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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.50 no.2 São Paulo Apr./Jan. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302004000200002 

PANORAMA INTERNACIONAL
BIOÉTICA

 

Dilemas éticos gerados pela SARS

 

 

Regina Abdulkader

 

 

A epidemia de SARS (severe acute respiratory syndrome), além de grandes problemas médicos, epidemiológicos e de saúde pública, trouxe também importantes questionamentos éticos. Uma análise dos dilemas éticos surgidos durante a epidemia de SARS em Toronto foi recentemente publicada por um grupo canadense de especialistas de várias áreas, com formação em bioética. Esse grupo identifica 10 valores éticos que devem ser considerados e apresenta cinco casos em que a tomada de decisão se confronta com um dilema ético. O primeiro caso contrapõe a necessidade de quarentena à liberdade do indivíduo. O segundo nos remete ao dilema entre não tornar pública a identificação de um indivíduo infectado, ou seja, o seu direito à privacidade e a proteção de indivíduos que tiveram um contato eventual no transporte público. A identificação pode estigmatizar o indivíduo ou até mesmo criar um preconceito contra uma etnia como o relato feito pelos autores, de que as pessoas passaram a evitar o comércio com os chineses depois da identificação das pessoas que levaram a SARS da China para o Canadá. O terceiro caso trata do dilema de uma enfermeira de terapia intensiva entre a sua obrigação de cuidar de pacientes infectados e risco de adquirir a doença, até mesmo morrer, e também de transmiti-la a seus familiares. Até onde vai a obrigação profissional? O quarto caso discute os "efeitos colaterais" da epidemia para a população sem SARS, ou seja, a não realização de cirurgias e as internações somente em casos de extrema necessidade e sem permissão de visitas. Como balancear os direitos ao atendimento médico dos pacientes com SARS e da população em geral? O quinto, e último caso, analisa o problema das viagens aéreas que espalharam a SARS pelo mundo e a necessidade, em uma situação de risco, de todos os países rapidamente compartilharem informações.

 

Comentário

Esse artigo mostra que, perante a globalização das doenças infecciosas, devemos nos preparar não somente para um rápido diagnóstico e tratamento, mas também para inevitáveis desafios éticos.

 

Referência

Singer PA, Benatar SR, Berstein M, Daar AS, Dickens BM, MacRae SK, et al. Ethics and SARS: lessons from Toronto. BMJ 2003; 327:1342-4.