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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302003000100007 

PANORAMA INTERNACIONAL
GINECOLOGIA

 

Androgênios e câncer de mama

 

 

Vilmar Marques de Oliveira; José Mendes Aldrighi

 

 

Em interessante artigo publicado em 2002, no Fertility&Sterility, os autores observaram experimentalmente que o uso da associação estrogênio-progestógeno, tanto na terapia de reposição hormonal (TRH) como nos contraceptivos hormonais orais (COs), podem alterar o equilíbrio na relação estrogênio/androgênio (E/A) no tecido mamário, resultando em ação estrogênica não antagonizada, gerando, por isso, maior probabilidade de proliferação epitelial mamária e aumento no risco do câncer de mama. Os autores explicaram que essa ação estrogênica exacerbada durante o uso de estrogênios exógenos possa decorrer de dois mecanismos: 1) supressão das gonadotrofinas, com conseqüente diminuição da relação E/A; 2) aumento da globulina carreadora de esteróides sexuais (SHBG), que ao apresentar alta afinidade pelos androgênios, reduz sua biodisponibilidade. Concluíram que usuárias de TRH ou COs apresentam redução, tanto na biodisponibilidade como nas concentrações séricas totais de androgênios1.

 

Comentário

Os resultados do estudo acima revelam dados interessantes e de possíveis aplicabilidades na prática clínica. Ressalta-se, no entanto, que estudos clínicos prévios já tinham obtidos resultados semelhantes aos observados no estudo em epígrafe; assim, homens utilizando flutamida (potente inibidor dos receptores androgênicos) desenvolveram ginecomastia, enquanto que, mulheres ingerindo o mesmo fármaco,tiveram inativados seus receptores androgênicos, apresentando maior proliferação do epitélio mamário, gigantomastia e, provalvemente, maior risco de câncer de mama2.

Por outro lado, é importante assinalar que ensaios clínicos experimentais já revelaram que os androgênios, por ocuparem fisiologicamente de forma integrada, tanto os receptores de estrogênio quanto os de androgênios, inibem a ação dos estrogênios sobre o parênquima mamário3; além do mais, pesquisas em células cancerosas mamárias demonstraram que o androgênio pode promover redução na expressão do proto-oncogene bcl-2, que se relaciona com a apoptose4,5. Do exposto se depreende que pesquisas com COs e TRH contendo baixas doses de estrogênio devem ser aguardadas, na expectativa de que essa associação promova menor risco do câncer de mama em suas usuárias.

 

Referências

1. Dimitrakakis C, Zhou J, Bondy CA. Androgens and mammary growth and neoplasia. Fertil Steril 2002; 77 (suppl 4): S26-S33.

2. Braunstein GD. Aromatase and gynecomastia. Endocr Relat Cancer 1999; 6: 315-24.

3. Lobo RA. Androgens in postmenopausal women: production, possible role, and replacement options. Obstet Gynecol Surv 2001; 56:361-76.

4. Lapointe J, Fournier A, Richard V, Labrie C. Androgens down-regulate bcl-2 protooncogene expression in ZR-75-1 human breast cancer cells. Endocrinology 1999; 140:416-21.

5. Kandouz M, Lombet A, Perrot JY, Jacob D, Carvajal S, Kazem A, et al. Proapoptotic effects of antiestrogens, progestins and androgen in breast cancer cells. J Steroid Biochem Mol Biol 1999; 69:463-71.