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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.52 no.4 São Paulo July./Aug. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302006000400004 

PANORAMA INTERNACIONAL
PEDIATRIA

 

Iodo radioativo no tratamento de portadores de doença de Graves

 

 

O iodo radioativo tem sido, há mais de 50 anos, usado no tratamento de adultos portadores de doença de Graves. Porém, este uso tem sido evitado em crianças e adolescentes por muitos endocrinologistas, com receio da possibilidade de aparecimento de leucemia e câncer da tireóide. Alguns autores detalharam os resultados do seguimento de 116 pacientes com menos de 20 anos de idade (3,7 a 19,9 anos) e que foram tratados com iodo radioativo.

No seguimento de cerca de 30 anos, nenhum caso de leucemia ou de câncer da tireóide foi registrado. No início, como o objetivo era alcançar um estado de eutireoidismo, as doses do iodo utilizadas eram muito baixas tornando, muitas vezes, necessário um novo tratamento. Posteriormente, foram utilizadas doses maiores, o que levou todos os pacientes a um quadro de hipotireoidismo, com exceção de dois deles. As pacientes que engravidaram não apresentaram aumento do número de anomalias congênitas nem abortos espontâneos, comparados à população geral. Estes resultados levaram os autores a concluir que o tratamento da doença de Graves com radioiodo mostrou-se seguro e eficaz a longo prazo.

Comentário

O receio dos efeitos adversos do radioiodo em crianças com doença de Graves faz com que muitos médicos prolonguem durante anos o tratamento medicamentoso da doença. O tratamento clínico pode mostrar-se desapontador, não levando à remissão da doença, ao lado do considerável número de efeitos colaterais provocados pelas drogas antitireoideanas. O tratamento cirúrgico, opção considerada boa quando nas mãos de um cirurgião hábil, tem um custo maior (cirurgia, cicatriz). Consideramos que um tratamento medicamentoso deve ser tentado, pois o quadro pode mostrar remissão em um ou dois anos. Se isso não ocorrer o radioiodo é uma boa opção pela experiência já registrada em um tratamento que tem uma história de mais de 50 anos.

 

Nuvarte Setian

 

Referência

Read CH, Tansey MJ, Menda Y. A 36 year retrospective analysis of the efficacy and safety of radioactive iodine in treating young Graves'patients. J Clin Endocrinol Metab 2004,89:4229-33.

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