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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.50 no.2 São Paulo Apr./Jan. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302004000200021 


IMAGEM EM MEDICINA

 

Leite de cálcio

 

 

Anabel Medeiros Scaranelo

 

 

Microcalcificações são achados comuns na mamografia e, por definição, são estruturas com tamanho igual ou menor a 0,5 mm. De forma bastante grosseira, assumimos que partículas pequenas sugerem malignidade e partículas maiores são mais sugestivas de benignidade.

A detecção da sua ocorrência é extremamente importante, principalmente por que podem constituir a única alteração radiológica visível na mamografia. Esse achado mamográfico é encontrado em cerca de 40% dos casos de câncer em lesões não-palpáveis1 e pode representar o sinal mais precoce de malignidade.

O diagnóstico mamográfico constitui-se de atividade de detetive; um especialista habilitado e treinado é necessário e, longe de ser tarefa trivial, muitos fatores de técnica estão relacionados e devem ser considerados para esse diagnóstico. É imperativo adotar-se incidências adicionais com ampliação das microcalcificações para avaliação da sua morfologia devido às pequenas dimensões.

O leite de cálcio, alteração mamográfica descrita como tipicamente benigna (BI-RADS™ II), apresenta na mamografia um aspecto de meia-lua (foto 1) ou em xícara de chá2,3, que é influenciado pela força da gravidade, correspondendo à precipitação de cristais de cálcio no interior de estruturas micro ou macro císticas dilatadas (foto 1a). Portanto, na incidência em perfil absoluto ou médio-lateral oblíqua (foto 2) (feita com a mama pendente, sendo sustentada por estar comprimida lateralmente) essa morfologia é tipicamente benigna, diferente da aparência esférica com margem esfumaçada ou amorfa vista na projeção crânio-caudal (feita com a mama comprimida, apoiada sobre a placa de acrílico).

 

 

 

 

 

 

Se somente o estudo complementar com ampliação na incidência crânio-caudal for feito, o diagnóstico de leite de cálcio não poderá ser feito e, pelo contrário, a morfologia amorfa relaciona-se ao maior grau de suspeição para malignidade (foto 3). Na análise de microcalcificações pode-se utilizar a classificação morfológica, de valor crescente, proposta por Michèle Le Gal et al.4, como orientação (Tabela 1).

 

 

 

 

Referências

1. Marini C, Traino C, Cilotti A, Roncella M, Campori G, Bartolozzi C. Differentiation of benign and malignant breast microcalcifications: mammography versus mammography-sonography combination. Radiol Med (Torino) 2003; 105(1-2):17-26.

2. American College of Radiology. Breast imaging reporting and data system (BI-RADS). 3rd ed. Reston: American College of Radiology; 1998.

3. Scaranelo AM. Aprendendo a relatar mamografia. São Paulo: Livraria Editora Santos; 2002. p.27-31.

4. Le Gal M, Chavanne G, Pellier D. Valeur diagnostique des microcalcifications groupées découvertes par mammographies. Bull Cancer 1984; 71:57-64.

 

 

Trabalho realizado no ambulatório de Raio X - Setor de mamografia- departamento de Diagnóstico por Imagem da Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP.