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Polímeros

versão impressa ISSN 0104-1428versão On-line ISSN 1678-5169

Polímeros v.15 n.4 São Carlos out./nov. 2005

https://doi.org/10.1590/S0104-14282005000400003 

15 ANOS DA REVISTA

 

Síntese de uma revista

15 anos da Revista Polímeros: ciência e tecnologia

 

 

Será que podemos considerar a revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia" uma revista nova? Há quinze anos essa revista foi criada pela Associação Brasileira de Polímeros. Ela é trimestral e durante esse tempo todo não houve interrupção. Foi seqüencial, cadenciada e mostrou contínuo melhoramento até chegar ao elogiado patamar de qualidade que se encontra hoje. Uma revista após outra, fazendo uma seqüência, como um polímero em fase de síntese. É uma reação que exige muita energia de muitos e gera, por outro lado, muito mais energia. Essa seqüência não pode parar. Não podemos eliminar as condições mínimas necessárias para que isso aconteça, ou seja, devemos ampliar cada vez mais a qualidade da mesma e incentivar os autores a enviarem artigos, entre outras condições. Ainda é uma revista nova, cheia de vigor e com muitas possibilidades de crescer, melhorar e amadurecer.

 

Como tudo começou

Para chegar ao grau em que se encontra, a revista passou por etapas imprescindíveis. A primeira delas, em 1988, quando foi lançado pela então ABP (Associação Brasileira de Polímeros) hoje ABPol, o Informativo intitulado "Boletim" onde a palavra Boletim, representando um mero, se repetiu por seis vezes. O número 1, mostrada na Figura 1, com 33 páginas em papel carta, foi editado pelos Professores Silvio e Sati Manrich, com a colaboração de Carlos Alberto Flávio Corrêa, hoje professor da Universidade São Francisco e sócio da ABPol. Esse primeiro número foi escrito tendo como foco principal, o debate da mesa redonda ocorrida no dia 23 de setembro de 1988, dia da fundação da entidade. Nesse Boletim também constam os nomes dos "Conselheiros Provisórios da ABPol" e a programação das atividades desse conselho. É um número histórico, pois registra o pensamento da comunidade da área de polímeros nos anos 80, representado pelas seguintes personalidades que se pronunciaram e faziam parte da mesa redonda presidida pelo Professor Silvio Manrich, a saber: Edson Simielli (então Coplen), Eloísa Biasoto Mano (IMA), Geraldo Roberto de Almeida (então INBRAC), Ivo Bocato (então SENAI), Aloísio Manso Silva (então MCT-FINEP), Elias Haje Jr. (DEMa-UFSCar) e Juan Raul Quijada A. (então Petrobrás - CENPES). Nesse debate também foram destaque as opiniões da Senhora Zoé A. Moncorvo, que foi eleita a primeira Vice-Presidente da ABPol.

 

 

O Boletim 2 teve como responsáveis: Sebastião Canevarolo Jr., Paulo Branco e Silvio Manrich. As medidas desse boletim eram pequenas, tendo 10,5 cm de largura e 21,5 cm de comprimento, com 18 páginas contando as capas. A partir do Boletim 2 houve uma mudança na forma da capa, sendo que a unidade que se repete deixou de ser -(boletim)n- começou a ser o símbolo da ABPol, isto é, Boletim -(ABPol)n-. Os próximos números dos boletins tiveram como responsáveis: Boletim-(ABPol)3 - (Henrique Northfleet Neto) com 38 páginas médias; Boletim-(ABPol)4- (Silvio Manrich e J.Alexandrino de Sousa.) com 66 páginas médias; Boletim-(ABPol)5- (Silvio Manrich) com 42 páginas em tamanho ofício e Boletim-(ABPol)6- (Silvio Manrich, José Alexandrino de Sousa e Sebastião Canevarolo Jr.) com 46 páginas. A Figura 2 mostra os boletins 2, 3 e 4 enquanto que a Figura 3 mostra os boletins 5 e 6. Esses boletins foram sendo melhorados, receberam capa colorida, mostraram mais e mais artigos técnico-científicos, sendo que o número 6, lançado em maio de 1991, publicou os primeiros anúncios (ALBA Química; Syntechrom e Terplast), apresentou notícias, calendário de eventos e seis artigos técnico-científicos. Esse foi o sinal verde para que a revista fosse definitivamente criada. A ABPol tinha certeza de que o peso da revista seria alto e se repetiria em uma seqüência. A comunidade também deixou claro que tinha condições de manter uma revista, enviando artigos de forma continuada, sendo esse um dos principais desafios e requisitos para manter um periódico. Sem artigos não se mantém um veículo como esse. A sustentação financeira da revista seria através de anúncios de empresas privadas e de projetos junto a entidades governamentais de fomento a P&D.

 

 

 

 

1991 - Lançada a Revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia"

A partir de junho de 1991 a revista passou pela segunda fase: o ensaio dos [boletim-(ABPol)n-] havia terminado e dera-se início à longa cadeia de revistas. Foram iniciados os debates sobre o formato geral da mesma, a escolha do seu nome, o layout e o conteúdo das diversas seções, bem como, a editoração, classificação dos tipos de artigos e "Instruções para apresentação de trabalhos". O jornalista Alberto Paz, da Vogal Comunicações, foi contratado pela ABPol para fazer o trabalho artístico e editorial geral da revista, sendo que ele apresentou vários modelos de como poderia ser o periódico da ABPol. Muitos lembram que se discutiu bastante sobre os termos "revista" e "magazine", prevalecendo o primeiro deles. Finalmente o estilo da revista foi definido e seu nome seria "Polímeros: Ciência e Tecnologia" motivado pelos objetivos da ABPol. A capa, que continua até hoje, foi palco de muita polêmica entre os associados que participaram da sua criação. Muito se debateu, a começar pelo traçado artístico do nome, considerado por alguns, bastante primário, mas que continua até hoje. Muito se debateu também sobre fixar ou não a cara da primeira capa. Optou-se por mudar a figura da capa a cada número com fotos ou figuras de temas ligados a polímeros ou ligados a algum artigo daquele número ou ainda, a algum evento específico da ABPol. Foi o que aconteceu com o primeiro número, que teve na capa o símbolo do "Primeiro Congresso Brasileiro de Polímeros - 1º CBPol", como ilustra a Figura 4. Os números que se seguiram tiveram suas capas ilustradas com fotos de esferulitos, do "V International Macromolecular Colloquiun" e assim por diante, como pode ser visto na Figura 5.

 

 

 

 

"Na área de polímeros no Brasil, publicar um artigo técnico-científico sempre foi difícil pela inexistência de um veículo que absorvesse, bem como incentivasse tal demanda. Como conseqüência disto, as publicações de nossos pesquisadores e técnicos têm sido feitas ou no exterior através de periódicos especializados ou em revistas brasileiras das mais diversas áreas e linhas editoriais, mas sempre aquém do potencial de produção. Autores brasileiros sempre clamaram por um periódico voltado especialmente para polímeros tendo sido constantes as sugestões, tanto de sócios da Associação Brasileira de Polímeros, como de outros profissionais da área". Essa é uma transcrição de um trecho do primeiro editorial da revista número um, escrito pelo então Comitê Editorial.

A organização funcional ou regimento interno da revista foi, de forma resumida, assim sugerida e aprovada pela diretoria da ABPol: 1) Um "Conselho Editorial" ligada à diretoria da ABPol e com independência quanto à editoração da revista. Esse conselho composto por até 30 associados, deve se reunir uma vez a cada dois anos (coincidindo com o CBPol) para debater sobre questões da revista, aprovando relatórios e discutindo seu futuro. 2) Um "Comitê Editorial", que é ligado ao Conselho Editorial, sendo que seus membros devem pertencer ao Conselho, tem como função básica gerar a revista, isto é, aprovar os artigos técnico científicos e a seção editorial, buscar novos artigos e reportagens, administrar os recursos da revista, entre outras atividades. 3) Os trabalhos técnico-científicos são analisados por pelo menos três consultores da revista. 4) Uma secretaria da revista, que conta com a participação de uma secretária que acompanha o andamento de todas as etapas da revista (recebimento de trabalhos, envio para o comitê escolher os consultores, envio aos consultores para análise, editoração da revista, gráfica, entre outras). Alguns dos serviços são terceirizados, como a editoração e impressão.

O primeiro "Conselho Editorial da Revista" foi composto pelos seguintes sócios da ABPol: Ailton de Souza Gomes (IMA); Cláudio Habert (COPPE); Edson Simielli (Coplen); Edison Bittencourt (Unicamp); Elias Hage Jr. (UFSCar); Elisabeth E. da C. Monteiro (IMA); Fernanda M. B. Coutinho (IMA); Fernando Galembeck (Unicamp); José Augusto M. Agnelli (UFSCar); Laura Hecker de Carvalho (UFPb); Marco Aurélio De Araújo (UFRGS); Marco Aurélio de Paoli (Unicamp); Raquel Mauler (UFRS); Raul Quijada (Petrobrás); Roberto Fernando de S. Freitas (UFMG); Zoé Cecília A. Moncorvo (PEPASA). Fizeram parte desse Conselho também, todos os que pertenciam ao primeiro Comitê Editorial (tida na época como "Coordenação Editorial"), ou seja: Sebastião Vicente Canevarolo Jr. (UFSCar) que foi o primeiro "Coordenador do Comitê Editorial"; Francisco J.X.de Carvalho (CTA); Renato Ciminelli (Magnesita); José Alexandrino de Sousa (UFSCar) e Silvio Manrich (UFSCar).

O primeiro número da revista teve a tiragem de 3.000 exemplares, pois foi distribuído no primeiro congresso brasileiro de polímeros (1º CBPol), no Anhembi, em novembro de 1991, quando participaram desse evento mais de novecentas pessoas. Ficou marcado para os que acompanharam a publicação da revista número um, o carinho com que o Comitê Editorial realizou as ações necessárias para que a mesma saísse o melhor possível. O trabalho do Professor Sebastião Canevarolo para que a primeira edição tivesse o bom impacto que teve, foi decisivo. O reconhecimento que a ABPol tem pela sua dedicação é imensurável. Só o Professor Canevarolo e outros membros do comitê editorial que formaram um verdadeiro mutirão de trabalho, puderam saber das tantas noites mal dormidas pensando nos trabalhos de editoração e de impressão, nas correções e nos detalhes que deveriam estar sempre perfeitos. Todos os obstáculos foram superados pela clara definição dos objetivos que se queria alcançar.

Para todos, criar e sustentar a revista foi um grande aprendizado. Somaram-se os conhecimentos, dividiram-se as tarefas, multiplicaram-se os artigos publicados e ao longo do tempo subtraíram-se as deficiências. Isso foi um trabalho de um verdadeiro time. Até hoje esse time, onde as pessoas se alternam, continua a fazer o seu melhor. Tanto o Comitê como, o Conselho Editorial da Revista, e principalmente os autores dos artigos estão de parabéns.

A primeira Mensagem do Presidente da ABPol trazida pela revista número um e transcrito na Tabela 1 mostra claramente a ansiedade vivida por todos para que o projeto se perpetuasse. Para manter a revista, foi necessária além de projetos junto a FAPESP e CNPq, a venda de anúncios. Os anúncios do primeiro número foram das empresas: Coplen; Coperbo; Polialden; Terplast; Magnesita; Advanced Elastomer Systems. Os seis trabalhos técnico-científicos publicados na revista número um da ABPol foram: 1-Nóbrega, R., Garcia, M. F. e Habert, A.C.-"Síntese e caracterização de membranas poliméricas para uso na desidratação da etanol por evaporação"; 2-Simal, A. S.- "Efeito do ácido benzóico na morfologia das fibras de PET e seu mecanismo de ação na taxa de absorção de corantes dispersos"; 3-Galembeck, F.- "Superfícies de polietileno, suas características e sua adesão"; 4-Coutinho, F. M. B. - "Síntese e caracterização de catalizadores Ziegler-Natta a base de TiCl3 para polimerização de propileno"; 5-da Silveira, C.A.- "Uso do viscosímetro Brookfield em determinações reológicas"; 6-Carvalho Filho, A. -"Osmose e empolamento de laminados".

 

 

Outro trecho do editorial da revista número um, mostra qual era inicialmente a meta da revista quanto à sua periodicidade: "... A periodicidade da revista foi estabelecida para ser bimestral. Essa periodicidade poderá ser alterada em função do aumento no número de trabalhos técnico-científicos e do interesse demonstrado pela comunidade. Cabe ao conselho editorial não só esse tipo de alteração bem como a de definição da linha editorial da revista, incluindo seu conteúdo...". Ocorreu aumento no número de trabalhos ao longo desses anos, mas decidiu-se aumentar o número de páginas por edição e não aumentar a periodicidade, que na verdade é trimestral. A trimestralidade é ainda conveniente atualmente para todos os que contribuem voluntariamente com as ações necessárias para publicar uma edição. Os envolvidos são professores de universidades ou pesquisadores de centros de pesquisa e desenvolvimentos ou de indústrias que realizam essa tarefa acumulando trabalho.

Desde o início a revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia" reserva espaço para anúncios e foi estabelecido um máximo de oito anúncios por número para uma revista que teria inicialmente em torno de 50 páginas, o que se matem até hoje (apenas em três ocasiões se ultrapassou esse número, mas as revistas tinham em torno de 100 páginas, sendo que a média geral de anúncios é de 4,8 por edição, abaixo do planejado). Continha também uma seção de Mensagem do Presidente (atualmente é o Editorial), uma seção de expediente, outra para entrevistas, notícias, eventos, opiniões, etc., e a principal seção era e continua sendo a de artigos técnico-científicos.

Esses artigos, que representam o principal motivo da criação da revista, são avaliados por "Consultores da Revista". Os consultores são especialistas, com formação na área de polímeros ou áreas correlatas, que trabalham com polímeros em universidades, centros de P&D ou indústrias e são cadastrados pela ABPol. Cada artigo é submetido à análise de pelo menos três consultores para a devida avaliação e os autores posteriormente corrigem o artigo em função das sugestões e finalmente os membros do Comitê fazem a avaliação final. Os membros do Comitê escolhem os consultores que tenham a especialização mais próxima da área relativa ao assunto tratado no artigo. Os Consultores observam, entre muitas coisas, se o trabalho está escrito conforme as "Instruções para Apresentação de Trabalhos" (vide última página desta revista). Caso necessário, o artigo pode voltar para os consultores para a reavaliação. Alguns artigos podem ser considerados, pelos consultores, inadequados para publicação e os motivos para a não aceitação são informados aos autores pelo presidente do comitê editorial da revista. Ao escolher esse criterioso método para aprovação de artigos, a ABPol garantiu a qualidade e confiabilidade de suas publicações. Na Tabela 2 estão relacionados os 187 consultores da revista.

 

 

A seção de artigos técnico-científicos pode conter trabalhos classificados como: 1- Artigo Técnico-Científico; 2- Artigo de Revisão; 3- Artigo de Divulgação; 4- Comunicação; 5- Mercadologia; 6- Normas e Métodos; 7- Práticas Industriais. Com isso vários tipos de trabalhos podem ser apresentados por diversos setores que não seja exclusivamente o de pesquisa voltada à ciência dos polímeros.

 

A Extensão da Revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia"

Hoje a revista já conta com a publicação de 57 números (58 contando com esse) ao longo dos últimos 15 anos (novembro de 1991 a novembro de 2005), sendo que o número total de trabalhos técnico-científicos publicados foi 466. A Tabela 3 fornece diversas informações sobre as publicações realizadas bem como, sobre os artigos recebidos, artigos aceitos ou recusados ou recolhidos pelos próprios autores após correções dos consultores. Os artigos ficam na ABPol em média 10 meses, contando o tempo desde o recebimento até a aprovação final pelos membros do Comitê. Aparentemente é um tempo longo, mas cada trabalho passa pelas mãos de pelo menos cinco pessoas por duas ou até três vezes, além do tempo que o autor do trabalho leva para efetuar a inclusão das sugestões dos consultores e ou dos membros do Comitê. Esse procedimento tem garantido a qualidade dos trabalhos bem como, o reconhecimento oriundo das Instituições de Fomento como a FAPESP, CNPq e FINEP. Atualmente a revista da ABPol pode ser acessada pela Internet onde existe a versão eletrônica disponível no site: www.scielo.br . Isto significa que, além da tiragem de 3000 ou 1500 exemplares por edição, dependendo da época do ano, a revista é acessada via Internet por muitos interessados que desenvolvem pesquisas em universidades, centros de P&D e indústrias no Brasil e no resto do mundo. Observa-se que é grande o número de citações da revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia" em artigos e livros publicados no Brasil e no exterior. A revista é enviada para entidades do exterior, como exemplo: Physical, Chemical & Earth Sciences - Philadelphia -PA-USA; Chemical Abstract Service - Columbus - OH -USA; Librarian RAPRA Techonology Ltd.- United Kingdom; Russian Institute of Scientific and Technical Information - Moscow- Russia; Polymer Processing Institute GITC - NJ, Inst. of Tech.University Heights - Newark - USA; Polymer Society of Korea - Kangnam-ku - Seoul -Korea; Team Periodicals -TIB/UB- Hannover - Germany; The British Library -Boston Spa Wetherby -United Kingdom.

 

 

A Tabela 4 mostra um balanço quantitativo das 57 edições. Nessa tabela não foram contabilizados os temas da secção editorial que contém reportagens, notícias, entrevistas, calendário de eventos, entre outros, mas apenas o número de artigos técnico-científicos, bem como as fontes de financiamento de cada edição. Em todos esses foi solicitado ajuda a órgãos de fomento como a FAPESP, FINEP e CNPq, sendo que a FAPESP foi a que mais aprovou recursos. Nos quatro primeiros anos a revista contou com a participação apenas dos anunciantes e necessitou, portanto, de subsídio da própria ABPol.

 

 

A Tabela 5 mostra um balanço dos trabalhos enviados pelos autores para publicação na revista, por origem (Estado). Esses balanço reflete bastante a distribuição quantitativa de universidades, centros de P&D e indústrias da área de polímeros, que se concentram mais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraíba.

 

 

A revista é financeiramente deficitária e isso não é de se estranhar, pois ela é publicada por uma entidade sem fins lucrativos tendo recebido sempre o apoio da ABPol. Tivemos momentos difíceis, como no ano de 1998, quando só foi possível publicar uma edição com empréstimo de dez mil reais feito pelo autor dessa reportagem, montante esse, reembolsado mais tarde. A Tabela 6 mostra, como exemplo, uma planilha de custos da revista onde são consideradas todas as despesas e receitas. O déficit anual varia muito e é função da variação da arrecadação. Observou-se desde a criação da revista, déficits que variam de R$ 10.000,00 a R$ 20.000,00 anuais para a publicação das quatro edições, déficit este coberto pela ABPol. A ABPol mantém um quadro de funcionários (contrato CLT) que se dedica à revista, sendo que a funcionária Edmea B. Kako tem dedicação quase que exclusiva. A Edmea tem feito um trabalho que interliga todos que participam de uma forma ou outra da revista, isto é, conselho e comitê editorial, consultores, autores de artigos, editoração, gráfica, etc. As propagandas são de responsabilidade dos diretores da ABPol, com apoio da funcionária da ABPol, Fátima Cordebello. Se não forem contabilizadas as despesas com pessoal e a infra-estrutura da ABPol, considera-se que a revista se sustenta. E foi baseado nisso, que a ABPol sempre pode manter esse veículo de comunicação, pois os sócios que recebem essa revista pagam uma anuidade, o que mantém os salários e a infra-estrutura. As edições que coincidem com grandes eventos nacionais, como a "BrasilPlast" e o CBPol, atraem mais anunciantes e isto ajuda a equilibrar edições mais deficitárias.

 

 

O Prof. José Alexandrino de Sousa foi presidente do Comitê Editorial a partir de novembro de 1991 e ocupou esse cargo até novembro de 2001. Foram 10 anos com 40 edições que exigiram muita dedicação e perseverança do Professor. Muito mais que prestígio, ser Editor Chefe de uma revista gera trabalho e preocupações que passam por vezes despercebidos por aqueles que apenas se beneficiam de tão importante veículo de divulgação técnico-científico. A ABPol e seus sócios deixam o "muito obrigado" ao Professor Sousa pela dedicação. Deixamos aqui também, tanto ao Professor Sousa como aos membros dos diversos Comitês Editoriais que se alternaram nesses 10 anos, nosso reconhecimento pelo brilhante trabalho executado e pela persistência em manter a qualidade da revista. Em 2001, tomou posse como presidente do Comitê Editorial, o Professor Aprígio S. Curvelo que dirige os trabalhos até o momento. O Professor Aprígio manteve os níveis de exigência com relação aos trabalhos publicados e lutou para ampliar a qualidade da revista. Nesse ano de 2001 a revista sofreu uma grande mudança no que concerne à numeração das páginas e número de referência dos artigos publicados, resultado de um trabalho conjunto liderado pelos Professores Sousa e Aprígio. Antes a referência de um artigo na revista era ANO X - Nº 4 OUT/DEZ 2000 e atualmente a referência é VOL XIV - Nº 5 OUT/DEZ 2004 - ISSN 0104-1428. As páginas das seções de artigos técnico-científicos agora são seqüenciadas durante um ano inteiro, compondo um volume. A parte editorial atualmente tem paginação separada, por edição, como por exemplo, E1 a E14 em uma edição. Diversas outras melhorias foram incorporadas na revista ao longo desses 15 anos, o que fez com que a mesma fosse indexada na "Chemical Abstracts" e "RAPRA Abstracts", onde a contribuição do Professor Sousa foi especificamente importante. O Professor Aprígio estará apresentando ao Conselho Editorial da Revista que se reúne no 8º CBPol-2005 em Águas de Lindóia, um relatório com os resultados desses quatro anos dedicados a ABPol. Antecipadamente registramos o agradecimento de todos pelo brilhantismo na administração, na inovação e pelo constante entusiasmo demonstrado pelo Professor Aprígio.

O Conselho Editorial da Revista aprovou que a permanência dos membros do Comitê Editorial fosse de quatro anos, com direito a recondução. Isso pode causar uma maior rotatividade dessa função. Ao longo desses 15 anos, de forma alternada, 48 sócios ocuparam as cadeiras do Conselho Editorial e 23 desses, ocuparam as cadeiras do Comitê Editorial da revista, cujos nomes encontram-se na Tabela 7.

O Comitê Editorial se reúne a cada dois ou três meses para decisões gerais sobre a revista e seus membros recebem continuamente tarefas específicas, como, por exemplo, indicar consultores para os trabalhos recém entregues para a ABPol, checar se as correções dos trabalhos foram realizadas pelos autores, fazer a aprovação final do trabalho, corrigir texto final antes da revista ir para a gráfica, dar opinião sobre a arte da capa da revista, sugerir temas para entrevistas e reportagens, aprovar a programação anual, entre outras tarefas. Os membros do Comitê são de diferentes partes do país (comitê editorial local) e as tarefas são distribuídas por região de interesse, facilitando o trabalho da equipe. A composição atual do comitê é, portanto, assim distribuída: Aprígio, Adhemar; Rinaldo e Silvio (São Carlos); Fernanda (Rio de Janeiro); Glaura (Belo Horizonte); Laura (Campina Grande); Raquel (Porto Alegre); Marco Aurélio, que também é o Presidente do Conselho (Campinas).

 

 

O Futuro da revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia":

Os números e os nomes mostrados até aqui indicam que esse é um caminho claramente definido e sem volta, pois temos vivido um crescimento e amadurecimento da revista de forma palpável. Mas falta muito a conquistar. Um dos grandes objetivos a ser alcançado é a ampliação das indexações da revista, bem como a sua maior divulgação no exterior. Muitos autores brasileiros não publicam na revista da ABPol pelo fato de não obter com isso pontuação máxima a cada trabalho publicado, preferindo publicar seus trabalhos em revistas do exterior, por exemplo. Mas para a revista atingir o status exigido por tais pesquisadores, torna-se imprescindível a participação deles nessa nossa revista brasileira para aumentar mais ainda sua credibilidade junto a certos órgãos de fomento do Brasil ou junto às suas próprias universidades ou centros de pesquisa. Não podemos ficar no velho dilema do ovo e da galinha, isto é, "...não publico na revista da ABPol porque ela não gera pontuação máxima ou a revista não gera pontuação máxima porque não publico nela...".

Outro grande objetivo é a ABPol publicar duas revistas, sendo uma unicamente técnico científica e outra com todo o espaço somente para as demais seções, para que se possa continuar divulgando notícias, entrevistas, curiosidades e informações técnicas. Esta meta está traçada desde que a revista foi criada (veja o editorial da primeira revista mostrada na Tabela 1 "...um periódico puramente técnico científico em paralelo com a revista..."), e a ABPol ainda vai encontrar um meio de sustentar essa forma. Existem outras possíveis alternativas como, por exemplo, ter uma versão da parte técnico-científica na forma exclusivamente eletrônica e uma revista geral com seções não científicas, impressa para distribuir aos associados.

Nada como aqueles que já se envolveram totalmente com a revista para opinar sobre seu passado, presente e futuro, como pode ser visto a seguir.

 

"Quem foram os "Presidentes do Comitê Editorial da Revista":

A revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia" já teve três presidentes do Comitê Editorial até o momento. O primeiro foi o Professor Sebastião Vicente Canevarolo Jr., seguido pelo Professor José Alexandrino de Sousa e atualmente é o Professor Antonio Aprígio S. Curvelo. Abaixo transcrevemos as opiniões desses incansáveis colaboradores para pontos comuns.

Qual foi seu maior desafio como Presidente do Comitê Editorial da Revista? Canevarolo: Ter sido o Presidente. As maiores limitações são aquelas que vem de dentro de nós mesmos, jamais do exterior.Sousa: Nos primeiros anos da revista, o principal desafio que o comitê editorial enfrentou foi o relacionado com a avaliação e editoração dos artigos encaminhados para a revista. Foi um trabalho árduo para convencer os autores dos artigos encaminhados para publicação (tanto de cunho científico como tecnológico) que a revista precisava manter um alto padrão de publicações para assegurar a sua credibilidade na área. Freqüentemente na primeira análise mais crítica dos seus trabalhos pelos referees, os autores desistiam da publicação e, às vezes, nos defrontávamos com a ira dos mesmos que nos procuravam para "tirar satisfação". Com o passar do tempo e com uma melhor padronização na avaliação dos trabalhos encaminhados bem como um bom "banco de referees" mais dedicados à revista, foi possível vencer este desafio inicial. Aprígio: Ainda que não ligado diretamente a questões técnicas da própria revista, o maior dos desafios que encontrei (e ainda encontro) foi a conciliação das tarefas de Editor com as demais atividades docentes junto à universidade. A opção por manter um comitê editorial local restringe (numericamente) a escolha de membros para assumir o dia-a-dia da revista. A ajuda eficiente e competente do pessoal administrativo da ABPol facilita em muito nosso trabalho mas, decisões de caráter técnico-científico devem ser necessariamente assumidas por pesquisadores membros do comitê.Outro desafio, este mais conceitual, refere-se a difícil tarefa de conciliar o público universitário com o público técnico-industrial. A cultura das indústrias brasileiras reserva pouco espaço para o desenvolvimento de produção técnico-científica a partir das indústrias. Dessa maneira, a expressiva maioria dos artigos publicados em nossa revista é oriunda de instituições universitárias. Ainda que apresentando qualidade científica, uma boa parte destes artigos não faz parte da realidade de meio industrial. A busca por seções mais dirigidas ao público técnico-industrial exige um gerenciamento e infra-estrutura não disponível por nossa revista.Nossa revista já se encontra consolidada e vem recebendo artigos em quantidade e qualidade para a manutenção da periodicidade e de número de artigos por edição estabelecidos pelo Conselho Editorial. Um desafio que iremos enfrentar nos próximos anos, e que já se encontra em fase inicial de execução refere-se à implantação de submissão e análise de artigos via Internet. A ABPol foi contemplada com recursos do CNPq na fase inicial deste projeto. A nova sistemática exigirá um treinamento de funcionários e orientação de usuários para que seja implantada com sucesso. A continuidade do projeto poderá levar a adoção de versão eletrônica de nossa revista, com supressão parcial ou total da versão impressa. A decisão final da opção a ser escolhida dependerá de apreciação e aprovação do Conselho Editorial da Revista.

 

 

 

 

Você lembra de algum episódio que marcou sua passagem como "Editor Chefe da Revista" ? Canevarolo: Lembro-me de uma bela "saia justa" que me fez passar uma tarde inteira suando ao telefone conversando com o autor de um artigo. Ele tinha recebido o parecer do consultor que por sinal não era nada simpático (o parecer, não o consultor!). O artigo lá tinha alguns pequenos problemas que o parecer enunciava de forma desnecessariamente veemente e o autor, como todo bom cientista que era e continua sendo, não aceitava o tom em que o parecer tinha sido escrito. Ou seja, o consultor estava tecnicamente certo, mas como relações publicas ainda tinha muito que aprender. Por outro lado o autor tinha razão em reclamar dos modos como seus pequenos erros tinham sido exacerbados, mas erros existiam. Como em uma discussão sempre é o mais inteligente quem cede, esta não foi diferente, o autor concordou em corrigir os pequenos erros, teve mais um artigo publicado e o consultor, ... ,bem, este sinceramente nem me lembro quem era. Sousa: Me recordo que durante a minha gestão, o padrão de qualidade da revista impressionou muito bem alguns editores de periódicos internacionais da área de polímeros. Este reconhecimento resultou em algumas cooperações da revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia" com alguns periódicos estrangeiros, como no caso do "Advances in Polymer Technology" da John Wiley e editorada na época pelo Professor Marino Xanthos, da New Jersey Institute of Technology, na republicação em inglês de alguns artigos de maior repercussão científica ou tecnológica da revista da ABPol, nas suas edições no ano de 2000. Infelizmente, esta iniciativa nossa não foi mantida após minha saída em 2001. Aprígio: Abordando de forma genérica, cito duas situações antagônicas, típicas da função de Editor de uma revista cientifica. A primeira é a satisfação de participar do processo de tornar público, trabalhos de qualidade produzidos pela comunidade científica que atua no país. A satisfação de ver a revista pronta e distribuída aos pesquisadores, bem como ver o crescente número de citações de nossa revista é recompensa mais que suficiente pelo trabalho realizado. Por outro lado, recaem sobre o editor todas as indignações dos colegas que tiveram artigos recusados para publicação. Felizmente, após os esclarecimentos fornecidos, a grande maioria dos autores envolvidos reconhece o procedimento adotado pela revista e aceitam a decisão do comitê editorial.

 

 

O que você sugere para que a revista melhore ainda mais? Canevarolo: Alguns pontos me parecem fundamentais: a) A revista não presta nenhum favor ao autor publicando seu artigo, na verdade é o autor que está prestando um favor à humanidade. Esquecer este princípio é principiar o fim, da revista, lógico! O autor continuará sua vida que será longa e produtiva. b) Identificar áreas de pesquisa de interesse nacional e convidar, por telefone e depois confirmar por carta, pesquisadores que atuam nessas áreas. O autor é acima de tudo um Ser Humano e como tal deve ser cativado. c) Jamais subestimar um artigo. Não é necessário o container ser grande para conter um bom perfume francês ou um pouco de "criptonita". d) O editor chefe deve ser paciente. Como já disse antes, o autor é um Ser Humano e, como tal, certas horas age de forma irracional. O editor tem que saber se colocar acima destas situações passageiras. e) Jamais aceitar redução na qualidade dos artigos, mesmo que seja para arrumar inimigos e publicar revista anoréxica. Digo isto, pois nenhum dos dois casos vai acontecer, pois a Ciência está acima de nossas mesquinharias e o Brasil Polimérico já se emancipou. Sousa: É importante que a revista venha a ganhar maior credibilidade e visibilidade internacional com a sua efetiva indexação na Science Citation Index, que se buscou ainda no final da minha gestão em 2001. Aprígio: Acredito que podemos pensar em aumentar a periodicidade da revista (em versão impressa e/ou eletrônica) fazendo com que o tempo entre submissão e publicação seja reduzido ao mínimo possível. A maior rapidez na publicação, sem perda de qualidade, pode tornar nossa revista mais procurada pela comunidade científica brasileira. A existência regular de artigos técnico-industriais deve ainda ser perseguida. Esta aproximação é fundamental para a manutenção da satisfação do leitor de nossa revista.

Como você vê o futuro da revista? Canevarolo: A revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia" está estabelecida, tem forma bem definida e o mais importante de tudo, ela é aceita pela comunidade polimérica brasileira. A difícil receita de se misturar ácido e doce no mesmo prato já foi testada e aprovada inicialmente pela cozinha ancestral chinesa e depois pelo paladar mundial. A mistura de Ciência e Tecnologia que a revista sempre se propôs a fazer é a forma acertada e, portanto, garante sua perenidade. Sousa: A revista já alcançou uma visibilidade internacional em função do número crescente de artigos publicados por autores fora do eixo latino-americano, graças ao trabalho de qualidade desenvolvido pelo atual comitê editorial. Acredito que a revista está adequadamente consolidada no país e, portanto, o seu destaque internacional na área de polímeros é agora apenas uma questão de tempo e de alguma estratégia de marketing para a mesma. Aprígio: Tarefa ainda não terminada, mas que resultará em uma mudança de paradigma para nossa revista, é a indexação no ISI. Ainda que continue com publicação majoritária em língua portuguesa, a indexação levará nossa revista a ocupar um lugar de destaque no cenário das publicações nacionais e contribuir para o aumento de submissões e, como conseqüência, da qualidade dos artigos publicados.

Outros comentários. Canevarolo: Meus parabéns aos editores da "Polímeros: Ciência e Tecnologia" que bem souberam conduzi-la nesta travessia oceânica com longos períodos de calmaria seguidos de fortes tempestades. Uma nave não é nada sem seu timoneiro. Por outro lado, a revista não existiria sem os autores. Portanto meus parabéns em dobro aos autores que entre um "frasco de solução" e uma "proposta de solução" levantam todas as manhãs com mais um item na sua longa lista de afazeres diários: terminar de escrever aquele artigo para enviá-lo à Revista. Aprígio: Apenas destacar que, independente de quem esteja ocupando o cargo de editor, nossa revista mantém seu padrão de qualidade pelo trabalho eficiente dos funcionários da ABPol e pela colaboração da comunidade que atua em polímeros no Brasil, quer submetendo artigos, quer atuando como consultores na análise dos mesmos.

 

 

Matéria elaborada por Silvio Manrich, Sócio Honorário da ABPol, UFSCar/DEMa.

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