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Educar em Revista

versión impresa ISSN 0104-4060

Educ. rev.  no.42 Curitiba oct./dic. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40602011000500001 

Editorial

 

 

Este número da Educar em Revista finaliza o ano de 2011, durante o qual o periódico passou a ser publicado trimestralmente. Essa mudança - que significou um esforço suplementar em termos de trabalho e também de recursos financeiros -, além de representar mais uma ação no sentido da crescente qualificação do periódico, indica a intenção de ampliar o espaço para publicação de artigos resultantes de pesquisas no campo da Educação.

O dossiê temático, proposto por Maria Auxiliadora Schmidt e Tânia Braga Garcia no Edital de 2009-2011, é publicado neste número com o título "História, Epistemologia e Ensino: desafios de um diálogo em tempos de incertezas". Na apresentação, as organizadoras destacam as dificuldades em "incorporar questões, debates, problemáticas e objetos de análise, abrangendo interfaces de duas áreas do conhecimento: o campo teórico da história e o campo teórico da educação". O desafio foi enfrentado a partir do pressuposto de que "não se pode ignorar a pluralidade pela qual se manifesta a experiência humana com o conhecimento, bem como a diversidade de formas de apreender, ler e explicar o mundo". A contribuição dos autores, pesquisadores de diferentes lugares do Brasil e ainda de Portugal, da Inglaterra e da Espanha, expressa sua inquietação diante das questões da Educação Histórica e da problemática do conhecimento na contemporaneidade.

Na seção de artigos de demanda contínua, os professores - como sujeitos escolares - são privilegiados pelos pesquisadores autores dos sete textos. A formação de professores, inicial e continuada, com diferentes focos, é tema dos quatro primeiros artigos.

"Filosofia da educação e formação de professores no velho dilema entre teoria e prática", de Amarildo Luiz Trevisan, abre a discussão analisando o modelo de formação subjacente à legislação a partir da reflexão "sobre uma Filosofia da Educação inspirada na teoria do reconhecimento social do outro". O autor, em seu artigo, objetiva "primeiramente, defender a ideia de que a dificuldade das políticas de formação de professores em aliar teoria e prática, privilegiando a prática, significa, na verdade, a passagem de uma teoria a outra, isto é, de uma teoria normativa a uma teoria explicativa. E, segundo, propor uma reformulação da compreensão desta dicotomia baseada nos preceitos de uma Filosofia da Educação inspirada na teoria do reconhecimento social do outro, procurando evitar as armadilhas do compromisso com as instâncias teológico-metafísicas do contexto em que ela foi gestada".

As relações entre tecnologia, formação profissional e práticas docentes é o tema do artigo de autoria de Vânia Gomes Zuin e Antônio Álvaro Soares Zuin, "Professores, tecnologias digitais e a distração concentrada". Para eles, o estudo dessas relações pressupõe "considerar a redefinição imagética do professor, bem como dos métodos historicamente empregados para promover a disciplina e a concentração entre os estudantes".

Segue-se o relato dos resultados de pesquisa com vinte professoras de uma rede municipal de ensino, no artigo "Formação continuada de professores inseridos em contextos educacionais inclusivos". Avaliando o processo de implementação de um programa de formação continuada, com vistas à inclusão de alunos que apresentam necessidades especiais, os autores Gilmar de Carvalho Cruz, Marisa Schneckenberg, Khaled Omar Mohamad El Tassa e Letícia Chaves evidenciam especialmente as alternativas elaboradas pelas professoras para atender a essa exigência.

O tema da relação entre professores e inclusão de alunos com necessidades educativas especiais também é abordado por Maria Auxiliadora Monteiro Oliveira e Sandra Freitas de Souza. Trata-se do relato de pesquisa realizada em 2007/2008, em uma escola estadual de Belo Horizonte, que objetivou "investigar a capacitação de docentes para essa modalidade de educação e avaliar o processo de inclusão dos mencionados alunos, em uma escola estadual de BH".

Destaca-se a preocupação em verificar o que pensam as professoras sobre as condições para atender os alunos. Entre as conclusões, as autoras apontam que "As falas das professoras desconstruíram tanto os discursos dos gestores públicos, entre eles da SEE de Minas Gerais, quanto os discursos normativos e os da mídia, que vêm apregoando os inúmeros benefícios alcançados pela inclusão, nas escolas comuns, dos alunos com necessidades educacionais especiais".

Crianças e jovens são os sujeitos privilegiados nos dois artigos seguintes. O primeiro é "A mídia televisiva e a transmissão de valores na ótica de alunos do Ensino Médio", de autoria de Clésia Maria Hora Santana e Luis Paulo Leopoldo Mercado. Segundo os autores, a pesquisa com 87 jovens "identifica a percepção de jovens do Ensino Médio de duas escolas públicas localizadas em um município do interior do Estado de Alagoas quanto aos valores transmitidos na mídia televisiva. Identifica o perfil desses jovens e a programação por eles preferida nessa mídia".

No outro artigo, intitulado "Relações e conflitos entre crianças na Educação Infantil: o que elas pensam e falam sobre isso", a autora Bianca Rodriguez Corsi relata pesquisa na qual filmou situações de conflito ocorridas entre crianças de cinco a seis anos. Posteriormente, a pesquisadora apresentou as cenas para que as crianças opinassem sobre o que são conflitos e como podem ser resolvidos, discutindo os resultados no âmbito da Sociologia da Infância.

O artigo que finaliza a sessão de demanda contínua avalia obras de literatura didática utilizadas no Ensino Fundamental do Município do Rio de Janeiro, durante o 1º semestre do ano de 2005, do ponto de vista do que se ensina sobre serpentes peçonhentas brasileiras. A preocupação dos autores Everaldo de Santana Silva, Rosany Bochner e Aníbal Rafael Melgarejo Gimenez é a qualidade da aprendizagem derivada do uso desses materiais. O mesmo instrumento foi aplicado para os docentes e discentes (577) participantes, cotejando conhecimentos desses sujeitos e informações apresentadas nos materiais utilizados.

A resenha elaborada por Júlio Ricardo Quevedo dos Santos apresenta o livro Aprender História: perspectivas da Educação Histórica, organizado por Maria Auxiliadora Schmidt e Isabel Barca e publicado pela Editora Unijuí, em 2009. Segundo o autor, o eixo da obra "é a Educação Histórica, a qual se preocupa com a busca de respostas concernentes ao desenvolvimento do pensamento histórico e à formação da consciência histórica de crianças e jovens. Deste princípio norteador, como se fosse uma semente, germinam as presentes análises focadas na compreensão de que está se trabalhando meticulosamente com uma ciência que congrega e contempla as múltiplas temporalidades pautadas nos diferentes sujeitos históricos, os quais constroem e construíram o passado histórico, lembrado, conhecido à luz do tempo presente".

Como se evidenciou, este número da Educar em Revista é um convite ao debate de temas que circulam neste momento no espaço educacional brasileiro e internacional e é também um estímulo a ações que transformem qualitativamente a educação, em especial aquela que se realiza nas instituições públicas do país.

Boa leitura!

 

 

Maria Auxiliadora Schmidt e Tânia Braga Garcia

Editoras
Dezembro de 2011