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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302003000100018 

DIRETRIZES EM FOCO
CLÍNICA MÉDICA

 

Diretriz sobre vertigem

 

 

Henrique Olival Costa; Osmar Mesquita Neto

 

 

Segundo as conclusões da diretriz sobre Vertigem, da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, o principal desafio do médico diante de um paciente com a queixa "vertigem" é a realização do diagnóstico (topográfico e etiológico) e a definição do plano terapêutico, uma vez que existem inúmeras doenças e situações clínicas que cursam com o sintoma, e cada uma requer abordagem e tratamento específicos. O fator etiológico associado à vertigem pode ser suspeitado durante a anamnese em 80% dos casos. Quando não há sequer indícios da causa nesta etapa, raramente a identificamos ao final da investigação complementar.

Conforme a história clínica investigam-se: alterações vasculares, metabólicas, músculo-esqueléticas (coluna cervical), uso de ototóxicos, infecções virais ou bacterianas, hidropisia labiríntica, tumores do VIII par, traumas labirínticos, presença de doenças reumáticas / imunomediadas. As alterações emocionais, via sistema límbico são responsáveis por cerca de 20% dos casos. A presença de estimulantes na dieta também pode ser causa de transtornos vestibulares. Causas locais como obstrução do conduto auditivo externo por cerume e otites médias também podem desencadear sintomas vestibulares.

Nas crises, pacientes com transtornos vestibulares periféricos apresentam sintomas intensos, com grande instabilidade postural, vertigem, náusea, vômitos, zumbidos e muito provavelmente nistagmo espontâneo de olhos abertos e / ou nistagmo direcional, unidirecional. Aqueles com disfunção central têm, em sua maioria, clínica insidiosa, instabilidade ao deambular e, por vezes, apresentam nistagmo bidirecional ou múltiplo. Ao encontrar ataxia, diplopia, paresia ou paralisia facial, disartria, disfagia, incoordenação, distúrbios de motricidade e sensibilidade, a alteração central é provável.

Durante o exame físico, o estudo do equilíbrio estático (testes de Romberg, Romberg-Barré e Unterberger), do equilíbrio dinâmico (da marcha) e da função cerebelar conduzem o raciocínio clínico na direção do diagnóstico topográfico. Também nesse sentido, pode-se realizar uma avaliação completa do sistema vestibular com testes de avaliação auditiva, eletronistagmografia, testes rotacionais do reflexo vestíbulo-ocular, estudo posturográficos e pesquisa de potenciais evocados auditivos. Porém, quando se suspeita de alteração central, a realização de avaliação por imagem (tomografia computadorizada, ressonância magnética e suas variações, ultra-sonografia – ecodoppler) é insubstituível.

O tratamento pode ser dividido em três classes: o específico, orientado conforme a causa diagnosticada; o inespecífico, que consta de reeducação alimentar, orientação postural, e até medicação antivertiginosa e repouso nos casos mais graves; a reabilitação vestibular (executada por meio de exercícios ativos de olhos, cabeça e corpo, e manobras físicas) estimula o sistema vestibular e promove sua recuperação ao explorar a plasticidade do sistema nervoso central.

 

Comentário

A vertigem está entre os sintomas mais freqüentes da clínica. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, inclusive na infância, mas é predominante nos adultos e idosos. Geralmente, o paciente refere uma sensação subjetiva de desequilíbrio, muitas vezes mal caracterizada. Apesar de sua freqüência e abrangência etária, o primeiro consenso em língua portuguesa ou inglesa elaborado sobre o assunto só deve sair como suplemento no próximo número da Revista Brasileira de Otorrinolaringologia - RBORL 69(2).