram esse sintoma nesse período. Dos 163 participantes, 5 (2,4%) manifestaram a presença dor, porém, não responderam a escala do presenteísmo. Assim, 158 (74,9%) profissionais responderam a referida escala corretamente.

De acordo com a Tabela 4, os resultados indicam que dentre os 158 trabalhadores de enfermagem, 115 (72,8%) eferiram dor na lombar, 91 (57,6%) dor no pescoço, 74 (46,8%) dor no ombro, 25 (15,8%) dor no cotovelo, 52 (32,9%) dor no punho e/ou mão e 66 (41,8%) dor no joelho.

Tabela 1 Distribuição dos trabalhadores de enfermagem atuantes no hospital de ensino segundo presença de dores musculoesqueléticas nos últimos doze meses (primeira etapa). Ribeirão Preto-SP, Brasil, 2015 

Variáveis Doze meses
Lombar n(%) Pescoço n(%) Ombro n(%) Cotovelo n(%) Punho e/ou mão n(%) Joelho n(%)
Sim 151(71,6) 112(53,1) 92(43,6) 29(13,7) 67(31,8) 79(37,4)
Não 60(28,4) 99(46,9) 119(56,4) 182(86,3) 144(68,2) 132(62,6)
Total 211(100,0) 211(100,0) 211(100,0) 211(100,0) 211(100,0) 211(100,0)

Tabela 2 Distribuição dos trabalhadores de enfermagem atuantes no hospital de ensino segundo presença de dores musculoesqueléticas no último mês (primeira etapa). Ribeirão Preto-SP, Brasil, 2015 

Variáveis Último mês
Lombar n(%) Pescoço n(%) Ombro n(%) Cotovelo n(%) Punho e/ou mão n(%) Joelho n(%)
Sim 118(78,1) 92(82,1) 76(82,6) 26(89,7) 52(77,6) 67(84,8)
Não 33(21,9) 20(17,9) 16(17,4) 03(10,3) 15(22,4) 12(15,2)
Total 151(100,0) 112(100,0) 92(100,0) 29(100,0) 67(100,0) 79(100,0)

Tabela 3 Distribuição dos trabalhadores de enfermagem atuantes no hospital de ensino segundo presença de dores musculoesqueléticas no último mês/após seis meses (segunda etapa). Ribeirão Preto-SP, Brasil, 2015v 

Variáveis Último mês/após seis meses
Lombar n (%) Pescoço n (%) Ombro n (%) Cotovelo n (%) Punho e/ou mão n (%) Joelho n (%)
Sim 42(46,7) 34(37,8) 30(33,3) 13(14,4) 28(31,1) 27(30,0)
Não 48(53,3) 56(62,2) 60(66,7) 77(85,6) 62(68,9) 63(70,0)
Total 90(100,0) 90(100,0) 90(100,0) 90(100,0) 90(100,0) 90(100,0)

Tabela 4 Distribuição dos valores obtidos segundo escores do presenteísmo e presença de dores no último mês (questionário base) entre os trabalhadores de enfermagem atuantes no hospital de ensino. Ribeirão Preto-SP, Brasil, 2015 

Dores Categoria n (%) Média Mediana Mínimo/Máximo Desvio padrão (DP) Valor de p*
Presenteísmo total
Lombar Sim 115(72,8) 22,26 22,0 13/30 4,16 0,7783
Não 19(12,0) 21,79 21,0 7/30 6,14
Pescoço Sim 91(57,6) 22,35 22,0 13/30 4,43 0,7933
Não 18(11,4) 21,67 21,0 7/30 5,51
Ombro Sim 74(46,8) 22,16 22,0 14/30 4,10 0,4060
Não 08(5,1) 23,38 26,0 14/29 5,78
Cotovelo Sim 25(15,8) 20,80 21,0 14/29 4,67 0,8345
Não 02(1,3) 19,50 19,5 19/20 0,71
Punho/Mão Sim 52(32,9) 22,02 21,5 7/30 4,62 0,8345
Não 11(7,0) 22,55 23,0 16/30 4,70
Joelho Sim 66(41,8) 22,26 21,0 13/30 4,48 0,7264
Não 08(5,1) 20,88 20,5 7/30 7,02
Concentração mantida
Lombar Sim 115(72,8) 9,27 9,0 3/15 3,20 0,5114
Não 19(12,0) 10,05 8,0 4/15 4,40
Pescoço Sim 91(57,6) 9,35 9,0 3/15 3,39 0,7337
Não 18(11,4) 9,11 8,5 4/15 3,79
Ombro Sim 74(46,8) 9,10 9,0 3/15 3,21 0,0215
Não 08(5,1) 12,0 12,5 6/15 3,02
Cotovelo Sim 25 (15,8) 8,48 7,0 3/15 3,71 0,5457
Não 02(1,3) 9,50 9,5 8/11 2,12
Punho/Mão Sim 52(32,9) 9,31 9,0 3/15 3,37 0,8343
Não 11(7,0) 9,46 10,0 4/15 3,17
Joelho Sim 66(41,8) 9,30 9,0 4/15 3,41 0,8267
Não 08(5,1) 9,50 8,5 4/15 3,96
Trabalho finalizado
Lombar Sim 115(72,8) 12,99 14,0 3/15 2,41 0,3027
Não 19(12,0) 11,74 13,0 3/15 3,98
Pescoço Sim 91(57,6) 13,00 14,0 6/15 2,22 0,9499
Não 18(11,4) 12,56 14,0 3/15 3,68
Ombro Sim 74(46,8) 13,07 14,0 3/15 2,20 0,4325
Não 08(5,1) 11,38 12,5 4/15 4,24
Cotovelo Sim 25(15,8) 12,32 13,0 3/15 2,98 0,0789
Não 02(1,3) 10,00 10,0 9/11 1,41
Punho/Mão Sim 52(32,9) 12,71 13,0 3/15 2,70 0,8241
Não 11(7,0) 13,09 13,0 9/15 1,97
Joelho Sim 66(41,8) 12,95 14,0 3/15 2,48 0,1497
Não 08(5,1) 11,38 11,5 3/15 3,78

*Teste de Mann-Whitney

Os valores da média do escore do presenteísmo total relacionados às dores variaram de 20,80 a 22,35 pontos, sendo que o maior valor refere-se à dor no pescoço e o menor à dor no cotovelo. Já a mediana variou de 21 a 22, representada pela dor lombar, pescoço e ombro no maior valor, enquanto o menor foi entre a dor no joelho e no cotovelo. Os valores do DP foram entre 4,10 e 4,67, sendo o maior valor representado pelo cotovelo e o menor pelo ombro.

Com relação aos valores sobre a concentração mantida, a pontuação média variou de 8,48 a 9,35, sendo representada pela dor no cotovelo e no pescoço, respectivamente. Já os valores da mediana variaram de 7 a 9, sendo o menor referente à dor no cotovelo e os maiores relacionados às dores na lombar, pescoço, ombro, punho e/ou mão e joelho. Dentre os valores do DP, a mínima foi 3,20 e refere-se à dor lombar, enquanto a máxima foi 3,71, representada pela dor no cotovelo.

Sobre os valores da pontuação do trabalho finalizado, a média variou de 12,32 a 13,07 pontos e foi representada pelo cotovelo e ombro, respectivamente. A mediana foi de 13 a 14, sendo que a pontuação 13 foi relacionada à dor no cotovelo e punho, enquanto a pontuação 14 foi representada pelas dores lombar, pescoço, ombro e joelho. Os valores do DP variaram entre 2,20 a 2,98 e foram representados pela dor no ombro e no cotovelo, respectivamente.

A comparação dos dados (dores e escores do presenteísmo) foi realizada por meio do teste não paramétrico de Mann-Whitney. Houve diferença na média do escore concentração mantida entre os trabalhadores de enfermagem que apresentaram dor no ombro, sendo que a média foi 9,10 pontos, mediana 9, mínimo 3, máximo 15 e DP de 3,21.

Os dados da análise de regressão do escore total do presenteísmo, dor no último mês, categoria profissional e idade são apresentados na Tabela 5.

Por meio da análise de regressão representada na Tabela 5, foram observados 157 participantes, pois um trabalhador não respondeu a idade no questionário. Identificamos que o valor médio esperado do presenteísmo entre os trabalhadores do sexo masculino, auxiliares de enfermagem e com zero ano de idade foi de 22,8158 pontos. Considerando a mesma categoria profissional e idade, as mulheres apresentaram 1,0276 pontos a menos do que os homens. Os técnicos de enfermagem pontuaram 0,3720 pontos a menos e os enfermeiros 0,0950 pontos a mais na média do que os técnicos. Para a variável idade, verificamos que para cada ano a mais espera-se um aumento médio de 0,0422 pontos.

O presenteísmo e a dor lombar foram observados em 133 participantes. Identificamos que o valor médio esperado entre os homens, auxiliares de enfermagem e com zero ano de idade foi de 20,1017 pontos. Além disso, as mulheres tiveram 1,0204 pontos a menos que os homens, os técnicos tiveram 0,0636 pontos a mais que os auxiliares, os enfermeiros pontuaram 0,1596 a mais que os técnicos e auxiliares de enfermagem. Para cada ano de idade, ocorreu um aumento na pontuação do presenteísmo de 0,0698. Para os participantes que referiram dor lombar, é esperada uma pontuação de 1,1236 pontos a mais na média dos trabalhadores que apresentarem essa dor.

Presenteísmo e dor no pescoço foram observados entre 108 trabalhadores de enfermagem. Destes, constatamos que valor médio esperado entre os participantes do sexo masculino, auxiliares de enfermagem e com zero ano de idade foi de 21,4729 pontos. Dentre as outras variáveis, foi identificado que as mulheres apresentavam uma pontuação de 2,8800 pontos a menos, os técnicos 0,9283 pontos a menos e os enfermeiros 0,5416 pontos a mais. Para cada ano de idade a mais, os profissionais apresentaram 0,1115 pontos a mais na média do presenteísmo. Para os trabalhadores que referiram dor no pescoço, ocorreu uma diminuição na pontuação do presenteísmo de 0,1586 pontos.

Na análise de regressão entre presenteísmo e dor no ombro, 81 participantes foram observados. Assim, dentre os homens, auxiliares de enfermagem e com zero ano de idade, o valor médio foi de 22,2096 pontos. Os trabalhadores de enfermagem do sexo feminino obtiveram 1,5424 pontos a menos na média, os técnicos e enfermeiros possuíram 0,8176 e 1,6143 pontos a mais, respectivamente. Para cada ano de idade a mais, ocorreu um aumento de 0,0704 pontos. Dentre os trabalhadores de enfermagem que apresentaram dor no ombro, houve diminuição na pontuação no valor de 1,5830 pontos.

Sobre presenteísmo e dor no cotovelo, 27 pessoas foram observadas e um valor médio de 20,8536 pontos foi notado entre os homens, auxiliares de enfermagem e com zero ano de idade. As mulheres obtiveram 2,1827 pontos a mais, os técnicos de enfermagem pontuaram 0,7063 pontos a menos e os enfermeiros 14,2367 pontos a mais. Para cada ano de idade, os trabalhadores pontuaram 0,0753 pontos a menos na média. Para os trabalhadores que referiram dor no cotovelo, constatamos um aumento na média do presenteísmo de 1,0330 pontos.

Tabela 5 Análise de regressão do escore total do presenteísmo, dor no último mês (questionário base), categoria profissional e idade entre os trabalhadores de enfermagem atuantes no hospital de ensino. Ribeirão Preto-SP, Brasil, 2015 

Presenteísmo/Sociodemográficas
Parâmetros da média Estimativa Erro padrão t Valor de p
Intercepto 22,8158 3,1301 7,2890 0,0000
Sexo feminino -1,0276 1,4710 -0,6990 0,4860
Técnico de Enfermagem -0,3720 1,3101 -0,2840 0,7770
Enfermeiro 0,0950 1,4235 0,0670 0,9470
Idade 0,0422 0,0626 0,6740 0,5020
Desvio padrão 1,6795/5,3629 0,0940 17,8600 0,0000
Presenteísmo/Dor lombar
Intercepto 20,1017 3,5790 5,6170 0,0000
Sexo feminino -1,0204 1,5681 -0,6510 0,5160
Técnico de enfermagem 0,0636 1,3498 0,0470 0,9630
Enfermeiro 0,1596 1,5133 0,1050 0,9160
Idade 0,0698 0,0659 1,0600 0,2910
Dor lombar 1,1236 1,5824 0,7100 0,4790
Desvio padrão 1,6623/5,2713 0,0980 16,9500 0,0000
Presenteísmo/Dor no pescoço
Intercepto 21,4729 4,1088 5,2260 0,0000
Sexo feminino -2,8880 2,1151 -1,3650 0,1750
Técnico de enfermagem -0,9283 1,5826 -0,5870 0,5590
Enfermeiro 0,5416 1,7493 0,3100 0,7570
Idade 0,1115 0,0808 1,3790 0,1710
Dor no pescoço -0,1586 1,7888 -0,0890 0,9300
Desvio padrão 1,6984/5,4652 0,1139 14,9100 0,0000
Presenteísmo/Dor no ombro
Intercepto 22,2096 4,3185 5,1430 0,0000
Sexo feminino -1,5424 1,7077 -0,9030 0,3690
Técnico de enfermagem 0,8176 1,5011 0,5450 0,5880
Enfermeiro 1,6143 2,0714 0,7790 0,4380
Idade 0,0704 0,0787 0,8950 0,3740
Dor no ombro -1,5830 2,2201 -0,7130 0,4780
Desvio padrão 1,5738/4,8249 0,1166 13,5000 0,0000
Presenteísmo/Dor no cotovelo
Intercepto 20,8536 6,3959 3,2600 0,0039
Sexo feminino 2,1827 2,6855 0,8130 0,4259
Técnico de enfermagem -0,7063 2,1934 -0,3220 0,7508
Enfermeiro 14,2367 7,6046 1,8720 0,0759
Idade -0,0753 0,1222 -0,6160 0,5450
Dor no cotovelo 1,0330 3,1840 0,3240 0,7490
Desvio padrão 1,4113/4,1013 0,1617 8,7300 0,0000
Presenteísmo/Dor no punho e/ou mão
Intercepto 22,4353 5,4332 4,1290 0,0001
Sexo feminino -1,6264 2,5081 -0,6480 0,5194
Técnico de enfermagem 2,8956 2,3927 1,2100 0,2314
Enfermeiro 1,0873 2,3010 0,4730 0,6384
Idade 0,0205 0,0991 0,2060 0,8372
Dor no punho e/ou mão 0,6074 2,4274 0,2500 0,8034
Desvio padrão 1,6880/5,4087 0,1470 11,4800 0,0000
Presenteísmo/Dor no joelho
Intercepto 21,9099 5,0205 4,3640 0,0000
Sexo feminino -3,1231 2,3598 -1,3230 0,1900
Técnico de enfermagem -1,7219 2,0192 -0,8530 0,3970
Enfermeiro 0,1664 2,4716 0,0670 0,9470
Idade 0,0828 0,0968 0,8560 0,3950
Dor no joelho 1,0125 2,5916 0,3910 0,6970
Desvio padrão 1,7386/5,6894 0,1419 12,2500 0,0000

Em relação às variáveis presenteísmo e dor no punho e/ou mão, 62 trabalhadores foram observados com relação às variáveis presenteísmo e dor no punho e/ou mão. Assim, o valor médio esperado do presenteísmo entre os trabalhadores do sexo masculino, auxiliares de enfermagem e com zero ano de idade foi de 22,4353 pontos. Para as mulheres, diminuição na média de 1,6264 pontos foi constatada, enquanto que para os técnicos de enfermagem e enfermeiros identificamos um aumento de 2,8956 e 1,0873 pontos, respectivamente. Para cada ano de idade a mais, os trabalhadores tiveram um aumento de 0,0205 pontos. Os profissionais de enfermagem que referiram dor no punho e/ou mão no último mês obtiveram 0,6074 pontos a mais na média do presenteísmo.

Dos 74 trabalhadores de enfermagem observados com relação ao presenteísmo e dor no joelho, destacamos que o valor médio dos trabalhadores do sexo masculino, auxiliares de enfermagem e com zero ano de idade referente ao presenteísmo e dor no joelho foi de 21,9099 pontos. Considerando a mesma categoria profissional e idade, as mulheres apresentaram 3,1231 pontos a menos que os homens. Os técnicos de enfermagem pontuaram 1,7219 pontos a menos e os enfermeiros 0,1664 pontos a mais na média. Para cada ano de idade a mais, obteve-se um aumento de 0,0828 pontos. Para os trabalhadores de enfermagem que relataram dor no joelho, uma pontuação de 1,0125 pontos a mais na média foi verificada. Em todas as variáveis analisadas, não foram observadas quaisquer significâncias com relação às dores.

Discussão

As características demográficas da amostra estudada assemelham-se ao perfil da força de trabalho da enfermagem no Brasil, sendo ainda uma profissão com prevalência de 84,6% mulheres24-25. Os participantes apresentaram idade média de 42,3 anos na primeira etapa e 42,51 anos na segunda. Esse resultado corrobora com outros estudos realizados entre trabalhadores de enfermagem que referiram sintomas musculoesqueléticos25.

A categoria profissional com maior número de participantes foi a de auxiliares de enfermagem, seguida pelos técnicos de enfermagem e enfermeiros na primeira parte do estudo. Já na segunda parte, a tendência de prioridade manteve-se em auxiliares, enfermeiros e técnicos. Além disso, a presença de sintomas musculoesqueléticos foi maior entre os auxiliares. Estudos mostram maior prevalência de sintomas entre os auxiliares de enfermagem26, pois esses trabalhadores desempenham vários procedimentos como, por exemplo, levantamento de peso, movimentação e higienização dos pacientes, troca de roupa de cama, organização dos leitos, além de outros que podem ocasionar sintomas musculoesqueléticos1,5.

Dentre os sintomas musculoesqueléticos mais prevalentes, a dor lombar foi a mais referida entre os trabalhadores de enfermagem, seguida da dor no pescoço. Tais resultados são confirmados em outros estudos realizados2,5.

Dos profissionais de enfermagem que referiram presenteísmo, a maioria foi de trabalhadores do sexo feminino, o que também foi constatado em um estudo realizado na Eslovênia27. Com relação à categoria profissional, a pontuação do presenteísmo entre os técnicos de enfermagem foi menor.

Estudos realizados para identificar o presenteísmo entre trabalhadores de enfermagem verificaram uma elevada prevalência de trabalhadores do sexo feminino17-18,20,27, corroborando com o resultado da pesquisa. Sobre a categoria profissional, em estudo feito no Brasil para identificar o presenteísmo entre trabalhadores de enfermagem constatou-se que a maioria era auxiliares e técnicos de enfermagem10. Nesse sentido, os resultados aqui apresentados são similares aos dados da literatura.

Em relação ao escore do presenteísmo total observado por meio da SPS 6, verificamos que os sintomas musculoesqueléticos com relação ao presenteísmo afetaram mais os trabalhadores do sexo feminino e os técnicos de enfermagem. De acordo com a pontuação da escala, os problemas musculoesqueléticos ocasionaram presenteísmo entre os trabalhadores de enfermagem e influenciaram no desempenho das atividades laborais com relação à concentração mantida e à finalização do trabalho. Todos os fenômenos mencionados estavam relacionados à redução do desempenho nas atividades laborais, sendo que houve diferença estatisticamente significativa com relação à dor no ombro e à concentração mantida. Os resultados das subdimensões da escala mostraram que os homens e os técnicos de enfermagem apresentaram menor concentração no trabalho por causa da presença dos sintomas musculoesqueléticos, além dos referidos sintomas influenciarem na quantidade de trabalho realizado, reduzindo o desempenho.

Em estudo desenvolvido em um hospital de Portugal para avaliar o impacto dos custos da produtividade perdida e o presenteísmo entre trabalhadores de enfermagem que apresentaram sintomas musculoesqueléticos, constatou-se que os participantes apresentaram escores médios mais elevados na subdimensão concentração mantida em comparação com o trabalho finalizado, além dos auxiliares apresentarem níveis mais elevados de presenteísmo em ambas as subdimensões18.

O estudo mensurou também a associação entre os escores do presenteísmo e a presença de dores nas regiões anatômicas entre os trabalhadores de enfermagem participantes, sendo constatado que a dor lombar foi a mais referida entre esses profissionais. Dados da literatura corroboram com os resultados desta pesquisa, uma vez que identificaram que a dor lombar está associada ao presenteísmo entre trabalhadores de enfermagem27-29. Além disso, prevalências elevadas de dor lombar e presenteísmo foram identificadas em outros estudos desenvolvidos18,27,29.

Constatamos neste estudo que a dor no cotovelo foi a que obteve menor pontuação na escala do presenteísmo em relação ao escore total e às subdimensões concentração mantida e trabalho finalizado. Foi verificada diferença na média do escore concentração mantida entre os trabalhadores de enfermagem que apresentaram dor no ombro, com concentração de 9,10 pontos. Assim, pode-se confirmar que os trabalhadores de enfermagem que tiveram dor no ombro apresentaram uma concentração média no trabalho menor. As dores interferiram negativamente nas atividades de trabalho dos profissionais de enfermagem, reduzindo o desempenho no trabalho.

Por meio da análise de regressão, identificamos que os trabalhadores de enfermagem que apresentaram dor lombar apresentaram menor pontuação na escala do presenteísmo (20,1017 pontos), indicando que o trabalhador apresentou baixa capacidade em se concentrar e realizar o trabalho na presença dessa dor. Dados semelhantes foram encontrados em um estudo internacional realizado na Eslovênia entre trabalhadores de enfermagem em que a pontuação do presenteísmo relacionado à dor lombar foi em torno de 20 pontos27.

Participantes do sexo feminino apresentaram pontuações negativas em todas as análises, exceto a dor no cotovelo. Verificamos também que a dor no joelho obteve a maior pontuação negativa entre as mulheres. Dessa forma, podemos afirmar que as pontuações do presenteísmo para as mulheres foram menores do que para os homens.

Os enfermeiros apresentaram pontuações positivas relacionadas às variáveis sociodemográficas e dores. Entretanto, os técnicos de enfermagem tiveram pontuações negativas na escala do presenteísmo para as dores no pescoço, cotovelo, joelho e sociodemográficas. Concluímos, então, que os técnicos de enfermagem foram os trabalhadores que obtiveram mais pontuações negativas relacionadas ao presenteísmo.

A idade foi um dos fatores que influenciou nas pontuações do presenteísmo, pois observamos que a pontuação dessa variável foi negativa apenas para a dor no cotovelo e também ocasionou interferência nessas pontuações tanto para menos quanto para mais. As pontuações negativas ocorreram para as dores no pescoço e ombro, mas verificamos que as dores influenciaram nas pontuações finais do presenteísmo entre os trabalhadores de enfermagem.

O presente estudo possibilitou identificar que a dor musculoesquelética pode ocasionar o presenteísmo. Em relação às suas limitações, a composição da amostra foi específica de trabalhadores e limitada a um hospital. O intervalo de uma etapa para outra sobre a presença dos sintomas musculoesqueléticos foi de seis meses, o que diferiu dos outros estudos realizados com o questionário CUPID, em que o intervalo foi de doze meses. Além disso, a utilização de instrumentos de autopreenchimento pode levar ao viés e à possível interferência de fatores não controlados.

Conclusão

Dentre os sintomas musculoesqueléticos prevalentes entre os trabalhadores de enfermagem, a dor lombar foi a mais referida. O presenteísmo ocorreu com um elevado número de trabalhadores de enfermagem, causou redução no desempenho do trabalho e manifestou-se na presença dos sintomas musculoesqueléticos. Ademais, a dor no ombro está relacionada à perda de concentração durante o trabalho. Futuros estudos sobre esse objeto bem como sua repercussão entre os trabalhadores de enfermagem são sugeridos para ampliar o conhecimento científico e subsidiar o planejamento de ações preventivas.

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1Financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Recebido: 30 de Abril de 2017; Aceito: 08 de Janeiro de 2018

Correspondência: Heloisa Ehmke Cardoso dos Santos Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Avenida Bandeirantes, 3900 Monte Alegre CEP: 14040-902, Ribeirão Preto, SP, Brasil E-mail: heloecs@hotmail.com

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