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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302003000100019 

DIRETRIZES EM FOCO
ECONOMIA DA SAÚDE

 

Prevenção da transmissão materno-infantil do HIV: é mais caro identificar do que tratar a gestante soropositiva

 

 

Ana Maria Aratangy Pluciennik

 

 

A transmissão materno-infantil do HIV tornou-se passível de prevenção desde 1994, quando foram publicados os resultados de um estudo multicêntrico, controlado, duplo-cego, com mulheres soropositivas (Connor 1994). Aquelas que receberam zidovudina (AZT) durante a gestação e o parto, e cujos recém-nascidos receberam zidovudina durante as seis primeiras semanas de vida, tiveram um risco de 8% de transmitir o HIV para seus filhos, enquanto que as que receberam placebo transmitiram o vírus em 25% dos casos. Medidas para prevenir a transmissão materno-infantil do HIV passaram a ser implementadas no Brasil desde 1996. Atualmente, as medidas recomendadas são: 1) todas as gestantes devem receber o oferecimento do teste para o HIV, independente de qualquer avaliação de risco; 2) as gestantes soropositivas devem receber AZT via oral, em três doses diárias de 200mg, a partir da 14a semana até o final da gestação e, durante o trabalho de parto, AZT intra-venoso, na dose de 2mg/kg de peso na primeira hora e 1mg/kg/hora até o clampeamento do cordão umbelical – em caso de cesárea programada, a infusão intra-venosa deve começar três horas antes do início da cirurgia; 3) todos os recém-nascidos expostos ao HIV devem receber AZT via oral, na dose de 2mg/kg, quatro vezes ao dia, durante seis semanas. O aleitamento materno é contra-indicado. As gestantes que, pela evolução de sua condição clínica ou laboratorial, já estão em uso de terapia anti-retroviral devem avaliar os riscos e benefícios da manutenção desta terapia, principalmente no primeiro trimestre da gravidez. As gestantes que não estão em uso de anti-retrovirais, mas que se apresentam sintomáticas ou com parâmetros laboratoriais muito alterados, devem considerar o uso de terapia combinada. A cesariana é recomendada para as gestantes com carga viral desconhecida ou 1.000 cópias /ml (Ministério da Saúde 2001).

 

Comentário

Embora a preocupação com os custos dos medicamentos venha permeando as principais discussões a respeito dos custos de tratamento dos pacientes soropositivos para o HIV, esta não deve ser a preocupação central no caso da prevenção da transmissão materno-infantil. Estudo em andamento, realizado pela autora, vem demonstrar que os custos dos medicamentos representam aproximadamente 5% dos custos da prevenção, e que somente o rastreamento sorológico das gestantes representa cerca de 80% dos custos totais. Parte importante desses custos é devido as perdas e repetições desnecessárias dos testes. Com vistas ao uso eficiente dos recursos, é preciso estabelecer controles rígidos sobre os procedimentos laboratoriais que fazem parte da identificação da gestante soropositiva para o HIV.

 

Referências

1. Connor EM, Sperling RS, Gerber R, Kiselev P, Scott G, O'Sullivan MJ, et al. Reduction of maternal-infant transmission of human immunodeficiency virus type 1 with zidovudine treatment. N Engl J Med 1994; 331: 1173-80.

2. Ministério da Saúde. Recomendações para a profilaxia da transmissão materno-infantil do HIV e terapia anti-retroviral em gestantes. Brasília; 2001. (série manuais n.46).