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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.51 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2005

https://doi.org/10.1590/S0104-42302005000200008 

À BEIRA DO LEITO
PEDIATRIA

 

É factível a utilização de fístulas artério-venosas para hemodiálise em longo prazo em crianças?

 

 

Uenis Tannuri; Ana Cristina Aoun Tannuri

 

 

A primeira opção para o tratamento dialítico em crianças com insuficiência renal aguda ou crônica é, sem dúvida, a diálise peritonial. O surgimento dos cateteres de Tenkoff, feitos de borracha de silicone e pequeno anel de dacron, tem permitido a manutenção de crianças em diálise peritonial por períodos de até seis anos, com um único cateter. No entanto, por vezes a utilização do peritônio torna-se impossível, particularmente em crianças com uropatias obstrutivas submetidas a cirurgias prévias para tentativa de correção do defeito urinário. Nesses casos, a opção seguinte é a hemodiálise. O maior entrave para a realização deste método terapêutico em crianças é, sem dúvida, uma boa via de acesso vascular que permita fluxo de sangue adequado para passagem na máquina de diálise. O acesso inicial ao sistema vascular é habitualmente obtido com a colocação de cateteres intra-atriais, com duplo lúmen, introduzidos através da veia subclávia ou das veias jugulares. No entanto, a ocorrência de infecção ou trombos venosos limitam o período de utilização desses dispositivos. Como última opção, restam as fístulas artério-venosas. Embora esse recurso seja universalmente utilizado em adultos, na criança o reduzido calibre dos vasos dificulta a obtenção de fístulas de boa qualidade para hemodiálise crônica. Em artigo recente, relatamos nossa experiência com tal procedimento, dando ênfase aos detalhes de técnica operatória, utilização dos recursos da microcirurgia vascular e lupas cirúrgicas com aumento de 3,5 vezes1. As fístulas puderam ser utilizadas três a quatro semanas após a cirurgia, período em que as crianças foram mantidas em hemodiálise através de cateteres intra-atriais. A utilização de microcirurgia, em conjunto com detalhes técnicos descritos, permite a obtenção de excelentes índices de permeabilidade das fístulas, comparáveis aos obtidos em pacientes adultos.

 

Referência

1. Tannuri U, Tannuri ACA. Experience with arterio-venous fistula for chronic hemodialysis in children: technical details and refinements. Clinics 60: 37-40, 2005

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