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Polímeros

versão impressa ISSN 0104-1428versão On-line ISSN 1678-5169

Polímeros vol.26 no.spe São Carlos  2016  Epub 19-Jan-2016

http://dx.doi.org/10.1590/0104-1428.1887 

Seção Técnica

Separação e identificação de aditivos em tinta por TLC-IR/ UATR e extração seletiva

Separation and identification of additives in paint by TLC-IR/ UATR and selective extraction

Viviane Cristine Rodrigues1  2 

Milton Faria Diniz3 

Elizabeth da Costa Mattos1  3 

Rita de Cássia Lazzarini Dutra1  * 

1Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, São José dos Campos, SP, Brasil

2Flint Group Tintas de Impressão LTDA, Cotia, SP, Brasil

3Divisão de Química – AQI, Instituto de Aeronáutica e Espaço – IAE, São José dos Campos, SP, Brasil

Resumo

Vários aditivos são incorporados nas formulações de tintas para evitar defeitos no revestimento e melhorar o desempenho nas aplicações, constituindo, desse modo, um sistema complexo. A caracterização de uma composição pode ser realizada por separações física/ química e técnicas analíticas instrumentais. A análise de multicomponentes é utilizada no estudo de não conformidades, investigação forense e pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. As pesquisas correlatas, em geral, utilizam metodologias convencionais, encontrando algumas limitações, o que motiva a utilização de técnicas alternativas, incluindo acoplamentos, para a análise de aditivos em tintas. Nesse contexto, foi avaliada a aplicabilidade do acoplamento (indireto ou off-line) das técnicas de cromatografia de camada fina (TLC) e espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FT-IR), denominado TLC-IR, e extração seletiva na análise de aditivos em tinta à base de resina poliuretânica (PU) e nitrocelulose (NC). Foi utilizada uma formulação, avaliados três sistemas de eluentes e um tipo de revelador, o de Gibbs. Os espectros FT-IR foram obtidos por Reflexão Total Atenuada Universal (UATR). Os principais resultados mostraram que o plastificante Acetil Tributil Citrato (ATBC), aditivo majoritário, foi facilmente identificado por TLC-IR. A metodologia permitiu detectar e diferenciar plastificantes do tipo ftalato, como dioctil ftalato (DOP) e dibutil ftalato (DBP), mesmo em pequena quantidade de amostra, e identificar a oleamida (aditivo promotor de deslize) por meio de extração seletiva e UATR.

Palavras-chave:  tintas; aditivos; TLC/IR; UATR; extração seletiva

Abstract

Various additives are incorporated into the paint formulations to prevent coating defects and improving the application performance, so it is a complex system. The characterization of the components present in this system can be performed by physical/ chemical separation and instrumental analytical techniques. Multi component analysis is used in the study of non-compliance, forensic investigation and research and development of new products. The related research generally uses conventional methodologies, finding some limitations, which motivates the use of alternative techniques, including couplings, for additive analysis in paints. In this context, has been reported the coupling (off-line) of thin layer chromatography (TLC) and Fourier transform infrared spectroscopy (FT-IR) (TLC-IR) and selective extraction in the analysis of additives in ink containing polyurethane (PU) and nitrocellulose (NC) resin. One formulation was evaluated, by using three eluting systems, and one type of developer, Gibbs. The FT-IR spectra were obtained by Universal Attenuated Total Reflection (UATR). The main results showed that the plasticizer Acetyl Tributyl Citrate (ATBC), as the majority additive was easily identified by TLC-IR. The methodology allowed even detect and differentiate phthalates like dioctyl phthalate (DOP) and dibutyl phthalate (DBP), even in small amount of sample, and identify oleamide (slip promoter) by means of selective extraction and UATR.

Keywords:  paints; additives; TLC-IR; UATR; selective extraction

1 Introdução

É conhecido que tintas constituem um sistema multicomponente. Sua composição básica contém polímeros, solventes, aditivos e pigmentos. Depois de aplicada sobre uma superfície, a tinta passa por um processo de secagem formando um filme sólido. Este filme tem entre suas funcionalidades, decoração, acabamento e proteção. As tintas encontram aplicação em diversos setores industriais, tais como imobiliário, automotivo, naval, aeronáutico, eletrodoméstico, gráficos entre outros[1].

O setor de tintas gráficas (impressão em embalagens, jornais, e revistas), por exemplo, tem entre suas aplicações, impressões em embalagens do setor alimentício (filme polimérico, papelão, etc.), onde a tinta é impressa sobre a superfície exterior dos materiais de embalagem[2].

Geralmente, são adicionados às formulações, diversos aditivos, tais como, antiespumantes, silicones, coalescentes, espessantes, conservantes[3], além de outros como, promotores de adesão, agentes que promovem deslize e plastificantes[1].

Plastificantes fazem parte das formulações de tintas, para melhorar propriedades como flexibilidade e resistência ao enrugamento. Entre os principais plastificantes estão os ftalatos, como dioctil ftalato e dibutilftalato (DOP e DBP). A migração desses compostos em materiais de embalagens tornou-se uma fonte importante de contaminação para os alimentos. A exposição humana aos ftalatos tem sido uma preocupação crescente, devido aos resultados de estudos toxicológicos em animais[2].

Castle e colaboradores investigaram a migração dos agentes plastificantes em alimentos como chocolate e batata, enrolando-os em filmes de polipropileno, previamente impressos e armazenando-os por até 180 dias a 20 °C, e considerou que, uma vez que o filme não continha plastificante, a única fonte de contaminação seria a tinta, os níveis de migração chegaram a 6,7 mg/ kg no período estudado[2].

Embora tenha custos mais elevados de produção, os citratos, atuam como plastificantes de grande aceitação, pois são considerados produtos naturais, sem riscos à saúde. O acetil tributil citrato (ATBC) é o mais conhecido, compatível com grande número de resinas, como as vinílicas e as celulósicas. No Brasil, os citratos são ingredientes em filmes poliméricos para embalagens, especialmente quando entram em contato direto com os alimentos[4].

Com uma preocupação constante por fontes saudáveis de matérias primas por parte da indústria química, existem empresas que proíbem o uso de ftalatos, sendo o ATBC uma opção favorável. O desenvolvimento de métodos que separem e caracterizem os plastificantes em uma composição é de suma importância.

Outros aditivos são incorporados à formulação, por exemplos, titanatos orgânicos, agem como promotor de adesão entre a tinta e o substrato e agente de reticulação para o polímero, ele proporciona benefícios tais como, aderência, cura aprimorada, resistências químicas, térmicas e à água, tempo de secagem reduzido e aumento da resistência a laminação[5].

Aditivos que promovem deslize são importantes na formulação de tintas gráficas para evitar o blocking, fenômeno que ocorre quando uma tinta impressa é transferida para o verso do substrato que está em contato na bobina. Vários fatores ocasionam esse efeito indesejável, como, excesso de solvente, temperatura alta, excesso de tinta transferida, viscosidade alta, umidade e pressão[1].

Silicones reativos reagem com os polímeros por possuírem radicais livres e se fixam na superfície das tintas, melhorando o deslize superficial, resistência a solventes, ao intemperismo, e retém menos sujeira. O silicone utilizado na formulação é descrito pelo fabricante como um “polidimetil polissiloxano poliéter poliéster modificado hidróxi funcional”[6].

Desde que silicones são aditivos de alto custo, como alternativa, pode-se utilizar a oleamida, que é de custo mais baixo, porém tende ao amarelamento, desta forma, é comum fazer uma mistura desses compostos nas formulações. A oleamida reduz a fricção entre polímeros e equipamentos de processo e também entre polímero-polímero. Devido à sua migração, forma uma superfície de acabamento que fornece deslize, aderência e resistência ao risco[7].

Multicomponentes podem ser separados por métodos físicos e químicos, por exemplo em tintas, as cargas inorgânicas e pigmentos podem ser separados, pela dissolução do polímero seguida de centrifugação e aditivos podem ser extraídos com solventes adequados[8]. Souza avaliou diversos solventes para extração dos plastificantes em policloreto de vinila (PVC), os resultados indicaram que o hexano apresentou bom desempenho e menor impacto ambiental[9].

Diversas técnicas cromatográficas e espectroscópicas são avaliadas para aplicações em análises de tintas[10], Cromatografia de camada fina (TLC) é um método bem sucedido, usado para a separação e subseqüente comparação de componentes na tinta, por ser rápido, de baixo custo e relativamente simples de ser utilizado.

É conhecido que a espectroscopia FT-IR é uma ferramenta útil para fornecer informações sobre a estrutura molecular orgânica e inorgânica de constituintes numa mistura multicomponente[11]. Deste modo, produz dados importantes sobre a composição química de uma amostra de tinta, ou seja, sobre os polímeros, aditivos, cargas inorgânicas e pigmentos[12].

Em certos casos, o acoplamento de técnicas é necessário quando se quer obter informações sobre a composição. Geralmente, a separação é feita por meio de técnicas cromatográficas, seguida por identificação espectroscópica, isto pode ser de forma online (direta) ou de forma off-line (indireta)[13].

Técnicas cromatográficas (líquida, gasosa, de camada fina entre outras) acopladas à espectrometria de massas ou espectroscopia FT-IR são eficazes, porque reúnem os benefícios, separação e identificação dos componentes, entretanto, TLC-IR é a mais econômica entre as técnicas descritas acima[14].

Fuller e Griffiths utilizaram TLC-IR com Refletância Difusa (DRIFT) na identificação de um grande número de compostos, porém essa técnica FT-IR/ DRIFT, apresenta como desvantagem, a interferência das absorções da sílica, material usado como fase estacionária para o recobrimento da placa. Além disso, interações podem ocorrer resultando na mudança do número de onda das bandas de absorção, quando comparado aos espectros das mesmas amostras, analisadas diretamente por infravermelho[15].

Muitos trabalhos, incluindo alguns recentes, citam a aplicação de TLC-IR na análise in situ de multicomponentes, fazendo uso de microscopia FT-IR[14,16]. Entretanto este acessório é de uso restrito devido ao alto custo e tal qual a análise DRIFT, a fase estacionária pode interferir nas bandas de absorção do material. Para que isso não ocorra, estudos buscam materiais que sejam transparentes para compor a fase estacionária, tais como, sais inorgânicos, porém alguns adsorvem água ou são de alto custo. Apesar da análise in situ ser rápida, a preparação de placas não convencionais de TLC demandam tempo na preparação.

Dutra[17] demonstrou o uso de TLC-IR, na identificação de aditivos em composições elastoméricas, por meio de técnicas de Transmissão, utilizando pirâmides de KBr ou raspagem da sílica, seguida de filtração com solvente adequado e preparação de pastilhas. No entanto, pirâmides de KBr têm alto custo e as amostras separadas por TLC estão numa concentração muito pequena, desta forma, a preparação de pastilhas, como um método destrutivo, pode promover a perda de material e proporcionar espectros de baixa qualidade.

Uma técnica que têm encontrado destaque na análise de diferentes materiais, em comparação às técnicas de transmissão é a reflexão total atenuada universal (UATR)[18]. UATR é capaz de realizar a análise não destrutiva de sólidos, pós, líquidos e géis, bem como no estudo de tintas, na análise qualitativa e quantitativa de polímeros[19].

A identificação de aditivos numa composição de tintas é útil, seja para estudos de toxicologia, meio ambiente ou para previsão de propriedades e resistências. Na literatura consultada, não foram encontradas publicações de acoplamento TLC que é uma técnica acessível com espectroscopia FT-IR/ UATR, que é de última geração. Portanto, nesse trabalho, foi avaliado o acoplamento TLC-IR/ UATR na análise de aditivos em uma formulação de tinta contendo resinas poliuretânica (PU) e nitrocelulose (NC).

2 Materiais e Métodos

Os reagentes, solventes e matérias primas, foram, gentilmente, cedidos pela empresa Flint Group e pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço, divisão de química IAE-AQI. A tinta utilizada, neste caso, pode também ser denominada como verniz, uma vez é isenta de pigmentos e cargas, pois, ambos, quando presentes, podem ser separados por centrifugação[8]. A composição é mostrada na Tabela 1.

Tabela 1 Composição da tinta (verniz) analisada. 

Descrição Função %
Acetato de Etila Solvente 26,5
Acetil Tributil Citrato Plastificante 4,0
Álcool Etílico Solvente 20,0
Complexo de Fosfato a Base de Titânio Promotor de adesão 2,0
Oleamida Agente de Deslize 1,5
Silicone Reativo de superfície 1,5
Resina Poliuretânica Polímero 17,8
Resina Nitrocelulose Polímero 26,7

2.1 Análise FT-IR/ UATR

Foi usado o espectrofotômetro FT-IR SPECTRUM ONE PERKINELMER para a obtenção dos espectros, nas seguintes condições: região do infravermelho médio (MIR 4000 a 400 cm–1), resolução: 4 cm–1, 20 varreduras, utilizando-se o acessório de reflexão UATR. As amostras foram colocadas em contato com a superfície do cristal de ZnSe com diamante, sem aplicação de torque.

Todas as matérias primas foram analisadas previamente por FT-IR/UATR. Embora não presentes na formulação, os plastificantes DOP e DBP também foram analisados, pois, conforme mencionado é importante que sejam caracterizados.

2.2 Extração dos aditivos

Aproximadamente 50 mL de tinta foram colocadas sobre um vidro relógio e aguardou-se a evaporação total dos solventes à temperatura ambiente. O filme formado foi retirado com ajuda de uma espátula e cortado em pequenos pedaços, a fim de se aumentar a superfície de contato. Esse filme foi colocado em extrator Soxhlet com hexano e a amostra foi lavada por 4 horas, gerando um extrato, que foi analisado por TLC-IR/UATR.

2.3 Procedimento cromatográfico

Foram utilizadas placas cromatográficas da marca Merck, de vidro, medindo 20 × 20 cm e recoberta com Silica Gel D60. As placas foram reativadas, delimitadas, colocadas em cuba saturada com eluente apropriado e após corrida, foram secas e reveladas com reativo de Gibbs (2,6 dichloro-p-benzoquinone-4-chlorimine), conforme demonstrado por Dutra[17].

Com o auxílio de uma microsseringa, foram depositados, lado a lado, aproximadamente 15 μL do extrato e dos aditivos puros para utilizá-los como referência de cor e fator de retenção (Rf). A oleamida, que é em pó, foi previamente solubilizada em tetrahidrofurano (THF). Rf é a razão entre a distância percorrida pela amostra em relação à distância percorrida pelo eluente no sistema[20].

Foram utilizados três sistemas eluentes: o primeiro, proposto, foi baseado em uma pesquisa[10] que cita diversos tipos de eluentes para análise de tintas, entre eles, uma mistura de acetato de etila/ álcool etílico e água nos seguintes volumes: 70/35/30. Optou-se por esse sistema, uma vez que, a formulação está numa mistura de acetato de etila e álcool etílico.

O segundo eluente, o qual faz uso somente de tolueno, foi baseado em um trabalho desenvolvido na análise qualitativa de aditivos em borrachas[17]. O terceiro eluente teve como base, os resultados obtidos com os dois anteriores, foi proposto utilizar o tolueno com um solvente menos apolar, como o acetato de etila numa proporção 70/30 (tolueno/ acetato de etila).

2.4 Acoplamento TLC-IR/ UATR

Das manchas separadas nas placas (spots), provenientes do extrato e dos aditivos puros, foram anotados os valores de Rf. A sílica que as continha, foi raspada, lavada com hexano, e filtrada. Após evaporação do solvente, foram analisadas por UATR.

3 Resultados e Discussões

3.1 Caracterização por FT-IR/ UATR dos aditivos

Na Figura 1 são mostrados os espectros dos aditivos, analisados diretamente, tal qual recebidos, por UATR, e suas fórmulas estruturais.

Figura 1 Espectros UATR dos aditivos puros e suas fórmulas estruturais. 

Nos espectros do DOP e DBP, observa-se grande similaridade, como a maioria dos espectros de ftalatos, entretanto há uma pequena diferença na região entre 840-960 cm–1, pois no DBP há um dublete e no DOP, há somente uma banda. Na literatura, não está estabelecida claramente a atribuição dessas bandas, provavelmente, por serem fracas. Desde que a única diferença de estrutura química é a presença de mais ligações C-C no DOP e bandas de ligações C-C são médias ou fracas, há indícios de que as bandas observadas nessa região possam estar associadas a esse tipo de ligação.

A Tabela 2 mostra as principais bandas de absorção dos aditivos (cm–1), bem como modos vibracionais e grupos funcionais característicos na região MIR.

Tabela 2 Atribuição das bandas principais dos aditivos. 

Grupo Funcional DOP DBP ATBC SILICONE OLEAMIDA PROM. ADESÃO
CH3a, νs, δa e δs) 2960 2960 2962 2970 2958 2963
2874 2874 2875 2877 2852 2874
1463 1466 1466 1458 1469 1466
1381 1384 1369 1375 1380 1377
CH2as, ρ) 2931 2931 2937 2932 2923 2933
2861
1463 1466 1466 1458 1466 1466
743 744 722 754
C=O (ν) 1729 1728 1747 1735 1659
C-O (ν) 1072 1287 1286 1261
1123 1229 1102
1074 1183
1065
ArC-H (ν e δ) 3070 3090
743 744
ArC-C (ν); 1274 1600
1123 1580
1495
O-H (ν) 3436
Si-C (δ) 1261
Si-O-Si (δ) 1102
1019
804
N-H (ν); 3362
3191
NH2 (δ) 1633
C=C 1633
NH2 (ω) 702
PO4 1125
1060
1011
Ti-O 598
552
519

As moléculas estão basicamente sujeitas a dois tipos de vibrações, deformação (δ) e estiramento (ν). Para descrever as vibrações, algumas abreviações são utilizadas: estiramento assimétrico (νa), estiramento simétrico (νs), deformação assimétrica (δa), deformação simétrica (δs), do tipo rocking (ρ) e do tipo wagging (ω)[21].

3.2 Análise UATR do extrato da tinta

O extrato, após evaporação do hexano, foi analisado diretamente por UATR. As principais bandas observadas (cm–1), Figura 2, revelam a presença dos seguintes grupos funcionais: 3359 e 3182 (N-H); 2961, 2875, 1468 e 1369 (CH3); 2934 e 1468 (CH2); 1738 (C=O); 1660 (C=O); 1632 (NH2 e/ ou C=C); 1226, 1180 e 1062 (C-O) e 703 (NH2)[21].

Figura 2 Espectro FT-IR/UATR do extrato da tinta. 

As absorções estão em acordo com alguns compostos presentes na formulação, tais como, ATBC e oleamida, porém, pode haver sobreposição de bandas, havendo necessidade de uma técnica prévia de separação, tal como TLC, seguida de identificação por meio de FT-IR.

A análise do extrato constitui uma primeira informação, auxiliando na identificação dos grupos funcionais, por exemplo, numa amostra desconhecida.

3.3 Análise TLC-IR/ UATR - Sistemas Eluentes

Nos sistemas analisados, não houve alterações significativas de cores, apenas oscilação em tons de marrom, portanto realizou-se somente o estudo de valores de Rf, que são mostrados na Tabela 3.

Tabela 3 Valores de Rf para os três sistemas eluentes. 

Composição Sistemas Eluentes
1 2 3
Extrato (spot 1) 0,87 0,04 0,03
Extrato (spot 2) 0,41 0,11
Extrato (spot 3) 0,16
Extrato (spot 4) 0,31
Acetil tributil citrato (ATBC) 0,97 0,41 0,46
Dioctil Ftalato (DOP) 0,94 0,47 0,46
Dibutil Ftalato (DBP) 0,96 0,45 0,46
Silicone reativo de superfície 0,89 0,34 0,38
Promotor de adesão 0,94 0,06 0,31
Oleamida 0,92 0,16 0,21

O primeiro sistema apresentou somente uma mancha, o segundo duas e o terceiro, quatro manchas distintas. Na primeira placa, todas as amostras percorreram o sistema chegando muito próximo ao topo e resultou em valores próximos de Rf.

No segundo e terceiro sistema, as amostras não percorreram mais que 50% da altura da placa. É possível notar que nos dois últimos sistemas, os plastificantes percorreram mais o sistema, ou seja, possuem os menores valores de Rf.

Somente o ATBC foi separado e caracterizado nos três sistemas, os demais aditivos em menor concentração não foram identificados.

3.3.1 1º Sistema eluente: acetato de etila/ álcool etílico e água

O tempo de eluição foi de 180 minutos, não sendo observada uma boa separação. Na análise qualitativa por TLC, o valor de Rf do extrato (Rf: 0,87) sugere que o silicone (Rf: 0,89) seja o componente contido na mancha formada, no espectro obtido, por UATR, Figura 3, foram observadas as bandas características do ATBC, aditivo majoritário na formulação. Os demais aditivos em menor concentração nesse sistema, não foram separados por TLC.

Figura 3 1º sistema eluente: Espectros FT-IR/UATR do extrato da tinta: spot 1 (Rf: 0,87) versus ATBC (Rf: 0,97) após TLC. 

3.3.2 2º Sistema eluente: tolueno

No segundo eluente, o tempo de eluição foi de 40 minutos e apresentou maior distinção entre os valores de Rf. O extrato apresentou duas manchas: spot 1 (Rf: 0,04), que está próximo ao do promotor de adesão (Rf: 0,06) sugerindo que esta seja a constituição da mancha, e o spot 2 (Rf: 0,41), sugere a presença de ATBC (Rf: 0,41).

Na caracterização por UATR, o spot 1 apresentou as bandas de absorção características da resina poliuretânica, concluindo que parte do polímero foi extraída por hexano. O spot 2 apresentou as absorções do plastificante ATBC. Nesse sistema, a análise TLC se mostrou eficaz em relação aos valores de Rf. Foi possível também, diferenciar por Rf, os plastificantes do tipo ftalato (Rf: 0,45 e 0,47) em relação ao citrato (Rf: 0,41). Os espectros são mostrados na Figura 4.

Figura 4 2º sistema eluente: Espectros FT-IR/UATR do extrato da tinta: spot 1 (Rf: 0,04) versus resina poliuretânica e spot 2 (Rf: 0,41) versus ATBC (Rf: 0,41) após TLC. 

3.3.3 3º Sistema eluente: acetato de etila e tolueno

O tempo de eluição total da placa foi de 55 minutos e apresentou distinção entre os valores de Rf, a separação foi melhor quando comparada a segunda placa. O extrato apresentou quatro manchas distintas.

Analisando-se os resultados de Rf obtidos, observa-se que o spot 1 (Rf: 0,03) e o spot 2 (Rf: 0,11) não coincidem com nenhum valor de Rf dos aditivos. O spot 3 (Rf: 0,16) está próximo a oleamida (Rf: 0,21), e o spot 4 (Rf: 0,31) está próximo ao promotor de adesão (Rf: 0,31), sugerindo que estes sejam, respectivamente, a constituição das manchas formadas.

Ao realizar a análise UATR, Figura 5, nos spots 1, 2 e 3, observaram-se bandas características da resina PU. O spot 4 apresentou as absorções do plastificante ATBC (Rf: 0,46). A análise UATR forneceu essa informação, que pode ser verificada por meio da similaridade dos espectros. Não foi possível fazer uso dos valores de Rf nesse sistema.

Figura 5 3º sistema eluente: Espectros FT-IR/ UATR do extrato da tinta: spot 1, 2 e 3 versus resina poliuretânica e spot 4 (Rf: 0,31) versus ATBC (Rf: 0,46) após TLC. 

3.4 Nova metodologia de extração

No terceiro sistema eluente, o extrato foi deixado em temperatura ambiente por 24 horas, e posteriormente analisado. Observou-se a formação de um precipitado branco, que, após filtragem e lavagem com hexano a frio, foi analisado por UATR. Na caracterização, foram observadas as bandas de absorção da oleamida, Figura 6. Conclui-se que a oleamida é solúvel à quente em hexano e insolúvel a frio, constituindo dessa forma, numa nova metodologia de separação deste composto na formulação.

Figura 6 Espectros FT-IR/ UATR do precipitado branco versus a oleamida. 

4 Conclusões

Na análise de aditivos em uma formulação de tintas, o reagente de Gibbs não se mostrou um bom revelador. No acoplamento de técnicas não foi observada a interferência de sílica, constituindo uma nova forma de separação e identificação. A análise UATR se mostrou útil, uma vez que requer uma quantidade mínima de amostra.

Foi verificado que o uso de sistema de eluentes não adequados e/ou uma pequena variação de condições experimentais, pode fornecer resultados imprecisos de valores de Rf no TLC. Desta forma, uma técnica de identificação como infravermelho se faz necessária.

Entre os aditivos presentes, foi possível identificar o plastificante do tipo citrato, aditivo majoritário, nos três sistemas eluentes. A metodologia TLC-IR permitiu diferenciar citratos de ftalatos. Uma nova técnica de separação e caracterização da oleamida foi desenvolvida com formação de precipitado.

Bandas características da resina PU foram caracterizadas nos dois sistemas que continham tolueno como eluente. Foi possível observá-los em valores mais baixos de Rf. Não estava prevista a separação do polímero, no entanto, essa pode ser uma boa alternativa na separação e caracterização de polímeros em tintas.

Dentro da metodologia apresentada, fazendo uso de FT-IR/ UATR, TLC e técnicas de extração, numa formulação contendo quatro aditivos, foi possível realizar a caracterização de dois aditivos (plastificante ATBC e deslizante oleamida).

A abertura de composição de sistemas multicomponentes é uma tarefa complexa, que exige técnicas sofisticadas, tempo de análise e alto custo. Com a metodologia desenvolvida foi possível identificar dois aditivos, entre os quatro. Com o desenvolvimento de novos reveladores e sistemas eluentes é possível trazer grandes resultados no futuro. A técnica desenvolvida possui o mérito de ser simples, de baixo custo e relativamente rápida, em comparação às usuais e ainda permite a separação e identificação de componentes que estão em baixo teor, na formulação.

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Recebido: 21 de Agosto de 2014; Revisado: 18 de Maio de 2015; Aceito: 10 de Julho de 2015

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