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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.46 n.4 São Paulo Oct./Dec. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302000000400018 

À beira do leito

Clínica Médica

 

COMO AVALIAR DE FORMA BREVE E OBJETIVA O ESTADO MENTAL DE UM PACIENTE?

 

 

Pacientes com alterações do estado mental, agudas ou crônicas, são casos comuns na prática clínica, devendo tornar-se ainda mais freqüentes à medida que aumenta a expectativa de vida da população brasileira. O pronto reconhecimento de tais alterações é fundamental para dar prosseguimento à investigação diagnóstica, embora seja muitas vezes fonte de dúvidas para o clínico. O diagnóstico de condições como delirium ou demência deve ser realizado através de avaliação objetiva do estado mental.

Inúmeros testes têm sido propostos com esta finalidade, embora o desafio esteja em dispor-se de um teste breve, de simples aplicação e de alta confiabilidade entre examinadores. Sem dúvida, o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) é o teste mais empregado, apresentando todas as características descritas acima, sendo aplicado em cerca de cinco a sete minutos. O MEEM tem pontuação máxima de 30, sendo que na publicação original o escore de 24 pontos era considerado como sendo a nota de corte mais adequada. Entretanto, sabe-se que o desempenho depende muito da escolaridade do indivíduo e, para minimizar este efeito, recomenda-se a utilização de pontos de corte distintos conforme o nível educacional.

No Brasil, Bertolucci et al. foram os primeiros a investigar o valor diagnóstico deste teste em uma população geral, observando o grande efeito da escolaridade sobre o desempenho. Com base nos dados de estudo epidemiológico recente, realizado por nosso grupo, na identificação de pacientes com suspeita de demência, temos empregado as notas de corte de 18 (analfabetos), 21 (1-3 anos de escolaridade), 24 (4-7 anos) e 26 (> 7 anos). É importante ressaltar que o MEEM é um teste de rastreamento, além de não permitir o diagnóstico diferencial entre delirium e demência e de não detectar casos de declínio cognitivo leve. Nestes casos, avaliação neuropsicológica complementar é fundamental.

 

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Paulo Caramelli
Ricardo Nitrini

 

Referência

• Folstein MF, Folstein SE, McHugh PR: "Mini-Mental State". A practical method for grading the cognitive state of patients for the clinicians. J Psychiat Res 1975; 12: 189-98.