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Saúde e Sociedade

versão impressa ISSN 0104-1290versão On-line ISSN 1984-0470

Saude soc. v.1 n.2 São Paulo  1992

https://doi.org/10.1590/S0104-12901992000200010 

RESENHA

 

Pesquisa social em saúde, por Aracy W.P. Spinola et al. São Paulo, Cortez Editora, 1991

 

 

"Parafraseando o velho adágio (afirma Mark G. Field no prefácio do livro), tem-se dito que a saúde é demasiado importante para ser deixada só para médicos. Talvez seja".

Provocativamente poderíamos dizer: "o social em saúde" não seria, também, demasiado importante para ser deixado só para os cientistas sociais? Talvez.

De qualquer forma, a "Pesquisa social em saúde" - resultado do "Encontro de Pesquisa Social e Saúde Pública e do 1º Colóquio Internacional de Ciências Sociais e Saúde", realizado em São Paulo, na Faculdade de Saúde Pública, em 1991, reunindo mais de duas dezenas de especialistas -expõe o que a Saúde Pública tem de mais belo: o seu caráter pertubadoramente diverso.

Saúde Pública é, como o livro indica, entre outras coisas: história, cidadania, Estado, movimentos sociais, atores sociais, representações sociais, participação, métodos qualitativos, demografía, consumo, tecnologia, recursos humanos... enfim, uma alentada variedade.

Como em outros sítios, no campo do "social em saúde", com a famosa "queda do muro" esta variedade torna-se, por sua vez, ela mesma, vária, na medida em que envolve teoria, metodologia e temática. Assim, certamente, não há síntese possível: "depois da queda", não existe arroz macrobiótico, ou determinação pelo econômico em última instância, ou inconsciente, que tudo expliquem.

Portanto, é muito saudável tornar-se leitor deste livro, evitando-se contudo duas tentações: a primeira, já referida, da síntese totalitária ou pueril e a segunda, a tentação de querer abarcar tudo, conduta que redundará, fatalmente, num resultado indigesto.

O bom deste livro é entregar-se, parafraseando BARTHES, ao puro prazer do texto diverso: se você gosta de demografía, leia os trabalhos de pesquisa qualitativa e vice-versa; se você gosta de história, entregue-se à poliqueixa e suas metáforas e vice-versa, e assim por diante.

Ser diverso é, sem dúvida, ser moderno; creio, ademais, que esta diversidade é uma conquista perene da modernidade, não uma simples moda.

Trata-se, assim, de um livro moderno, no bom sentido, e, ouso dizer, tanto para os que desconfiam, como para os que já sabem, que a Saúde Pública ou Coletiva envolve mais coisas entre o seu céu a a sua terra do que as - necessárias - avaliações periódicas sobre o estado do peito de perú nos bares do centro da cidade.

 

Fernando Lefèvre
Departamento de Prática de Saúde Pública -FSP/USP

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