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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302003000100008 

PANORAMA INTERNACIONAL
MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS

 

N-acetilcisteína na prevenção da disfunção renal após angiocoronariografia

 

 

Ana Maria Cristina Beltrami Sogayar; Luiz Francisco Poli de Figueiredo

 

 

O antioxidante N-aceticisteína (NAC) previne a nefropatia aguda, após realização de tomografia computadorizada contrastada, em pacientes com deterioração da função renal1. O estudo realizado por Kay e colaboradores2 teve como objetivo determinar se a NAC é capaz de prevenir a deterioração da função renal após angiocoronariografia eletiva em portadores de insuficiência renal moderada. Este estudo prospectivo, duplo-cego, randomizado, placebo-controlado, realizado na Universidade de Hong Kong, entre maio de 2000 a dezembro de 2001, incluiu 200 chineses, com idade média de 68 anos. Todos eram portadores de insuficiência renal moderada e estável, (clearence de creatinina menor que 60 ml/min) e seriam submetidos a angiocoronariografia eletiva com e sem intervenção, utilizando contraste de baixa osmolaridade. Todos receberam hidratação otimizada e estavam livres de outros fatores que os predispusessem ao risco de nefropatia por contraste. A randomização foi realizada para que os pacientes recebessem NAC, 600 mg, por via oral, duas vezes ao dia (n=102), 24 horas antes e após o procedimento, ou placebo, grupo controle (n=98). Após 48 horas de administração do contraste, 12 pacientes no grupo controle (11,7%) e quatro pacientes (4,1%) no grupo que recebeu NAC apresentaram aumento na creatinina sérica superior a 25%. O uso da NAC esteve associado a uma creatinina menor durante as primeiras 48 horas após a angiografia e o clearance de creatinina apresentou aumento significante (de 44.8 ml/min para 58.9 ml/min) dois dias após administração do contraste, enquanto no grupo controle o aumento de 42.1 a 44.1 mL/min não foi significante. O benefício do uso da medicação foi consistente em vários subgrupos de pacientes e persistiram por até sete dias. Não foram observados eventos adversos relacionados ao uso da NAC. Os autores concluem que o uso profilático da NAC é seguro, efetivo e barato contra a disfunção renal naqueles pacientes com insuficiência renal crônica moderada submetidos a procedimentos angiográficos coronários.

 

Comentário

Este é mais um estudo que demonstra que a NAC reduz a nefrotoxicidade dos contrastes, que é induzida por aumento da produção de radicais livres de oxigênio, com toxicidade tubular direta e isquemia medular renal. O benefício da NAC tem sido atribuído a sua ação antioxidante direta e por vasodilatação. Os autores chegam a especular que este benefício poderia ser ainda maior em pacientes regulares internados e não incluídos no rígido esquema de hidratação, como o deste estudo. Podemos imaginar desdobramentos deste estudo. A prevenção da disfunção renal aguda é de grande interesse e deve ser avaliada em estudos específicos. Ainda, pacientes portadores de doença vascular extensa e/ou de aneurismas de aorta classicamente realizam estudos contrastados no pré-operatório. Nestas cirurgias de grande porte, alterações hemodinâmicas e da distribuição de fluídos são abruptas e intensas e associadas a isquemia e reperfusão de grandes territórios e a disfunção renal é muito freqüente. O uso da NAC parece promissor e também deveria ser avaliado através de estudos especificamente planejados para os pacientes de alto risco.

 

Referências

1.Tepel M, Van der Geet M, Schwarzfeld C, Laufer U, Liermann D, Zidek W, et al. Prevention of radiographic-contrast–agent induced reductions in renal function by acetylcystenine. N Engl J med 2000;343 (3):180-4.

2.Kay J, Chow WH, Chan TM, Lo SK, Kivok OH, Yip A, et al. Acetylcysteine for prevention of acute deterioration of renal function following elective coronary angiography and intervention: a randomized controlled trial. JAMA 2003;289(5):553-8.