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Revista da Associação Médica Brasileira

versão impressa ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. v.51 n.1 São Paulo jan./fev. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302005000100007 

À BEIRA DO LEITO
CLÍNICA CIRÚRGICA

 

Úlcera péptica perfurada: sutura ou gastrectomia?

 

 

Elias Jirjoss Ilias; Paulo Kassab

 

 

A perfuração tem sido a complicação da úlcera péptica mais operada nos últimos anos . Devido à grande eficiência dos novos medicamentos para o tratamento clínico das úlceras gastroduodenais, a cirurgia para o tratamento dessa doença tem ficado apenas para o caso de algumas complicações, principalmente a estenose e a perfuração. Também devido ao pequeno número de gastrectomias para o tratamento das úlceras pépticas, o treinamento dos jovens cirurgiões ficou prejudicado, sendo que esses têm pouca familiaridade com o procedimento. Devido a todos esses fatores, o tratamento cirúrgico da úlcera perfurada traz grandes dilemas ao cirurgião. A úlcera aguda perfurada , isto é , aquela que não apresenta o calo fibroso ao redor da perfuração, deve ser tratada com a simples sutura da lesão. Já a úlcera crônica perfurada deve ser tratada sempre que possível pela gastrectomia. Uma revisão da literatura mostrou que, em algumas situações, é prudente se evitar a ressecção gástrica e optar pela sutura. Essas situações podem ser resumidas em: inexperiência do cirurgião na realização de gastrectomia apropriada, cavidade abdominal muito contaminada, paciente em mau estado geral em que o prolongamento do ato operatório irá piorar o quadro clínico, pacientes com mais de 60 anos, mais de 24 horas de perfuração e perfuração gástrica ou duodenal maior que 5 milímetros.

A sutura tem elevadas taxas de recidiva ulcerosa (+ de 50%) e baixas taxas de mortalidade, a vagotomia associada a alguma técnica de drenagem apresenta baixa mortalidade porém a taxa de recidiva ainda é alta (10%) e, finalmente, a gastrectomia parcial tem taxa de mortalidade pouco maior que a vagotomia porém a recidiva ulcerosa é extremamente baixa (<1%). A gastrectomia parcial é o procedimento por nós preferido quando a ressecção gástrica está indicada devido à sua segurança e às baixas taxas de recidiva.

Podemos concluir, portanto, que o melhor tratamento para a úlcera péptica perfurada é aquele que leva em conta o tipo de perfuração, as condições clínicas do doente, as condições locais da cavidade abdominal e a experiência do cirurgião na realização da gastrectomia.

 

Referências

1. Satsukevich VN. Surgical treatment of perforated gastroduodenal ulcers. Khirurgiia (Mosk) 2001; 5: 24-7.

2. Rajesh V, Chandra SS, Smile SR. Risk factors predicting operative mortality in perforated peptic ulcer disease. Trop Gastroenterol. 2003; 24: 148-50.