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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.50 no.2 São Paulo Apr./Jan. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302004000200023 

COMENTÁRIO

 

"Diagnóstico clínico e diagnóstico anatomopatológico: discordâncias"

 

 

Francesco Viscomi

 

 

O tema "Diagnóstico clínico e diagnóstico anatomopatológico: discordâncias", publicado nesta edição, na páginas 178, é bastante atual e nos remete a algumas reflexões.

Em primeiro lugar, o diagnóstico clínico vem sofrendo nos últimos anos mudanças radicais pelo número de exames complementares e pela tecnologia avançada que dia a dia se coloca em nossa frente. Embora o diagnóstico clínico esteja calcado principalmente na história e no exame físico dos pacientes, vários exames complementares reforçam a hipótese diagnóstica aumentando, desta maneira, a acuidade diagnóstica. Quando necessário é confirmado ou não pela anatomia patológica. Quando ocorre discordância nos diagnósticos, cumpre frisar que nem sempre o clínico é incorreto e o anatomopatológico fecha o diagnóstico. Uma das razões bem colocadas no artigo em questão prende-se exclusivamente à semântica. Talvez nenhuma outra área como a medicina tenha tantos nomes para diferentes situações e isto vale tanto para o diagnóstico clínico como para o anatomopatológico. Por exemplo, quando falamos de mioma do útero, poderemos estar falando de leiomiomas ou mesmo de neoplasia benigna do miométrio.

Um dos aspectos que também deve se levar em consideração são os informes sobre a paciente que são enviados ao patologista para ele possa ter uma idéia mais ampla sobre o caso. Habitualmente, o que se vê são pedidos de exames anatomopatológicos incompletos, dificultando, assim, por vezes, um diagnóstico mais acurado. Outra questão importante é o achado de alguma alteração anatomopatológica quando o espécime do material não é representativo para um diagnóstico adequado ou não foi conservado corretamente para uma análise mais correta. Este fato se observa especialmente em biópsias com pouco material e, ao se retirar o tecido a ser avaliado, o mesmo é colocado sobre uma gaze até o final do procedimento para depois acondicioná-lo.

Concluindo, sempre que houver uma discordância entre o diagnóstico clínico e o diagnóstico anatomopatológico, o mais adequado é a comunicação entre o clínico e o patologista para que se possa trocar idéias e chegar a um diagnóstico final.