SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.48 issue3Carcinoma do colo em útero prolapsadoMicrovascular density in carcinoma of the tongue author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.48 no.3 São Paulo July/Sept. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302002000300030 

Discussão de caso

 

ENDOMETRIOSE DO SEPTO RETO-VAGINAL

 

 

S.M.S, 29 anos, solteira, branca, técnica em microcomputadores.

Q.D. ¾ Dor pélvica em cólica que se irradia para as costas e que piora no período menstrual há oito meses, juntamente com dor nas relações sexuais.

Exame Ginecológico ¾ Mamas sem alterações.

Órgãos Genitais Externos ¾ sem alterações.

Órgãos Genitais Internos ¾ Nódulo palpável em 1/3 superior da vagina, doloroso. Útero em MV pouco móvel, anexos irreconhecíveis.

Especular ¾ Presença de dois nódulos avermelhados de 0,5cm em 1/3 superior da vagina.

Exames Subsidiários:

Ultra-sonografia pélvica transvaginal ¾ útero de tamanho normal, ovários normais.

Hemograma nl

Dosagem do CA 125 ¾ 64 (nl até 30-33)

H.D. Endometriose profunda com invasão para 1/3 superior da vagina.

Indicada videolaparoscopia

Após incisão intra-umbelical e colocação de ótica de 10mm visualizou-se útero de tamanho normal, ovários de tamanho, forma e coloração normais.

Nota-se em fundo de saco de Douglas na região do septo reto-vaginal espessamento de peritoneo entre os dois ligamentos útero-sacros.

Optou-se pela dissecção do referido espessamento e como a correspondência desta lesão era o nódulo intra-vaginal, procedeu-se à abertura da cúpula da vagina por via videolaparoscópica. Confirmou-se que os nódulos que se viam na vagina correspondiam ao espessamento da região do septo reto-vaginal. Assim sendo, decidiu-se pela retirada de toda lesão endometriótica. A vagina foi suturada através da via videolaparoscópica.

O exame anatomopatológico mostrou presença de glândulas endometriais de permeio à musculatura lisa confirmou tratar-se de endometriose do septo reto-vaginal, invadindo 1/3 superior da vagina.

A endometriose pode infiltrar e envolver várias estruturas pélvicas. Na sua forma profunda, invade a região do septo reto-vaginal podendo, como neste caso. infiltrar a vagina. Esta localização leva a paciente a dor e a dispareunia de profundidade. Como a localização deste tipo de endometriose é profunda, a dosagem do CA 125 tem especificidade alta (80-85%). A ultra-sonografia costuma não mostrar alterações importantes neste tipo de endometriose.

O tratamento é sempre cirúrgico, consiste na retirada de toda lesão endometriótica. Após a retirada cirúrgica, o tratamento continua com inibição da atividade hormonal através do uso de análogos de GnRH por 3 a 4 meses.

A paciente, após cirurgia videolaparoscópica complementada pelo uso de acetato de leuprolide por quatro meses, refere melhora do quadro clínico.

Como tratamento de manutenção para evitar recidivas, sugeriu-se o uso de contraceptivos orais de microdosagem.

 

FRANCESCO VISCOMI
JOSÉ MENDES ALDRIGHI
FACULDADE DE SAÚDE PÚBLICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ¾ S.PAULO - SP