SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.43 issue1Dose de soro (antiveneno) no tratamento do envenenamento por serpentes peçonhentas do gênero BothropsPolyneuropathy deficiency among Xavante indians author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.43 n.1 São Paulo Jan./Mar. 1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42301997000100017 

Artigo de Revisão

 

Biologia molecular da doença de Alzheimer: uma luz no fim do túnel?

O.P. Almeida

 

Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP.

 

 

UNITERMOS: Doença de Alzheimer. Demência. Biologia molecular. Genética. Cromossomo 21. Cromossomo 14. Cromossomo 19. Apolipoproteína E. ApoE.

KEY WORDS: Alzheimer´s disease. Dementia. Molecular biology. Genetics. Chromosome 21. Chromosome 14. Chromosome 19. Apolipoprotein E. ApoE.

 

 

INTRODUÇÃO

Em 1988, as Nações Unidas estimaram que a população mundial era de 5,1 bilhão de pessoas. Destas, 1,2 bilhão habitavam em países desenvolvidos (Europa, Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália, Nova Zelândia e antiga União Soviética), enquanto os demais 3,9 bilhões viviam em países em desenvolvimento1. Indivíduos acima de 60 anos de idade representavam 9% do total, 16% daqueles vivendo em países desenvolvidos e 7% em nações do 3o mundo. Essa diferença proporcional deveu-se, basicamente, a dois fatores: maior taxa de natalidade de países em desenvolvimento (31/1.000/ano), quando comparada à de países desenvolvidos (15/1.000/ano), e uma expectativa de vida ao nascimento de apenas 60 anos em nações menos desenvolvidas, comparada aos 73 anos de países do 1o mundo. Desde o início da década de 1980, mais de metade dos indivíduos que atingem os 60 anos vivem em países do 3o mundo, e acredita-se que, até o ano 2025, 3/4 da população idosa viverá em nações pobres2. Uma decorrência natural desse processo é o aumento na prevalência de doenças associadas ao envelhecimento, como a demência.

Demência aflige, aproximadamente, 5% da população com idade acima de 65 e 20% daqueles acima de 80 anos. Entre 1975-2000, espera-se um aumento no número de casos de demência de 54%, em países desenvolvidos, e de 123%, em despreparados países em desenvolvimento, como o Brasil3. A doença de Alzheimer (DA) é a forma mais comum de demência4 e é a quarta causa mais freqüente de morte em países desenvolvidos5.

As características básicas da DA foram descritas, no início deste século, por Alois Alzheimer6, que relatou o caso de uma senhora de 51 anos de idade que foi trazida à atenção médica devido a um quadro de delírio de ciúmes em relação a seu marido. Nos meses que se seguiram, sua memória deteriorou rapidamente e ela passou a apresentar parafasias, apraxia e desorientação espacial. A paciente faleceu quatro anos e meio após o início dos sintomas. O exame anatomopatológico revelou um cérebro claramente atrofiado e, microscopicamente, a presença de fusos neurofibrilares, placas senis e perda neuronal.

Os achados de Alzheimer6,7 serviram como base para a investigação de três grandes áreas: 1) quadro clínico e progressão dos sintomas; 2) anatomopatologia; e 3) correlação entre o quadro clínico e a patologia cerebral. Apesar do evidente avanço de nosso conhecimento nessas áreas8-11, a questão fundamental sobre a doença de Alzheimer ainda permanece sem resposta: Qual é a origem dos fusos neurofibrilares e das placas senis? Essa pergunta começou a ser respondida, de forma mais concreta, nos últimos anos, quando importantes avanços metodológicos e tecnológicos permitiram a abertura de uma nova área de pesquisa da doença: a Biologia Molecular.

A presença de fusos neurofibrilares é considerada fundamental para o desenvolvimento da DA, e sua concentração e distribuição têm sido consistentemente correlacionadas com a gravidade da demência12. Sabe-se, hoje, que os fusos neurofibrilares são predominantemente formados por acumulações de pares de filamentos espiralados (PHF), e que a proteína associada a microtúbulos — tau — é um de seus componentes fundamentais13. A tau é uma proteína que promove a polimerização de tubulina in vitro e agregação de microtúbulos in vivo14. É interessante notar que a tau associada aos PHF é anormalmente fosforilada13. Além disso, existem evidências sugerindo que a tau fosforilada é menos capaz de polimerizar tubulina, e, ao invés, agrega-se na forma de PHF15, o que a torna altamente insolúvel16. Como conseqüência, ocorre uma ruptura do citoesqueleto celular que leva, inicialmente, a uma disfunção e, posteriormente, à morte neuronal16. Durante os últimos anos, identificaram-se várias regiões da tau que podem, potencialmente, sofrer fosforilação anormal. Além disso, algumas das "cinases" envolvidas nesse processo foram descobertas (e.g., MAP e GSK-317,18). Entretanto, o processo que leva à fosforilação anormal da tau permanece desconhecido, apesar de existirem indícios sugerindo que a deposição de ß-amilóide pode ser o evento inicial em pelo menos alguns casos19 (veja fig. 4), particularmente porque o ß-amilóide parece aumentar a atividade de algumas cinases que promovem a fosforilação anormal da tau (e.g., GSK-3)20.

O ß-amilóide é parte integrante das placas senis, que são depósitos extracelulares com um núcleo central e uma coroa de células neuronais distróficas associadas à micróglia e astrócitos21. O ß-amilóide encontrado nas placas é derivado de uma proteína transmembranal muito maior conhecida como "proteína precursora de amilóide" (PPA) (veja fig. 1). A PPA parece exercer papel importante na facilitação do crescimento neuronal, na sobrevivência da célula e na regulação da atividade da proteína G022, além de sua função reconhecida de adesão entre células e entre o neurônio e matriz cerebral23.

 

 

O gene responsável pela produção da PPA foi localizado, recentemente, no braço longo do cromossomo 2124,25. Além disso, no final da década de 80, descobriu-se que alguns casos familiares de DA pré-senil (DAF) exibiam um linkage com uma região do braço longo do cromossomo 2126. Isso, em associação com o fato de que pacientes portadores da trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down) desenvolvem quadro demencial e patologia cerebral semelhante àquela observada entre pacientes com DA27, estimulou as pesquisas na busca de um possível gene para a DA nesse cromossomo. De fato, ao longo dos últimos anos, foram descritas várias associações entre DAF e mutações do gene da PPA25,27-30, bem como de outras regiões do cromossomo 2131-33. Entretanto, a maioria dos casos de DAF não apresenta nenhum tipo de linkage com o cromossomo 21, indicando que a DAF é uma patologia geneticamente heterogênea.

Esse fato fez com que vários grupos de pesquisadores buscassem identificar a associação de outros cromossomos com DA. Em 1992, verificou-se a existência de uma ligação entre o cromossomo 14 e a DAF29,34-36. Esse gene foi localizado recentemente, no braço longo do cromossomo 14, entre as regiões D14S289 e D14S5337, e parece ser responsável por, aproximadamente, 3/4 do número total de casos de DAF (transmissão autossômica dominante). Entretanto, existem casos de DAF que não apresentam linkage com o cromossomo 14 ou 21, indicando a existência de pelo menos um outro locus ainda não identificado.

Evidentemente, essas descobertas foram extremamente importantes, porém não ofereciam uma explicação plausível para os casos de DA esporádicos e de início tardio (que constituem a grande maioria dos casos). Esse estado de coisas começou a mudar no início da década de 90, com a descoberta de uma associação entre a região do cromossomo 19 que determina a produção de apolipoproteína E (ApoE) e a doença de Alzheimer38. A ApoE é uma proteína associada a lipoproteínas plasmáticas que modula o metabolismo e excreção de colesterol e outras lipoproteínas de baixa densidade (LDL). Ela tem papel fundamental no processo de mobilização e redistribuição de colesterol para a regeneração do sistema nervoso central e periférico39,40, e para o metabolismo lipídico normal do cérebro41. Além disso, a ApoE já havia sido encontrada nas placas senis e fusos neurofibrilares41,42, o que sugeria seu possível envolvimento com o processo patológico associado à DA. A ApoE é codificada por um gene localizado no braço longo do cromossomo 19, em uma região que foi previamente associada a DA familiar de início tardio42. A ApoE apresenta polimorfismo que é determinado pelos alelos e4 (Cys112®Arg), e3 (Cys112), e e2 (Arg148®Cys). É justamente a presença do alelo e4 que tem sido associada a casos de DA esporádica ou de início tardio43-48.

Recentemente, Schachter et al.49 demonstraram que pessoas que possuem o alelo e2 têm maior probabilidade de se tornarem centenárias que aquelas com o alelo e3, que, por sua vez, parecem ter maior sobrevida que pessoas com o alelo e4 (fig. 2). De forma semelhante, a sintomatologia associada à DA se inicia mais precocemente quando o paciente possui dois alelos e4, e alguns anos mais tarde quando apenas um dos alelos é o e447. De fato, tem-se sugerido que a ausência de e4 pode retardar ou mesmo impedir a manifestação das mutações do cromossomo 21 claramente associadas a DA. Além disso, a associação entre e4 e DA é dependente da idade (i.e., a probabilidade de ser e4 é menor em idades avançadas), sendo possível atingir velhice extrema sem demência, apesar da presença desse alelo50 (veja fig. 3).

 

 

 

A complexidade dessas interações faz com que os mecanismos pelos quais a ApoE4 facilita o desenvolvimento de DA ainda não tenham sido completamente esclarecidos. Sabe-se, porém, que a ApoE4 apresenta alta afinidade por placas senis51 e forma um complexo estável com o ß-amilóide52,53. Assim, propôs-se que a ApoE4 poderia agir por meio de dois mecanismos patogenéticos distintos: 1) alterando o balanço entre deposição e depuração de ß-amilóide em favor de um aumento na formação de placas senis e amilóide vascular54,55; e 2) afetando a taxa de fosforilação da tau em favor de formação de fusos neurofibrilares56. Outros52 especulam que não seria a presença de e4 e, sim, a ausência de e2/e3 que determinaria o início das alterações patológicas associadas à DA. Esse modelo propõe que a presença de e2/e3 facilitaria a ligação da tau com os microtúbulos, ajudando, portanto, na formação e estabilização do citoesqueleto celular. Ou seja, e2/e3 evitariam a fosforilação anormal da tau, enquanto a presença de ß-amilóide facilitaria esse processo (veja modelo esquemático na fig. 4).

 

 

Entretanto, a universalidade desses achados ainda não foi claramente estabelecida, e é ainda incerto se a associação entre o alelo e4 e a DA em populações de países do Hemisfério Sul é semelhante àquela descrita para indivíduos vivendo no Hemisfério Norte. Existem evidências de que populações diferentes apresentam freqüências diferentes desse alelo, o que sugeriria que a prevalência e incidência de DA pode variar sensivelmente entre raças57 (veja fig. 5).

 

 

Seja qual for o mecanismo pelo qual a presença de e4 leva ao desenvolvimento da DA, ao menos um ponto já está claramente estabelecido: o genótipo e4 está associado à DA e, portanto, indivíduos portadores desse genótipo apresentam risco aumentado de desenvolvimento da doença (1 ou 2 alelos e4 aumentam o risco para DA em 2,7 e 9,3 vezes, respectivamente58). Além disso, a presença do alelo e4 foi consistentemente associada a declínio cognitivo entre indivíduos idosos59. Durante estes últimos anos, aprendemos muito sobre a estrutura, funcionamento e metabolismo da ApoE e, também, a respeito da patogênese da DA, o que, certamente, levará ao surgimento de tratamentos mais específicos e eficazes. Por exemplo, é possível vislumbrar, para o futuro próximo, o desenvolvimento de drogas capazes de evitar a fosforilação anormal da tau, ou de medicamentos que reduzam os efeitos deletérios causados pela presença da apolipoproteína E4. Além disso, a presença do alelo e4 pode ser utilizada como um potencial "marcador" da doença, ainda que este não seja particularmente específico60,61. A descoberta de um "marcador biológico" confiável permitiria o estudo longitudinal de populações de risco, o que seria fundamental para o desenvolvimento de estratégias adequadas de prevenção da doença. Os próximos anos de pesquisa nessa área serão, certamente, excitantes. Que tal acompanharmos essa caminhada?

 

 

ADENDO

Desde a submissão deste artigo para publicação, ocorreram vários avanços na genética da DA. Em junho de 1995, Peter St. George Hyslop et al., da Universidade de Toronto, publicaram um artigo na revista Nature identificando o gene (S182) no cromossomo 14 responsável por 70-80% dos casos familiares de início pré-senil62. A patogenicidade das mutações do gene S182 foram confirmadas em famílias de diferentes etnicidades com DA familiar63,64. Em agosto de 1995, um novo gene (STM2) foi identificado no cromossomo 165,66, e a seqüência de aminoácidos prevista para o STM2 é semelhante àquela descrita para o S18267. Esses genes parecem determinar a produção de uma proteína transmembranal que cruza a membrana em sete regiões distintas e que pode estar associada a um aumento na deposição de ß-amilóide68. A tabela acima resume os genes associados à DA.

 

AGRADECIMENTOS

Osvaldo P. Almeida é pesquisador do CNPq (Brasil) e desenvolveu projeto sobre a genética da doença de Alzheimer com financiamento da FAPESP (Brasil).

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. United National World Population Chart. UN Publication. United Nations, New York, 1988.         [ Links ]

2. Veras RP, Murphy E. The ageing of the third world: tackling the problems of community surveys. Part I: Brazil - a young country grows old. Int J Geriatric Psychiatr 1991; 6: 619-27.         [ Links ]

3. Mann A. Epidemiology. In: Psychiatry in the elderly. R Jacoby, C. Oppenheimer (ed). Oxford University Press, Oxford, 1991; 89-112.         [ Links ]

4. Cooper B. The epidemiology of primary degenerative dementia and related neurological disorders. Eur Arch Psychiatr Clin Neurosci 1991; 240: 223-33.         [ Links ]

5. Clark RF, Goate AM. Molecular genetics of Alzheimer's disease. Arch Neurol 1993; 50: 1.164-72.         [ Links ]

6. Alzheimer A. Über eine eigenartige Erkrankung der Hirnrinde (1907). Translated by Jarvik L, Greenson H. About a peculiar disease of the cerebral cortex. Alzheimer's Dis Assoc Dis 1987; 1: 7-8.         [ Links ]

7. Alzheimer A. Über eigenartige Krankheitsfälle des späteren Alters (1911). Translated by Förstl H, Levy R. (1991) On certain peculiar diseases of old age. History Psychiatr 1991; 2: 71-101.         [ Links ]

8. Burns A, Levy R. Clinical diversity in late onset Alzheimer's disease. Oxford, Oxford University Press, 1992.         [ Links ]

9. Förstl H, Burns A, Cairns N et al. Basal ganglia mineralization in Alzheimer's disease: a comparative study of clinical, neuroradiological and neuropathological findings. Behav Neurol 1992; 5: 53-7.         [ Links ]

10. Förstl H, Burns A, Levy R et al. Neuropathological correlates of behavioural disturbance in confirmed Alzheimer's disease. Br J Psychiatr 1993; 163: 364-8.         [ Links ]

11. Pearson RCA, Powell TPS. The neuroanatomy of Alzheimer's disease. Rev Neurosci 1989; 2: 101-21.         [ Links ]

12. McKee AC, Kosik KS, Kowall NW. Neuritic pathology and dementia in Alzheimer's disease. Ann Neurol 1991; 30: 156-65.         [ Links ]

13. Lee VMY, Balin BJ, Otvos Jr L et al. A major subunit of paired helical filaments and derivatized form of normal Tau. Science 1991; 251: 675-8.         [ Links ]

14. Goedert M, Crowther RA, Garner CC. Molecular characterization of microtubule-associated proteins tau and MAP2. Trends Neurosci 1991; 14: 193-9.         [ Links ]

15. Ruben GC, Iqbal K, Grundke-Iqal I et al. The microtubule-associated protein Tau forms a triple-stranded left hand helical polymer. J Biol Chem 1991; 266: 22.019-27.         [ Links ]

16. Lovestone S, Anderton B. Cytoskeletal abnormalities in Alzheimer's disease. Curr Op Neurol Neurosurg 1992; 5: 883-8.         [ Links ]

17. Drewes G, Lichtenberg-Kraag B, Döring F et al. Mitogen activated protein (MAP) kinase transforms tau protein into an Alzheimer-like state. EMBO J 1992; 11: 2.131-8.         [ Links ]

18. Hanger DP, Hughes K, Woodgett JR et al. Glycogen syntase kinase-3 induces Alzheimer's disease-like phosphorilation of tau: generation of paired helical filament epitopes and neuronal localization of the kinase. Neurosci Letters 1992; 147: 58-62.         [ Links ]

19. Hardy JA, Higgins GA. Alzheimer's disease: the amyloid cascade hypothesis. Science 1992; 256: 184-5.         [ Links ]

20. McLoughlin DM, Lovestone S. Alzheimer's disease: recent advances in molecular pathology and genetics. Int J Geriatr Psychiatr 1994; 9: 431-44.         [ Links ]

21. Hardy JA, Allsop D. Amyloid deposition as the central event in the aetiology of Alzheimer's disease. TiPS 1991; 12: 383-3.         [ Links ]

22. Mishimoto I, Okamoto T, Matsuura Y et al. Alzheimer amyloid protein precursor complexes with brain GTP-binding protein G0. Nature 1993; 362: 75-9.         [ Links ]

23. Kang J, Lemaire HG, Unterbeck A et al. The precursor of Alzheimer's disease amyloid A4 protein ressembles a cell-surface receptor. Nature 1987; 325: 733-6         [ Links ]

24. Goldgaber D, Lerman MI, McBride OW et al. Characterization and chromosomal localization of a cDNA encoding brain amyloid of Alzheimer's disease. Science 1987; 235: 877-80.         [ Links ]

25. Goate A, Chartier-Halin MC, Mullan M et al. Segregation of a missense mutation in the amyloid precursor protein gene with familial Alzheimer's disease. Nature 1992; 349: 704-6.         [ Links ]

26. St. George-Hyslop P, McLachlan DC, Tuda T et al. Alzheimer's disease and possible gene interaction. Science 1994; 263: 537.         [ Links ]

27. Mann DMA, Royston MC, Ravindra CR. Some morphometric observation on the brains of patients with Down's syndrome: their relationship to age and dementia. J Neurol Sci 1990; 99: 153-64.         [ Links ]

27. Murrel J, Farlow M, Ghetti B, Benson MD. A mutation in the amyloid precursor protein associated with hereditary Alzheimer's disease. Science 1991; 254: 97-9.         [ Links ]

28. Chartier-Harlin MC, Crawford F, Houlden H et al. Early onset Alzheimer's disease caused by mutations at codon 717 of the ß-amyloid precursor gene. Nature 1991; 353: 844-6.         [ Links ]

29. Mullan M, Houlden H, Windelspecht M et al. A locus for familial early-onset Alzheimer's disease on the long arm of chromosome 14, proximal to the a1-antichymotrypsin gene. Nature Genet 1992; 2: 340-2.         [ Links ]

30. Jones CT, Morris S, Yates CM et al. Mutation in codon 713 of the ß-amyloid precursor protein gene presenting with schizophrenia. Nature Genet 1992; 1: 306-9.         [ Links ]

31. Karlinsky H, Vaula G, Haines JL et al. Molecular and prospective phenotypic characterization of a pedigree with familial Alzheimer's disease and missense mutation in codon 717 of the ß-amyloid precursor protein gene. Neurology 1992; 42: 1.445-53.         [ Links ]

32. Naruse S, Igarashi S, Kobayashi H et al. Missense mutation Val®IIe in exon 17 of amyloid precurosor protein gene in Japanese familial Alzheimer's disease. Lancet 1991; 337: 978-9.         [ Links ]

33. Sorbi S, Nacmias B, Forleo P et al. APP717 and Alzheimer's disease in Italy. Nature Genet 1993; 4: 10.         [ Links ]

34. St. George-Hyslop PH, Haines J, Rogaev E et al. Genetic evidence for a novel familial Alzheimer's disease locus on chromosome 14. Nature Genet 1992; 2: 330-4.         [ Links ]

35. Schellenberg GD, Bird TD, Wijsman EM et al. Genetic linkage evidence for a familial Alzheimer's disease locus on chromosome 14. Science 1992; 258: 668-71.         [ Links ]

36. Schellenberg GD, Payami H, Wijsman EM et al. Chromosome 14 and late-onset familial Alzheimer's disease (FAD). Am J Hum Genet 1993; 53: 619-28.         [ Links ]

37. Mitsunaga Y, Takahashi K, Tabira T et al. Assignement of a familial Alzheimer's disease locus between D14S289 and D14S53. Lancet 1994; 344: 1.154-5.         [ Links ]

38. Pericak-Vance MA, Bebout JL, Gaskell Jr PC et al. Linkage studies in familial Alzheimer's disease: evidence for chromosome 19 linkage. Am J Hum Genet 1991; 48: 1.034-50.         [ Links ]

39. Boyle JK, Zoellner CD, Anderson LJ et al. A role for apolipoprotein E, apolipoprotein A-1, and low density lipoprotein receptors in cholesterol transport during regeneration and remyelination of rat sciatic nerve. J Clin Invest 1989; 83: 1.015-31.         [ Links ]

40. Mahley RW. Apolipoprotein E: cholesterol transport protein with expanding role in cell biology. Science 1988; 240: 622-30.         [ Links ]

41. Strittmatter WJ, Weisgraber H, Huang DY et al. Binding of human apoplipoprotein E to synthetic amyloid ß peptide: isoform-specific effects and implications for late onset Alzheimer disease. Proc Natl Acad Sci USA 1993; 90: 8.098-102.         [ Links ]

42. Strittmatter WJ, Saunders AM, Smechel D et al. Apoplipoprotein E: high avidity binding to the ß-amyloid and increased frequency of type 4 allele in late onset familial Alzheimer's disease. Proc Natl Acad Sci USA 1993; 90: 1.977-81.         [ Links ]

43. Anwar N, Lovestone S, Cheetham ME et al. Apolipoprotein E-e 4 allele and Alzheimer's disease. Lancet 1993; 342: 1.308.         [ Links ]

44. Corder EH, Saunders AM, Strittmatter WJ et al. Gene doses of apolipoprotein E type 4 allele and the risk of Alzheimer's disease in late onset families. Science 1993; 261: 921-3.         [ Links ]

45. Poirier J, Bouthillier D, Kogan S et al. Apolipoprotein E polymorphism and Alzheimer's disease. Lancet 1993; 342: 697-99.         [ Links ]

46. Saunders AM, Strittmatter WJ, Schmechel D et al. Association of apolipoprotein E allele e4 with late onset familial and sporadic Alzheimer's disease. Neurology 1993; 43, 1.467-72.         [ Links ]

47. Tsai MS, Tangalos EG, Petersen RC et al. Apolipoprotein E: risk factor for Alzheimer disease. Am J Hum Genet 1994; 54: 643-9.         [ Links ]

48. Yu CE, Payami H, Olson JM et al. The apolipoprotein E/CI/CII gene cluster and late-onset Alzheimer disease. Am J Hum Genet 1994; 54: 631-42.         [ Links ]

49. Schachter F, Faure-Delanef L, Guenot F et al. Genetic associations with human longevity at the ApoE and ACE loci. Nature Genet 1994; 6: 29-33.         [ Links ]

50. Rebeck GW, Perls TT, West HL et al. Reduced apolipoprotein e4 allele frequency in the oldest old Alzheimer's patients and cognitively normal individuals. Neurology 1994; 44: 1.513-6.         [ Links ]

51. Schmechel DE, Sauders AM, Strittmatter WJ et al. Increased amyloid ß-peptide deposition in cerebral cortex as a consequence of apolipoprotein E genotype in late-onset Alzheimer disease. Proc Natl Acad Sci USA 1993; 90: 9.649-53.         [ Links ]

52. Strittmatter WJ. In: Meeting Briefs - Neuroscientists reach a critical mass in Washington. Science 1993; 262: 1.210-1.         [ Links ]

53. Wisniewski T, Frangione B. Apolipoprotein E: a pathological chaperone protein in patients with cerebral and systemic amyloid. Neurosci Letters 1992; 135: 235-8.         [ Links ]

54. Selkoe DJ. Alzheimer's disease: a central role for amyloid. J Neuropathol Exper Neurol 1994; 53: 438-47.         [ Links ]

55. Zubenko GS, Stiffler S, Stabler S et al. Association of the apolipoprotein e4 allele with clinical subtypes of autopsy-confirmed Alzheimer's disease. Am J Med Genet 1994; 54: 199-205.         [ Links ]

56. Roses AD. Apolipoprotein E affects the rate of Alzheimer disease expression: ß-amyloid burden is a secondary consequence dependent on ApoE genotype and duration of disease. J Neuropathol Exp Neurol 1994; 53: 429-37.         [ Links ]

57. Utermann G. The apolipoprotein E connection. Curr Biol 1994; 4: 362-5.         [ Links ]

58. Kuusisto J, Koivisto K, Kervinen K et al. Association of apolipoprotein E phenotypes with late onset Alzheimer's disease: population based study. Br Med J 1994; 309: 636-8.         [ Links ]

59. Feskens EJM, Havekes LM, Kalmijn S et al. Apolipoprotein e4 allele and cognitive decline in elderly men. Br Med J 1994; 309: 1202-6.         [ Links ]

60. Benjamin R, Leake A, Edwardson JA et al. Apolipoprotein E genes in Lewy body and Parkinson's disease. Lancet 343: 1.565.         [ Links ]

61. Pickering-Brown SM, Mann DMA, Bourke JP et al. Apolipoprotein e4 and Alzheimer's disease pathology in Lewy body disease and in other ß-amyloid-forming diseases. Lancet 1994; 343: 1.155.         [ Links ]

62. Sherrington R, Rogaev EI, Liang Y et al. Cloning of a gene bearing missense mutations in early-onset familial Alzheimer's disease. Nature 1995; 375: 754-60.         [ Links ]

63. Sorbi S, Nacmias B, Forleo P et al. Missense mutation of S182 gene in Italian families with early-onset Alzheimer's disease. Lancet 1995; 346: 439-40.         [ Links ]

64. Tanahashi H, Mitsunaga Y, Takahashi K et al. Missense mutation of S182 gene in Japanese familial Alzheimer's disease. Lancet 1995; 346: 440.         [ Links ]

65. Levy-Lahad E, Wijsman EM, Nemens E et al. A familial Alzheimer's disease locus on chromosome 1. Science 1995; 269: 970-3.         [ Links ]

66. Rogaev EI, Sherrington R, Rogaeva EA et al. Familial Alzheimer's disease in kindreds with missense mutations in a gene on chromosome 1 related to the Alzheimer's disease type 3 gene. Nature 1995; 376: 775-8.         [ Links ]

67. Levy-Lahad E, Wasco W, Poorkaj P et al. Candidate gene for the chromosome 1 familial Alzheimer's disease locus. Science 1995; 269: 973-7.         [ Links ]

68. Barinaga, M. Missing Alzheimer's gene found. Science 1995; 269: 917-8.         [ Links ]