SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.47 issue2Espessamento endometrial no climatério: como investigar?Como reconhecer a síndrome compartimental abdominal pós-traumática? author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.47 no.2 São Paulo April/June 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302001000200012 

À beira do leito

Clínica Médica

 

COMO AVALIAR QUEDAS EM IDOSOS ?

 

 

A instabilidade postural com a ocorrência de quedas é uma característica do processo de envelhecimento e constitui desafio na medicina geriátrica. A elevada incidência de fraturas reforça esta afirmativa, mas o trauma é apenas uma das seqüelas da falta de equilíbrio: muitos idosos com quedas convivem diariamente com o medo de cair, limitando progressivamente suas atividades. Além da elevada morbidade (secundária às fraturas, traumas, dor e incapacidades), há aumento expressivo da mortalidade em idosos com quedas freqüentes. Muitos episódios sem causas evidentes são premonitórios de doenças agudas: a queda nestes casos se manifesta como sintoma prodrômico de eventos agudos como pneumonia, infecção urinária e insuficiência cardíaca. Daí ser considerada como um dos "gigantes da Geriatria", por ser manifestação atípica de doenças agudas ou estar relacionada às comorbidades ou à polifarmácia e iatrogenia.

Muitas vezes as quedas não são relatadas espontaneamente, devendo ser interrogadas na anamnese geriátrica. São diversas as causas, intrínsecas ou extrínsecas (ambientais), geralmente de etiologia multifatorial, sobretudo nos muito idosos. O equilíbrio postural depende do perfeito funcionamento e da integração do sistema nervoso central, do sistema sensorial, do estado hemodinâmico e do sistema osteoarticular. Dentro deste conceito, o "cair" pode ser a manifestação de problemas nestes sistemas ou estar relacionado a fatores extrínsecos.

Os fatores de risco intrínsecos são: Fatores hemodinâmicos: hipotensão ortostática / arritmias cardíacas / hipersensibilidade do seio carotídeo / lesões valvares / estados de hipovolemia; Uso de drogas: hipotensores / antiarrítmicos / hipnóticos / ansiolíticos / neurolépticos / hipoglicemiantes / antidepressivos / anti-Parkinsonianos / anticonvulsivantes; Doenças neurológicas: lesões expansivas intracranianas / hidrocéfalo de pressão normal / doenças cerebrovasculares / neuropatias periféricas / doença de Parkinson e outros tipos de Parkinsonismo / quadros demenciais / estados depressivos; Desordens neurosensoriais: alterações da visão, da propriocepção e labirintopatias; Doenças osteomusculares: osteoartrose (joelhos e quadril) / afecções dos pés / fraqueza muscular / miopatias / atrofias musculares / transtornos cervicais degenerativos.

Entre os fatores de risco extrínsecos citamos: iluminação inadequada / piso escorregadio / objetos, móveis em locais inapropriados / escadas, rampas / banheiro sem as devidas adaptações.

Os trabalhos têm mostrado que a ocorrência de quedas em idosos é proporcional ao grau de incapacidade funcional (quanto mais debilitados e funcionalmente dependentes, maior a incidência de quedas daqueles que deambulam). Devido à complexidade deste tema, sugere-se que a avaliação isolada do estado funcional possa ser um importante fator independente para avaliar o risco de quedas e suas complicações.

 

MAIRA TONIDANDEL BARBOSA

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License