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Revista da Associação Médica Brasileira

versión impresa ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. v.47 n.3 São Paulo jul./set. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302001000300026 

Comentários

Clínica Médica

 

OSTEOPOROSE E HIPOTIROIDISMO: DOIS DESAFIOS PARA A MEDICINA DO NOVO MILÊNIO

 

 

À primeira vista, nada poderia ser mais simples de tratar do que o paciente portador de hipotiroidismo. Preparações de boa qualidade, em posologias adequadas para o tratamento de todos os casos, são facilmente encontradas e os custos da medicação são relativamente baixos. Infelizmente, a prática médica não é tão simples. Nós demonstramos recentemente que a baixa adesão ao tratamento é um sério empecilho no controle do paciente hipotiroidiano1. Por outro lado, a osteopenia induzida pela levotiroxina é um assunto que vem gerando crescente preocupação considerando-se o rápido aumento de nossa população de idosos. No próximo milênio seguramente teremos uma grande população de portadores de osteoporose e de hipotiroidismo para tratarmos.

A osteoporose e as fraturas dela decorrentes já são um problema epidemiológico global2. Calcula-se que uma de cada duas mulheres e um de cada oito homens acima dos 50 anos sofrerá uma fratura relacionada à osteoporose no decorrer de sua vida, nos Estados Unidos da América do Norte3. Vinte e quatro por cento destes pacientes morrem durante o ano consecutivo a uma fratura de quadril. Aproximadamente 14 bilhões de dólares são gastos em conseqüência das 1,5 milhões de fraturas que ocorrem anualmente nos EUA3.

Por outro lado, dados provenientes do estudo de Whickham demonstram que o hipotiroidismo afeta 3,5 mulheres e 0,6 homens/ano4. Recentemente, o "Colorado Disease Prevalence Study" encontrou uma prevalência de 9,5% de hipotiroidismo nos indivíduos acima de 60 anos de idade, confirmando outros relatos em populações menores. Os dados populacionais são muito similares no Brasil. Mais de 18 milhões de receitas para hormônios tiroidianos são feitas anualmente nos Estados Unidos, correspondendo a mais de 1% de todas as prescrições médicas.

A combinação de ambas as doenças, hipotiroidismo e osteoporose, representa um desafio terapêutico nos indivíduos idosos. Recentemente, na RAMB, Stamato et al. apresentaram uma alternativa terapêutica promissora capaz de prevenir a osteopenia decorrente do tratamento do hipotiroidismo. A calcitonina conseguiu efetivamente prevenir a perda de massa óssea induzida pela tiroxina.

Novos testes terapêuticos, sem dúvida, se seguirão ao presente estudo, com o uso de moduladores seletivos dos receptores de estrógeno, como o raloxifeno, e outras drogas. Temos a esperança de estarmos diante de novas alternativas terapêuticas que irão minimizar os riscos à saúde e prover melhor qualidade de vida aos idosos.

 

LAURA STERIAN WARD

 

Referências

1. Bagattoli RM, Vaisman M, Lima JS, Ward LS. Estudo de adesão ao tratamento do hipotiroidismo. Arq Bras Endocrinol Metab 2000; 44:483-7.

2. Cooper C. Global assessment of fracture risk. Osteoporos Int 2000; 11: S44.

3. Vanderpump MPJ, Tubridge WMG, French JM Appleton D, Bates C, Clark F et al. The incidence of thyroid disorders in the community: a twenty-year follow-up of the Whickham Survey. Clin Endocrinol 1995; 43:55-68.

4. Stamato FJC, Amarante ECJ, Furlaneto RP. Effect of combined treatment with calcitonin on bone densitometry of patients with treated hypothyroidism. Rev Ass Med Brasil 2000; 46:177-81.