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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.27  Ribeirão Preto  2019  Epub Feb 04, 2019

https://doi.org/10.1590/1518-8345.2711.3108 

Artigo Original

Adesão aos objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas: perspectiva de enfermeiros*

Larissa de Siqueira Gutierres1 
http://orcid.org/0000-0002-1205-8918

José Luís Guedes dos Santos2 

Sayonara de Fátima Faria Barbosa2 

Ana Rosete Camargo Maia2 

Cintia Koerich2 

Natalia Gonçalves2 

1 Hospital Baia Sul, Centro Cirúrgico, Florianópolis, SC, Brasil.

2 Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Enfermagem, Florianópolis, SC, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

mensurar a adesão aos objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas em centros cirúrgicos a partir da perspectiva de enfermeiros.

Método:

estudo transversal, desenvolvido por meio de um survey on-line via plataforma Google Forms ®. Os participantes da pesquisa foram 220 enfermeiros de centros cirúrgicos de diferentes regiões do Brasil. Os dados foram coletados por meio de uma ficha de caracterização socioprofissional e questionário em que os participantes indicavam seu nível de concordância em relação ao cumprimento dos objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas. A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva.

Resultados:

o objetivo 1, operar o paciente certo e local cirúrgico certo, apresentou os maiores níveis de concordância total (n=144; 65,5%) e parcial (n=52; 23,6%). O objetivo 10, o hospital e os sistemas de saúde pública estabelecem vigilância de rotina sobre capacidade, volume e resultados cirúrgicos, obteve os menores percentuais de concordância total (n=69; 31,4%) e parcial (n=81; 36,8%).

Conclusão:

a adesão aos objetivos do Programa é adequada, mas há fragilidades especialmente em relação à prevenção de never events.

Descritores: Segurança do Paciente; Centros Cirúrgicos; Enfermagem de Centro Cirúrgico; Qualidade da Assistência à Saúde; Gerenciamento da Prática Profissional; Gestão em Saúde

ABSTRACT

Objective:

to measure the adherence to the objectives of the Safe Surgery Saves Lives Initiative in surgical centers from the perspective of nurses.

Method:

cross-sectional study, developed through an online survey via the Google Forms® platform. The study participants were 220 nurses from surgical centers in different regions of Brazil. The data were collected through a socio-professional characterization form and a questionnaire in which the participants indicated their level of agreement in relation to the fulfillment of the objectives of the Safe Surgery Saves Lives Initiative. Data analysis was performed using descriptive statistics.

Results:

objective 1, The team will operate on the correct patient at the correct site, presented the highest levels of total agreement (n = 144; 65.5%) and partial agreement (n = 52; 23.6%). Objective 10, Hospitals and the public health systems will establish routine surveillance of surgical capacity, volume and results, obtained the lowest percentages of total (n = 69, 31.4%) and partial agreement (n = 81, 36.8%).

Conclusion:

adherence to the objectives of the Initiative is adequate, but there are weaknesses, especially in relation to the prevention of never events.

Descriptors: Patient Safety; Surgicenters; Operating Room Nursing; Quality of Health Care; Practice Management; Health Management

RESUMEN

Objetivo:

medir la adherencia a los objetivos del Programa Cirugías Seguras Salvan Vidas en centros quirúrgicos desde la perspectiva de enfermeros.

Método:

estudio transversal, desarrollado por medio de survey on-line vía plataforma Google Forms ®. Los participantes de la investigación fueron 220 enfermeros de centros quirúrgicos de diferentes regiones de Brasil. Los datos fueron recolectados por medio de una ficha de caracterización socioprofesional y cuestionario en que los participantes indicaban su nivel de concordancia en relación al cumplimiento de los objetivos del Programa Cirugías Seguras Salvan Vidas. El análisis de los datos fue realizado por medio de estadística descriptiva.

Resultados:

el objetivo 1, operar el paciente correcto y local quirúrgico cierto, presentó los mayores niveles de concordancia total (n=144, 65,5%) y parcial (n=52; 23,6%). El objetivo 10, el hospital y los sistemas de salud pública establecen vigilancia de rutina sobre capacidad, volumen y resultados quirúrgicos, obtuvo los menores porcentuales de concordancia total (n=69; 31,4%) y parcial (n=81; 36, 8%).

Conclusión:

la adherencia a los objetivos del Programa es adecuada, pero hay fragilidades especialmente en relación a la prevención de never events.

Descriptores: Seguridad del Paciente; Centros Quirúrgicos; Enfermería de Quirófano; Calidad de la Atención de Salud; Gestión de la Práctica Profesional; Gestión en Salud

Introdução

Os centros cirúrgicos são considerados unidades complexas e de alto risco, suscetíveis a erros e eventos adversos que podem gerar mortes ou complicações aos pacientes. Nos países desenvolvidos, o índice de complicações importantes em procedimentos cirúrgicos é de 3 a 16% e a taxa de mortalidade é de 0,4 a 0,8%, aproximadamente metade desses eventos pode ser considerada evitável. Já em países em desenvolvimento, estimam-se taxas de mortalidade de 5 a 10% em cirurgias de grande porte1.

Diante desse cenário, em 2009, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou diretrizes para a implantação de um protocolo universal de segurança do paciente cirúrgico. O guideline foi desenvolvido após a campanha Safe Surgery Saves Lives (Cirurgia Segura Salva Vidas), tendo sido traduzido para o Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e divulgado no ano de 20101-2.

A partir dessa campanha mundial, o tema tem ganhado ampla projeção por meio das mídias televisivas e redes sociais, ampliando o debate tanto entre especialistas e profissionais de saúde quanto entre pacientes. O Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas1 visa à redução do número de mortes e complicações cirúrgicas e contempla 10 objetivos essenciais para garantir a segurança do paciente. Esse conjunto de objetivos pode ser considerado como uma ferramenta para a segurança na prática dos profissionais de saúde, auxiliando-os no desenvolvimento de ações que visam à diminuição de erros nos processos assistenciais1,3.

A implantação de um programa de segurança do paciente em uma organização de saúde vai além da aplicação de questionários e cumprimento de metas. A cultura deve estar contemplada na missão e nos valores da instituição de saúde e os líderes devem compreender a prática da segurança do paciente como um indicador de qualidade assistencial. Nesse contexto, os enfermeiros têm maiores condições de identificar os riscos aos quais os pacientes estão expostos no centro cirúrgico e, portanto, liderar a incorporação de uma cultura de cirurgia segura e adesão aos objetivos do Programa3-5.

Pesquisadores nacionais e internacionais têm destacado a necessidade de investigações sobre como melhorar a cultura organizacional da segurança do paciente, assim como avaliar a evolução da implementação de processos de melhoria do cuidado cirúrgico2-6. Porém, conforme recente revisão sobre publicações relacionadas à segurança do paciente no ambiente hospitalar, somente 3,5% dos estudos abordavam o tema cirurgia segura, especialmente no que diz respeito à adesão e/ou cultura de segurança do paciente entre profissionais6. Assim, constata-se a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a adesão de profissionais de saúde ao Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas.

Adesão pode ser definida como a adoção e manutenção de boas práticas para a qualidade e segurança do paciente nos serviços de saúde, o que exige do profissional conhecimento técnico, atitude ética e motivação7. Dessa maneira, considerando que os enfermeiros de centro cirúrgico no Brasil são os gestores dessa unidade e têm posição fundamental no desenvolvimento de estratégias para a segurança do paciente cirúrgico, delineou-se como questão de pesquisa: Qual é adesão dos profissionais de saúde aos objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas na perspectiva de enfermeiros de centro cirúrgico?

O objetivo do estudo foi mensurar a adesão aos objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas em centros cirúrgicos a partir da perspectiva de enfermeiros.

Método

Trata-se de um estudo transversal desenvolvido por meio de um survey on-line para enfermeiros de centro cirúrgico de diferentes regiões do Brasil.

A coleta de dados foi realizada no período de junho a agosto de 2017, via plataforma Google Forms ®. A opção por um questionário virtual teve como objetivo potencializar a coleta de dados, pois as pesquisas pela Internet representam uma alternativa econômica que possibilita ultrapassar barreiras geográficas e ampliar o número de participantes do estudo8.

Para a composição da amostragem da pesquisa, enviou-se o link com o questionário por e-mail aos enfermeiros cadastrados na Sociedade Brasileira de Centro Cirúrgico, Central de Material Esterilização e Recuperação Pós-Anestésica (SOBECC) e Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP). O envio desse e-mail foi realizado diretamente pelas entidades supracitadas, não sendo possível precisar o número total de participantes arrolados nessa etapa da pesquisa.

De forma complementar, a pesquisadora principal do estudo enviou 341 e-mails com o link do questionário a participantes da Rede de Hospitais do Brasil com Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Também foi solicitada a divulgação do link do questionário aos Conselhos Regionais de Enfermagem (CORENs) e às seções estaduais da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN) com os seus associados. Essas instituições foram escolhidas por congregarem potenciais participantes do estudo.

Visando ampliar o acesso à pesquisa e, por conseguinte, incluir enfermeiros não cadastrados nas instituições supracitadas, o link da pesquisa também foi compartilhado em grupos e contatos do WhatsApp ®, aos quais os pesquisadores responsáveis tinham acesso, que tivessem relação ou atuação na área da saúde/centro cirúrgico. Ao total, foram enviadas 205 mensagens via WhatsApp ®. O link foi compartilhado também nas redes sociais Facebook ®, LinkedIn ® e Instagram ®, com alcance de mais de 23 mil pessoas, sendo que 219 clicaram diretamente no link.

A partir dessas estratégias, buscou-se abarcar o maior número de enfermeiros de centro cirúrgico atuantes no Brasil. Diante da ausência de literatura prévia para estimar o número de enfermeiros atuantes em centro cirúrgicos em nível nacional e como o questionário não foi restrito às listas de e-mails, não foi possível estimar um cálculo amostral. Assim, obteve-se uma amostra por conveniência não probabilística composta por 248 enfermeiros que responderam ao questionário.

Foram incluídos os enfermeiros com experiência profissional mínima no centro cirúrgico de três meses e que estivessem atuando nesse setor no momento do estudo. Tais critérios de inclusão eram informados aos participantes no momento do convite para responder ao questionário on-line. Foram excluídos os questionários com informações incompletas e em duplicidade, ou seja, quando o mesmo participante respondeu mais de uma vez ao questionário. A duplicidade de respostas foi avaliada por meio da auditoria dos registros de e-mail dos participantes, sendo considerada a última resposta recebida.

O instrumento de coleta de dados foi composto por duas partes, a saber: ficha de caracterização com as variáveis acerca do perfil socioprofissional dos enfermeiros (sexo, idade, experiência em centro cirúrgico, formação, região do país, tipo de estabelecimento de trabalho, área de trabalho, carga horária semana, tipo de atuação profissional e informações sobre o serviço, como a quantidade de sala cirúrgicas sob responsabilidade do enfermeiro e número de cirurgias).

Na segunda parte, elaborou-se um questionário em que os participantes indicavam o seu nível de concordância em relação ao cumprimento de cada um dos 10 objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas no seu local de trabalho atual. Para a resposta, utilizou-se uma escala do tipo Likert com cinco opções de resposta: Discordo Totalmente (DT), Discordo Parcialmente (DP), Neutro (N), Concordo Parcialmente (CP) e Concordo Totalmente (CT). Os 10 objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas1 são: (1) A equipe operará o paciente e o local cirúrgico certo; (2) A equipe usará métodos conhecidos para impedir danos na administração e anestésicos enquanto protege o paciente da dor; (3) A equipe reconhecerá e estará efetivamente preparada para perda de via aérea ou de função respiratória que ameacem a vida; (4) A equipe reconhecerá e estará efetivamente preparada para o risco de grandes perdas sanguíneas; (5) A equipe evitará a indução de reação adversa e drogas ou reação alérgica sabidamente de risco ao paciente; (6) A equipe usará de maneira sistemática métodos conhecidos para minimizar o risco de infecção no sítio cirúrgico; (7) A equipe impedirá a retenção inadvertida de instrumentais ou compressas nas feriadas cirúrgicas; (8) A equipe manterá seguros e identificará precisamente todos os espécimes cirúrgicos; (9) A equipe se comunicará efetivamente e trocará informações críticas para a condução segura da operação; e (10) Os hospitais e os sistemas de saúde pública estabelecerão vigilância de rotina sobre a capacidade, volume e resultados cirúrgicos.

Ressalta-se que, antes da coleta de dados, realizou-se a validade de face e conteúdo com três enfermeiros de centro cirúrgico e dois enfermeiros docentes com experiência na temática do estudo, os quais não foram incluídos na pesquisa. Além disso, os juízes realizaram um pré-teste para averiguar a facilidade/dificuldade no preenchimento do instrumento. Como não houve discordância, sugestões e dificuldades no preenchimento, não foram necessárias alterações no instrumento.

Os dados foram organizados em planilha eletrônica e a análise se deu com o uso do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS) for Windows, versão 19. As variáveis categóricas foram avaliadas por meio de frequência absoluta e percentual. Para as variáveis contínuas, analisaram-se as medidas de posição (média, mínimo e máximo) e dispersão (desvio padrão). Para analisar a adesão dos profissionais aos objetivos do Programa, considerou-se como adequado um percentual de concordância igual ou superior a 75%7.

As recomendações éticas foram seguidas e a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa mediante Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) n° 64255317.9.0000.0121. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi apresentado on-line aos participantes antes de iniciar a coleta de dados por meio de uma página de esclarecimento sobre a pesquisa. O participante precisava clicar na opção “concordo em participar da pesquisa” para confirmar a sua anuência em relação aos termos do estudo e ser direcionado para a tela seguinte com o questionário.

Resultados

Foram recebidas 248 respostas, porém, para a amostra da pesquisa, consideraram-se as respostas de 220 enfermeiros. A partir dos critérios de inclusão e exclusão, foram excluídos 10 participantes que indicaram tempo de atuação inferior a três meses em centro cirúrgico, 10 questionários devido à duplicidade de participação e oito por apresentarem itens incompletos. A caracterização do perfil socioprofissional da amostra está apresentada na Tabela 1.

Tabela 1 Caracterização do perfil socioprofissional dos enfermeiros participantes do estudo. Florianópolis, SC, Brasil, 2017 

Variável n(%) Média Desvio Padrão Variação (mín.-máx.)
Idade (anos) 37,6 8,4 21-62
Sexo
Feminino 186(84,5)
Masculino 34(15,5)
Experiência em centro cirúrgico (anos) 7,6 7 0,25-37
Formação
Graduação 31(14,2)
Especialização centro cirúrgico 75(34,2)
Especialização em outra área 62(28,3)
Mestrado 39(17,8)
Doutorado 12(5,5)
Região
Norte 12(5,5)
Nordeste 29(13,2)
Centro-Oeste e Distrito Federal 9(4,1)
Sudeste 86(39,1)
Sul 84(38,2)
Tipo de estabelecimento
Privado 86(39,1)
Público 76(34,5)
Filantrópico 34(15,5)
Público-Privado 24(10,9)
Área de trabalho
Somente CC* 16(7,3)
Somente RPA 6(2,7)
CC* e RPA 60(27,3)
CC*, RPA e CME 86(39,1)
CC* e outra unidade 52(23,6)
Salas cirúrgicas sob sua responsabilidade 6 3,9 0-28
Volume médio de cirurgias/mês 468,79 482,9 6-3000
Tipo de atuação profissional
Enfermeiro assistencial 117(53,2)
Enfermeiro gestor 103(46,8)
Carga horária semanal (em horas) 36,6 9,1 8-60

*Centro Cirúrgico; †Recuperação Pós-Anestésica; ‡Central de Material Esterilizado.

A distribuição das respostas quanto à adesão aos 10 objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas está apresentada na Tabela 2. O maior nível de concordância foi evidenciado no objetivo 1, com o qual 144 (65,5%) respondentes concordaram totalmente e 52 (23,6%), parcialmente. O menor percentual de concordância total (n=69; 31,4%) e parcial (n=81; 36,8%) foi registrado no objetivo 10.

Tabela 2 Distribuição das respostas dos participantes quanto à adesão aos 10 objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas. Florianópolis, SC, Brasil, 2017 

Objetivo DT* n(%) DP n(%) N n(%) CP § n(%) CT || n(%)
1 - Operar o paciente certo e no local cirúrgico certo 6(2,7) 10(4,5) 8(3,6) 52(23,6) 144(65,5)
2 - Usar métodos conhecidos para impedir danos na administração de anestésicos enquanto protege o paciente da dor 8(3,6) 12(5,5) 20(9,1) 64(29,1) 116(52,7)
3 - Reconhecer e estar efetivamente preparada para perda de via aérea ou de função respiratória que ameace a vida 6(2,7) 14(6,4) 17(7,7) 65(29,5) 118(53,6)
4 - Reconhecer e estar efetivamente preparada para o risco de grandes perdas sanguíneas 6(2,7) 15(6,8) 20(9,1) 66(30) 113(51,4)
5 - Evitar a indução de reação adversa a drogas ou reação alérgica sabidamente de risco ao paciente 5(2,3) 11(5,0) 14(6,4) 73(33,2) 117(53,2)
6 - Usar, de maneira sistemática, métodos conhecidos para minimizar o risco de infecção no sítio cirúrgico 6(2,7) 17(7,7) 10(4,5) 74(33,6) 113(51,4)
7 - Impedir a retenção inadvertida de instrumentais ou compressas nas feridas cirúrgicas 6(2,7) 14(6,4) 14(6,4) 65(29,5) 121(55)
8 - Manter seguros e identificar precisamente todos os espécimes cirúrgicos 5(2,3) 11(5) 18(8,2) 61(27,7) 125(56,8)
9 - Comunicar-se efetivamente e trocar informações críticas para a condução segura da operação 5(2,3) 19(8,6) 17(7,7) 73(33,2) 106(48,2)
10 - O hospital e os sistemas de saúde pública estabelecem vigilância de rotina sobre a capacidade, volume e resultados cirúrgicos 13(5,9) 27(12,3) 30(13,6) 69(31,4) 81(36,8)

*Discordo Totalmente; †Discordo Parcialmente; ‡ Neutro; §Concordo Parcialmente; || Concordo Totalmente.

Discussão

Este é o primeiro estudo que analisou a adesão aos 10 objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas em centros cirúrgicos a partir da perspectiva de enfermeiros de diferentes regiões do Brasil. Assim, os resultados apresentados contribuem tanto para a produção do conhecimento científico sobre segurança do paciente em centro cirúrgico quanto para a prática de enfermeiros e gestores dessa área assistencial. Além disso, a pesquisa apresenta um panorama da caracterização socioprofissional dos enfermeiros de centro cirúrgico no Brasil.

A amostra deste estudo foi composta majoritariamente por participantes do sexo feminino (n=186; 84,5%), com média de 37,6 anos de idade. Tais resultados vão ao encontro do perfil sociodemográfico dos enfermeiros no Brasil9. A maioria dos participantes possuía especialização em centro cirúrgico (n=75; 34,2%) e atuava em hospital privado (n=86;39,1%) como enfermeiro assistencial (n=117;53,2%).

Quanto ao número de salas cirúrgicas sob responsabilidade dos enfermeiros, obteve-se uma variação de zero a 28. Apesar da importância dos enfermeiros na gestão do cuidado10, a resposta zero pode indicar que alguns não se consideraram diretamente responsáveis pelas salas cirúrgicas e atribuem tal responsabilidade a outros enfermeiros ou gestores.

A maioria das respostas foi proveniente das regiões Sul e Sudeste, o que pode estar relacionado à maior quantidade de hospitais e centros cirúrgicos nesses locais. Além disso, há uma concentração do número de enfermeiros em grandes centros urbanos no Brasil9.

A maioria dos enfermeiros trabalhava em mais de uma unidade na instituição, além do Centro Cirúrgico (n=138; 62,7%), principalmente Recuperação Pós-Anestésica e Central de Material Esterilizado (n=86; 39,1%). Nesse sentido, pontua-se que a atuação em mais de um setor pode impactar negativamente no controle do enfermeiro sobre o ambiente de cuidado11.

Em relação à adesão aos 10 objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas, com exceção do objetivo 10, os demais objetivos apresentaram índices de concordo parcialmente e concordo totalmente acima de 75%. Esse resultado indica um nível de adesão adequado a nove dos 10 objetivos analisados7.

No entanto, alguns eventos adversos graves relacionados a procedimentos cirúrgicos não deveriam ocorrer. Tratam-se de never events, como cirurgia ou outro procedimento invasivo realizado no sítio errado ou paciente errado; cirurgia ou procedimento invasivo errado em um paciente; retenção não intencional de corpo estranho em um paciente após cirurgia ou procedimento invasivo; e óbito intraoperatório ou imediatamente pós-operatório em paciente conforme classificação da American Society of Anestesiology (ASA)12-13.

A partir dessa classificação, pode-se considerar que os objetivos 1, 7 e 8 visam à prevenção de never events. Dessa forma, qualquer opção diferente de Concordo Totalmente (CT) assinalada pelos participantes deste estudo quanto a esses objetivos indica risco à segurança do paciente. Nesse sentido, destaca-se que, de acordo com a ANVISA, ocorreram no Brasil, de 2014 a 2017, 19 óbitos intraoperatórios ou imediatamente no pós-operatório em paciente ASA I, 66 notificações de retenção não intencional de corpo estranho e 12 procedimentos cirúrgicos em local errado do corpo13.

De forma semelhante, estudo brasileiro identificou uma adesão de 98% da equipe em relação aos 10 objetivos propostos pela OMS por meio da checagem do checklist de cirurgia segura. Porém, muitos itens não estavam adequadamente preenchidos, evidenciando falha na segurança do paciente, principalmente nos objetivos 1, 4, 5, 7, 8 e 914.

No contexto internacional, pesquisadores canadenses, ao analisarem 212 casos de pacientes submetidos à cirurgia abdominal de urgência, constataram que 51,9% apresentaram complicação não fatal, 22,6% tiveram perda de independência e 6,6% foram a óbito no hospital15. Na Holanda, a partir da investigação de 67.630 procedimentos cirúrgicos, identificaram-se 2.563 incidentes, sendo 34% (n=877) decorrentes do não cumprimento de protocolos institucionais pelos profissionais16.

A seguir, discutem-se os resultados obtidos por cada um dos 10 objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas.

O Objetivo 1 obteve a maior concordância (89,1%) em relação aos objetivos analisados. Porém, esse resultado é preocupante, uma vez que esse objetivo se refere a um never event. Estudo feito em São Paulo, no Brasil, demonstrou que 55% dos profissionais da equipe de enfermagem classificaram a ausência de lateralidade como um evento adverso17. Pesquisa realizada com 502 ortopedistas brasileiros evidenciou que 40% relataram não demarcar o local da cirurgia e 40% afirmaram já terem realizado cirurgia no local errado. A maioria dos participantes referiu nunca ter sido capacitada para o uso de protocolo de cirurgia segura18. Embora não seja realidade no Brasil, a demarcação do sítio cirúrgico por enfermeiros pode contribuir para a segurança do ato cirúrgico, conforme resultados de estudo suíço19.

Quanto aos Objetivos 2, 3, 4 e 5, em média, 50% dos participantes relataram concordar totalmente que a equipe adere às recomendações da OMS. Esses quatro objetivos referem-se à segurança do paciente no procedimento anestésico1, o que pode ter contribuído para níveis de concordância similares entre os participantes.

A consulta pré-anestésica deve ser realizada para os pacientes submetidos a procedimentos eletivos e possibilita a prevenção de eventos relacionados a práticas anestésicas. É importante para avaliação do risco para via área difícil, identificação de alergias ou reações adversas e previsão de possível perda sanguínea durante o ato cirúrgico20.

O acesso da via aérea difícil gera complicações que podem resultar em morte ou dano cerebral, as quais são evitáveis a partir da avaliação da via área antes da indução anestésica21. No Brasil, existem tecnologias disponíveis para a prevenção da via aérea difícil, inclusive alternativas simples e econômicas que contribuem para a segurança do paciente22.

A prevenção de riscos relacionados a eventos adversos é ponto-chave da segurança do ato anestésico. Estudo brasileiro apresentou o panorama da ocorrência da Anafilaxia Perioperatória (APEO), que é uma reação alérgica rara, mas com início rápido e fatal. A incidência varia de acordo com o país, podendo ser de 1:1.250 a 1:13.000 cirurgias. As principais causas são os relaxantes musculares, o látex e os antibióticos23.

Aproximadamente 15% a 40% dos pacientes que são submetidos a procedimentos cirúrgicos apresentam anemia no momento da cirurgia24. A partir da consulta pré-anestésica, é possível reverter a condição anêmica do paciente em cerca de 15 dias. A anemia no pré-operatório está diretamente relacionada à transfusão sanguínea no ato cirúrgico, que é considerada a principal causa de morbidade e mortalidade pós-operatórias25.

Outro aspecto importante é a atuação do anestesiologista na administração de medicamentos anestésicos. Embora os protocolos de administração de medicamentos por via intravenosa não tenham apresentado grandes mudanças nos últimos 60 anos, ainda existe alto índice de erros relacionados à medicação no ato anestésico26.

Em Santa Catarina, Brasil, estudo com 61 anestesistas evidenciou que 91,8% já tinham cometido mais de um erro de administração de medicamento. As principais causas levantadas foram distração, fadiga ou baixa gravidade do paciente27. Na China, estudo evidenciou como principais causas de erro de medicação anestésica omissão, dosagem incorreta e substituições de medicação28. A identificação incorreta de ampolas e seringas também é uma das principais causas de erro de medicação relacionado ao ato anestésico29.

Diante do cenário internacional e da legislação vigente no Brasil, a atuação conjunta do enfermeiro com o anestesiologista é fundamental para o planejamento e a organização de materiais e equipamentos para o procedimento anestésico. Além disso, nos Estados Unidos e em alguns países europeus, existe uma legislação que define a formação e atuação independente do enfermeiro, com protocolos de cuidados que permitem a elaboração do plano anestésico e autonomia para a execução da assistência durante o procedimento cirúrgico6.

O Objetivo 6 obteve 85% de concordância entre os enfermeiros. A Infecção no Sítio Cirúrgico (ISC) ocorre em cerca de 3% a 20% dos procedimentos cirúrgicos, constituindo-se como principal causa de morbidade e mortalidade na assistência médica moderna30. A maioria das ISCs é passível de prevenção, principalmente a partir da realização de antibiótico profilático31-32. No Brasil, a taxa de adesão ao uso da antibioticoterapia profilática é de 84%33. Já na Suécia, essa taxa é estimada em 92%34.

O Objetivo 7 teve uma taxa de concordância de 84% e também se refere a um never event. Esse resultado é preocupante diante da gravidade das consequências que um evento dessa natureza acarreta aos pacientes. A contagem de compressas é uma prática de baixo custo, que exige organização e método estruturado, como um formulário impresso1,35. A retenção de uma compressa em uma ferida cirúrgica gera um gossipiboma, que é uma matriz de matéria têxtil envolvida por reação de corpo estranho. Ela ocorre principalmente no espaço intra-abdominal, podendo ter apresentação de fístula, abcesso ou massa36.

A incidência de gossipiboma é subnotificada devido às implicações médico-legais. De acordo com uma revisão de literatura, a taxa de ocorrência em operações abdominais é de 1:1.000 a 1:1.500. Muitas vezes o paciente fica assintomático, o que também contribui para a subnotificação37. Estudo desenvolvido no Paquistão demonstrou que a ocorrência de gossipiboma ocorre principalmente em cirurgia de urgência38.

No Objetivo 8, a concordância parcial e total foi de 84,5%. Esse achado vai ao encontro dos resultados de um estudo com 31 profissionais de enfermagem de um centro cirúrgico em São Paulo, Brasil, dos quais 92,9% consideraram o descarte inadequado de uma peça cirúrgica um evento adverso grave15. Em Taiwan, dos 200.345 espécimes coletados em um centro médico, 1023 estavam com erro de identificação39.

O Objetivo 9 obteve 81,4% de concordância, segundo menor índice entre os objetivos avaliados, indicando que problemas de comunicação são muito frequentes em centro cirúrgico. Estudo holandês associou 11% dos eventos adversos ocorridos na sala cirúrgica a problemas de relacionamento e falhas de comunicação14. No Brasil, a falha de comunicação entre a equipe médica e de enfermagem representa 32% das causas dos eventos adversos em centro cirúrgico15.

O Objetivo 10 apresentou o nível de concordância mais baixo entre os objetivos analisados. O compartilhamento de informações e a socialização dos indicadores estimula a aprendizagem a partir do erro. Além disso, a notificação permanente e o rastreamento fortalecem a disseminação da cultura de segurança e envolvem os membros da equipe no desenvolvimento de melhores práticas de segurança33. O monitoramento de resultados nos centros cirúrgicos é importante para instrumentalizar os gestores e profissionais para a tomadas de decisões no centro cirúrgico40.

Dessa forma, os resultados do presente estudo contribuem para evidenciar a complexidade da adesão às recomendações da OMS no Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas. Além disso, os achados apresentados poderão auxiliar gestores e profissionais de saúde no desenvolvimento de estratégias para segurança do paciente no centro cirúrgico, especialmente em relação a never events.

Quanto às limitações desta pesquisa, as interpretações dos resultados podem ser consideradas de alcance restrito devido ao recorte transversal da pesquisa e à adoção de uma amostra por conveniência não probabilística. Ressalta-se que esse tipo de amostragem não permite identificar se as pessoas selecionadas são realmente representativas da população.

Entretanto, as características da amostra do presente trabalho podem auxiliar na estimação de números amostrais para futuros estudos, visto que se tratou de uma população ampla, com número expressivo e atuante em diversas regiões brasileiras. Em relação à validade interna, a realização de coleta de dados online dificulta o controle de amostras e populações, pois o questionário pode ser preenchido por outra pessoa, que não o profissional. Além disso, é mais fácil o participante recusar-se a participar ou abandonar o estudo em andamento, bem como há maior possibilidade de pessoas interessadas pelo tema enviesarem a composição da amostra.

Conclusão

Contatou-se um nível de adesão adequado a nove dos 10 objetivos do Programa Cirurgias Seguras Salvam Vidas. O objetivo que apresentou adesão insatisfatória diz respeito à adoção pelos hospitais e sistemas de saúde de mecanismos de vigilância de rotina sobre a capacidade, o volume e os resultados cirúrgicos. Assim, espera-se que este estudo possa subsidiar a discussão de estratégias para aumentar a segurança do paciente no centro cirúrgico, especialmente em relação à vigilância em saúde e prevenção de never events.

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* Artigo extraído da dissertação de mestrado “Práticas de enfermeiros na gestão do cuidado de enfermagem para a promoção da segurança do paciente no centro cirúrgico”, apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Recebido: 03 de Maio de 2018; Aceito: 08 de Outubro de 2018

Autor correspondente: Larissa de Siqueira Gutierres E-mail: larasiqueira@hotmail.com

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