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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302003000100011 

À BEIRA DO LEITO
CLÍNICA CIRÚRGICA

 

Reserva funcional hepática: como acompanhar?

 

 

Darcy Lisbão Moreira de Carvalho; Pedro Luiz Squilacci Leme

 

 

Todo hepatopata, em face de suas possíveis complicações, deve ser acompanhado cuidadosamente para detecção do grau de comprometimento hepático e controle de sua reserva funcional.

Inúmeros testes laboratoriais foram descritos, mas ao longo do tempo vários foram abandonados por falta de especificidade ou pela sua complexidade e alguns foram substituídos por exames mais sensíveis.

O uso rotineiro de provas funcionais para avaliação da função hepática nem sempre é possível. Não existe um exame único e "mágico", e muitos são desnecessários. Motivo pelo qual devemos considerar a utilização de testes que transmitam informações diversas, mas que em conjunto traçam um perfil da função hepática, fornecendo desta forma subsídios diagnósticos, evolutivos ou mesmo prognósticos da doença.

O critério de avaliação da função hepática, descrito por Child-Turcotte e modificado por Pugh (1973), foi proposto para este fim. Nele são considerados cinco parâmetros – ascite, bilirrubinemia total, albuminemia, prolongamento do tempo de protrombina e encefalopatia – pontuados de 1 a 3. De acordo com o total de pontos obtidos, dividem-se em: CHILD A, de 5 a 6 pontos (melhor reserva funcional hepática), de 7 a 9 CHILD B e de 10 a 15 CHILD C (pior reserva funcional hepática).

O objetivo primordial do tratamento dos doentes hepatopatas é tentar evitar sua evolução para hipertensão portal, desenvolvimento de varizes gastro-esofagianas e suas complicações.

A avaliação clínico-laboratorial da função hepática pela Classificação de Child-Turcotte-Pugh é, apesar de suas limitações, de uso simples (prática) e abrangente, uma vez que alia parâmetros clínicos aos dados laboratoriais, fornecendo uma visão global da função hepática.

 

Referências

1. Pugh RNH, Murray-Lyon IM, Dawson JL, Pietroni MC, Williams R. Transection of oesophagus for bleeding oesophageal varices. Br J Surg. 1973; 60:646-9.

2. Sherlock S. Diseases of the liver and biliary system. 10ª ed. Oxford: Blackwell Science Ltd; 1997.