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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.50 no.2 São Paulo Apr./Jan. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302004000200015 

DIRETRIZES EM FOCO
CLÍNICA CIRÚRGICA

 

Indicações para o tratamento operatório da obesidade mórbida

 

 

Carlos Roberto Puglia

 

 

A obesidade mórbida é considerada uma doença epidêmica na América do Norte e em vários países do mundo, destacando-se como um problema de saúde pública. Esta doença é caracterizada por ser multifatorial, de origem genética e metabólica, agravada pela exposição a fenômenos ambientais, culturais, sociais e econômicos, associados a fatores demográficos (sexo, idade, raça) e ao sedentarismo.

O índice aceito universalmente para a classificação da obesidade é o de massa corpórea (IMC) proposto por Quetelej, em 1835, e é expresso pelo peso em quilogramas do indivíduo dividido pelo quadrado da altura em metros. Tem como inconveniente não distinguir a massa gorda da magra, porém foi adotado em 1997 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o índice de referência de medida para a obesidade. A OMS divide a obesidade em três níveis, sendo grau I com IMC entre 30 e 34,9 Kg/m2 , grau II entre 35 e 39,9 Kg/m2 e grau III ou obesidade mórbida com IMC acima de 40 Kg/m2.

A classificação aceita pela Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e pela Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade divide a obesidade em seis níveis: obesidade pequena (27 a 30 Kg/m2), obesidade moderada (30 a 35 Kg/m2), obesidade grave (35 a 40 Kg/m2), obesidade mórbida (40 a 50 Kg/m2), superobesidade (50 a 60 Kg/m2) e super-superobesidade (maior de 60 Kg/m2).

A obesidade decorrente de doenças endócrinas deve ser tratada clinicamente (Síndrome de Cushing, hipotireoidismo). Cada doente deve ser avaliado por uma equipe multidisciplinar.

 

Comentário

As indicações para o tratamento operatório da obesidade, de acordo com as normas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, são as seguintes:

1. Portadores de obesidade mórbida com IMC maior ou igual a 40 Kg/m2 registrado durante pelo menos dois anos. Devem apresentar insucesso em tratamentos conservadores realizados continuamente, de maneira séria e correta, também pelo período mínimo de dois anos;

2. Pacientes com IMC entre 35 e 39,9 Kg/m2, portadores de doenças crônicas desencadeadas ou agravadas pela obesidade.

 

Referências

1. National Institutes of Health. Clinical guidelines on the identification, evaluation and treatment of owerweight and obesity in adults: the evidence report. Obes Res 1998; 6 (Suppl 2).

2. Garrido Jr AB. Situações especiais: tratamento da obesidade mórbida. In: Halpern A, Matos AFG, Suplicy HL, Mancini MC, Zanella MT, editores. Obesidade. São Paulo: Lemos Editorial; 2002. p.331-40.

3. Leite MA, Valente DC. Tratamento cirúrgico da obesidade mórbida: indicações, seleção e preparo dos pacientes. Programa de Auto-Avaliação. Bol Informativo Col Bras Cir 2003; 2(supl 3). Obesidade mórbida.