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Revista da Associação Médica Brasileira

versão impressa ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. v.51 n.1 São Paulo jan./fev. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302005000100004 

PANORAMA INTERNACIONAL
CANCEROLOGIA

 

Radioquimioterapia pré-operatória para câncer de reto

 

 

Recentemente, Sauer et al.1, do grupo cooperativo alemão para tratamento do câncer retal, aleatorizaram 823 pacientes com idade inferior a 75 anos, sem história prévia de tratamento oncológico e com adenocarcinoma de reto estadios II ou III para receber radioquimioterapia ministrada no período pré versus no pós-operatório. Os pacientes foram estadiados com ultra-sonografia endoretal e tomografia computadorizada, e a margem inferior de seus tumores distava pelo menos 16 cm da margem anal. A radioquimioterapia consistiu de 5040 cGy ministrados em 28 sessões diárias de 180cGy cinco vezes por semana, associados na primeira e na quinta semana à infusão contínua de 5-fluoracil na dose de 1000 mg por m2. No grupo aleatorizado para tratamento pós-operatório ministrou-se também uma dose adicional de 540cGy ao leito tumoral. A cirurgia envolveu a ressecção do reto e completa do mesoreto e ocorreu seis semanas após o término da radioquimioterapia nos pacientes aleatorizados para o tratamento pré-operatório. Em ambos os braços os pacientes receberam quatro ciclos de 5-fluoracil na dose de 500 mg por m2 por dia por cinco dias a cada 28 dias. A sobrevida global foi de 76% e de 74% (p = 0.8) e a incidência de recidiva local foi de 6% versus 13% (p = 0.006) nos grupos aleatorizados para tratamento pré versus pós-operatório, respectivamente. Em relação às toxicidades agudas, graus 3 e 4, a incidência foi de 27% versus 40% (p = 0.001) e no caso de toxicidade a longo prazo a taxa foi de 14% versus 24% (p = 0.01) nos grupos aleatorizados para tratamento pré versus pós-operatório, respectivamente. Os autores concluíram que o tratamento pré-operatório parece ter maior eficácia para diminuir a taxa de recidiva local e produziu também menor toxicidade, apesar da sobevida global ter sido comparável em ambos os tratamentos.

 

Comentário

Os resultados reportados por Sauer et al.1 corroboram os obtidos previamente em estudos de desenho experimental semelhante2,3. É interessante que neste estudo 8% dos pacientes que se submeteram a tratamento pré-operatório tiveram resposta patológica completa. Apesar deste potencial para a redução pré-operatória dos tumores, a taxa de preservação efincteriana foi comparável para os dois braços experimentais. Adicionalmente, apesar de todas as vantagens apontadas, o maior inconveniente do tratamento pré-operatório é a possibilidade de ministrá-lo para quem poderia não necessitá-lo, já que 18% dos pacientes submetidos a tratamento pós-operatório, apesar do estadiamento com ultra-sonografia endorretal pré-operatória, tinham estadios patológicos menos avançados do que os documentados pré-operatoriamente. Faltam ainda também estudos que avaliem o impacto na qualidade de vida e no funcionamento esfincteriano da radioquimioterapia pré-operatória antes que esta prática se torne rotineira4. Com todas estas ressalvas, entretanto, para pacientes para os quais a ressectabilidade das lesões retais é limítrofe, assim como é a possibilidade de manutenção do esfíncter retal, a radioquimioterapia pré-operatória é uma excelente alternativa.

 

Referências

1. Sauer R, Becker H, Hohenberger W, Rodel C, Wittekind C, Fietkau R, et al. Preoperative versus postoperative chemoradiotherapy for rectal cancer. N Engl J Med 2004;351(17):1731-40.

2. Swedish Rectal Cancer Trial. Improved survival with preoperative radiotherapy in resectable rectal cancer. N Engl J Med 1997;336(15): 980-7. [Erratum, N Engl J Med 1997;336:1539.]

3. Kapiteijn E, Marijnen CAM, Nagtegaal ID, Putter H, Steup WH, Wiggers T, et al. Preoperative radiotherapy combined with total mesorectal excision for resectable rectal cancer. N Engl J Med 2001;345(9):638-46.

4. Madoff RD. Chemoradiotherapy for rectal cancer - when, why and how? N Engl J Med 2004;351(17):1790-92.