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Educar em Revista

Print version ISSN 0104-4060On-line version ISSN 1984-0411

Educ. rev.  no.29 Curitiba  2007

https://doi.org/10.1590/S0104-40602007000100019 

RESUMOS DE TESES E DISSERTAÇÕES

 

A formação de professores em perspectivas internacionais. Estudo comparado entre modelos europeus e brasileiro

 

 

Cleusa Valério Gabardo

 

 

RESUMO

A pesquisa realizada propiciou a análise do pensamento crítico da comunidade científica a respeito do processo através do qual as reformas educacionais têm sido concebidas e, de como se dá a relação entre o Estado - enquanto poder regulador –, e os demais "atores" sociais, buscando identificar a importância que atribuem à formação e à prática docente como estratégia para a sua implantação. Os objetivos específicos foram compreender e explicar como se desenvolveu o pensamento educacional brasileiro quanto às concepções de formação do professor no âmbito da reforma que se consubstanciou na LDBN de 1996; e identificar similaridades, dentre as inúmeras diferenças, entre as experiências com reformas da formação do professor na Espanha, Portugal, Inglaterra e Brasil, tendo como referência o conjunto de medidas indicadas pelo movimento internacional de reformas educacionais.
Constituiu-se num estudo histórico e comparado, sob diferentes perspectivas. No caso brasileiro, entre dois momentos da história presente – um que inicia em meados da década de 80 e outro que inicia nos primeiros anos da década de 90; e entre professores-pesquisadores da comunidade científica nacional. Em âmbito internacional – entre reformas educacionais implantadas durante o período delimitado, na Espanha, na Inglaterra e em Portugal e a reforma brasileira implantada durante a década de 90, a fim de que se pudesse identificar alguns parâmetros de comparação, principalmente as semelhanças entre as respectivas experiências em relação à mudanças na formação de professores.
Optou-se pela realização de uma pesquisa teórica e de campo, com abordagem qualitativa. Tendo como ponto de partida a prática social concreta, buscou-se entender as essências, as origens, as relações e os significados da ação educacional; da mesma forma, as mudanças em processo, que permitissem "intuir" as possíveis conseqüências na realidade concreta. Como fontes de consulta, foram utilizados: textos e artigos de autores estrangeiros e brasileiros; documentos divulgados por órgãos oficiais brasileiros sobre a reforma e sua regulamentação; o conteúdo das falas de professores/pesquisadores brasileiros. Foram entrevistados professores que têm participado ativamente do movimento de educadores durante o período delimitado. A questão que norteou o estudo foi a seguinte: até que ponto, na reforma educacional brasileira atual, a concepção de formação de professor se afina à leitura neo-pragmática presente na concepção de educação defendida de forma aparentemente hegemônica na atualidade?
Refletir a respeito desta questão é de fundamental importância para o desvelamento de interesses e contradições entre o discurso e as ações presentes na reforma e nas políticas educacionais brasileiras e, para o conhecimento das limitações e das possibilidades que o momento presente oferece para o desenvolvimento da educação no Brasil. À medida que o estudo e as reflexões foram se desenvolvendo, foi se confirmando a percepção que se tinha de que a proposta pedagógica do professor reflexivo exerceu marcante influência na reforma educacional brasileira, embora não exclusivamente. Evidenciou-se que o projeto inicial da reforma pautava-se na concepção emancipadora de educação, passando, em outra etapa, a enfatizar a abordagem reflexiva da formação docente que toma como fundamento teórico a epistemologia da prática e, ao final, incorporando a abordagem das competências. Nessa trajetória, destacou-se o importante papel desempenhado pelo movimento amplo de educadores no sentido de propiciar o suporte logístico e organizacional para o exercício de uma crítica qualificada e do debate propositivo, assim como as dificuldades para a concretização das mudanças preconizadas. Foram identificadas duas tendências entre os críticos da reforma brasileira, em relação às limitações e possibilidades que a lei oferece, ambas contra a concepção neoliberal ou pós-liberal de educação. Por outro lado, foi possível confirmar a percepção de que a orientação geral procedente do movimento internacional de reforma tem sido adotada pelos governos, tendo como base comum a adequação ao sistema político-econômico capitalista, na fase neoliberal e neopragmática na qual se encontra na atualidade. Esse movimento de reformas educacionais reforça os modelos reguladores da formação do professor, entendendo ser ele elemento essencial para a consolidação das mudanças. O fator determinante na implantação das reformas sob essa orientação – que se harmoniza com as leis mercadológicas do sistema econômico "globalizado" – e, em especial, sob a orientação de organismos internacionais é, efetivamente, a ESTRATÉGIA (e não a orientação teórica), que o Estado adota para manter o controle e regulação da atividade docente.

Palavras-chave: formação de professores no Brasil; reformas e políticas educacionais; LDBN de 1996; concepção e regulamentação.

 

 

ORIENTADOR: Prof. Dr. Leoncio Vega Gil
CO-ORIENTADORA: Prof.ª Dra. Jussara Maria Tavares Puglielli Santos
NÍVEL: Doutorado em Educação
INSTITUIÇÃO: Universidade de Salamanca
ANO DA DEFESA: 2006

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