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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.48 no.3 São Paulo July/Sept. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302002000300011 

Àbeira do leito

Clínica Cirúrgica

 

PANCREATITE BILIAR: PAPILOTOMIA ENDOSCÓPICA?

 

 

Discute-se a indicação ou não da papilotomia endoscópica (PE) pré-operatória numa paciente de 42 anos admitida com quadro de pancreatite aguda biliar obstrutiva de gravidade moderada.

É consenso que na vigência de colangite ou de pancreatite grave (necro-hemorrágica), a PE pré-operatória obtêm resultados melhores quando comparada aos obtidos pelo tratamento cirúrgico imediato ou medicamentoso1.

Entretanto, não se consegue estabelecer a eficiência da PE nas pancreatites leves ou moderadas, apesar dos inúmeros estudos já publicados.

Complicações como a re-agudização da pancreatite, hemorragias, perfurações, estenoses ou disfunções do esfíncter de Oddi e até colangite são as razões para a não aceitação ampla do procedimento. Da mesma forma, a complexidade de execução, exigência de equipe e ambiente especializado, além dos custos também são considerados fatores limitantes, principalmente em nosso meio2.

A fim de evitar essas complicações, decorrentes da fase radiológica da colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, o uso da ultrassonografia, mais precisamente a ecoendoscopia, tem atraído a atenção dos pesquisadores; o que seria vantajoso, já que evitaria a canulação desnecessária da papila duodenal, assim como todos os seus riscos3.

A grande ascensão dos procedimentos endoscópicos, principalmente das manipulações bilio-pancreáticas, muito estimuladas pela poderosa indústria de equipamentos, deve ser observada com ressalvas. Assim o fizeram Slivka A e Schoen RE, em 2000, que através de análise crítica e filosófica, recomendam que sejam feitas mais pesquisas adequadamente estruturadas4.

Apesar dos avanços tecnológicos, do aperfeiçoamento das técnicas e do aprimoramento dos endoscopistas, a indicação da PE, neste momento, exige demasiado bom senso, uma vez que tudo o que temos são somente descrições de experiências isoladas, de grupos ou instituições distintas, que carecem de comprovação científica, entretanto, que devem ser respeitadas.

 

OSVALDO ANTONIO PRADO CASTRO
PAULO KASSAB
ELIAS JIRJOSS ILIAS

 

Referências

1. Kozarek RA. Therapeutic pancreatic endoscopy. Endoscopy 2001; 33:39¾45.

2.Misra SP, Dwivedi M. Complications of endoscopic retrograde cholangiopancreatography and endoscopic sphincterotomy: diagnosis, management and prevention. Natl Med J Índia 2002; 15:27-31.

3. Prat F, Edery J, Meduri B, Chiche R, Ayoun C, Bodart M, et al. Early EUS of the bile duct before endoscopic sphincterotomy for acute biliary pancreatitis. Gastrointest Endosc 2001; 54:724-9.

4. Slivka A, Schoen RE. Endoscopic therapy for pancreatic disease: are we breaking the third rule of surgery. Gastrointest Endosc 2000; 52:134-7.