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Saúde e Sociedade

Print version ISSN 0104-1290

Saude soc. vol.6 no.1 São Paulo Jan./July 1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-12901997000100005 

ARTIGOS

 

O impacto do aborto ilegal na saúde reprodutiva: sugestões para melhorar a qualidade do dado básico e viabilizar essa análise

 

 

Rebeca de Souza e Silva

Professora Adjunta da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP

 

 


RESUMO

Estatísticas fidedignas sobre o aborto provocado, provenientes de países em que essa prática é legalizada, permitem uma adequada avaliação do impacto do aborto na Saúde Reprodutiva. Paradoxalmente, é justamente nesses países que observam-se os menores danos à Saúde da Mulher enquanto que, mesmo pautando-se em dados pouco ou nada confiáveis, o custo da prática clandestina é altíssimo: suas sequelas são bastante frequentes e, não raras vezes, levam ao óbito. Avaliar-se o quão alto é este custo, contudo, é uma tarefa bastante árdua e, infelizmente, dependendo do enfoque desejado pode até ser inexequível. A solução mais acertada para a resolução desse dilema seria, a julgar pela literatura especializada, legalizar-se o aborto. Nessa eventualidade, além de se reduzir, automaticamente, os custos da prática clandestina, a análise do dueto Aborto/ Saúde, por si, permitiria remover os custos remanecentes.Mas, enquanto se convive com uma legislação restritiva, a solução mais sensata, é buscar otimizar a qualidade de análise daquele dueto. Nesse sentido, pode-se recorrer à adoção de uma técnica estatística que remove o maior dos entraves na determinação da dinâmica do aborto ilegal - a saber, a sub-declaração e/ou sub-registro da frequência de recorrência ao aborto -, a TRA; bem como elaborar-se estudos populacionais, a partir de um plano de amostragem simplificado, sobretudo por serem raríssimos frente aos estudos baseados em dados hospitalares, apesar de fornecerem informações bem mais amplas sobre a dinâmica do aborto.

Palavras-chave: aborto ilegal, saúde reprodutiva, técnica de resposta ao azar e amostragem simplificada


SUMMARY

Trusworthy statistics on provoked abortion form countries where this practice is generalized allow for an adequate evaluation of the impact of abortion on Reprodutive Health. Paradoxically it is in these very countries that the less severe damage to Reproductive Health are observed. At the same time, even based on little or totally not trustworthy data the cost of clandestine practice is very high: its sequels are frequent and often lead to death. Evaluating how high these costs are, however, is a rather hard task that depending on the desired focus may even not be feasible. The best solution for such dilemma would be, according to the literature, the legalization of abortion. In this case the analysis of the duet Abortion/Health besides automatically reducing the costs on the clandestine practice would allow for the removal of the remaining costs. Nevertheless, while one has to live under a restrictive legislation the most sensible solution is optimizing the quality of analysis of that duet. One can in this sense adopt a statistical technique that removes the biggest obstacle to the determination of the dynamics of illegal abortion i.e. the under register/and/or under register of abortion frequency the RRT. One can also design population studies from a simplified sampling plan for they are very rare in comparison to hospital based analysis.

Key words: induced abortion; reprodutive health; simplified sampling


 

 

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recebido em 9/4/97
aprovado em 16/10/97