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Saúde e Sociedade

Print version ISSN 0104-1290

Saude soc. vol.20 no.3 São Paulo July/Sept. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-12902011000300003 

PARTE I - ARTIGOS

 

Estereótipos de gênero e sexismo ambivalente em adolescentes masculinos de 12 a 16 anos

 

Ambivalent sexism and gender stereotyping in male adolescents aged 12 to 16 years

 

 

Marcos Mesquita FilhoI; Cremilda EufrásioII; Marcos Antônio BatistaIII

IDoutor em Saúde Pública. Professor Titular do Curso de Medicina da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade do Vale do Sapucaí - UNIVÁS. Endereço: Rua Mauro Brandão 21, bairro Nova Pouso Alegre, CEP 37550-000, Pouso Alegre, MG, Brasil. E-mail: mesquita.filho@uol.com.br
IIMestre em Bioética. Professora Auxiliar do Curso de Enfermagem da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade do Vale do Sapucaí, UNIVÁS. Endereço: Rua Alvarenga Peixoto 43, bairro São José, CEP 37550-000, Pouso Alegre, MG, Brasil. E-mail: cremildaeufrasio@yahoo.com.br
IIIDoutor em Psicologia. Professor Assistente da do Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade do Vale do Sapucaí - UNIVÁS. Endereço: Rua Acre 43, bairro Alfredo Custódio de Paula, CEP 37550-000, Pouso Alegre, MG, Brasil. E-mail: marcosantoniobatista@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

A discriminação e a violência contra o gênero feminino associam-se a representações distorcidas da mulher. Este trabalho tem o objetivo de mensurar a existência de preconceitos nas manifestações dos estereótipos de gênero e sexismo ambivalente, em adolescentes masculinos de 12 a 16 anos. Em um estudo transversal, aplicaram-se três questionários (sociodemográfico, Gender stereotyping, Inventário do Sexismo Ambivalente) a 787 estudantes de 11 escolas públicas. Nos resultados, detectou-se a presença de estereótipos de gênero. Houve diferença significante entre alunos de escolas estaduais e municipais e também nos alunos que estudavam em bairros de poder aquisitivo elevado em relação aos demais. O sexismo, também presente, apresentou-se significantemente mais benévolo que hostil. O escore para o componente benévolo variou conforme a escola cursada. O hostil não foi influenciado pelas variáveis estudadas. Os achados corroboram a existência de estereótipos de gênero e sexismo ambivalente nos adolescentes masculinos e a necessidade de desenvolvimento de ações e políticas para sua erradicação.

Palavras-chave: Gênero e saúde; Preconceito; Violência contra a mulher; Causas externas; Determinantes epidemiológicos.


ABSTRACT

Discrimination and violence against the female gender are associated with distorted representation of women. This paper aims at measuring the existence of prejudice in the manifestations of ambivalent sexism and gender stereotypes in male adolescents aged 12 to 16 years. Three questionnaires (socio-demographic, Gender stereotyping, Ambivalent Sexism Inventory) were applied to 787 students of 11 public schools in a cross-sectional study. The results pointed out to the presence of gender stereotypes. There was a significant difference between students of state and city schools and also between those who studied in neighborhoods presenting a higher economic status in comparison to the others. Sexism presented itself significantly more benevolent than hostile. The score to the benevolent component varied according to the attended school, while the hostile one was not influenced by the studied variables. These results corroborate the existence of gender stereotypes and ambivalent sexism in male adolescents and the necessity of developing actions and policies to their eradication.

Keywords: Gender and Health; Prejudice; Violence Against Women; External Causes; Epidemiologic Determinants.


 

 

Introdução

Preconceitos relacionados a sexo e gênero são ligados à prática da dominação, discriminação e a comportamentos violentos contra a mulher (Oliveira e Souza, 2006).

Segundo Nascimento (2000), para entender esses fenômenos é importante estudá-los através de abordagens sociais e de gênero. O termo sexo reserva-se às características biológicas predeterminadas do homem e da mulher, enquanto gênero é utilizado para assinalar as características socialmente construídas, que constituem a definição do masculino e do feminino em diferentes culturas (Organización Panamericana de la Salud, 1993). "Aprende-se a ser homem ou mulher e essa aprendizagem fica impressa nas camadas mais profundas da personalidade" (Stain, 2000, p. 1). De acordo com Grossi (1996, p. 133-145), "Ao destinar para a mulher um papel submisso e passivo, a sociedade cria espaço para a dominação masculina, onde o processo de mutilação feminina é lento, gradual e considerado legítimo". "Nesse processo, a violência constitui-se em um dos mecanismos de dominação do homem sobre a mulher, legitimado por instituições como a família e o casamento" (Galvão e Andrade, 2004, p. 91). Visões estereotipadas e sexistas a respeito da mulher irão desempenhar importante papel na ocorrência de atitudes de abuso e violência (Fuentes e col., 2008).

O preconceito pode ser visto como uma atitude negativa (antipatia, hostilidade), dirigida a membros de determinados grupos sociais e tem três componentes: o cognitivo, manifestado pela presença dos estereótipos; o afetivo, que é o preconceito em si; e o comportamental, que traz como resultados atos discriminatórios (Fiske, 1998).

Etimologicamente, o termo estereótipo vem das palavras gregas stereo (rígido) e tipo (traço), e refere-se a "tornar fixo, inalterável" (Ferreira, 2000). Conceitua-se: "estereótipo como um processo de formação de impressão, que constitui um conjunto de avaliações afetivas, morais e instrumentais, elaboradas a respeito de uma pessoa. Possui a capacidade de orientar o percebedor em suas relações com o meio social" (Bello e col., 2005, p. 8). É uma construção cognitiva ou sociocognitiva [...] a respeito dos atributos negativos que caracterizam os membros de determinados grupos sociais" (Ferreira, 2004, p. 120). Eles podem "gerar uma relação de opressão onde, a partir do olhar da maioria, o 'outro' (minoria) se apresenta com uma conotação negativa, e a 'maioria', uma positiva. As pessoas não podem ser como querem; têm que ser como a maioria [...] ou serão consideradas desviantes, inadaptadas ou marginais. Nessa relação de opressão, os estereótipos surgem e se cristalizam" (Roso e col., 2002, p. 78).

Os estereótipos, quando associados ao gênero, agrupam características da personalidade:

[...] em dois grandes grupos segundo a similaridade do traço com a construção sociocultural dos conceitos de masculinidade e feminilidade. Assim, traços individualistas ou instrumentais (por exemplo: independente, agressivo, racional) caracterizam-se como sendo pertinentes à masculinidade e traços coletivistas ou expressivos (por exemplo: amorosa, sensível, delicada) como pertinentes à feminilidade (Melo e col., 2004, p. 252).

Entre as diferentes possibilidades de expressão do preconceito encontra-se o sexismo, que compreende avaliações negativas e atos discriminatórios dirigidos às mulheres e pode se manifestar sob a forma institucional (políticas salariais diferenciadas) ou interpessoal, muito embora a primeira propicie o contexto cultural adequado à segunda (Ferreira, 2004). Segundo Ferreira (2004), o sexismo seria resquício da cultura patriarcal, isto é, um instrumento utilizado pelo homem para garantir as diferenças de gênero, sendo legitimado por atitudes de desvalorização do sexo feminino que vão se estruturando ao longo do curso do desenvolvimento, apoiadas por instrumentos legais, médicos e sociais que as normatizam.

Formiga e colaboradores (2002) informam que o construto sexismo vai além da definição tradicional de preconceito como antipatia ou hostilidade a membros de certos grupos sociais, por não ser uniformemente negativo. Seria como se esse tipo de preconceito pudesse ser comparado a um iceberg, em que a maior parte fica encoberta sendo visível apenas sua ponta (Formiga, 2006). O sexismo, então, em sua porção perceptível costuma se expressar na forma tradicional, em que a mulher é considerada inferior ao homem, incapaz de exercer os mesmos papéis que ele. Manifesta-se de forma hostil caracterizada por rejeição e "evidencia crenças e práticas típicas de pessoas que consideram as mulheres inferiores aos homens, refletindo antipatia e intolerância em relação ao seu papel como figura de poder e decisão". "Seria uma expressão mais flagrante de preconceito em relação às mulheres." (Formiga e col., 2002, p. 106). O sexismo hostil refere-se a atitudes prejudiciais em relação às mulheres, articulando-se em torno das seguintes ideias: 1) um paternalismo dominador, entendendo que as mulheres são mais frágeis e inferiores aos homens, legitimando a figura dominante masculina; 2) a diferenciação de gênero competitiva, ou seja, considerar que as mulheres são diferentes dos homens e que não possuem as características necessárias para triunfar no âmbito público, pelo que devem permanecer na área privada (para a qual estão preparadas); 3) a hostilidade heterossexual ou considerar que as mulheres têm um "poder sexual" que as tornam perigosas e manipuladoras dos homens (Glick e Fiske, 1996).

A parcela encoberta do iceberg é representada por sua expressão moderna, que se baseia na "negação de que a discriminação contra a mulher ainda exista e em um antagonismo contra as atuais lutas da mulher por maior inserção na sociedade e contra o suporte governamental a políticas destinadas a apoiar a população feminina" (Ferreira, 2004, p. 121). Ela se expressa de maneira benévola apresentando-se como "atitude positiva, aparentemente não preconceituosa em relação à mulher, evidenciando o sentido paternalista que a descreve como pessoa frágil, que necessita atenção, mas que também pode complementar o homem" (Formiga e col., 2002, p. 106). Os principais aspectos do sexismo benévolo são: 1) o paternalismo protetor; 2) a diferenciação de gênero complementar, ou seja, considerar que as mulheres têm por natureza muitas características positivas que complementam às dos homens; 3) a intimidade heterossexual, caracterizada por considerar a dupla dependência dos homens em relação às mulheres (dependem delas para criar seus filhos(as) e para satisfazer suas necessidades sexuais e reprodutivas) (Glick e Fiske, 1996). O sexismo benévolo é perigoso por sua sutileza, pois se os sexistas hostis são facilmente identificáveis, os benévolos não o são e nunca se reconhecem como tal, legitimando suas atitudes estereotipadas e preconceituosas (Formiga e col., 2002).

Aspectos socioculturais que definem papéis desiguais para homens e mulheres determinam a violência contra as mulheres (Gomes e col., 2007). Homens são, desde a infância, incentivados a desenvolver atitudes competitivas, agressivas e demonstrar poder pela força física, que é usada como recurso para manter as mulheres "em seu lugar" de inferioridade e submissão (Vilhena, 2009).

Na medida em que o menino é educado de modo diferente da menina, muitas distinções são feitas pelos próprios pais, definindo suas condutas de acordo com o gênero (Ricotta, 1999). Esta "assimetria justifica desigualdades e exclusões e gera polos de opressores e oprimidos, que se manifestam com maior visibilidade nas relações de gênero no espaço privado através do fenômeno universal da violência, que atinge de forma particular mulheres de diferentes partes do mundo e perpassa etnias, raças e classes sociais" (Fischer e Marques, 2001).

A mensuração de estereótipos de gênero e do sexismo ambivalente em adolescentes masculinos entre 12 e 16 anos é o objetivo deste trabalho.

 

Métodos

Foi realizado um estudo analítico do tipo transversal, observacional e individual, durante o ano de 2006.

A pesquisa abrangeu 11 escolas públicas situadas na zona urbana do município de Pouso Alegre, Minas Gerais, quatro municipais e sete estaduais. Todos os educandários públicos do município foram convidados a participar.

O grupo estudado se compôs de 787 estudantes, entre 12 a 16 anos de idade, do gênero masculino, sem restrições quanto à etnia e a fatores socioeconômicos, devidamente autorizados pelos responsáveis. Esses jovens cursavam do sexto ao nono anos do ensino fundamental e o primeiro ou segundo ano do ensino médio. A população de Pouso Alegre nessa faixa etária correspondia em 2006 a 11.491 pessoas. A partir de convite feito a todos os alunos elegíveis para a participação, foi selecionada uma amostra não probabilística e não intencional a partir da autorização dada pelos pais ou responsáveis.

Foram aplicados três questionários. O primeiro, Gender Stereotyping, instrumento de domínio público criado por Gunter e Wober (1982), validado por Foshee e Ballmann (1992), com versão brasileira desenvolvida por Eufrásio (2007), para mensurar estereótipos de gênero no contexto de relações e responsabilidades em rapazes entre 12 a 16 anos. É composto de sete itens fechados, com quatro opções de respostas, que recebem pontuações diferentes quando selecionadas: Concordo totalmente (quatro pontos); Concordo (três pontos); Discordo (dois pontos); Discordo totalmente (um ponto). A questão de número sete é a única que tem a contagem de pontos feita de forma invertida. Quanto mais alta for a pontuação final, maior o indicativo de atitude estereotipada (Foshee e Bauman, 1992). O maior escore possível é de 28 pontos.

O segundo instrumento foi o Inventário de Sexismo Ambivalente, desenvolvido originalmente por Glick e Fiske (1996), adaptado e validado para o Brasil por Formiga e colaboradores (2002). Composto de 22 itens, avalia preconceitos assumidos em duas dimensões do sexismo: hostil (11 questões) e benévolo (11 questões). Para respondê-lo, a pessoa deve indicar seu grau de discordância ou de concordância com o conteúdo expresso, utilizando uma escala de cinco pontos, tipo Likert, com os seguintes tópicos: 1 = Discordo totalmente; 2 = Discordo; 3 = Indeciso; 4 = Concordo e 5= Concordo totalmente. Os itens são afirmativas positivas e sexistas. Quanto maior a pontuação obtida maior o nível de sexismo (Belo e col., 2005). A pontuação mais alta possível é 55 pontos por domínio. O uso do questionário foi devidamente autorizado pelo autor de sua versão brasileira.

Os estudantes também preencheram um protocolo para caracterização sociodemográfica (escola, ano, idade e com quem vive).

Os dados foram coletados diretamente nas escolas. O pesquisador se apresentava aos adolescentes, reunidos por professores, em sala de aula, em um mesmo momento para os alunos de um mesma ano, informava os objetivos da pesquisa, distribuía o protocolo sociodemográfico e o questionário Gender Stereotyping, que tinham seus itens lidos. No caso de dúvidas, procedia-se a uma nova leitura. O entrevistador não apresentava explicações sobre o conteúdo das perguntas para não influenciar os respondentes. Esses instrumentos eram então respondidos. Em seguida, idênticos procedimentos eram repetidos para o Inventário do Sexismo Ambivalente. Buscou-se a uniformidade no que se refere aos esclarecimentos dados aos jovens quanto ao objetivo do estudo, agiu-se de maneira padronizada nas instruções, no material utilizado, na adequação do ambiente físico, sendo observadas a não interrupção e a individualidade nas respostas.

Os formulários obtidos foram, então, consolidados com a construção de banco de dados através do programa EPI-INFO 6.04c, de domínio público.

As estatísticas descritivas, para variáveis contínuas, foram obtidas através do cálculo da média, mediana e desvio padrão, já para as categóricas foram utilizadas proporções. Na análise inferencial foram usados os testes t, de Mann-Whitney, de Kruskal-Wallis, e análise de variância (ANOVA). Para se verificar a aderência à normalidade aplicou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov. Considerou-se estatisticamente significante p < 0,05.

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) em outubro de 2005 e seguiu os preceitos contidos na resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (1996).

 

Resultados

Os adolescentes tinham em média 13,8 anos (IC 95% 13,7-13,9) e a mediana de 14,0. Excetuando a idade dos 16,0 anos que correspondeu a 11,7% dos respondentes, a participação das outras idades foi semelhante (Tabela 1).

 

 

Eram 72,2% os que residiam com ambos os pais, 3,7% viviam com outras pessoas. A maioria dos alunos frequentava o curso fundamental (78,7%). Os jovens que estudavam em escolas estaduais perfaziam 73,7%. Eram cinco os estabelecimentos que se situavam em bairros periféricos, de população mais pobre (347 alunos), quatro na região central da cidade, de maior proporção de moradores de classe média (316 alunos) e duas em bairros habitados por pessoas de alto poder aquisitivo (124 alunos) (Tabela 1).

O questionário Gender Stereotyping (Tabela 2) apresentou como média geral um escore de 16,25 pontos (IC 95% 16,07-16,44) num máximo possível de 28,00, ou seja, 58,0% do número possível de pontos. A mediana foi de 16,00. Cada pergunta poderia obter o escore máximo de 4,00 e o mínimo 0,00. O valor médio obtido por questão foi de 2,32, com um desvio padrão de 0,73. Os escores mais elevados ocorreram por concordância aos seguintes conteúdos: A maioria das mulheres gosta de exibir seus corpos - escore médio 3,03 e mediana de 3,00 e A maioria das mulheres gosta de casos românticos com homens escore médio de 3,09 e mediana de 3,00. Foi baixo o valor atribuído à sexta questão Às vezes está certo um homem bater em sua mulher de 1,61, o que indica discordância. O menor escore foi para a questão Homens e mulheres deveriam ter igual responsabilidade pela criação de filhos com um escore de 1,39.

As variáveis faixa etária, pessoa com quem vive o adolescente, etapa do ensino cursada e escola frequentada não apresentaram diferenças estatisticamente significantes quanto ao estereótipo de gênero (Tabela 3). O escore médio das escolas municipais (16,60) foi significantemente mais elevado (p = 0,025) do que o das escolas estaduais (m = 16,13).

As escolas situadas em bairros onde os moradores apresentavam poder aquisitivo mais elevado tiveram em média um escore (16,58), maior do que o das situadas nos de classe média (16,01) e do que o daquelas que se localizavam em locais onde predominavam populações mais pobres (16,36). Essas diferenças foram estatisticamente significantes (p = 0,046).

A Tabela 4 mostra que o escore médio para o sexismo benévolo (39,86) foi significantemente maior do que o do sexismo hostil (38,20) com p < 0,0001. Tendo em vista que o maior número possível de pontos era de 55,00, o componente benévolo atingiu 72,5% da pontuação máxima, e o hostil 69,5%.

Ao se estudar isoladamente o sexismo benévolo (Tabela 4), pôde-se verificar que em relação à idade, aos indivíduos com quem vive o pesquisado, à etapa educacional em que se encontram, ao tipo de escola onde estudam (municipal ou estadual) ou ao local de localização do estabelecimento de ensino não foram observadas diferenças estatisticamente significantes entre os escores. Estes se diferenciaram conforme a escola em que os adolescentes estavam matriculados. Os que cursavam as escolas de número 2, 3, 5, 6, 8 e 11 tiveram escores com médias superiores a 40,00. As representadas pelos números 1, 4, 7 e 9 ficaram entre 38,07 e 39,45. A de número 10 apresentou o menor escore (35,82). Essas diferenças foram significantes (p = 0,0012). Escolas municipais são representadas na Tabela 4 pelos números 2, 4, 8 e 10 e as estaduais pelos números 1, 3, 5, 6, 7, 9 e 11.

Nenhuma das variáveis estudadas apresentou resultados com diferenças estatisticamente significantes em relação ao sexismo hostil (Tabela 4).

 

Discussão

Os estereótipos de gênero estão associados à discriminação e à violência e são usuais em adolescentes masculinos (Foshee e col., 2008). Todos os entrevistados estavam matriculados em escolas públicas municipais e estaduais situadas em bairros onde habitavam indivíduos dos mais diversos extratos socioeconômicos. O número de alunos que compuseram a amostra foi equilibrado para todas as idades (por volta de 20% por faixa etária) exceto para os que tinham 16 anos (11,7%). A maioria dos estudantes vivia com pai e mãe. Em um estudo norte-americano observou-se que esse é um fator associado em menor grau à prática de violências do que viver com apenas um dos pais (Foshee e col., 2008).

O escore médio do questionário Gender stereotyping correspondeu a mais da metade dos pontos possíveis de serem obtidos para esse escore. Esse achado indica a possibilidade da existência do estereótipo de gênero entre os jovens respondentes. Estudo feito com adolescentes norte-americanos de 12 a 14 anos, de todas as etnias, encontrou, nos anos de 1985 e 1987, escores mais elevados do que os da amostra estudada neste trabalho (Foshee e Bauman, 1992). Entretanto, o período transcorrido entre a aplicação dos questionários destes estudos (21 e 19 anos, respectivamente) pode ter influenciado a ocorrência de maiores médias na pesquisa mais antiga. Mas a diferença obtida é pequena, já que o escore médio por questão foi neste trabalho de 2,32 e no estudo citado 2,60 em 1985 e de 2,51 em 1987.

Os escores do Gender Stereotyping eram mais altos, ou seja, indicavam posições estereotipadas, em itens que focalizavam fragilidade, dependência, romantismo e vaidade das mulheres (Tabela 2: questões 2, 4 e 5). Nos relacionados à prática de hostilidades contra a mulher, ao machismo e, à agressividade física (questões 1, 3 e 6) foram obtidos valores mais baixos. Na afirmativa relacionada ao compartilhamento de responsabilidades na criação de filhos (questão 7), foi observado um escore baixo, indicando que os adolescentes acreditavam que esse comprometimento deveria ser exclusivamente assumido pela mulher. Esses resultados diferiram dos de Foshee e Bauman (1992), que encontraram escores mais elevados nos itens correspondentes a conteúdos de hostilidades contra a mulher. Os resultados para este questionário foram semelhantes aos de Mota (1998, p. 151, 153), em que os pesquisados assumiram "valores que ora denotavam críticas ao estereótipo do gênero, ora assumiam aspectos desse estereótipo". Segundo este autor, "a cultura do machismo se faz presente e organiza ideologicamente os relacionamentos sob a ótica masculina".

A Tabela 3 mostra que não houve diferenças estatisticamente significantes para estereótipo de gênero de acordo com as seguintes variáveis: idade; tipo de pessoas com quem o estudante vivia; ser aluno do ensino fundamental ou médio ou ainda a escola que cursava.

Ainda em relação ao questionário Gender stereotyping, o escore médio apresentado pelas escolas estaduais foi significantemente superior ao das municipais. Isso pode estar ocorrendo por possíveis diferenças entre as políticas educacionais das duas esferas de governo e entre os conteúdos ministrados por uma e outra. Outro fator que também pode exercer influência é a possibilidade de existirem posturas distintas dos profissionais de ensino dos dois grupos de estabelecimentos.

As escolas que se localizavam em bairros de alto poder aquisitivo também apresentaram escores mais elevados do que as de baixo e médio, respectivamente. Como as escolas pesquisadas costumam selecionar seus alunos por local de residência, o poder aquisitivo dos estudantes provavelmente reflete a situação socioeconômica do bairro onde estudam. Assim sendo, é possível que o resultado encontrado indique que os estudantes de escolas de bairros mais abastados sejam mais estereotipados que os demais. Entretanto esses resultados devem ser cautelosamente analisados, pois o Gender stereotyping apresenta limitada precisão (Dahlberg e col., 1998), sendo útil para fins de triagem (Eufrásio, 2007).

Ao se analisar os resultados da aplicação do Inventário do Sexismo Ambivalente encontraram-se diferenças significantes entre os escores médios de seus componentes benévolo e hostil (benévolo = 39,86; hostil = 38,20, em 55,00 pontos possíveis; p < 0,0001). A "pessoa tanto discrimina a partir de uma atitude positiva, aparentemente não preconceituosa em relação à mulher, quanto pela expressão direta do preconceito feminino" (Formiga, 2007, p. 389). O sexismo benévolo, forma sutil de manifestar o preconceito contra a mulher, reveste-se de importância pelas consequências que pode gerar tanto em discriminação como em violências (Formiga e col., 2002). Entretanto, apesar de estatisticamente diferentes, sua diferença se resume em apenas 1,76 pontos. Esses resultados foram semelhantes aos de Belo e colaboradores (2005) para homens entre 18 e 72 anos, como também aos de Fernandez e Castro (2003) para estudantes de escolas de educação secundária da Espanha. Já Formiga e colaboradores (2002), estudando universitários masculinos da Paraíba entre 20 e 56 anos, encontraram escores menores tanto para o sexismo hostil quanto para o benévolo, o que possivelmente está relacionado à maior escolaridade de sua amostra. O estudo de Belo e colaboradores (2005) mostrou que populações com menor tempo de estudos são mais sexistas.

Variáveis como idade, o fato de viver ou não com os pais, cursar o ensino fundamental ou médio, ser aluno de escola estadual ou municipal não influenciaram aos escores do sexismo benévolo de maneira significante (Tabela 4). Diferenças ocorreram apenas na comparação dos resultados por escola (p = 0,001). Os valores variaram entre 35,82 (escola 10) até 40,64 (escola 2). A escola 2 situa-se em bairro habitado por pessoas de alto poder aquisitivo. Já a escola 10 localiza-se distante aproximadamente cinco quilômetros da escola dois, com população composta de indivíduos de classe média baixa, incluindo alguns alunos residentes em regiões rurais próximas. O escore médio obtido por esse estabelecimento foi o que mais diferiu dos demais. Nos outros casos, de modo geral, escolas de bairros pobres tiveram escores para o sexismo benévolo semelhantes aos daquelas de localidades habitadas pela classe média ou das dos locais de população mais abastada (Tabela 4). Características locais dos educandários, ou mesmo erro aleatório, podem ter causado a diferença. Assim como nos estereótipos de gênero, os valores dos escores observados em todas as variáveis indicaram a existência de sexismo benévolo, distribuído uniformemente entre os estudantes pesquisados apenas com pequenas variações em relação às suas escolas.

Os escores para o sexismo hostil não foram influenciados de maneira significante para nenhuma das sete variáveis sociodemográficas estudadas. Possivelmente elas não influem na gênese do preconceito e do estereótipo dos adolescentes para com as mulheres. Os escores médios obtidos nesta categoria, para todas as variáveis pesquisadas, variaram entre 36,7 e 41,1 pontos (valor máximo 55,0), indicando também a existência do sexismo hostil nesses jovens.

Ao se considerar conjuntamente os instrumentos Genter stereotyping e Inventário do Sexismo Ambivalente, houve proporcionalmente a maior pontuação do Sexismo Benévolo (72,5% dos pontos possíveis), vindo em seguida, respectivamente, Sexismo Hostil (69,5%) e Estereótipo de Gênero (58,0%). Essa situação aponta a possibilidade de que os componentes do preconceito sexista contra as mulheres possam ter maior presença do que o estereótipo de gênero nesses jovens. Os resultados também indicam que o preconceito contra a mulher provavelmente se instala precocemente.

Apesar de os estudantes cursarem anos diferentes do ensino fundamental e médio, não foi encontrada diferença estatisticamente significante quanto aos escores de estereótipos de gênero ou do sexismo em suas duas modalidades, o que diferiu dos trabalhos de Fernández e Castro (2003) e de Belo e colaboradores (2005), que mostraram que quanto maior a escolaridade menor o nível de sexismo.

Os resultados apontaram a persistência de visões estereotipadas e sexistas contra as mulheres, tanto através da hostilidade quanto da benevolência. São variáveis que geralmente se associam à dominação, discriminação, aos preconceitos e à violência, através de agressões físicas e psicológicas contra a mulher, bem como à manutenção de quadro de opressão do gênero feminino.

 

Considerações Finais

É importante dar visibilidade à violência contra as mulheres e combatê-la mediante intervenções sociais, psicológicas e jurídicas (Santos e Izumino, 2005). Para entender a violência contra a mulher, é importante trabalhar com o conceito da relação social de gênero. Relações entre os gêneros não podem estar apoiadas na subordinação da mulher pelo homem sendo mediadas pela presença da violência (Nascimento, 2000). É necessária uma nova conjuntura, composta de outra sociabilidade. Nela, todos devem ter acesso aos bens e serviços produzidos socialmente. Educação igual para meninos e meninas, possibilitando a formação de comportamentos semelhantes nas relações de gênero, é imprescindível. A educação seja a informal doméstica, seja a instrução escolar, constitui-se numa das bases da exclusão e da violência contra o feminino, disseminada por toda a sociedade. É a partir de detalhes sutis como os brinquedos infantis, a exemplo do carrinho, da arma e da boneca, que a criança é preparada para o espaço público, reservado ao masculino e, portanto, o mais violento, e o privado, reservado ao feminino, o da submissão (Fisher, 2001).

Este trabalho indica que estereótipos de gênero e sexismo se inserem na cultura da população adolescente masculina. Entretanto, sua abrangência é ainda maior incorporando também outras idades e mesmo a pessoas do gênero feminino. A realização de novos estudos que abranjam também mulheres, bem como a população infantil, os que estão chegando à adolescência, devem ser agendados, para que a partir das informações obtidas possam ser desenvolvidas políticas públicas e ações para seu equacionamento. É importante identificar em que período da vida os preconceitos e estereótipos começam a se manifestar. A associação com valores vem sido discutida por alguns autores e parece ser um caminho interessante para a elucidação de questões relacionadas ao sexismo e aos estereótipos de gênero (Belo e col., 2005; Formiga e col., 2002; Formiga, 2007). Variáveis como religião, estado civil e escolaridade dos pais, renda familiar, cor da pele, tabagismo, uso de bebidas alcoólicas e de drogas, antecedentes de violência, entre outros, também devem ser contempladas.

 

Referências

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Recebido em: 24/03/2010
Reapresentado em: 09/03/2011
Aprovado em: 05/04/2011

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