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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.48 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302002000100012 

À beira do leito

Ginecologia

 

TRH E TROMBOFILIA: QUAL A IMPORTÂNCIA?

 

 

Paciente C. S. , branca, 46 anos, procurou atendimento no setor de Ginecologia Endócrina e Climatério do HCFMUSP com queixa de sintomas climatéricos. A mesma referia tabagismo de um maço por dia, sem outras doenças associadas. Ainda apresentava ciclos menstruais regulares e antecedente de nove gestações e oito partos. Foi submetida a exame físico e exames de rotina, não apresentando sinais de doença maligna. Frente às queixas da paciente, foi iniciada terapia de reposição hormonal cíclica com valerato de estradiol 2,0 mg por dia, por 21 dias associado a 1,0 mg de acetato de ciproterona nos últimos 10 dias. Paciente relata que após três meses de uso da medicação apresentou trombose venosa profunda em membro inferior direito, confirmado pelo Doppler e a medicação foi suspensa. A paciente foi posteriormente submetida à pesquisa de fatores trombofílicos, que evidenciaram a associação entre níveis baixos de proteína S, presença de anticoagulante lúpico, heterozigose para o fator V de Leiden e para a enzima metilenotetrahidrofolato-redutase (MTHF-R).

Atualmente, são conhecidos diversos fatores herdados que predispõem à ocorrência de tromboembolismo venoso (TEV), os chamados fatores trombofílicos. Os principais destes fatores atualmente reconhecidos são as deficiências de proteínas C, S e antitrombina III e as mutações R506Q do fator V (fator V de Leiden), C677T da enzima MTHF-R e G20210A da protrombina. Estes fatores podem estar presentes isoladamente em cerca de 5% da população geral e em até 40% dos indivíduos com TEV, como ocorre com o fator V de Leiden1. As associações entre estes fatores não são incomuns, podendo também estar presentes outro fatores de risco, tais como: idade, tabagismo, varizes, obesidade, uso de esteróides sexuais, anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina, doenças crônicas, etc2.

Neste caso, no qual a ocorrência do TEV deu-se de forma tão precoce a partir do início da utilização da TRH, está ilustrada a necessidade de pesquisa de fatores trombofílicos.

 

PAULO FRANCISCO RAMOS MARGARIDO
VICENTE RENATO BAGNOLI
ANGELA MAGGIO DA FONSECA

 

Referências

1. Rosendaal FR. Venous thrombosis: a multicausal disease. Lancet 1993; 353:1167-73.

2. Heit JÁ, Silverstein MD, Mohr DN, Petterson TM, Loshse CM, O' Fallon WM et al. The epidemiology of venous thromboembolism in the community. Thromb Haemost 2001; 86:452-63.

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