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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.51 no.3 São Paulo May/June 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302005000300010 

IMAGEM EM MEDICINA

 

Toxicidade miocárdica por doxorrubicina

 

 

Pai Ching Yu; Daniela Calderaro; Dimas Tadahiro Ikeoka; Léa Maria Macruz Ferreira Demarchi; Bruno Caramelli

Unidade Clínica de Medicina Interdisciplinar em Cardiologia - InCor - HCFMUSP, São Paulo, SP

 

 

 

Paciente de 58 anos, sexo feminino, com diagnóstico de linfoma de baixo grau foi submetida a quimioterapia (QT) com esquema CHOP que incluía doxorrubicina em 2002. Dois meses após a última dose de QT, a paciente queixou-se de cansaço e dispnéia aos esforços, sendo feito diagnóstico de insuficiência cardíaca e provável miocardiopatia por doxorrubicina. Ecocardiograma realizado na época constatava disfunção ventricular, de forma difusa, e fração de ejeção do ventrículo esquerdo igual a 40%.

A miocardiopatia dilatada por doxorrubicina tem incidência aproximada de 1,7% a partir do primeiro mês da última dose de quimioterápico recebido e usualmente é relacionada à dose acumulada (> 500mg por m2 ) do medicamento. Entre os fatores de risco para desenvolvimento de cardiomiopatia por doxorrubicina destaca-se a idade maior que 70 anos, quimioterapia combinada, radioterapia mediastinal (prévia ou concomitante), doença cardíaca prévia, hipertensão arterial sistêmica e doença hepática. O diagnóstico definitivo é realizado por meio de biópsia miocárdica com achado de lesões características da toxicidade miocárdica por doxorrubicina: perda de miofibrilas e vacuolização do citoplasma.

 

Referência

Singal PK, Iliskovic N. Doxorubicin-induced cardiomyopathy. N Eng J Med 1998; 339:900-5.