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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.26  Ribeirão Preto  2018  Epub 25-Out-2018

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.2498-3059 

Artigos Originais

Correlação entre religiosidade, espiritualidade e qualidade de vida em adolescentes com e sem fissura labiopalatina*

Francely Tineli Farinha1 

Fábio Luiz Banhara1 

Gesiane Cristina Bom1 

Lilia Maria Von Kostrisch2 

Priscila Capelato Prado1 

Armando dos Santos Trettene1 
http://orcid.org/0000-0002-9772-857X

1Universidade de São Paulo, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, Bauru, SP, Brasil.

2Prefeitura Municipal de Fortaleza, Secretaria da Saúde, Fortaleza, CE, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

correlacionar a espirutualidade e a religiosidade com a qualidade de vida de adolescentes com e sem fissura labiopalatina.

Métodos:

estudo transversal e correlacional, englobando dois grupos, caso (n= 40) e comparativo (n= 40). Para a coleta de dados, utilizou-se a Escala de Religiosidade de Durel e o World Health Organization Quality of Life Bref. Para a análise estatística, os testes de Mann-Whitney, Qui-Quadrado, t-Student e de Correlação de Pearson foram utilizados, com nível de significância de 5% (p≤0,05).

Resultados:

a religiosidade organizacional e a qualidade de vida global foram significativamente maiores no grupo caso (p=0,031 e p=0,012, respectivamente). Referente à qualidade de vida, o Domínio Meio Ambiente foi significativamente maior no grupo caso (p<0,001). Ao se correlacionar a religiosidade e a espiritualidade, a religiosidade não organizacional apresentou forte correlação (r=0,62) com a religiosidade organizacional (p<0,001). Ao se correlacionar a religiosidade e a espiritualidade com a qualidade de vida, identificou-se somente correlação moderada entre a espiritualidade e a qualidade de vida global (r=-0,35; p=0,026).

Conclusão:

evidenciou-se a não existência de relação entre a religiosidade e a espiritualidade com a qualidade de vida entre adolescentes com fissura labiopalatina, para a maioria dos aspectos avaliados.

Descritores: Espiritualidade; Religião; Qualidade de Vida; Adolescente; Fenda Labial; Fissura Palatina

Introdução

Indivíduos com fissura labiopalatina podem apresentar problemas funcionais, estéticos e psicossociais. Inicialmente, os funcionais são prevalentes, com destaque para os alimentares. Contudo, durante a infância e adolescência, evidenciam-se os estéticos e principalmente os psicossociais1-2.

Na adolescência, fase caracterizada por transformações biopsicossociais, socialização e exacerbação dos padrões estéticos impostos pela sociedade modernista e globalizada, o adolescente com fissura labiopalatina pode enfrentar discriminação e preconceito, gerando estigmatização, o que certamente influenciará seu convívio social e, consequentemente, sua qualidade de vida3.

Ainda, esses adolescentes podem apresentar períodos de negação, intelectualização, depressão e comportamentos exagerados. No entanto, essas reações estão diretamente relacionadas ao estabelecimento das relações sociais, familiares e culturais, que, consequentemente, influenciam sua autoestima e qualidade de vida. Portanto, fica evidente que a insatisfação promove no indivíduo sentimentos de inferioridade, fraqueza, rejeição e impotência, podendo ocasionar fracassos em seu processo de reabilitação4.

No processo de enfrentamento, observa-se a influência de fatores que agem como recursos adicionais ao tratamento e a reabilitação, que incluem, entre outros, a espiritualidade e a religiosidade5.

A espiritualidade refere-se à consciência de que existe algo sagrado, além de envolver valores e conceitos particulares de cada indivíduo, enquanto a religiosidade relaciona-se a atividades desenvolvidas coletivamente, englobando um sistema de crenças, dogmas e práticas definidas ou preestabelecidas6.

Entre os benefícios da espiritualidade e/ou da religiosidade para adolescentes inclui-se a diminuição da depressão e da ansiedade, aumento da felicidade e da satisfação com a vida, melhor percepção da qualidade de vida, redução do estresse, proteção quanto a comportamentos de risco à saúde, como atividades sexuais e uso de drogas lícitas e ilícitas7-12.

Na atualidade, observa-se crescente número de estudos referentes à avaliação da religiosidade e espiritualidade, bem como seu impacto na qualidade de vida das pessoas6. A qualidade de vida é um indicador de saúde e sua avaliação em populações distintas é essencial, incluindo os adolescentes. A adolescência é apontada como uma das fases mais importantes na formação de uma população e baixos níveis de saúde nesse período pode afetar a saúde dos adultos7.

Considerando-se a vulnerabilidade dos adolescentes com fissura labiopalatina a problemas estéticos e psicossociais, bem como as evidências dos benefícios da espiritualidade e da religiosidade sobre as modalidades de enfrentamento situacional, torna-se relevante compreender sua influência sobre a qualidade de vida dessa população.

Nossa hipótese consistiu de que adolescentes com fissura labiopalatina apresentassem maiores níveis de espiritualidade e religiosidade, com consequente influência positiva sobre a percepção de sua qualidade de vida em relação aos adolescentes sem fissura labiopalatina.

Nas bases de dados consultadas não foram encontrados estudos com essa abordagem, ressaltando sua importância de abordagem inédita. Assim, o objetivo desta investigação foi correlacionar a espiritualidade e a religiosidade com a qualidade de vida de adolescentes com e sem fissura labiopalatina.

Métodos

Trata-se de um estudo exploratório, transversal, correlacional, de delineamento quantitativo.

A fim de comparação foram elencados dois grupos, caso e comparativo. A população do grupo caso constou de adolescentes que se encontravam hospitalizados para realização de procedimentos cirúrgicos secundários, incluindo as rinoplastias, septoplastias e enxerto ósseo alveolar. O critério de inclusão compreendeu possuir idade entre 15 e 18 anos e fissura de lábio e palato unilateral operada, sem síndromes ou doenças neurológicas associadas.

O grupo comparativo foi composto por adolescentes sem fissura labiopalatina, alunos de uma escola pública. Para este, o critério de inclusão foi possuir idade entre 15 e 18 anos e aderir à pesquisa.

Para ambos os grupos, foram excluídos adolescentes que referiram uso de psicofármacos, tais como ansiolíticos, hipnóticos, antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor, e também o uso de drogas ilícitas.

A amostragem foi consecutiva e não probabilística. Para a interpretação da magnitude das correlações, adotou-se a seguinte classificação dos coeficientes de correlação: < 0,4 (correlação de fraca magnitude), ≥ 0,4 a < 0,5 (de moderada magnitude) e ≥ 0,5 (de forte magnitude)13. Para o cálculo amostral, considerou-se uma correlação moderada de 0,4513, um poder de teste de 80% e um nível de significância de 5%, em que se estimou uma amostra mínima de 37 participantes por grupo. Por fim, optou-se por 40 participantes em cada grupo (caso e comparativo), que compuseram a amostra.

Inicialmente, os participantes foram convidados a aderirem ao estudo, sendo explicitados os objetivos e apresentados os instrumentos de coleta de dados. Para a coleta de dados, utilizou-se três instrumentos: Questionário Sociodemográfico, Escala de Religiosidade de Durel14 para avaliar a religiosidade e a espiritualidade e World Health Organization Quality of Life - WHOQOL-Bref (15 para avaliar a qualidade de vida.

O Questionário Sociodemográfico foi utilizado para caracterizar os participantes segundo as variáveis: idade, sexo, escolaridade, religião, classificação socioeconômica16, número de filhos, ocupação e estado civil ou afetivo.

Para o grupo caso, as informações referentes aos critérios de inclusão e exclusão foram obtidas por meio de consulta aos prontuários, assim como as informações referentes à caracterização sociodemográfica. Para o grupo comparativo, as informações referentes aos critérios de inclusão e exclusão, assim como as informações referentes à caracterização sociodemográfica, foram obtidas por meio de entrevista, que foi realizada individualmente e em ambiente privativo.

A coleta de dados foi realizada com os participantes do grupo caso no período pré-cirúrgico, individualmente, uma vez que a presença de edema, dor, desconforto e limitações funcionais podem interferir nas respostas e percepção do indivíduo. Para o grupo comparativo, a instituição educacional disponibilizou um auditório. Em geral, a entrevista durou, em média, 30 minutos.

A Escala de Religiosidade de Durel14) e o WHOQOL-Bref15) são autoaplicáveis e foram disponibilizados no mesmo momento. A coleta de dados foi realizada entre os meses de agosto e novembro de 2016.

A percepção de qualidade de vida dos adolescentes foi avaliada pela versão validada em português do WHOQOL-Bref15. O referido instrumento pode ser utilizado para avaliar a qualidade de vida tanto de populações saudáveis como de pessoas acometidas por agravos e doença crônicas17. Embora não tenha sido validado para adolescentes no Brasil, investigação demonstrou que esse instrumento possui um conteúdo válido e adequadas propriedades psicométricas para mensurar a qualidade de vida de adolescentes18. Além disso, no presente estudo, o valor Alfa de Cronbach referente à aplicação do WHOQOL-Bref foi de 0,84, apontando boa consistência interna.

Contém 26 questões, em que 24 se encontram distribuídas em quatro domínios: Físico, Psicológico, Relações Sociais e Meio Ambiente. As outras duas questões se referem à percepção da qualidade de vida global e à satisfação com a própria saúde. Cada domínio tem escore que varia de zero a 100, no qual zero corresponde à pior qualidade de vida e 100 à melhor qualidade de vida19.

Concomitantemente, aplicou-se a Escala de Religiosidade de Durel que é composta por cinco itens divididos em três domínios: a religiosidade organizacional (RO), a religiosidade não organizacional (RNO) e a religiosidade intrínseca ou espiritualidade (RI)14. Neste estudo, a RI foi referida como espiritualidade.

A RO refere-se à frequência a encontros religiosos, como cultos, missas, grupos de oração etc. A pontuação varia de um a seis. A RNO independe de outras pessoas, referindo-se à atividade religiosa individual. Inclui a oração, meditação, prece, entre outros. Apresenta escore variando de um a seis. A espiritualidade refere-se à internalização e vivência plena da religiosidade como principal objetivo, em que o indivíduo busca a harmonia com princípios religiosos14.

A Durel possui um escore que varia de três a quinze. No que se refere ao cálculo de seu escore, recomenda-se que os três domínios sejam analisados separadamente. Para todos, quanto menor o escore, maior a religiosidade14.

A Durel foi traduzida e validada para a população brasileira. Embora não tenha sido validada especificamente para adolescentes, sua utilização em populações com características sociodemográficas diversas é encorajada14,20. No presente estudo, o valor do Alfa de Cronbach referente à aplicação da Durel foi de 0,82, apontando boa consistência interna.

A pesquisa recebeu parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos do Hospital por meio do ofício 1.614.101 e CAAE: 55837916.9.0000.5441. Todos os participantes formalizaram sua adesão por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os adolescentes menores de 18 anos formalizaram sua adesão por meio da assinatura do Termo de Assentimento, e seus responsáveis legais, a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em consonância à Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

Os dados foram analisados utilizando o programa software Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 21.0 para Windows. Para a análise estatística das variáveis sociodemográficas, sexo e idade, em ambos os grupos, utilizou-se os testes Qui-Quadrado e t-Student. Para comparar os grupos, caso e comparativo, com relação à religiosidade, espiritualidade e qualidade de vida, utilizou-se o teste de Mann-Whitney. Para correlacionar as medidas de interesse, qualidade de vida, religiosidade e espiritualidade, no grupo caso foi utilizado o teste de Correlação de Pearson. Ainda, utilizou-se a análise das forças de correlação linear entre as medidas, a qual determina que valores de correlação menores do que 0,30 indicam fraca correlação, mesmo quando estatisticamente significantes não apresentam relevância clínica; valores entre 0,30 - 0,50 indicam moderada correlação e acima de 0,50, forte correlação21. O nível de significância adotado para todos os testes foi de 5% (p≤0,05).

Resultados

Referente à caracterização do grupo caso, a média de idade foi de 16,48 (±1,04) anos. Quanto ao sexo, observou-se similaridade (50%; n=20). Em relação às outras variáveis, prevaleceu o ensino médio (87,5%; n=35), solteiros (90,0%; n=36) e evangélicos (47,5%; n=19).

Quanto ao grupo comparativo, a média de idade foi de 16,38 (±1,17) anos. Prevaleceram os participantes do sexo feminino (60,0%; n=24), cursando o ensino médio (n=40; 100%), solteiros (77,5%; n=31) e evangélicos (62,5%; n=25).

Não foram encontradas diferenças estatísticas significantes entre as caraterísticas sociodemográficas dos participantes dos grupos, demonstrando a homogeneidade entre eles.

Compuseram o grupo caso adolescentes com fissura labiopalatina unilateral. Em relação ao procedimento cirúrgico que iriam realizar, observou-se equidade entre o enxerto ósseo alveolar e a rinosseptoplastia (ambos 50,0%; n=20). Quanto à procedência, prevaleceu a região Sudeste (55,0%; n=22).

Ao se avaliar a espiritualidade e a religiosidade, constatou-se que o grupo caso apresentou valores medianos maiores, em comparação com o grupo comparativo, com relação à religiosidade organizacional (p=0,031) (Tabela 1).

Tabela 1 Análise da religiosidade e espiritualidade no grupo caso e grupo comparativo. Bauru, SP, Brasil, 2016 

Variáveis Grupos n Mediana Q1* Q3 Média Desvio padrão Valor de p
RNO Caso 40 2,0 1,0 3,8 2,5 1,5 0,483
Comparativo 40 2,0 1,3 4,0 2,8 1,7
RO§ Caso 40 3,0 2,0 5,0 3,5 1,7 0,031||
Comparativo 40 4,5 3,0 6,0 4,3 1,6
Espiritualidade Caso 40 5,0 4,0 6,0 5,7 2,4 0,171
Comparativo 40 6,0 4,0 8,8 6,7 3,2

*Q1=1ºQuartil; †Q3=3ºQuartil; ‡RNO= Religiosidade não organizacional; §RO= Religiosidade organizacional; ||Teste de Mann-Whitney com nível de significância adotado de 5% (p≤0,05).

Referente à qualidade de vida, percebeu-se que o grupo caso apresentou valores medianos maiores, em comparação com o grupo comparativo, com relação à qualidade de vida global (p=0,012). Quanto aos domínios, observou-se que o grupo caso apresentou valores medianos maiores, em comparação com o grupo comparativo, com relação ao meio ambiente (p<0,001) (Tabela 2).

Tabela 2 Análise da Qualidade de Vida no Grupo Caso e Grupo Comparativo. Bauru, SP, Brasil, 2016 

Domínios Grupos N Mediana Q1* Q3 Média Desvio padrão Valor de p
Físico Caso 40 81,0 69,0 88,0 80,6 9,6 0,141
Comparativo 40 81,0 63,0 86,3 75,6 14,0
Psicológico Caso 40 75,0 69,0 81,0 74,2 13,3 0,657
Comparativo 40 75,0 69,0 81,0 72,6 13,6
Relações Sociais Caso 40 75,0 69,0 81,0 77,7 13,8 0,056
Comparativo 40 69,0 51,5 81,0 68,0 20,8
Meio Ambiente Caso 40 81,0 69,0 86,3 75,5 12,2 <0,001
Comparativo 40 63,0 50,0 73,5 61,7 14,3
Qualidade de vida global Caso 40 4,0 4,0 5,0 4,4 0,7 0,012
Comparativo 40 4,0 4,0 4,0 4,0 0,7
Percepção geral da saúde Caso 40 4,0 4,0 5,0 4,0 1,1 0,818
Comparativo 40 4,0 3,3 5,0 4,0 1,1

*Q1=1º Quartil; †Q3=3º Quartil; ‡Teste de Mann-Whitney com nível de significância adotado de 5% (p≤0,05).

Ao se analisar a correlação entre a religiosidade e a espiritualidade, a RNO apresentou forte correlação (r=0,62) com a RO (p<0,001), enquanto a espiritualidade apresentou moderada correlação com a RNO (r=0,44) e com a RO (r=0,43) (p=0,005 e p=0,006, respectivamente) (Tabela 3).

Tabela 3 Distribuição da correlação da religiosidade e espiritualidade aplicadas no Grupo Caso. Bauru, SP, Brasil, 2016 

Variáveis de correlação r* Correlação Valor de p
RNO§/RO|| 0,62 Forte <0,001
RNO||/Espiritualidade 0,44 Moderada 0,005
RO§/Espiritualidade 0,43 Moderada 0,006

*Correlação de Pearson; †Correlação linear; ‡Nível de significância adotado de 5% (p≤0,05); §RNO= Religiosidade não organizacional; ||RO= Religiosidade organizacional.

Ao se correlacionar os domínios referentes à qualidade de vida com a religiosidade e a espiritualidade, identificou-se correlação moderada (r=-0,35) entre a espiritualidade e a qualidade de vida global (p=0,026), ou seja, apenas uma das correlações foi significante, indicando não existir relação entre essas variáveis na maioria dos aspectos avaliados. Ressalta-se que os valores referentes à escala de espiritualidade são inversamente proporcionais, justificando o valor negativo das correlações (Tabela 4).

Tabela 4 Correlação entre qualidade de vida, religiosidade e espiritualidade no Grupo Caso. Bauru, SP, Brasil, 2016 

Variáveis de correlação r* Correlação Valor de p
Domínios/RNO Físico 0,21 Fraca 0,193
Psicológico -0,01 Fraca 0,942
Relações Sociais -0,08 Fraca 0,626
Meio Ambiente 0,19 Fraca 0,234
Qualidade de vida global 0,04 Fraca 0,806
Percepção geral da saúde 0,07 Fraca 0,649
Domínios/RO§ Físico 0,03 Fraca 0,848
Psicológico -0,14 Fraca 0,404
Relações Sociais -0,16 Fraca 0,336
Meio Ambiente -0,14 Fraca 0,390
Qualidade de vida global 0,07 Fraca 0,670
Percepção geral da saúde 0,25 Fraca 0,117
Domínios/ Espiritualidade Físico -0,07 Fraca 0,663
Psicológico -0,23 Fraca 0,162
Relações Sociais -0,26 Fraca 0,101
Meio Ambiente 0,08 Fraca 0,619
Qualidade de vida global -0,35 Moderada 0,026||
Percepção geral da saúde -0,17 Fraca 0,286

*Correlação de Pearson; †Análise das forças de correlação linear; ‡RNO= Religiosidade não organizacional; §RO= Religiosidade organizacional; ||Nível de significância adotado de 5% (p≤0,05).

Discussão

A média de idade dos participantes, em geral, foi de 16,48 anos. É nessa faixa etária que a estética e interações sociais apresentam-se em evidência, sendo de extrema importância para a formação do indivíduo22.

O adolescente com fissura labiopalatina, além de lidar com problemas do cotidiano e da idade, vê-se cercado das preocupações inerentes à malformação, incluindo cicatrizes e a qualidade da voz. Essas limitações acarretam problemas de discriminação e de estigmatização perante a sociedade, o que certamente influencia sobre as relações sociais e, consequentemente, sobre a percepção da qualidade de vida.

Essa relação foi observada no presente estudo referente à caraterização afetiva dos participantes, em que apenas 10% dos adolescentes com fissura referiram estar namorando contra 22,5% dos adolescentes sem fissura.

Referente à classificação socioeconômica, prevaleceu a classe baixa. Indivíduos pertencentes às mais favorecidas preocupam-se com questões cognitivas, culturais e de beleza em igual proporção, enquanto as menos favorecidas se preocupam em maior nível com a inteligência23.

Investigação apontou que os níveis de autoestima em adolescentes com fissura foram significativamente menores em comparação aos sem fissura, particularmente no gênero feminino. Estes carregam consigo os seus defeitos físicos ou cicatrizes e tudo o que estes socialmente podem significar, fixando-os como parte de sua identidade. Contudo, o que esse estigma pode significar e ocasionar dependerá de vários fatores, incluindo questões subjetivas e reflexivas, podendo ocasionar complexos problemas de ordem psicológica4.

Quanto à procedência, no grupo caso, prevaleceram os adolescentes da região Sudeste. Associa-se esse resultado ao fato da localização da Instituição nessa região. Ressalta-se que o processo reabilitador deve nortear-se por atendimento interdisciplinar e realizado em centros de excelência.

Em relação ao sexo dos participantes do grupo caso, observou-se similaridade. A literatura aponta predomínio da fissura labiopalatina unilateral à esquerda no sexo masculino, enquanto as de palato isoladas são prevalentes no sexo feminino24.

Referente à classificação das fissuras, a labiopalatina, tanto uni quanto a bilateral, é a que promove maior comprometimento funcional e estético devido à extensão anatômica envolvida. Nesse contexto, o protocolo de reabilitação é extenso e complexo. Os resultados das cirurgias, realizadas ainda na primeira infância, irão repercutir diretamente na autoestima dos adolescentes e, consequentemente, sobre sua interação e aceitação perante a sociedade1-3.

Nesta investigação, a religiosidade foi avaliada em ambos os grupos, e a grande maioria dos adolescentes referiu ter religião, predominando a evangélica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 86% da população brasileira denomina-se cristã, com prevalência da religião católica. Ainda, segundo o mesmo Instituto, a proporção de católicos foi maior entre as pessoas com idade superior a 40 anos, enquanto os evangélicos pentecostais têm sua maior proporção entre as crianças e os adolescentes, em conformidade ao encontrado neste estudo25.

A influência da espiritualidade e da religiosidade como forma de enfrentamento situacional (coping) diante de diferentes patologias e contextos desfavoráveis está evidenciada na literatura26-28. Investigações comparando populações saudáveis e indivíduos com doenças identificaram que pessoas com problemas de saúde apresentaram melhores escores de espiritualidade e religiosidade quando comparadas a indivíduos saudáveis27-28.

Na presente pesquisa, os adolescentes com fissura labiopalatina apresentaram elevada religiosidade organizacional em comparação aos adolescentes sem fissura, ou seja, frequentavam mais igrejas ou templos e possuíam maior interação social na comunidade religiosa. Observou-se, ainda, correlação entre a religiosidade organizacional, não organizacional e a espiritualidade no grupo de adolescentes com fissura. Esse achado confirma que ambas estão intrinsicamente entrelaçadas, portanto representam uma construção28.

A correlação entre a espiritualidade e a religiosidade atua como fator proteção e manutenção da saúde e do bem-estar dos adolescentes. É uma construção conjunta importante na mente dos pacientes. Ambas auxiliam a enfrentar problemas, proporcionando melhora da paz interior, esperança e otimismo29.

Ao se comparar a qualidade de vida dos adolescentes com e sem fissura labiopalatina, constatou-se que a global foi significativamente maior nos adolescentes com fissura. A melhora da Qualidade de vida está associada à percepção do significado da vida, à reavaliação de opiniões sobre doença e morte, descoberta de novas relações com Deus e ao apoio das relações sociais. A espiritualidade e as relações sociais podem auxiliar no enfrentamento da patologia7. Ressalta-se que um dos pilares do processo reabilitador dos pacientes com fissura labiopalatina visa melhorar a qualidade de vida1-2.

Ainda, observou-se que a pontuação no Domínio Meio Ambiente foi significativamente maior no grupo caso, inferindo que os adolescentes com fissura labiopalatina apresentaram melhor percepção quanto ao meio ambiente em que vivem e seus aspectos estruturais da vida.

A literatura afirma que pessoas com elevada espiritualidade e religiosidade apresentam correlação positiva com os domínios: meio ambiente, psicológico, relacionamentos sociais e de qualidade de vida global26-28.

Acredita-se que após o diagnóstico de uma doença e a vivência do problema de saúde as pessoas buscam um novo significado à vida, tornando-se menos propensas a incomodar-se com situações ínfimas do cotidiano que consideravam afetar sua qualidade de vida26,29.

Ao se correlacionar os domínios referentes à qualidade de vida com a religiosidade e a espiritualidade nos adolescentes com fissura labiopalatina, identificou-se somente correlação entre a espiritualidade e a qualidade de vida global. Contrariando nosso achado, outros estudos correlacionaram a espiritualidade e/ou a religiosidade à melhor percepção da qualidade de vida em diversas dimensões7-8. Contudo, maiores níveis de espiritualidade foram associados ao bem-estar geral em outra investigação30.

O resultado do presente estudo reforça a hipótese de que a espiritualidade abrange um conceito amplo e dinâmico, capaz de influenciar significados ou percepções31. Outra hipótese que poderia explicar esse resultado é que adolescentes sofrem influência dos contextos espirituais e religiosos de seus pais, e, por vezes, acabam replicando esses valores, embora não os tenham incorporados. Assim, seus benefícios são parciais31-32).

Por fim, as limitações desta investigação referem-se à natureza monocêntrica e ao desenho transversal, que não permitem o estabelecimento de relações causais e, tampouco, a generalização dos resultados. Assim, estudos multicêntricos e longitudinais são encorajados. Ainda, deve-se considerar o fato de que os instrumentos utilizados para a coleta de dados neste trabalho não terem sido validados para a cultura brasileira e para a população estudada.

Contudo, os benefícios desta pesquisa são evidentes e incluem uma investigação detalhada da religiosidade e da espiritualidade em adolescentes com e sem fissura e sua correlação com a qualidade de vida. Embora a correlação entre a maioria das variáveis relacionadas à qualidade de vida não tenha sido evidenciada, o estudo possibilitou identificar que a percepção da qualidade de vida global foi influenciada pela espiritualidade.

Conclusão

Contrariando nossa hipótese, entre adolescentes com fissura labiopalatina, observou-se apenas a correlação entre a espiritualidade e a percepção da qualidade de vida global, indicando a não existência de relação entre a religiosidade e a espiritualidade com a qualidade de vida, para a maioria dos aspectos avaliados.

REFERÊNCIAS

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*Artigo extraído da dissertação de mestrado “Correlação entre religiosidade, espiritualidade e qualidade de vida em adolescentes com fissura labiopalatina”, apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Reabilitação, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, Universidade de São Paulo, Bauru, SP, Brasil.

Recebido: 29 de Outubro de 2017; Aceito: 01 de Agosto de 2018

Autor correspondente: Armando dos Santos Trettene E-mail: armandotrettene@hotmail.com/ armandotrettene@usp.br

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