SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.47 issue3Osteoporose e hipotiroidismo: dois desafios para a medicina do novo milênioAvaliando o desempenho dos sistemas de saúde author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.47 no.3 São Paulo July/Sept. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302001000300027 

Comentários

Clínica Médica

 

"INFECÇÃO URINÁRIA HOSPITALAR POR LEVEDURAS DO GÊNERO CANDIDA"

 

 

Este artigo aborda um tema muito atual, pois as infecções fúngicas do trato urinário, especialmente as causadas por espécies de Candida, estão se tornando cada vez mais freqüentes nos hospitais.

O achado de Candida na urina é relativamente raro em pessoas saudáveis, porém a presença de sonda vesical de demora, o aumento do uso de antimicrobianos, os extremos de idade, sexo feminino e diabetes mellitus são fatores de maior risco para esta infecção.

A maior dificuldade está em diferenciar infecção de colonização, não existindo uma metodologia definitiva até o momento, sendo que apenas os pacientes com infecção têm indicação de tratamento específico.

Candida Albicans tem sido citada como a espécie mais freqüentemente isolada em infecções urinárias por fungo, seguida de C.glabrata. O fato deste artigo apontar C. Tropicalis como a espécie mais freqüente pode estar relacionado a algum dado epidemiológico específico, como as doenças de base destes pacientes.

Na cultura de urina, considera-se significativa a contagem superior a 10.000 colonias/ml do microrganismo, de acordo com as normas mais recentes. Para infecção hospitalar, especialmente na presença de sonda vesical de demora, adotam-se valores iguais ou superiores a 100.000 colonias/ml.

Em relação à conduta terapêutica, nas candidúrias assintomáticas, deve-se intervir para modificar aos fatores de risco (retirar sonda vesical, compensar o diabetes, por exemplo) e, exceto se houver a necessidade de procedimento invasivo nas vias urinárias, não se indica tratamento antifúngico.

Nas cistites, o tratamento de escolha é o fluconazol, por via oral, por 7 a 14 dias.

Na pielonefrites, o tratamento específico deve ser mais prolongado (2 a 6 semanas).

O tratamento com anfotericina B está indicado quando não há resposta clínica/laboratorial ao fluconazol, quando o teste de sensibilidade "in vitro" demonstrar resistência ou em infecções sistêmicas em pacientes gravemente enfermos. É importante comentar que as espécies não-albicans podem apresentar maior resistência ao fluconazol, sendo necessário utilizar anfotericina B. Cetoconazol não está indicado para infecções urinárias por fungos.

A alta taxa de mortalidade (40%) encontrada nesta casuística refletiu, provavelmente, a gravidade clínica dos pacientes.

 

TÂNIA MARA VAREJÃO STRABELLI

 

Referência

Oliveira RDR, Mafei CML, Martinez R. Infecção urinária hospitalar por leveduras do gênero Candida. Rev Ass Med Brasil 2001; 47:231-35