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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.48 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302002000100022 

Diretrizes

Pediatria

 

HORMÔNIO DE CRESCIMENTO - PARTE II

 

 

A Sociedade de Pesquisa de Hormônio de Crescimento reuniu-se para avaliar alguns aspectos do uso do hormônio (GH) e verificar se algumas preocupações com sua utilização encontram respaldo na literatura especializada.

Ao lado da análise sobre a segurança de seu uso em crianças, a Sociedade debruçou-se sobre os aspectos de segurança com o uso do GH em adultos. Metabolismo da glicose - A prevalência de diabetes mellitus (DM) está aumentada em adultos hipopituitários e as ações metabólicas do GH incluem antagonismo à insulina. Recomenda-se que o metabolismo glicêmico seja avaliado em todos os pacientes, antes e após substituição com GH. DM ou tolerância a glicose alterada não são contra-indicações do uso de GH. O exame de fundo de olho deve ser periodicamente realizado e, e bem que uma retinopatia não proliferativa não seja motivo de descontinuação do uso de GH, o desenvolvimento de retinopatia proliferativa exige a suspensão de uso do GH. Retenção de fluidos - Pode ocorrer especialmente nas fases iniciais do uso do GH. Parcialmente, isto reflete a normalização da hidratação tecidual induzida por GH e dependente de dose. Peso, história clínica e exame físico são capazes de identificar tal ocorrência. Redução de dose no caso de sintomas persistentes deve ser considerada. Cuidado especial em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva. Interação com outros hormônios - O GH aumenta a conversão de T4 a T3 e pode desmascarar um hipotireoidismo incipiente. O GH pode diminuir a concentração de cortisol total diminuindo a globulina ligadora (CBG). Pode também reduzir a biodisponibilidade de cortisol, aumentando sua conversão a cortisona. A possibilidade de uma insuficiência adrenal deve ser considerada durante aterapia. Função cardíaca e lipoproteínas - A prevalência aumentada de doença cardiovascular observada na acromegalia ativa não pode ser extrapolada para o adulto hipopituitário em reposição de GH. Desta forma, a monitorização da função cardiovascular deve seguir os padrões para população normal. A substituição de GH no adulto aumenta os níveis séricos de lipoproteínas. São incertas as implicações (se é que há) dessa elevação e isto deve ser pesado contra os benefícios da instituição do tratamento com GH. Risco de câncer e recorrência de tumor - Tem sido documentada uma incidência aumentada de certas doenças malignas (especialmente recorrência de tumor) em adultos hipopituitários, mas não há evidência de que tal fato associe-se à reposição com GH. Aspectos de segurança em tratamento farmacológico de GH em adultos - Uso em Terapia Intensiva - Estudos demonstram que a mortalidade dobra em pacientes gravemente enfermos tratados com altas doses de GH. Tratamentos farmacológicos com GH - Qualquer tratamento com GH que não seja de substituição em pacientes deficientes deve ser considerado farmacológico. Em condições específicas em que se esteja considerando o tratamento farmacológico, devem ser coletados dados de segurança e protocolos devem ser desenvolvidos, como se estivéssemos testando uma nova droga.

Comentário

Cada vez mais tem havido indicações para o uso de GH em pacientes adultos, que foram crianças que cresceram normalmente e, por conseqüência, produziram seu GH nessa fase de crescimento. Os cuidados a serem tomados em tais pacientes são bem abordados pela Sociedade de Pesquisa em GH, e alertas quanto a doses farmacológicas devem ser tomados em sua devida conta. Alguns "mitos" têm sido derrubados, como a contra-indicação do GH em casos de neoplasias e, extremamente importante, o seguimento dos pacientes, com avaliações periódicas com intuito de se detectar alterações que podem levar à suspensão da medicação (como retinopatia proliferativa, por exemplo) nunca deve ser esquecido.

 

DURVAL DAMIANI

 

Referência

Growth Hormone Research Society. Critical evaluation of the safety of recombinant human growth hormone administration: statement from the Growth Hormone Research Society. J Clin Endocrinol Metab 2001; 86:1868-70.