SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.5 issue1Os modelos de reforma sanitária dos anos 80: uma análise crítica author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Saúde e Sociedade

Print version ISSN 0104-1290

Saude soc. vol.5 no.1 São Paulo  1996

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-12901996000100001 

EDITORIAL

 

 

Saúde e Sociedade ingressa em seu quinto ano de existência. A dificuldade em manter uma linha editorial com as características da revista expressa-se de maneira notável nos quatro artigos inseridos neste número, resultantes de atividades acadêmicas das autoras (todas mulheres!). Dois constituíram teses de doutoramento, um resulta de dissertação de mestrado, outro deriva de trabalho apresentado num curso de pós-graduação.

Todos, sem exceção, produzidos por militantes do movimento sanitário brasileiro, atuando em distintos níveis do Sistema de Saúde e produzindo reflexões compatíveis com a complexa proposta da revista: servir a dois senhores, a academia e os serviços. Encontramos reflexões que visam a comparação de experiências internacionais, ao lado de aprofundamento da questão epistemológica e da relação estado/sociedade tomando como alvo o modelo brasileiro. Contraponto importante é dado pelos outros artigos: uma análise na esfera municipal e outra em unidade sanitária.

Célia Almeida incursiona pelos modelos de reforma sanitária nos "países centrais" (EUA e Europa) nos anos 80, no marco da agenda política e econômica pós-welfare state.

Ana Adelaide Martins, pela relação estado/sociedade no marco da condução da política de saúde. Trabalha as categorias de análise esfera pública, fundo público, e padrão de financiamento público para mergulhar nas entranhas da sociedade brasileira neste final de século que consolida a democracia política sem que se possam vislumbrar tendências de superação das iniquidades e da injustiça social.

Vânia Barbosa do Nascimento, analisa a municipalização da assistência hospitalar em duas cidades da Área Metropolitana de São Paulo. Detém-se na complexidade do processo de produção de respostas imediatas, num contexto de incorporação política de direitos sociais, numa atividade tão difícil como a assistência médica hospitalar.

Erly Catarina Moura, usa a problematização-ação à guisa de diagnóstico estratégico situacional simplificado. Dá voz aos sujeitos sociais que participam da comunidade de um Centro de Saúde Escola: clientes, alunos, técnicos e professores. Tudo com o objetivo de eleger ações capazes de resolver parte dos problemas da unidade.

Os artigos que compõem este número foram todos entregues para análise em 1995, ano em que se cumpriu, em Beijing, na China, a "Fourth World Conference on Women". A Conferência Mundial foi marcada pela repulsa à discriminação contra a mulher nos diversos setores da vida cotidiana, em todo o mundo. Termos um número inteiro escrito por autoras é uma feliz coincidência que serve como indício de que, ao menos no campo da produção científica da Saúde Coletiva brasileira, as questões de gênero tendem à superação.

 

A Comissão Editorial