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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.47 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2001

https://doi.org/10.1590/S0104-42302001000400022 

Diretrizes

Ginecologia

 

RECOMENDAÇÕES DA AMERICAN HEART ASSOCIATION SOBRE TERAPÊUTICA DE REPOSIÇÃO HORMONAL NO CLIMATÉRIO E PREVENÇÃO SECUNDÁRIA

 

 

A decisão de se utilizar a terapia de reposição com estrogênio (TRE) após a meno-pausa, objetivando a prevenção secundária da doença cardiovascular (DCV) tem propiciado inúmeras polêmicas. Isto ocorreu principalmente após a publicação do HERS (Heart Estrogen Replacement Study) que, diferentemente dos estudos observacionais prévios, mostrou que usuárias acima de 65 anos, da associação estrogênio conjugado eqüino (ECE, na dose de 0,625mg/dia) com acetato de medroxi-progesterona (AMP, na dose de 2,5mg/dia), com história de infarto do miocardio, revascularização coronariana ou evidências angiográficas de coronariopatia, apresentavam aumento da mortalidade, quando comparado ao placebo. Esse incremento significativo da mortalidade ocorria no primeiro ano de uso dos hormônios e no decorrer dos anos seguintes reduzia-se, porém, de forma não significativa. Em função disso, a American Heart Association (AHA) resolveu se posicionar, emitindo um "Statement for Healthcare Professionals" com as seguintes recomendações: 1) a TRH não deve ser iniciada para a prevenção secundária; 2) a decisão para continuar ou suspender a TRH em mulheres com DCV, que já estavam em uso por longo tempo, deve se basear nos benefícios e riscos estabelecidos não-coronarianos e na preferência da paciente; 3) caso uma mulher desenvolva um evento agudo ou necessite permanecer imobilizada na vigência da TRH, é prudente que se descontinue o uso da TRH ou que se considere a profilaxia do tromboembolismo venoso. A reintrodução da TRH deve se basear nos benefícios e riscos estabelecidos não-coronarianos, bem como na preferência da paciente.

Comentário

O HERS, apesar de ser um estudo prospectivo, randomizado e controlado com placebo, apresenta algumas limitações. Entre elas, citam-se: 1) a população estudada era composta de mulheres idosas (acima de 65 anos) e não-climatéricas; 2) o hipolipemiante foi mais prescrito no grupo placebo, o que poderia explicar a menor mortalidade, em relação ao grupo usuário de hormônios; 3) a dose de estrogênio prescrita foi considerada alta para este grupo etário; 4) a adição do progestogênio poderia reduzir os efeitos cardioprotetores dos estrogênios e 5) o estrogênio usado por via oral propiciou o maior risco de tromboembolismo, que de fato ocorreu no primeiro ano de uso do hormônio. Entendemos que o "Statement" da AHA é oportuno e deve ser seguido; entretanto, é fundamental que se considere as limitações do HERS e que novos estudos devam ser realizados com outros tipos de esteróides, com doses distintas e por outras vias com o intuito de melhor aclarar esta questão.

 

JOSÉ MENDES ALDRIGHI
ANTONIO DE PÁDUA MANSUR
CLAUDIA MARIA SANTOS ALDRIGHI

 

Referência

Mosca L, Collis P, Herrington DM, et al. Hormone replacement therapy and cardiovascular disease. A statement for healthcare professionals from the American Heart Association. Circulation. 2001; 104:499-503.

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