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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302003000100002 

PANORAMA INTERNACIONAL
BIOÉTICA

 

Utilizando bem os índices prognósticos

 

 

Regina C. R. M. Abdulkader

 

 

Os índices prognósticos têm sido cada vez mais utilizados em pacientes em unidades de terapia intensiva (UTI) para avaliação da qualidade de uma determinada UTI, para comparação entre UTIs, para a randomização de pacientes em protocolos de estudo, etc. A prática de se usar índices para prever o prognóstico de um paciente individualmente deve ser vista com extrema cautela. Ridley AS, em artigo recente, revisa de uma maneira muito simples as bases matemáticas em que os índices se apoiam e quais seus possíveis pontos de erro e suas limitações. Inicialmente, deve-se ter em mente que os índices fornecem uma probabilidade e não uma predição absoluta de que um determinado evento ocorra (no caso óbito ou sobrevida). No desenvolvimento dos índices, o grupo inicial de pacientes é formado segundo critérios bem definidos de inclusão e de exclusão, portanto a aplicação de um determinado índice para um grupo de pacientes, ou para um paciente individualmente, com características diferentes do grupo inicial não é recomendável. Outros eventos igualmente importantes, como é a qualidade de vida, não são preditos. Os parâmetros que entraram no desenvolvimento do índice e a maneira como foram coletados, manual ou automaticamente, devem ser os mesmos a serem utilizados para um paciente individual. Por exemplo: a presença de sedação pode impedir uma avaliação adequada do estado de consciência de um paciente e conseqüentemente diminuir a acurácia do cálculo do seu risco de morte. Ridley também analisa os problemas que podem surgir dos métodos utilizados na validação dos índices e o seu poder de discriminação. Um bom índice deve apresentar uma boa discriminação e uma boa calibração, duas qualidades que em geral não são concomitantes nos índices de caráter genérico. A utilização de índices para se determinar a futilidade de um tratamento para um paciente individual deve ser feita com cautela e não deve, de maneira nenhuma, substituir o julgamento clínico.

 

Comentário

Deve-se sempre ter em mente que os índices prognósticos são somente mais uma ferramenta a ser utilizada pelo médico quando se deparar com uma decisão difícil de limitação de tratamento ou na alocação de recursos escassos como são as vagas em UTIs. A melhor maneira de bem utilizar os índices prognósticos é conhecer as suas limitações.

 

Referência

Ridley AS. Uncertainty and scoring systems, Anaesthesia 2002; 57: 761-7.