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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.27  Ribeirão Preto  2019  Epub Oct 28, 2019

https://doi.org/10.1590/1518-8345.3193.3208 

Artigo Original

A voz da enfermagem como ferramenta para promover o engagement no trabalho*

Isabel Sanclemente-Vinue1 
http://orcid.org/0000-0001-9778-3555

Carmen Elboj-Saso1 
http://orcid.org/0000-0003-0937-4861

Tatiana Iñiguez-Berrozpe1 
http://orcid.org/0000-0003-4530-9645

1University of Zaragoza, Department of Psychology and Sociology, Zaragoza, Zaragoza, Espanha.


RESUMO

Objetivo:

O objetivo deste estudo foi estabelecer os fatores que induzem os profissionais de enfermagem a apresentar engagement em seu ambiente de trabalho.

Método:

Estudo qualitativo, utilizando a abordagem comunicativa, conduzido com profissionais de enfermagem de centros públicos e privados da cidade de Huesca. Os discursos foram coletados por meio de relatos comunicativos e grupos de discussão comunicativa.

Resultados:

A metodologia utilizada permitiu o estabelecim ento de um conjunto de medidas de promoção do engagement no ambiente estudado. Essas medidas são enquadradas nas três categorias principais analisadas: as variáveis ​​sistêmicas ou estruturais, as variáveis ​​que se referem aos sujeitos e as que se referem às relações entre os sujeitos.

Conclusão:

Conhecer a situação de engagement dos profissionais e as questões que estimulam ou dificultam sua manifestação são essenciais para estabelecer medidas que contribuam para o seu desenvolvimento. O uso de técnicas qualitativas nos permitiu descobrir situações que teriam passado despercebidas sem sua utilização. Após analisar as entrevistas e os grupos de discussão, destacou-se a importante falta de reconhecimento que os participantes vivenciam, o que contribuiria, na opinião deles, para o surgimento da síndrome de burnout, bem como a falta de coesão coletiva.

Descritores: Enfermeiras e Enfermeiros; Saúde do Trabalhador; Análise Qualitativa; Promoção da Saúde; Fóruns de Discussão; Esgotamento Psicológico

ABSTRACT

Objective:

The objective of this study was to establish the factors that induce nursing professionals to present engagement with their work environment.

Method:

Qualitative study, using the communicative methodology, with nursing professionals from public and private centers in the city of Huesca. The statements were collected through communicative stories and discussion groups.

Result:

The methodology used has allowed the establishment of a set of engagement promotion measures in the studied environment. These measures are framed in the three main categories analyzed: the systemic or structural variables, the subject-oriented variables, and those that refer to the relationships between the subjects.

Conclusion:

Knowledge of the situation regarding engagement among professionals, and the issues that encourage or hinder its appearance, is essential in establishing measures that contribute to its development. The use of qualitative techniques has allowed for the discovery of situations that would have gone unnoticed. After analyzing the interviews and the discussion groups, the following were present: an important lack of recognition that the participants experience, and that contribute, in their opinion, to the appearance of burnout syndrome, and, the lack of cohesion as a collective.

Descriptors: Nurses; Occupational Health; Qualitative Analysis; Health Promotion; Discussion Forums; Psychological Burnout

RESUMEN

Objetivo:

el objetivo del presente estudio fue establecer los factores que inducen a los profesionales de enfermería a presentar engagement en su entorno laboral.

Método:

estudio cualitativo, usando la metodología comunicativa, entre profesionales de enfermería de centros públicos y privados de la ciudad de Huesca. Los discursos se recogieron mediante relatos comunicativos y grupos de discusión comunicativos.

Resultado:

la metodología usada ha permitido establecer un conjunto medidas de promoción del engagement en el entorno estudiado. Estas medidas se enmarcan en las tres categorías principales analizadas: las variables sistémicas o estructurales, las variables que se refieren al sujeto, y las que se refieren a las relaciones entre los sujetos.

Conclusión:

conocer cuál es la situación del engagement entre los profesionales, y las cuestiones que fomentan o dificultan su aparición, son fundamentales para poder establecer medidas que contribuyan a su desarrollo. El uso de las técnicas cualitativas ha permitido descubrir situaciones que hubieran pasado desapercibidas. Tras analizar las entrevistas y los grupos de discusión, ha quedado patente la importante falta de reconocimiento que experimentan los participantes, y que contribuiría, en su opinión, a la aparición del síndrome de burnout, así como la escasa cohesión como colectivo.

Descriptores: Enfermeros; Salud Laboral; Análisis Cualitativo; Promoción de la Salud; Foros de Discusión; Agotamiento Psicológico

Introdução

A síndrome de burnout deve ser entendida como uma forma de assédio psicossocial no trabalho, em que o trabalhador está sobrecarregado e impotente para lidar com os problemas gerados por seu ambiente de trabalho(1), e foi definida pela primeira vez em 1974(2). Oposto a essa síndrome, surge o termo engagement, sendo os empregados indivíduos engaged que tomam iniciativas pessoais em seu ambientes de trabalho e geram seus próprios feedbacks sobre o desempenho(3), sem se esquecerem que o fato de ter um engagement elevado não significa ignorar os aspectos negativos do trabalho e das organizações(4). Esses termos estão relacionados aos termos de adição e satisfação no trabalho, como demonstrado na Figura 1(5).

Fonte: Elaboração própria adaptada de Bakker & Oerlemans, 2012

Figura 1 Modelo bidimensional do bem-estar subjetivo no trabalho 

A síndrome de burnout aparece em maior grau naquelas profissões em que o contato contínuo com as pessoas é necessário, de modo que a enfermagem tem sido uma das profissões em que ela tem maior prevalência, ficando na Espanha em 33%(6), e em nível internacional, atingindo 55,3% no Brasil(7),25,5% em enfermeiros da área hospitalar na Colômbia(8)e 20% em enfermeiros especializados em ginecologia obstétrica na Noruega(9).

A alta presença da síndrome de burnout entre os profissionais de saúde em geral e na enfermagem em particular, aliada ao interesse das organizações de trabalho em conseguir profissionais com alto nível de engagement, motivou esta investigação.

Para tanto, complementando um estudo anterior do tipo quantitativo, foi proposto o uso da metodologia comunicativa do tipo qualitativa, que pode fornecer uma visão nova e muito interessante sobre esses conceitos, visto que, de forma usual, o tipo de estudo que aborda a prevenção da síndrome de burnout entre os profissionais de enfermagem segue um corte quantitativo transversal(6),(10), ou quantitativo longitudinal(11). Poucos estudos utilizam uma metodologia qualitativa e/ou mista para abordar o engagement entre os profissionais de enfermagem(12), e nenhum foi encontrado utilizando a abordagem comunicativa para esse fim.

A abordagem comunicativa tem como objetivo descrever a realidade, interpretá-la e transformá-la, enfatizando como os significados são construídos comunicativamente a partir de interações entre pessoas em um mesmo nível de igualdade. Os pesquisadores contribuem com os conhecimentos teóricos e os participantes com as vivências e experiências pessoais, estabelecendo-se um diálogo igual em todos os momentos, nos quais consideram-se as contribuições dos diferentes participantes de acordo com sua validade, e não de acordo com a posição de poder ocupada por aqueles que as executam(13).

A metodologia comunicativa visa não apenas a descrever e explicar a realidade, compreendê-la e interpretá-la com o objetivo de estudá-la, mas também estudá-la para transformá-la, enfatizando como os significados são construídos comunicativamente por meio da interação das pessoas(14).

A metodologia comunicativa assume uma série de postulados, sendo estes, entre outros, a universalidade da linguagem e da ação, as pessoas como agentes sociais transformadores, a racionalidade comunicativa, ou seja, todas as pessoas têm capacidade de linguagem e ação, o sentido comum, entendido como sentido subjetivo que depende das experiências pessoais e formado dentro do contexto cultural. Não há hierarquia interpretativa nesta abordagem, pois qualquer pressuposto tem a mesma força e tanto os participantes quanto os pesquisadores estão no mesmo nível (mesmo nível epistemológico)(14).

O objetivo deste estudo foi estabelecer os fatores que induzem os profissionais de enfermagem a apresentar engagement em seu ambiente de trabalho, por meio de uma metodologia pouco implementada nesta temática: a metodologia comunicativa, de tipo qualitativa.

Método

Este estudo foi realizado em todos os centros de saúde, públicos e privados da cidade de Huesca (Espanha) que contavam com profissionais de enfermagem em sua equipe de trabalho, tendo uma população de referência, a partir de dezembro de 2014, de 527 profissionais de enfermagem. Após a realização de um estudo quantitativo, por meio de indagações padronizadas, optou-se por realizar um estudo qualitativo, utilizando a abordagem comunicativa, visando a realizar uma análise discursiva detalhada e estabelecer os elementos que, na opinião dos participantes, favorecem o surgimento do engagement. Os participantes deste estudo qualitativo foram aqueles que manifestaram o desejo de participar, ao completar os questionários anteriores, bem como representantes profissionais do grupo.

Os discursos foram coletados por meio de relatos comunicativos e grupos de discussão comunicativa. Nessa seleção, a representatividade de cada grupo foi levada em consideração, como apresentado na Tabela 1.

Tabela 1 Características dos participantes do estudo Huesca, HU, Espanha, 2016 

Variáveis Grupos de discussão (N=20) Relatos comunicativos (N=8)
Tipo da instituição Público 20 7
Privado 0 1
Tipo de contrato Fixo 8 7
Temporário 12 1
Sexo Homem 1 2
Mulher 19 6
Especialidade Sim 2 1
Não 18 7
Turno de trabalho Rotativo 10 2
Diurno 10 6

Quanto aos grupos comunicativos de discussão, foram escolhidos no máximo cinco diferentes profissionais de enfermagem para realizar uma conversa planejada e delineada, com o objetivo de confrontar a subjetividade individual com a do grupo, para obter sua opinião sobre o engagement em seu ambiente de trabalho. Foi realizado um diálogo anterior para compartilhar os objetivos do grupo de discussão e explicar a metodologia usada para os participantes.

Foram realizados cinco grupos de discussão, dos quais participaram 20 profissionais de enfermagem, cujas características estão apresentadas na Tabela 1.

Considerou-se, ao planejar os grupos, o fato de separar os supervisores e/ou diretores dos centros e unidades do restante dos participantes, a fim de não inibir ou coagir as possíveis respostas.

Em relação aos relatos comunicativos, foi realizado um diálogo individual com profissionais representativos para refletir e interpretar sua vida cotidiana em relação ao engagement profissional, com o objetivo de detectar aspectos presentes, passados e expectativas futuras. Foram entrevistados oito profissionais de enfermagem na cidade de Huesca (Espanha), entre 12 de abril de 2016 e 30 de maio de 2016. A realização das entrevistas ocorreu nos locais de trabalho dos entrevistados, para que se sentissem confortáveis em seu ambiente e a discussão fosse fluida. Suas características estão apresentadas na Tabela 1.

Foram elaborados roteiros considerando-se revisão prévia da literatura, para que pudessem orientar o desenvolvimento da conversa e abordar os aspectos mais importantes relacionados ao engagement entre os profissionais de enfermagem da amostra.

Essas reuniões foram gravadas e transcritas, e realizadas em um espaço confortável para os entrevistados. Da mesma forma, os objetivos do relato foram comentados em todos os momentos, com ênfase especial em ser uma parte ativa da investigação. Além disso, o termo de consentimento informado, preparado para esse fim, foi distribuído para obter a permissão dos participantes para o uso dos dados coletados durante o uso dos grupos de discussão.

Com a finalidade de realizar a análise de conteúdo, como um conjunto de procedimentos interpretativos de produtos comunicativos, neste caso os discursos, que vieram de comunicações previamente cadastradas(16), as informações foram categorizadas em diferentes níveis de análise, as quais foram estruturadas em um tabela ou quadro. Essa análise foi organizada em torno dos componentes exclusores e transformadores, característicos da metodologia comunicativa, bem como em torno de outros componentes, como transcrição, codificação, descrição e interpretação das informações(14).

As dimensões exclusoras e transformadoras são(16):

  • Dimensões exclusoras: definidas como as barreiras que as pessoas ou grupos encontram e que contribuem para reproduzir as situações que favorecem o surgimento de burnout e evitam o aparecimento do engagement

  • Dimensões transformadoras: definidas de acordo com as exclusoras e são, portanto, antagônicas. São aquelas que possibilitam a superação de barreiras internas e externas e impedem ou dificultam o aparecimento da síndrome de burnout, favorecendo o engagement profissional.

  • As variáveis analisadas foram catalogadas globalmente em três grandes grupos, de acordo com os elementos a que as variáveis se referiam - elementos estruturais, sujeito ou relações entre os sujeitos. Dentro desses grupos, haviam subgrupos específicos de variáveis (Figura 2).

    Figura 2 Categorias e subcategorias das variáveis da técnica qualitativa. Huesca, HU, Espanha, 2016 

    Categorias Subcategorias
    Sistêmicas ou estruturais Organização Estrutura organizacional
    Horários
    Modelos/Cargas
    Estabilidade no emprego
    Ambiente físico
    Burocratização/Informatização
    Papel do gerente
    Papel dependente
    Competências profissionais
    Sujeito Variáveis sociodemográficas
    Experiência profissional
    Personalidade
    Formação
    Implicação
    Relação entre os sujeitos Entre profissionais
    Com os pacientes
    Com os familiares
    Avaliação social

Foram atribuídos códigos às variáveis, criando uma matriz de análise de acordo com as categorias e subcategorias definidas (Tabela 2). Isso permitiu atribuir esses códigos às diferentes unidades de análise encontradas nos relatos dos participantes.

Tabela 2 Dimensões exclusoras e transformadoras. Huesca, HU, Espanha, 2016 

Variáveis Dimensões exclusoras Dimensões transformadoras
Sistêmicas/ Estruturais Organização Estrutura organizacional 1 10
Horários 2 11
Modelos 3 12
Estabilidade no emprego 4 13
Ambiente 5 14
Burocratização 6 15
Papel do gerente 7 16
Papel dependente 8 17
Competências profissionais 9 18
Sujeito Variáveis pessoais 19 28
Experiência profissional 20 29
Personalidade 21 30
Formação 22 31
Implicação 23 32
Inter-relações Entre profissionais 24 33
Com pacientes 25 34
Com familiares 26 35
Avaliação social 27 36

Após a codificação das informações, as diferentes unidades de análise codificadas foram agrupadas de acordo com a tabela de análise, para posterior descrição e interpretação.

Resultados

Nos resultados obtidos neste estudo, serão apresentadas as expressões ou relatosestimados como transformadores, ou seja, que promovem o surgimento do engagement no ambiente de trabalho e, por sua vez, podem ser avaliados como propostas de melhoria para os locais de trabalho, onde podem ser implementados para combater o aparecimento da síndrome de burnout.

Analisar o discurso dos participantes em busca dos elementos considerados transformadores permitiu estabelecer um conjunto de medidas para promover o engagement no ambiente estudado. Essas medidas são apresentadas a seguir de acordo com as três principais categorias analisadas: as variáveis sistêmicas ou estruturais, as variáveis que se referem ao sujeito e aquelas que se referem às relações entre os sujeitos. Dentro dessas categorias principais, as mais específicas serão desenvolvidas, conforme especificado anteriormente.

Quanto à categoria estrutural, a primeira medida proposta é a existência de acordos em nível nacional, já que evitaria as mudanças sofridas pelas diretrizes de saúde pública na Espanha: E no nível político, fazer um grande pacto pela saúde no qual certas coisas, as quais são os pilares que a sustentam, pois foram mantidos ao longo do tempo, independentemente de qual administração era (EEDH*: 112, 10).

Em níveis mais específicos, um número significativo de participantes sugere que, realizando o trabalho por objetivos, poder-se-ia prevenir o aparecimento da síndrome de burnout: Se encorajássemos o trabalho em equipe, todos nós saberíamos que cada um tem uma parte nesse trabalho. E também é necessário ter tempo para fazê-lo (EESMB: 110, 10).

Alguns dos participantes propõem que, a partir de uma organização colegiada de enfermagem, deve-se promover uma unidade profissional por meio de realização de atividades conjuntas. As organizações colegiadas deveriam, na sua opinião, promover uma maior visibilidade da profissão: Acredito que temos que traduzir para a sociedade o que é a enfermeira/o enfermeiro e realmente explicar o que a enfermagem faz, nisso talvez falhemos na enfermagem, de que a população realmente saiba tudo o que fazemos (EEDH: 54, 18).

Quanto aos horários e turnos de trabalho, eles propõem que, para promover o engagement no ambiente de trabalho, o controle de tempo deve ser estabelecido para todos os profissionais da equipe interdisciplinar, o que favoreceria sentimentos de igualdade.

Na opinião dos participantes, não apenas a proporção de pacientes por enfermeiro deve ser avaliada, mas também uma avaliação qualitativa deve ser realizada, pois existem unidades assistenciais com baixas taxas de pacientes por enfermeiro, mas os cuidado que necessitam são muito numerosos e representam uma carga de trabalho importante, favorecendo o aparecimento da síndrome de burnout.

Seguindo com medidas no nível estrutural ou organizacional, alguns dos participantes propõem a criação de pontos ou lugares de encontro: Acredito que não há um lugar onde você possa se queixar e desabafar para as outras as pessoas (GD5F: 1021, 10).

A maioria dos participantes propõe que seja considerada a opinião dos envolvidos para a organização do trabalho, e que poderia surgir a partir dos pontos de encontro anteriormente mencionados.

A maioria dos participantes propõe a profissionalização da gestão em saúde como ferramenta para a promoção do engagement. Assim, essa profissionalização da gestão melhoraria o vínculo entre os profissionais, promovendo sentimentos de respeito e união: Uma mudança nessas organizações que nos representam, ou, por exemplo, nos departamentos de enfermagem, ou seja, departamentos de enfermagem mais profissionalizados, nos uniriam mais como profissão (EESCM: 189, 10).

Referindo-se mais especificamente à liderança, e relacionado às propostas anteriores, existe um amplo consenso entre os participantes em relação à proposta de que os líderes exerçam suas funções com transparência, e favoreçam sentimentos de pertencimento à empresa onde trabalham.

Ao se referir à relação entre liderança e reconhecimento como ferramentas para a promoção do engagement, na opinião da maioria dos participantes o reconhecimento por parte dos superiores deveria ser melhorado: Melhorar as habilidades de liderança (EESTM: 164,16).

Outra medida proposta em nível estrutural ou organizacional seria existência de profissionais de apoio, como psicólogos, que pudessem atender os diferentes profissionais de enfermagem para prevenir a síndrome de burnout e promover o engagement no ambiente de trabalho: Veja, eu também acredito que, também, se você estiver derrotado um dia ou qualquer coisa que tenha acontecido, que exista um psicólogo ou alguém para quem você possa dizer ... bem, veja, eu estou transtornada com isso e eu preciso de ajuda (GD2A: 387, 10).

Com o objetivo de melhorar a conciliação familiar, alguns dos profissionais entrevistados propõem a existência de creches próprios centros de atendimento, uma medida que os trabalhadores veriam como favorecedora da conciliação da vida privada com vida profissional, o que poderia beneficiar o desenvolvimento de engagement.

Continuando com as propostas estruturais ou organizacionais, encontramos as que se referem a uma melhoria nas condições de trabalho. A maioria dos participantes considera que o engagement estaria presente com a melhoria nos contratos de trabalho e da estabilidade do trabalho no sistema público de empregos, por meio de aperfeiçoamentos no sistema de provimento de vagas e um maior número de ofertas de emprego público, reduzindo a temporalidade no trabalho. Nesta linha, eles afirmam que o engagement seria promovido: Assim, retirando as listas de lugares fixos (GD2B: 335, 13).

A maioria dos participantes propõe que os programas de computador sejam mais simples, intuitivos e iguais para todo o centro de saúde, evitando assim a variabilidade entre os serviços: E torná-lo prático e… intuitivo (EESMA:335,15). Da mesma forma, eles propõem que haja um período suficiente e adequado de adaptação e treinamento, anterior à informatização dos serviços, e incluem: Que o programa não seja desenvolvido por um profissional da computação sem uma enfermeira ao lado (EESMA: 325, 31).

Finalmente, dentro das propostas no nível organizacional, alguns dos participantes acreditam que promoção de pesquisa dentro do ambiente de trabalho favoreceria o surgimento do engagement: (...) Promover pesquisas de enfermagem. É muito importante. Porque, embora pensemos que seja uma mentira, o que é publicado em obras, em revistas, em qualquer meio, é importante (EESTM: 246, 31).

Dentro das intervenções organizacionais, aquelas que visam a aumentar o nível de conhecimento dos indivíduos sobre a síndrome de burnout e o engagement no ambiente de trabalho também podem ser propostas, e essas também podem ser colocadas dentro de intervenções individuais. Alguns dos participantes acreditam que conhecer esses construtos poderia ajudar na sua identificação.

Ao se referir à categoria relativa ao sujeito, alguns dos participantes acreditam que o desenvolvimento do engagement poderia ser incentivado pela melhoria do conhecimento na gestão da saúde do trabalhador: na carreira gerencial, todo mundo passa pouquíssimo tempo, e acho que deveriam nos ensinar mais (...), se você soubesse mais sobre gestão, você administraria desde seu trabalho, e até sua cura, certo? (EESCM: 74, 31)

Outra linha de formação proposta pelos participantes seria voltada para o treinamento em habilidades de liderança e na promoção de pesquisas: (...) Promover pesquisas em nível de enfermagem. É muito importante. Porque, embora nos pareça uma mentira, o que é publicado em trabalhos, em revistas, em qualquer meio, é importante (...) (EESTM: 246, 31).

Uma das propostas feitas concentra-se em receber treinamento relacionado ao desenvolvimento de otimismo e humor no ambiente de trabalho: Acho que é positivo, ou seja, que as equipes ..., ver as coisas de forma positiva e com o humor é importante porque, senão ..., você ficaria louco (GD4C: 443, 30).

Por outro lado, os participantes propõem que o treinamento para aprender a separar ou complementar a vida profissional e a vida familiar pode ajudar a prevenir a ocorrência da síndrome de burnout.

Outras linhas de formação propostas para promover o engagement seriam o treinamento em habilidades de comunicação, habilidades sociais, relacionamentos interpessoais e trabalho em equipe: Aprender habilidades sociais não como proteção, mas aprender habilidades sociais para, digamos, ser capaz de proporcionar maior conforto aos familiares e pacientes e, ao mesmo tempo, evitar sofrer um burnout... (EEDH: 38, 31).

Por último, os participantes propõem treinamento sobre como conduzir as trocas dos turnos de trabalho, isto é, como dizê-lo e onde fazê-lo, a fim de aprender a economizar tempo, proteger os dados pessoais dos pacientes e melhorar a continuidade dos cuidados: Bem, seria necessário fazer um protocolo, algo padronizado. Provavelmente seria bom (EESMA: 365, 33).

Quanto aos relacionamentos com outros profissionais, existe um amplo consenso de que a promoção do trabalho em equipe promoveria o surgimento do engagement. Em sua opinião, isso poderia ser feito por meios de reuniões interdisciplinares e de linhas de comunicação entre diferentes profissionais: Estabelecer linhas de comunicação entre os diferentes profissionais aumentaria o comprometimento profissional (EEAP: 163, 33).

A fim de melhorar o trabalho em equipe com os diferentes profissionais, e não desempenhar funções que não são próprias dos profissionais de enfermagem, os participantes avaliam que um treinamento para conhecer as próprias funções e as de outros profissionais seria uma medida que favoreceria o engagement: Bem, deixando claro, (...) as competências de cada um, como são equipes multidisciplinares, que coexistem diferentes profissões, porque existem limites, que não têm que ser fronteiras, mas que se complementem (EEMH: 40, 18).

A maioria dos participantes propõe que a profissão de enfermagem seja divulgada, o que, em sua opinião, aumentaria o reconhecimento social da profissão: Dizer à população o que fazemos. Que não só damos os comprimidos e as injeções. E isso melhoraria o conhecimento das pessoas sobre a profissão. (…) E isso melhora a maneira como os outros nos veem (EESTM: 176, 36).

Discussão

O bem-estar dos trabalhadores no ambiente de trabalho é uma parte importante dos esforços das empresas e organizações, sendo especialmente relevante entre as empresas dedicadas à saúde. Conhecer as variáveis ​​associadas ao engagement e síndrome de burnout dentro de um ambiente específico de saúde proporcionará as ferramentas relevantes para implementar planos e estratégias que favoreçam o engagement, para que o bem estar dos trabalhadores seja promovido, melhorem a qualidade de os serviços e cuidados oferecidos e reduzam-se os riscos em termos de segurança do paciente.

A maioria das propostas apresentadas pelos participantes coincide com propostas anteriores relacionadas a outros autores, como a reflexão sobre o tamanho dos centros de atendimento e as cidades de trabalho, o que, na opinião deles, representa uma importante influência na síndrome de burnout(17).Pequenos centros se tornam mais acessíveis, confortáveis ​​e menos estressantes, e poderia favorecer o desenvolvimento do engagement. Por outro lado, alguns participantes afirmam que o ambiente em que o estudo foi realizado incentiva muito o treinamento pós-universitário, e que esse fato também poderia favorecer o desenvolvimento do engagement.

A maioria dos participantes afirmam que o sexo dos profissionais influencia as relações estabelecidas entre eles, com outros profissionais, familiares e pacientes. Além disso, os participantes enfatizam o fato de que a maioria dos profissionais de enfermagem são mulheres, já que até recentemente para as mulheres o trabalho era considerado secundário, não acontecendo entre o coletivo de homens. Na opinião dos participantes, isso também estaria relacionado ao estado civil e à conciliação família-trabalho, já que, em sua opinião, essas facetas são difíceis de separar, e a conciliação entre as duas é complexa, o que pode favorecer o desenvolvimento de síndrome de burnout. Estudos anteriores afirmam que o sexo feminino parece mais propenso a sofrer de síndrome de burnout, uma vez que apresentam maiores percentuais de altos níveis de exaustão, cinismo e menos eficácia do que o sexo masculino, mas sem que essa relação esteja clara. Isso poderia ser fator explicativo, já que o estresse parece estar ligada aos papéis sexuais(18).

Os participantes associam a instabilidade do trabalho a uma maior insegurança, o que dificulta a conciliação, diminui a qualidade dos cuidados e dificulta a educação continuada, dificultando o engagement. Na opinião dos participantes, essa instabilidade laboral é fomentada pelas organizações de saúde, a fim de dar aos trabalhadores menos direitos do que aqueles profissionais que têm um contrato de trabalho fixo, embora um estudo tenha demonstrado que a fadiga emocional está associada ao fato de ser trabalhador com contrato fixo(19).

Na opinião dos participantes, o fato de ter líderes profissionais, que conciliam transparência na gestão e no profissionalismo, aumentaria o vínculo entre os profissionais e a organização, e poderia favorecer o desenvolvimento do engagement. Se as organizações promovessem sentimentos de pertencimento a ele, isso levaria a um maior nível de comprometimento entre os profissionais, e um nível menor de burnout entre os profissionais, dados corroborados por estudos anteriores, os quais demonstram que os gerentes de enfermagem são a chave para promover o envolvimento profissional ou engagement, devendo promover a melhoria dos comportamentos de liderança e um ambiente de otimismo e autoeficácia que aumentam o comprometimento do trabalho(20).

Os profissionais de saúde sentem que as organizações para as quais trabalham os tratam de maneira injusta, e que o desenvolvimento de modelos que melhorem esses sentimentos de justiça aumentaria diretamente o engagement dos indivíduos com a organização. Resultados semelhantes a outros estudos(21), que afirmam que ,quando as organizações se comportam com maior justiça, os enfermeiros têm menos síndrome de burnout, sendo que as medidas voltadas para o desenvolvimento desse senso de justiça seriam a implementação de modelos de liderança transformacional(22)ou a orientação para os objetivos, que foi encontrada como estando relacionada ao bem-estar ocupacional(23).

A relação entre a carga de trabalho e a ocorrência da síndrome de burnout foi mencionada nas entrevistas e nos grupos de discussão realizados. Neles, os participantes afirmam que a falta de recursos humanos e materiais aumenta o nível de estresse e promove o aparecimento da síndrome de burnout, da mesma forma que outros autores declaram previamente(24).

Os participantes acreditam que a falta de formação, desde a universidade, em habilidades de controle de tempo, gestão emocional, habilidades de comunicação e habilidades sociais, contribui para o surgimento da síndrome de burnout. Outros estudos já demonstraram que a falta de controle e sobrecarga são estimadas como as principais fontes de estresse(25). A educação nessas áreas permitiria maior capacidade de gerenciar situações complexas da prática diária, oferecer maior conforto aos pacientes e aumentar a confiança entre os profissionais.

Os participantes sugerem falta de reconhecimento pelos gestores e pela sociedade em geral, em relação aos profissionais de enfermagem, o que impede o desenvolvimento do engagement. Essa falta de reconhecimento refere-se à recompensa, entendida como recompensa institucional, social e/ou financeira, e observa-se que, se insuficiente, há um risco maior de sofrer de síndrome de burnout(26)-(27).

Em inúmeras ocasiões, os participantes expressaram a importância que sua própria evolução teve para a profissão de enfermagem, considerando-a, às vezes, pouco profissional ou muito dependente de outras profissões com as quais trabalha de maneira coordenada. Isso, juntamente com a importante feminização da profissão, é considerado um fator chave que pode facilitar o surgimento da síndrome de burnout, uma vez que o sexo é considerado pelos participantes como determinante nas relações entre os profissionais.

Embora as mulheres representem, atualmente, 84,3% dos profissionais de enfermagem, apenas 43,48% dos presidentes dos colégios provinciais de enfermagem são mulheres. Embora a representação feminina seja a maioria em enfermagem, esses profissionais ocupam cargos de menor responsabilidade em suas organizações colegiadas, fatos que contribuem para perpetuar situações de desigualdade, que devem ser revertidas por meio de treinamentos, e ações que promovam a incorporação de enfermeiros mulheres a cargos de responsabilidade(28).

O confronto nas definições de enfermagem como vocação ou como profissão é, portanto, um fato contínuo que chega aos nossos dias, obtendo-se opiniões conflitantes entre os participantes do estudo. Esse aspecto deve ser estudado mais profundamente, e a metodologia comunicativa pode fornecer uma visão inovadora em sua abordagem.

Em relação às relações entre os profissionais, é evidente a importância de ter relações interprofissionais saudáveis ​​para alcançar o engagement no ambiente de trabalho(29).Com referência às relações com os pacientes e suas características, os participantes afirmam que o contato contínuo com a doença e o sofrimento favorece o aparecimento da síndrome de burnout. Conclusões semelhantes foram obtidas anteriormente, em que se observou que o tratamento contínuo de pacientes com altos níveis de sofrimento provoca reações emocionais negativas entre os profissionais de saúde(30).

Em relação às relações com os familiares dos pacientes atendidos pelos profissionais de enfermagem, estes profissionais afirmam que essas relações são complexas, com um aumento das demandas e exigências que dificultam o desenvolvimento do engagement no ambiente de trabalho, fato que é visto também prejudicada pelo aumento de agressões e violência verbal contra os profissionais de saúde. Outros autores, que relacionam a existência de agressões com o aparecimento da síndrome de burnout, chegaram a essas mesmas conclusões(31),a exposição a abusos verbais com altos níveis de fadiga emocional, despersonalização e intenção de deixar o trabalho(32).

Conhecer a situação de engagement dos profissionais e as questões que, na opinião dos envolvidos, estimulam ou dificultam sua aparição, são essenciais para se estabelecer medidas que contribuam para o seu desenvolvimento. Melhorar e implementar o engagement no trabalho nos profissionais de enfermagem previne o risco do estresse no trabalho e burnout, e consequentemente, repercute em cuidados de melhor qualidade aos usuários de seus serviços.

O uso de técnicas qualitativas permitiu descobrir situações que teriam passado despercebidas sem o seu uso, identificando uma série de fatores de risco que não eram facilmente reconhecíeis ​​comas técnicas quantitativas.

A principal limitação do estudo é que ele foi desenvolvido em uma área específica do nordeste da Espanha, portanto, os resultados podem não ser representativos dos profissionais de enfermagem em outros territórios. Apesar disso, o estudo foi realizado em centros de saúde com capacidade de menos de 500 leitos, e estes centros representam 90% dos centros de saúde espanhóis(33). Por outro lado,≠ existe a possibilidade de que alguns participantes tenham modificado suas respostas com base no que pensavam que se esperava deles (viés de desejabilidade social).

Conclusão

Após analisar as entrevistas e os grupos de discussão, pode-se concluir que existem diferentes propostas que atuam como elementos transformadores, dificultando a síndrome de burnout, favorecendo a aparência de engagement. As principais propostas transformadoras são:

  • Diminuir o tamanho dos centros de trabalho.

  • Promover a formação continuada dos profissionais de enfermagem, enfatizando o desenvolvimento de habilidades de comunicação, gestão emocional, controle de tempo, habilidades sociais e conhecimento dos conceitos de engagement e burnout.

  • Melhorar a reconciliação da vida familiar e da vida profissional.

  • Melhorar a estabilidade no emprego.

  • Melhorar a liderança entre os profissionais de enfermagem e promover sentimentos de pertencimento à organização.

  • Melhorar sentimentos de justiça no ambiente de trabalho.

  • Lutar contra a falta de pessoal e recursos materiais no ambiente de trabalho dos profissionais de enfermagem.

  • Melhorar o reconhecimento e recompensa dos profissionais de enfermagem, tanto institucional quanto social e familiarmente.

  • Promover a igualdade de gênero na representação organizacional dos profissionais de enfermagem, quebrando o “teto de vidro” atualmente existente.

  • Promover relações interprofissionais saudáveis ​​e equitativas.

  • Controlar e reduzir a violência verbal e física no ambiente da saúde.

A utilização da metodologia comunicativa possibilitará o desenho de estratégias de prevenção frente às áreas transformadoras que favoreçam o surgimento do engagement, sendo uma das estratégias preventivas a realização de encontros semelhantes aos grupos de discussão, convertendo a metodologia dialógica em uma proposta de prevenção.

*Artigo extraído da tese de doutorado “La voz de enfermería: promoción del engagement y prevención del síndrome de burnout en el entorno laboral”, apresentada à University of Zaragoza, Department of Psychology and Sociology, Zaragoza, Zaragoza, Espanha.

*Foram utilizadas siglas para assegurar o anonimato dos participantes nas entrevistas e grupos de discussão realizados. EEDH: Entrevista Enfermeiro Direção Homem; EEAPM: Entrevista Enfermeira Atenção Primária Mulher; EEMH: Entrevista Enfermeiro Mutua Homem; EEPH: Entrevista Enfermeiro Presidente Homem; EESMA: Entrevista Enfermeira Sindicato Mulher A; EESMB: Entrevista Enfermeira Sindicato Mulher B; EESTNM: Entrevista Enfermeira Supervisora Tarde/Noite Mulher; EESCM: Entrevista Enfermeira Supervisora Contratada Mulher; GD1A, GD1B, GD1C, GD1C: Grupo Discussão 1- individuo A, B, C ou D respectivamente; GD2A, GD2B, GD2C, GD2C: Grupo Discussão 2 -individuo A, B, C ou D respectivamente; GD3A, GD3B, GD3C, GD3C: Grupo Discussão 3 - individuo A, B, C ou D respectivamente; GD4A, GD4B, GD4C: Grupo Discussão 4 - individuo A, B ou C respectivamente; GD5A, GD5B, GD5C, GD5C, GD5F: Grupo Discussão 5 - individuo A, B, C, D ou F respectivamente.

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Recebido: 23 de Janeiro de 2019; Aceito: 25 de Julho de 2019

Autor correspondente: Isabel Sanclemente-Vinué. E-mail: isabelbis@gmail.com

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