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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.4 São Paulo  2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302003000400017 

EMERGÊNCIA E MEDICINA INTENSIVA

 

Hipertensão arterial pulmonar em crianças

 

 

Werther Brunow de Carvalho

 

 

Até recentemente, o diagnóstico da hipertensão pulmonar primária determinava uma sentença virtual de óbito da criança, com uma média de sobrevida menor do que um ano. Nas últimas décadas houve um progresso considerável na compreensão e tratamento da hipertensão arterial pulmonar. Recentemente, Widlitz et al, 20031, realizaram uma revisão na qual colocam a compreensão atual da hipertensão arterial pulmonar com recomendações específicas relacionadas à prática terapêutica. Dentre as linhas gerais de modalidades terapêuticas, as novas drogas, por exemplo, epoprostenol, treprostinil e bosentan, e as intervenções cirúrgicas, por exemplo, septotosmia atrial e transplante têm um impacto significante na evolução e prognóstico do paciente, referindo que a Sociedade Internacional de Transplante Pulmonar e Cardíaco demonstra uma sobrevida em pediatria de ~65% com dois anos pós-transplante e de ~40% em cinco anos (Spray et al, 20012, nas crianças em que houve falha da terapêutica medicamentosa e da septostomia atrial. Ressaltam também1 que a terapêutica vasodilatadora crônica, com bloqueadores do canal de cálcio, nos pacientes que respondem agudamente ao teste do vasodilatador e o uso intravenoso contínuo do epoprostenol nos que não respondem é pelo menos tão efetivo nas crianças como nos adultos, com respeito à melhora da sobrevida e dos dados hemodinâmicos, além do alívio dos sintomas.

 

Comentário

As linhas gerais para o tratamento da hipertensão pulmonar ressaltam sempre a importância do diagnóstico preciso e da transferência precoce da criança para um centro de referência3. Antes do advento da terapêutica com prostaciclina, o prognóstico do paciente pediátrico era desanimador. A infusão intravenosa de prostaciclina diminui a sintomatologia e a mortalidade e, em combinação com o tratamento da hipoxemia utilizando oxigênio, é atualmente o padrão-ouro para o tratamento da criança. A prostaciclina intravenosa, além de sua ação vasodilatadora imediata, demonstrou ter um efeito remodelador e restaurador da função endotelial do vaso pulmonar. O tratamento com a infusão intravenosa contínua é difícil na criança e está cercada de complicações potenciais, fazendo com que o tratamento por via oral seja particularmente atrativo. Entretanto, até recentemente, esta terapêutica oral estava limitada ao uso de agentes não-seletivos, como a nifedipina, surgindo mais recentemente uma terapêutica específica (sildenafil) com efeitos secundários escassos e a possibilidade de combinação com outros fármacos4.

 

Referências

1. Widlitz A, Barst RJ. Pulmonary arterial hypertension in children. Eur Respir J 2003; 21:155-76.

2. Spray TL, Bridges ND. Lung transplantation for pediatric pulmonary hypertension. Prog Pediatr Cardiol 2001; 12:319-25.

3. Gibbs JSR. Recommendations on the management of pulmonary hypertension in clinical practice. Heart 2001; 86(suppl 1):i1-i13.

4. Carrol WD, Dhillon R. Sildenafil as a treatment for pulmonary hypertension. Arch Dis Child 2003; 88:827-8.