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Educar em Revista

versão impressa ISSN 0104-4060

Educ. rev.  n.29 Curitiba  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40602007000100002 

DOSSIÊ: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: NOVOS DIÁLOGOS FRENTE ÀS DIMENSÕES CONTEXTUAIS CONTEMPORÂNEAS

 

Apresentação

 

 

"Nunca um acontecimento, um fato, um feito, um gesto de raiva ou de amor, um poema, uma tela, uma canção, um livro têm por trás de si uma única razão. (...) se acham sempre envolvidos em densas tramas, tocados por múltiplas razões de ser de que algumas estão mais próximas do ocorrido ou do criado, de que outras são mais visíveis enquanto razão de ser" (FREIRE, 1992, p.18).

As palavras do grande mestre Paulo revelam a importância do presente dossiê Educação de Jovens e Adultos: novos diálogos frente às dimensões contextuais contemporâneas, da Educar em Revista, pois são muitas as razões que levaram o grupo, aqui representado por alguns pesquisadores, a se debruçarem sobre essa temática. Revela pedaços de tempos que, de fato, se achavam em cada um de nós desde o vivido em seus trabalhos acadêmicos, à espera de outro tempo em que se alongassem na composição de uma trama maior, a possibilidade de amalgamar conhecimentos desligados e que a tessitura dessa publicação permite iluminar a precariedade do trabalho solitário (FREIRE, 1992).

Os autores apresentam pontos que os incomodam centralmente, o mundo de injustiças e desigualdades que aí está, e chamam a atenção dos militantes para que continuem brigando por um mundo menos feio, da necessidade de que os objetivos, estratégias, táticas e sonhos não se contradigam, mas sim contribuam para a realização de homens e mulheres, jovens e adultos, para que possam permanentemente estar em processo de se tornarem cidadãos conscientes no contexto histórico-social no qual estão inseridos.

O trabalho se inicia com Silva discutindo os desafios contemporâneos para a formação de jovens e adultos em Portugal, procurando evidenciar a atenção e o investimento na formação de jovens e adultos, como formação-aprendizagem ao longo da vida, bem como as fragilidades e controvérsias presentes, tanto nos discursos como nas práticas, identificando alguns desafios que se colocam ao campo da formação em diferentes contextos.

Em seguida, Rummert e Ventura abordam as Políticas Públicas para Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Analisam os programas Brasil Alfabetizado e Fazendo Escola no conjunto das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Educação e a representação frente à lógica que as presidem, focando na empregabilidade a subalternidade dessas propostas de educação para a classe trabalhadora.

Freitas discorre sobre as relações entre a Educação Popular, Educação de Jovens e Adultos e a contribuição da Psicologia Social Comunitária para a prática dos educadores, no trabalho de educação/alfabetização, identificando as origens epistemológicas comuns, do início dos trabalhos de alfabetização/conscientização e dos movimentos sociais a partir dos anos 60.

No âmbito da formação de educadores de adultos, Castro, Guimarães e Sancho destacam as alternativas adotadas pela Unidade de Educação de Adultos da Universidade do Minho, que participou do projeto A Good Adult Educator in Europe (AGADE).

O texto de Oliveira se refere ao estudo de novas formas de organização curricular destinada à educação de jovens e adultos. partindo de relatos de situações reais, são discutidas algumas concepções de currículo e fundamentos, propondo um debate sobre as possibilidades de novos desenhos curriculares que possam ser mais adequados aos alunos da EJA.

O artigo de Fernandes Laffin destaca as particularidades dos processos educativos de jovens e adultos, situando a busca dos sujeitos na relação com o saber, as diferentes mediações da organização do trabalho pedagógico e a questão da reciprocidade e acolhimento como ações intencionais no processo ensino-aprendizagem.

Investigar os vínculos estabelecidos pelo professor com a proposta pedagógica da EJA, bem como as relações com a equipe de ensino da Secretaria Municipal de Educação, foi o objetivo da pesquisa de Haracemiv, que analisou a relação-reflexa no processo de formação profissional e pessoal deste sujeito.

Soares e Venâncio apresentam uma preocupação em romper com a estrutura centrada exclusivamente na transmissão de conhecimentos, demonstrando a sensibilidade dos professores no sentido de entender a vida adulta como um tempo na vida que tem suas especificidades formadoras, com dimensões, saberes, vivências e processos que a diferenciam dos demais tempos de formação, como a infância e a adolescência.

E, para finalizar, Branco apresenta as relações estabelecidas nas salas de aula da EJA e de crianças, à luz dos referenciais teóricos lingüísticos, psicolingüísticos e pedagógicos sobre a alfabetização e sugere encaminhamento para a melhoria da formação dos professores alfabetizadores.

Espera-se que essas discussões suscitem a reflexão dos educadores de jovens e adultos e possibilitem a implantação de práticas educacionais nas quais o diálogo seja uma constante e provoquem mudanças significativas nos educadores e educandos. Por tudo isto, deve-se lutar pela democratização da sociedade, que implica na democratização da escola, sem licenciosidade, mas com falas substantivas e democráticas.

 

Sônia Maria Chaves Haracemiv