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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.50 no.1 São Paulo  2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302004000100021 

DIRETRIZES EM FOCO
GINECOLOGIA

 

Novo consenso para a síndrome dos ovários policísticos

 

 

Rui Alberto Ferriani

 

 

Os critérios diagnósticos da síndrome dos ovários policísticos (SOP) foram recentemente revisados pelo The Rotterdam ESHRE/ ASRM – sponsored PCOS consensus workshop group, 2004; os postulados em 1999 requeriam dois fatores diagnósticos e os atuais requerem dois de três fatores.

 

Comentário

Critérios em 1999 (1 e 2)

1. Anovulação crônica
2. Sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo, excluindo-se outras etiologias.

Critérios revisados em 2004 (2 de 3)

1. Oligomenorréia e/ou anovulação
2. Sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo, excluindo outras etiologias de hiperandrogenismo como hiperplasia congênita adrenal, tumores secretores de androgênios e síndrome de Cushing
3. Ovários policísticos caracterizados pelo exame ultra-sonográfico padronizado, ou seja, presença de pelo menos um dos seguintes achados: 12 ou mais folículos medindo entre 2-9 mm de diâmetro ou volume ovariano aumentado (>10 cm3). Caso se constate a presença de um folículo dominante (> 10 mm) ou de corpo lúteo, o ultra-som (US) deverá ser repetido no próximo ciclo.

Outros detalhes diagnósticos estão publicados neste consenso.

Rastreamento de desordens metabólicas

1. Nenhum teste de resistência insulínica é necessário para o diagnóstico de SOP, nem para o tratamento a ser instituído.
2. Mulheres obesas com SOP devem ser rastreadas para a síndrome metabólica, incluindo avaliação da intolerância à glicose por meio da realização do teste de tolerância oral à glicose (GTT).
3. Outros estudos são necessários em mulheres não obesas com SOP para se determinar a real utilidade destes testes; no entanto, devem ser sempre solicitados caso estejam presentes fatores de risco adicionais para resistência insulínica, como história familiar de diabetes.

Critérios para a identificação da síndrome metabólica em mulheres com SOMP:

A constatação de pelo menos três de cinco fatores de risco qualifica a presença da síndrome metabólica:

 

 

A identificação da resistência insulínica (RI) não é necessária para firmar o diagnóstico de SOP; entretanto, ainda há controvérsias sobre necessidade de se pesquisar rotineiramente RI em todas as portadoras da síndrome (obesas e não obesas). Devido a essas controvérsias (principalmente a de se identificar a resistência insulínica nas pacientes não obesas com SOP), indicamos em nosso serviço a avaliação rotineira da glicemia e da insulina de jejum em todas as portadoras com SOP, bem como preconizamos o cálculo do Quicki (Quantitative insulin-sensitivity check index).

O clínico deve estar atento para esta complexa síndrome, que desde sua descrição inicial em 1935 tem sido alvo de diversos consensos; neste último ressurgiu a valorização dos aspectos morfológicos dos ovários e manteve-se a importância dos aspectos metabólicos. A relação LH/FSH >2, considerada por muitos como patognomônica deste tipo de anovulação, não foi incluída neste consenso pois não está presente em todos os casos.

 

Referências

1. Balen AH, Laven JSE, Dewailly D. Ultrasound assessment of the polycystic ovary: international consensus definition. Hum Reprod 2003; 9(6):505-14.

2. The Rotterdam ESHRE/ASRM-sponsored PCOS consensus workshop group. Revised 2003 consensus on diagnostic criteria and long-term health risks to polycystic ovary syndrome (PCOS). Hum Reprod 2004; 19(1):41-7.

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