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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.50 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302004000400017 

À BEIRA DO LEITO
PEDIATRIA

 

Insulina em crianças em estado grave: há distância entre a teoria e a prática?

 

 

Uenis Tannuri

 

 

Crianças e adultos em estado clínico grave, particularmente aqueles portadores de infecção sistêmica ou no período pós-operatório de cirurgias de grande porte, apresentam aumento do catabolismo protéico e tendência à hiperglicemia, em graus de intensidade proporcionais à gravidade da doença. Há muitos anos têm sido relatados os efeitos benéficos da insulina exógena nestas situações. A administração endovenosa, contínua, do hormônio em pacientes com infecção grave ou após grandes cirurgias, promoveria normalização dos níveis glicêmicos e redução do catabolismo protéico. A questão tem merecido ainda considerações na literatura médica atual1,2. Na prática, pudemos comprovar tais fatos, tanto em animais de experimentação quanto em crianças. No entanto, tais benefícios não tiveram qualquer expressão clínica ou no que tange à redução dos índices de mortalidade. Por outro lado, constatamos alguns problemas decorrentes da infusão contínua de glicose em crianças, e que devem ser enfatizados:

  • ocorrem grandes variações dos níveis de glicemia, com freqüentes episódios de hipoglicemia grave,

  • do ponto de vista prático, ocorrem freqüentes erros de dosagem da insulina a ser administrada, particularmente em crianças pequenas,

  • a insulina pode ser adsorvida na parede do frasco de infusão, com redução significativa de sua atividade terapêutica.

A literatura, até o presente, não mostrou que a utilização na insulina, nestas condições, promoveria redução nos índices de mortalidade. Portanto, julgamos que não há evidências que justifiquem o uso de insulina exógena no tratamento de crianças em hipercatabolismo.

 

Referências

1. Agus MSD, Javid P, Ryan DP, Jaksic T. Intravenous insulin decreases protein breakdown in infants on extracorporeal membrane oxygenation. J Pediatr Surg 2004; 39:839-84.

2. Hall NJ, Peters M, Eaton S, Pierro A. Hyperglycemia is associated with increased morbidity and mortality rates in neonates with necrotizing enterocolitis. J Pediatr Surg 2004; 39:898-901.