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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.50 no.3 São Paulo July/Sept. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302004000300023 

DIRETRIZES EM FOCO
PEDIATRIA

 

Perspectivas de abordagem de crianças nascidas com ambigüidade genital

 

 

Durval Damiani

 

 

Atenção especial tem sido dada aos vários aspectos que envolvem o nascimento de uma criança com algum grau de ambigüidade genital: 1) o papel dos pais nas decisões médicas; 2) total informação aos pacientes e aos pais quanto aos detalhes dos resultados de testes diagnósticos, possíveis terapêuticas e dados de evolução; 3) excessiva exposição durante os exames médicos; 4) o impacto dos andrógenos in útero sobre o sistema nervoso central e 5) o desafio de adiar a cirurgia até que a criança seja "suficientemente madura" para dar consentimento informado. Uma visão geral da avaliação dos pacientes com anomalias da diferenciação sexual é incluída, com ênfase particular sobre o enfoque do "gênero ótimo", desenvolvido há cerca de 50 anos. É claro que o cuidado de uma criança com ambigüidade genital deve ser individualizado, com os pais e pacientes recebendo, regularmente, informações atualizadas quanto à etiologia, tratamento e evolução baseadas nos dados de pacientes com diagnósticos semelhantes. Enfatiza-se a necessidade de uma equipe multiprofissional, com o objetivo de se atingir o melhor equilíbrio entre os dados evolutivos e opiniões divergentes.

 

Comentário

Este artigo de Peter Lee é absolutamente oportuno e claro. Em 2003, o Conselho Federal de Medicina publicou sua Resolução nº1664/03 que dispõe sobre condições mínimas para um serviço de endocrinologia cuidar de crianças com ambigüidade genital. O assunto tem sido objeto de muita controvérsia e há correntes que advogam que se posponha a identificação sexual da criança até que ela tenha "maturidade suficiente" para participar da decisão de atribuição de gênero. Convenhamos que fica difícil conviver com uma criança com sexo indefinido numa sociedade que pressupõe que ou se tenha sexo masculino ou feminino. Esse "sexo de espera" não tem lugar e certamente criará condições difíceis de serem trabalhadas no dia-a-dia dessas crianças. O assunto é bastante complexo, mas o enfoque neste artigo é que os pais e os pacientes devem ter total conhecimento das decisões tomadas pela equipe multiprofissional e participar delas.

 

Referência

Lee PA. A perspective on the approach to the intersex child born with genital ambiguity. J Pediatr Endocrinol Metab 2004; 17(2):133-40.