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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.4 São Paulo  2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302003000400010 

CANCEROLOGIA

 

Tratamento do câncer de pulmão de células não pequenas irressecáveis: qual a melhor forma de combinarmos quimioterapia e radioterapia?

 

 

André Márcio Murad

 

 

Caso clínico: C.A.B., 65 anos, comerciante, início de tosse, emagrecimento de 5 Kg e dor torácica posterior progressiva há dois meses. Tabagista: um maço de cigarros ao dia por 30 anos. Sem passado mórbido de importância. Ao exame clínico, diminuição do murmúrio vesicular do terço superior do pulmão esquerdo e hipocratismo digital leve. "Performance Status" OMS1. Radiografia de tórax: massa no lobo superior esquerdo. Punção guiada por TC: adenocarcinoma broncogênico moderadamente diferenciado. TC e RNM de tórax e coluna torácica: tumor ocupando o segmento posterior do LSE já com invasão inequívoca e de vértebra T3, além de linfadenomegalia mediastinal homolateral (linfonodo paratraqueal com 2,2cm de diâmetro). Cintilografia óssea mostrou apenas hipercaptação em vértebra T3. RNM de crânio sem altrerações. Estadiamento TNM: T4N2M0 — IIIB.

Conduta tomada no caso: recebeu tratamento radioterápico (60 Gy) associado e de forma concomitante a CDDP: 40 mg/m2, semanalmente, por seis semanas. Teve esofagite grau 3 e vômitos grau 2. TC após tratamento: resposta completa. Encontra-se sem evidência de doença há 18 meses do tratamento

 

Comentário

Para os tumores pulmonares de células não pequenas irressecáveis (estádio IIIB), a radioterapia isolada oferece poucas chances de sobrevida de longo prazo, que não ultrapassam a 5%. Já a adição de quimioterapia proporciona melhor controle da doença e sobrevida, de acordo com quatro estudos controlados que comparam a radioterapia isolada com a associação de quimioterapia e radioterapia. Entretanto, o modo de associação entre estas duas modalidades pode influir nos resultados. Sabemos hoje, através de dois estudos controlados (Furuse et al. e RTOG 9410) que o uso concomitante das duas modalidades oferece resultados superiores aos de seu uso de forma seqüencial. A droga padrão para ser utilizada em tal combinação é a cisplatina pois, além de ser ativa no tratamento do câncer pulmonar, potencializa a ação da radioterapia (quimioterápico radiosensibilizante). Com este tratamento, as chances de controle definitivo triplicam em relação ao uso da radioterapia isolada, alcançando-se índices de sobrevida de longo prazo de 17% a 21%.

 

Referências

1.Furuse K, Fukuoka M, Kawahara M, Nishikawa H, Takada Y, Kudoh S, et al. Phase III study of concurrent versus sequential thoracic radiotherapy in combination with mitomycin, vindesine and cisplatin in unresectable stage III non-small-cell lung cancer. J Clin Oncol 1999; 17:2692-9.

2. Curran W, Scott C, Langer R, Komaki JL, Hauser S, Movsas B, et al. Phase III comparison of sequential vs concurrent chemo-radiation for patients with unresectable stage III non-small cell lung cancer (NSCLC): Report of Radiation Therapy Oncology Group (RTOG) 9410. Lung Cancer 2000; 29:93. (abstract 302).