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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.47 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302001000100030 

Artigo Original

AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO AUDITIVO E NEUROPSICOMOTOR EM LACTENTES DE BAIXO PESO AO NASCIMENTO

 

*I. Lichtig, S.R.G. Monteiro, M.I.V. Couto, F.M.B. de Haro, M.S.C. de Campos, F.A.C. Vaz, Y. Okay
Trabalho realizado na Unidade Neonatal do Hospital Universitário da USP e Centro de Docência e Pesquisa em Fonoaudiologia da FMUSP – São Paulo – SP

 

 

RESUMO – OBJETIVOS E MÉTODOS: Este estudo teve como objetivos detectar a presença de deficiência auditiva (DA) de moderada a profunda em 60 lactentes de baixo peso ao nascimento, e na ausência desta, acompanhar o desenvolvimento da função auditiva (localização da fonte sonora), e acompanhar o desenvolvimento neuropsicomotor destas crianças durante os dois primeiros anos de vida, através da avaliação comportamental da audição (Hear Kit, Downs - 1984), avaliação clínica do desenvolvimento neuropsicomotor e ultra-sonografia de crânio.
RESULTADOS:
Os resultados obtidos mostraram que dos 60 lactentes, em um caso foi levantada a hipótese de DA e em nove crianças foi verificado atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Na análise transversal dos dados obtidos da avaliação auditiva, verificou-se que o comportamento auditivo dos lactentes apresentou respostas diferentes do que aquelas citadas na literatura americana.
CONCLUSÃO:
Concluiu-se que 5% dos lactentes apresentaram atraso na localização auditiva da fonte sonora e que os atendimentos médico e fonoaudiológico precoces, no berçário e ambulatório, nos dois primeiros anos de vida destas crianças de alto – risco são necessários.

UNITERMOS: Prematuros. Deficiência auditiva. Localização da fonte sonora. Desenvolvimento neuropsicomotor.

 

 

INTRODUÇÃO

A função auditiva é considerada uma peça fundamental do complexo sistema de comunicação do ser humano. A integridade e o funcionamento adequado dos órgãos responsáveis pela audição e pela fala são pré-requisitos fundamentais para garantir a aquisição da linguagem.

O desenvolvimento do sistema auditivo periférico está completo no quinto mês de vida intra-uterina, tanto anatômica quanto fisiologicamente. Portanto, é possível e passível estudá-lo nos períodos pré-natal, neonatal e pós-natal. Neste estudo, focalizaremos apenas a avaliação auditiva no período pós-natal.

O sistema auditivo central está menos desenvolvido no período neonatal, o que ocorre gradativamente até a fase adulta. Para estudar o nível de maturação deste sistema no período neonatal durante os 23 meses seguintes, pesquisadores recorrem aos testes de percepção auditiva, como por exemplo, de discriminação dos sons da fala1,2 e da localização da fonte sonora3-6.

Alguns métodos utilizados para a avaliação auditiva em neonatos, como por exemplo a audiometria de respostas elétricas do tronco cerebral (BERA), emissões otoacústicas e outros, apresentam como vantagens a objetividade e participação de apenas um profissional para realização do teste. Por outro lado, apresentam desvantagens como o alto custo do equipamento, sua manutenção e análise dos traçados.

Outros métodos para avaliação auditiva são testes que avaliam as respostas auditivas comportamentais, obtendo-se respostas claras e seguras para uma variedade de estímulos auditivos, onde o espectro e intensidades do sinal são conhecidos7. Tal método possibilita fornecer informações relativas ao grau de maturação do sistema nervoso central.

Considerando-se a realidade brasileira, no que tange a precariedade dos recursos na área da saúde pública, os métodos comportamentais são mais compatíveis e viáveis neste momento devido ao seu baixo custo, simplicidade no manuseio e sua fácil manutenção.

Os objetivos deste estudo foram detectar a presença de deficiência auditiva (DA) de moderada a profunda em lactentes de baixo peso ao nascimento, e na ausência desta, acompanhar o desenvolvimento da função auditiva (localização da fonte sonora), e acompanhar o desenvolvimento neuropsicomotor destas crianças durante os dois primeiros anos de vida. Para isto foram acompanhados 60 lactentes considerados de alto risco para a deficiência auditiva identificados no período neonatal.

 

MÉTODOS E CASUÍSTICA

Foram acompanhados prospectivamente 60 lactentes prematuros e com peso de nascimento inferior a 2500g, que nasceram no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo e foram atendidos no Berçário Anexo à Maternidade. Após a alta do Berçário, estas crianças foram acompanhadas, até os dois anos de idade, pelos autores em Serviço Ambulatorial.

Estes lactentes foram avaliados sob o ponto de vista de crescimento, desenvolvimento neuropsicomotor e comportamento auditivo. Os mesmos foram submetidos cada um em média a 8,78 consultas médicas e a 4,36 avaliações fonoaudiológicas cada um. As características destes lactentes durante o período neonatal encontram-se nas tabelas 1 e 2.

 

 

 

A idade gestacional de cada recém-nascido foi determinada pelo método de Dubowitz8, uma vez que nem todas as mães dispunham da idade gestacional pelo período menstrual; e esta quando determinada, na maioria das vezes, mostrou-se uma idade incompatível com a idade aparente do recém-nascido.

Os dados coletados no período neonatal incluíram fatores de risco para a deficiência auditiva segundo as normas estabelecidas pelo Joint Committee on Infant Hearing 7 como pontuação no APGAR de 0-3 no 5o. minuto de vida; uso de medicação ototóxica (incluindo os aminoglicosídeos); anormalidades de cabeça e pescoço; antecedentes familiares de deficiência auditiva; ventilação mecânica prolongada por um tempo maior ou igual a 10 dias; peso ao nascimento inferior a 1500g; meningite bacteriana; hiperbilirrubinemia, e os critérios de risco estabelecidos por Azevedo9, uso de drogas ou alcoolismo materno e tempo na incubadora. A distribuição dos fatores de risco encontra-se nas tabelas 3 e 4.

 

 

 

MATERIAL E PROCEDIMENTO

As 60 crianças prematuras foram avaliadas por médicos e fonoaudiólogas no Berçário e posteriormente em Serviço Ambulatorial do Hospital Universitário. No acompanhamento pediátrico foram utilizados gráficos de crescimento e ganho ponderal propostos por Marcondes et al.10, Marques et al.11; avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor através de comparação com modelos propostos e modificados por Gesell et al.12 e realização de ultra-sonografia de crânio, uma ou mais vezes, dependendo da necessidade de cada criança. As crianças que apresentaram qualquer alteração no desenvolvimento neuropsicomotor foram encaminhadas para atendimento em fisioterapia e orientação de estimulação precoce. Foi também realizada a avaliação de fundo de olho rotineiramente para estas crianças. Dependendo ainda da necessidade de cada criança houve encaminhamentos para as várias especialidades (cirurgia, ortopedia, neurologia).

Para avaliação do comportamento auditivo foram utilizados os instrumentos do "Hear Kit"3 (conjunto de instrumentos sonoros prévia e espectograficamente analisados, que possibilitam detectar perdas auditivas neurossensoriais de grau moderado a profundo); ficha de registro dos fatores de risco para deficiência auditiva; questionário sobre o desenvolvimento da audição e comunicação realizado junto as mães; ficha de respostas de avaliação da localização auditiva e o otoscópio Heine.

Os lactentes foram selecionados pelos neonatologistas através do preenchimento da ficha de registro dos fatores de alto risco para deficiência auditiva, durante o período de internação no berçário.

Para lactentes até cinco meses, a avaliação auditiva era realizada com um dos instrumentos do Hear Kit3, cujas características acústicas variavam nas freqüências de 750Hz a 8000Hz e intensidade de 90 dBNPS. No momento do teste, a criança encontrava-se em estado 2 (sono leve) e a apresentação do som era feita nas duas orelhas separadamente, a uma distância de 15cm perpendicularmente ao pavilhão auricular, estando a criança em decúbito lateral. Os tipos de respostas observadas eram registrados na ficha individual de triagem auditiva.

Com os lactentes de 5 a 24 meses era apresentado o Kit completo. A criança em estado alerta (estado 4) sentada sobre o colo materno, de frente para uma das examinadoras, que distraia a criança enquanto a outra, atrás da criança, apresentava os estímulos sonoros (como ilustra a figura 1) num angulo de 45 graus em relação à orelha da criança,seguindo a ordem:

• sino : 90 cm abaixo da orelha direita,

• chocalho : 90 cm abaixo da orelha esquerda

• luva : 90 cm acima da orelha esquerda,

• ovo : 90 cm acima da orelha direita.

 

 

Todas as respostas eram anotadas. O critério "passou-falhou" baseou-se na presença ou ausência de respostas motoras previamente definidas dos lactentes frente aos estímulos sonoros. Sempre que ocorria suspeita de deficiência auditiva, através de dados obtidos da avaliação do comportamento auditivo e do questionário realizado, eram feitos encaminhamentos para centro audiológicos especializados para testagens eletrofisiológicas.

Com relação ao desenvolvimento da localização auditiva, conforme ilustra a figura 2, a classificação da criança quanto ao seu desempenho, dentro, abaixo ou acima do esperado, era feita através do tipo de resposta evolutiva de localização apresentada por esta, levando em conta sua faixa etária. Os critérios adotados para os tipos de respostas foram os propostos por Northern & Downs13 como: localização lateral, localização indireta para baixo, localização direta para baixo, localização indireta para cima e localização direta para cima.

 

 

A cada retorno ambulatorial, era realizada a inspeção do meato acústico externo para detecção de cerumen, corpo estranho no conduto auditivo externo e visualização do aspecto e integridade da membrana timpânica.

Orientações com relação a estimulação da linguagem oral da criança eram realizadas periodicamente junto à família, além de orientações quanto a adequação dos hábitos orais, quanto ao tempo de uso de chupeta (modelo, tamanho e furo) e hábitos de sucção de dedos.

 

RESULTADOS

I) Quanto à detecção da deficiência auditiva ao nível periférico:

Das 60 crianças avaliadas, apenas uma (1,7%) apresentou suspeita de deficiência auditiva (DA) na avaliação auditiva comportamental. Foi, então, solicitado o exame eletrofisiológico (BERA) para confirmação de DA. Porém, o seguimento foi descontinuado voluntariamente por parte dos pais que não retornaram ao ambulatório em data previamente agendada com o resultado do exame acima solicitado.

Esta única criança com suspeita de DA apresentou exposição a três fatores considerados de alto risco para deficiência auditiva, ou seja, peso ao nascimento inferior a 1500g; permanência em incubadora por 43 dias, uso de aminoglicosídeos. Além destes fatores, apresentou também intercorrências importantes como quadro convulsivo durante o período neonatal e diagnóstico de hemorragia intracraniana.

II) Quanto ao desenvolvimento da localização da fonte sonora ao nível de percepção auditiva:

Na faixa etária de 0 a 4 meses, todos os lactentes apresentaram respostas dentro do esperado para o estímulo sonoro, apresentado a cada orelha separadamente. As respostas mais freqüentes nos recém-nascidos foram respostas reflexas (susto e reflexo cócleopalpebral), atividade corporal (movimentos de membro superior e inferior, cessar atividade e mudança no padrão respiratório), atividade facial (movimento ocular, franzir testa, careta, sucção, vocalização e sorriso) e mudança no estado. A tabela 5 ilustra a distribuição destas respostas entre os lactentes de 0 a 4 meses.

 

 

O gráfico 1 ilustra um aumento gradativo nas respostas de localização de fonte sonora com procura para baixo, esperadas dos 5 aos 9 meses de idade. A partir deste período, até o vigésimo quarto mês, há tendência da maioria das crianças (média de 80% destas) manter as respostas de localização para baixo da média esperada para a idade. As respostas acima do esperada aparecem apenas entre o 5o. e o 9o. mês de idade, representando em média um percentual de 55% das respostas dos lactentes. Em menor proporção, aparecem respostas abaixo do esperado na maioria das faixas etárias.

 

 

O gráfico 2 ilustra que entre os 5 e os 13 meses de idade, 100% das respostas de localização para cima estão acima do esperado. Esta condição, porém, diminui significativamente para 58,3% da população estudada na faixa etária seguinte, para depois não mais ocorrer. A partir dos 13 meses aumentam gradativamente as respostas dentro do esperado, chegando a representar 84,2% destas no 24º mês. Respostas de procura da fonte sonora para cima, que se encontram abaixo do esperado surgem apenas no 16o. mês, declinando até o 24º mês para 15,8% destas.

 

 

III) Quanto ao desenvolvimento neuropsicomotor:

Os resultados da avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) e ultra-sonografia (USG) de crânio estão descritas na tabela 6, encontrando-se nove lactentes (15%) com atraso no DNPM e seis lactentes (10%) com alguma alteração na USG de crânio.

 

 

IV) Quanto à avaliação dos lactentes que apresentaram alteração na localização do som e/ou no DNPM:

Os lactentes que apresentaram atraso na avaliação da localização da fonte sonora, segundo Downs3, e/ou na avaliação do DNPM estão descritos na tabela 7.

 

 

Dos 10 lactentes descritos nesta tabela, dois apresentaram atraso tanto na avaliação do DNPM como na de localização da fonte sonora. Sete lactentes apresentaram desenvolvimento da função auditiva normal mas DNPM com atraso. Um lactente apresentou atraso no desenvolvimento da localização auditiva e DNPM normal.

 

DISCUSSÃO

Os avanços da neonatologia têm permitido cada vez mais a sobrevivência de recém-nascidos de alto risco, e vários autores têm relatado a presença de perdas auditivas moderadas e severas em 2,5 a 5% destas crianças14.

O baixo peso ao nascimento (menor que 2500g) e a anóxia perinatal são fatores de risco bem conhecidos de inúmeros deficits no desenvolvimento neuropsicomotor, incluindo a deficiência auditiva. Tem sido demonstrado por vários autores que recém-nascidos de baixo peso ao nascimento têm uma incidência de perda auditiva superior aos recém-nascidos com peso superior a 2500g15,16.

Alguns autores descrevem perdas auditivas em cerca de 0,25 a 0,5% em recém-nascidos com peso de nascimento maior que 1500g e em cerca de 2,1 a 17% naqueles com peso de nascimento inferior a 1500g12,17,18. Na verdade os recém nascidos de muito baixo peso (menor que 1500g) apresentam outros fatores de risco, que não é só o baixo peso ao nascimento e, apesar das dificuldades em se isolar o agente causal ou suscetibilidade individual, uma grande variedade de fatores pode ser relacionada com a perda auditiva neste grupo de recém-nascidos. Cox et al.19 estudaram o efeito de vários fatores de risco neonatais sobre a função auditiva e observaram que havia um aumento na incidência desta quando estavam presentes combinações entre os vários fatores. No presente estudo, 1,7% dos lactentes apresentou suspeita de deficiência auditiva mas, por motivo de abandono do seguimento ambulatorial, não foi possível confirmar o diagnóstico.

Estudos em recém-nascidos com peso de nascimento inferior a 2500g e anoxiados, encontraram uma incidência de 11 a 19% de seqüela neurológica e comprometimento auditivo neurossensorial, sugerindo que a anóxia perinatal e as complicações associadas a ela podem ser responsáveis pela perda auditiva20. Estudos histopatológicos mostram perdas celulares do núcleo coclear após anoxia neonatal grave21.

Com relação ao processo de maturação do sistema nervoso central através da observação do desenvolvimento da função auditiva, a utilização do procedimento comportamental, avaliando a localização da fonte sonora das 59 crianças que responderam ao estímulo sonoro, oito (13,4%) crianças apresentaram alguma alteração na resposta inicial. Dentre estas, três (37,5%) apresentaram normalização nas avaliações seguintes. As outras cinco (62,5%) mantiveram o mesmo padrão de respostas até a última avaliação.

Conforme descrito por Lichtig22, os recém-nascidos sem fatores de risco para deficiência auditiva apresentaram as seguintes respostas durante a avaliação auditiva: reflexo cócleo palpebral (RCP); reflexo de Moro; despertar do sono; atividades de sucção e cessação de movimentos corporais. Estas reações motoras têm sido utilizadas provavelmente porque são passíveis de análise definitiva, ao contrário de outras classes de comportamento auditivo23.

Neste estudo os resultados mostraram que nos lactentes de 0 a 4 meses as respostas reflexas predominam sobre outros tipos de respostas (atividade corporal, atividade facial e mudança de estado), diferente do encontrado para uma população de recém-nascidos sem risco para deficiência auditiva24 .

Com relação às respostas de localização auditiva de procura da fonte sonora para baixo, quando comparadas com os parâmetros delineados por Downs3, a maioria dos lactentes de todas as faixas etárias, com fatores de risco para audição, não apresentou alteração. Verificou-se também que do 5º ao 9º mês a maioria das respostas mostrou-se acima do esperado para a idade desta população.

Azevedo et al.6 estudaram o desenvolvimento do comportamento auditivo de 194 crianças sem evidências de deficiência auditiva (denominado de Grupo de Baixo Risco) frente a estímulos sonoros, comparando com as respostas de 202 crianças nascidas pré-termo e atendidas na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (denominado de Grupo de Alto Risco). A faixa etária estudada compreendeu crianças de zero a 13 meses de idade. Concluíram que as respostas de atenção, procura da fonte e de localização sonora parecem estender-se por mais tempo no grupo de crianças pré-termo. Neste último grupo, as crianças sem seqüelas neurológicas apresentaram atraso entre o terceiro e o nono mês de idade, com normalização de respostas entre o nono e o décimo terceiro mês de idade, provavelmente devido ao processo de maturação do sistema nervoso central.

No presente estudo, porém, os resultados mostraram que a maioria dos lactentes de alto risco para deficiência auditiva com peso ao nascimento abaixo de 2500g. apresentaram respostas de localização da fonte sonora dentro do esperado, segundo literatura americana13.

O atraso na localização sonora das três crianças (5%) com risco para deficiência auditiva pode ser atribuído a eventuais alterações neurológicas presentes25,26 .

É importante o seguimento fonoaudiológico até a comprovação da existência do comportamento de localização da fonte sonora para todas as direções.

 

CONCLUSÃO

Existe um período crítico para o desenvolvimento da linguagem durante os dois primeiros anos de vida27. Aproximadamente 80% do aprendizado da linguagem oral é atingido durante os dois primeiros anos de vida, sendo, portanto, considerado "crítico" devido à maior plasticidade do sistema nervoso central. Qualquer dano no sistema sensorial auditivo alterará a informação que o indivíduo recebe, mudando a natureza da experiência intelectual e bio-psico-social do indivíduo.

Quanto maior a privação da estimulação da percepção auditiva, menos eficiente será a habilidade da criança para desenvolver a linguagem oral13.

Os dados obtidos neste trabalho sugerem a viabilidade da implantação de um método simples e de baixo custo para triagem auditiva e seguimento nos serviços da rede pública para identificação e detecção da deficiência auditiva e avaliação do desenvolvimento da localização auditiva em recém-nascidos e lactentes considerados de alto risco para esta deficiência, tendo em vista que são procedimentos de fácil aplicação e baixo custo.

 

 

SUMMARY
Assessment of auditory behaviour and neuropsychomotor development of low weight infants
PURPOSES AND METHODS: The aims of this study were: to detect moderate to profound hearing loss in high risk infants for deafness, to follow up their auditory development (localization of the sound source- Hear Kit - Downs, 1984); and their neuropsychomotor development during the two first years of life. All subjects were submitted to cerebral ultra sound assessment.
RESULTS: An infant with a suspected hearing loss was identified and nine infants presented neuropsychomotor development delay. In a transversal analysis of the hearing assessment data it was verified that infants in this study presented different response than the referred in the American literature.
CONCLUSIONS: It was concluded that 5% of the infants were delayed in localizing the sound source. Medical peech and hearing follow up during the two first years of life of high risk infants for deafness is important and advisable.

KEY-WORDS: Premature. Hearing loss. Localization. Neuropsychomotor development.

 

 

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*Correspondência:
R. Alberto Faria, 102 – Alto de Pinheiros – Cep: 05459-000
São Paulo – SP – Tel.: 3819-3745

Artigo recebido: 07/11/1996
Aceito para publicação: 29/06/2000

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