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Educar em Revista

versão impressa ISSN 0104-4060

Educ. rev.  no.spe Curitiba  2006

https://doi.org/10.1590/0104-4060.402 

A escolha de recursos na aula de História

 

Choosing historical materials in History class

 

 

Olga Magalhães

Professora da Universidade de Évora/CIDEHUS, Portugal. E.mail: omsm@uevora.pt

 

 


RESUMO

Com este artigo pretende-se dar a conhecer dados de uma investigação levada a cabo com professores de História portugueses, que leccionavam turmas do 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário. Através de um questionário fechado, foi pedido aos professores que escolhessem recursos (fontes e materiais) com vista à leccionação de um conjunto de aulas sobre o Renascimento (conteúdo de leccionação obrigatória no 8º ano de escolaridade) e que justificassem as suas escolhas. Os dados recolhidos foram operacionalizados sob a forma de escalas dicotómicas e tratados com recurso a procedimentos estatísticos adequados. Foi possível apurar que estes professores preferiam, maioritariamente, as fontes primárias (quer escritas, quer iconográficas), bem como materiais "estáticos" cuja utilização dominavam.

Palavras-chave: Educação Histórica; Ensino de História; Recursos de ensino nas aulas de História; Fontes; Materiais auxiliares.


ABSTRACT

This paper aims to present some results of a research with Portuguese history teachers, teaching grades from 7th to 12th (11 to 18 years). Using a questionnaire, 98 teachers were asked to select historical documents to prepare and give classes about the European Renaissance (a compulsory subject of the 8th grade classes of History). They were also asked to justify their answers. The questionnaire used a dichotomise scale that allowed a specific statistical treatment with SPSS (Statistical Package for Social Sciences). The main results show that these teachers preferred to choose primary evidence (written or iconographic) and the technology they knew how to work with.

Key-words: Historical Education; History Teaching; Materials for History class; Evidences; Other resources.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

REFERÊNCIAS

FRANCO, V. Desenvolvimento e personalidade do professor, 1999. Tese (Doutorado) - Universidade de Évora. Não publicada.         [ Links ]

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HAINAUT, L. Conceitos e métodos da estatística. Duas ou três variáveis segundo duas ou três dimensões. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1992. v. 2. Obra original publicada em 1975.         [ Links ]

MAGALHÃES, O. O documento escrito na aula de história: proposta de abordagem. O Ensino da História, Associação de professores de história, n. 18, p. 22-24, 2000.         [ Links ]

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PUTNAM, R.; BORKO, H. What do new views of knowledge and thinking have to say about research on teacher learning, Educational Researcher, v. 29, n. 1, p. 4-15, 2000.         [ Links ]

 

 

Texto recebido em 16 fev. 2005
Texto aprovado em 17 nov. 2005

 

 

1 Esta variável tinha três categorias: básico (correspondente aos 60 professores que apenas lecionavam turmas do 3º ciclo do ensino básico), secundário (incluindo os 20 professores que leciona-vam exclusivamente turmas do ensino secundário) e misto (agregando os 14 professores que lecionavam simultaneamente turmas do 3º ciclo do ensino bsico e turmas do ensino secundário).
2 "As medidas de discriminação informam sobre as variáveis mais importantes em cada dimensão, que são as que permitem identificar o significado da dimensão" (PESTANA e GAGEIRO, 1998, p. 306).
3 Foram estas quantificações que permitiram a determinação das coordenadas de cada ponto no gráfico. Os pontos representam a escolha e a rejeição de cada um dos documentos.

 

 

ANEXOS

Documento 1:

"O renascimento e o humanismo são fenómenos tipicamente europeus que motivarão uma ruptura total da maneira de pensar. Ao opor-se à escolástica das universidades, que concebia uma ordem cristã universal e uma determinada visão do mundo, o humanismo vai impor a noção de progresso infinito e abrir brechas irreparáveis na velha sociedade medieval. A cultura grega deixa de estar comprimida pelo espartilho da teologia e as elites da maior parte dos países europeus deixam-se cativar pela nova mentalidade. O racionalismo, o individualismo, o gosto pela eficácia, pelo Direito, pela história, o saber exacto constituem as bases deste novo pensamento 'laico' e universal".

RODRIGUES, P. Atlas da Europa. Lisboa: Público, 1992, p. 24.

Documento 2:

"Não bastou ao Homem desafiar os mares e ir descobrindo o mundo - lançou-se também à descoberta de si próprio. E sentiu, de novo, a alegria de ser Homem: seguro da beleza do seu corpo e da força das suas capacidades. Na Antiguidade Clássica procurou modelos, inspiração e apoios. Com essa antiga sabedoria renascia um Homem novo, com novos valores e nova mentalidade."

DINIZ, E.; TAVARES, A.; CALDEIRA, A. História 8. Lisboa: Ed. O Livro, 1992, p. 58.

Documento 3:

"Hoje já não se considera o Renascimento como uma ruptura brutal com a época medieval, mas o resultado de uma lenta evolução que encontra as suas raízes na Idade Média. Alguns, como Burckhardt, Sapori e J. Delumeau, situam os inícios do Renascimento no despertar da vida urbana no século XIII, e mesmo no século XII. A maior parte dos historiadores, incomodados pela necessidade de escolher um corte entre duas épocas tão características como a Idade Média e os Tempos Modernos, embora afirmando que o Renascimento começou muito cedo, não apenas na Itália mas também numa boa parte da Europa Ocidental, mantêm-se fieis à periodização tradicional, que marca pelo menos a maturidade do Renascimento em Itália. (...)

O Renascimento não pode ser dissociado do humanismo que coloca o homem no centro das preocupações espirituais e dos estudos. 'O humanismo é um empreendimento de reforma intelectual e moral que se pode resumir numa fórmula: a criação do mais elevado tipo de humanidade' (A. Renaudet). O humanismo é optimista. (...) não se opõe necessariamente ao cristianismo. Para o humanista, no fundo da alma humana existe Deus. Interessa ao homem conhecer-se para conhecer Deus. Reencontra-se assim a filosofia antiga e Erasmo escreveu: 'São Sócrates, rezai por nós'." CORVISIER, A. Précis d'Histoire Moderne. Paris: P.U.F.,1971, p. 49-50.

Documento 4:

"O arquitecto supremo escolheu o homem (...) e, colocando-o no centro do mundo, dirigiu-se-lhe nestes termos: 'Não te demos nem lugar preciso, nem forma que te seja própria, nem função particular (...), para que segundo os teus desejos e discernimento, possas tomar o lugar, as formas e as funções que desejares (...). Colocámos-te no centro do mundo para que daí possas observar facilmente as coisas, (...) para que, por teu livre arbítrio, como se fosses o criador do teu próprio modelo, tu possas escolher e modelar-te da forma que preferires. Pelo teu poder poderás, graças ao discernimento da tua alma, renascer nas formas mais altas que são divinas."

PICCO DELLA MIRANDOLA. Sobre a dignidade do Homem, Encontro com a História - 8º Ano. Lisboa: Lisboa Editora, 1486, p. 53.

Documento 5:

 


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Documento 6:

 


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