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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.53 no.3 São Paulo May/June 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302007000300029 

PRÁTICA CLINICA

 

Apolipoproteínas B e A-I: fatores de risco cardiovascular?

 

Apolipoprotein B and A-I: cardiovascular risk factor?

 

 

Neusa Forti*; Jayme Diament

 

 


RESUMO

A apolipoproteína (apo) B faz parte das frações lipídicas aterogênicas (Qm e VLDL remanescentes, LDL,Lp (a)) e a apo A-I da fração não-aterogênica (HDL). A determinação dessas apos é direta, automatizada, padronizada, com coeficiente de variação pequeno e não requer jejum.
Os autores revisaram os principais estudos clinico-epidemiológicos e de intervenção terapêutica nas hiperlipidemias nos quais as apos B e A-I foram avaliadas.
Esses estudos sinalizaram a importância das apos B e A-I no prognóstico de risco e permitiram que especialistas recomendassem a relação apo B / apo A-I como alternativa à já utilizada CT / HDL-c no cálculo de risco.
Aguarda-se posicionamento futuro das Diretrizes para incluir as apos na avaliação do risco individual e objetivo terapêutico a ser atingido. Os autores sugerem que, na prática clínica, a determinação de apo B deve ser reservada ao coronariopatas com valores desejáveis de LDL-c ou na impossibilidade de seu cálculo e a de apo A-I, quando os valores de HDL-c são muito baixos.

Unitermos: Apolipoproteínas. Fator de risco. Doença cardiovascular.


SUMMARY

Apolipoprotein (apo) B is present in atherogenic lipoproteins (remnant Qm and VLDL, LDL and Lp (a)) and apo A is present in non-atherogenic lipoprotein (HDL). Measurement of the apos is automated, standardized, with a small variation of coefficient and does not require fasting blood samples.
The authors reviewed clinical, epidemiological and therapeutic trials on hyperlipidemia with apo B and A-I evaluation. These works showed the importance of apo B and A-I as cardiovascular risk factors. Experts recommended apo B / apo A-I ratio as an alternative to TC / HDL-c ratio for risk estimate.
Future positioning from the Guidelines is expected to include apos in individual risk prediction and as a therapeutic target. The authors suggest that, in clinical practice, measurement of apo B is necessary for coronary heart disease patients with desirable LDLc levels or when this assessment is not possible and the measurement of apo A-I if HDL-c values are very low.

Key words: Apolipoprotein. Risk factor. Cardiovascular disease.


 

 

INTRODUÇÃO

O risco de doença aterosclerótica pode ser avaliado pela presença de determinados fatores, destacando-se entre eles as concentrações sangüíneas elevadas do colesterol ligado às lipoproteínas de baixa densidade (LDL-c) e baixas do colesterol ligado às lipoproteínas de alta intensidade (HDL-c), hipertensão arterial, diabete melito, tabagismo, antecedentes familiares, obesidade, síndrome metabólica. Considerando os dois primeiros fatores mencionados, valores de corte foram estabelecidos pelas Diretrizes, não só para avaliar o risco mas também como alvo terapêutico1-2. Também, foram incorporados os valores da fração não HDL-c, representativa do total das partículas consideradas aterogênicas (somatória do colesterol contido em LDL, VLDL, IDL e Lp (a)), calculada pela diferença entre o colesterol total (CT) e HDL-c (fração considerada não aterogênica)1-3. O risco de doença aterosclerótica parece estar mais intimamente relacionado ao número de partículas aterogênicas circulantes que entram em contato e penetram na parede arterial e não à medida do colesterol contido naquelas frações lipoprotéicas3. Na ultima década, a atenção tem-se voltado para a determinação da concentração sangüínea das apoproteínas (apo) B e A-I, que, respectivamente, representam com mais propriedade o número das partículas aterogênicas ou não. Nesta publicação, serão abordados de modo sucinto, aspectos básicos referentes às apos e relevantes de estudos clínico-epidemiológicos e prospectivos de intervenção terapêutica nas hiperlipidemias que, em sua maioria, sinalizam para a importância da determinação das apos B e A-I para o prognóstico de risco da doença aterosclerólica.

Noções básicas

As apolipoproteínas (apo) são as proteínas constituintes das partículas lipoprotéicas responsáveis pela estabilização de sua estrutura e que têm diferentes funções no metabolismo lipídico. Foram identificadas as apos B, A, C, D, E, J, (a). O percentual e o tipo de apo divergem nas classes das lipoproteínas (Quadro I).

 

 

APO B3-6 – Apresenta-se sob duas formas: B-48 e B-100, diferenciadas pelo peso molecular. A apo B-48, sintetizada do intestino, é constituinte dos quilomicrons (Qm) e seus remanescentes (com potencial aterogênico) e metabolizada na circulação e no fígado. A apo B-100 é sintetizada no fígado, faz parte das principais frações lipoprotéicas consideradas aterogênicas (LDL, IDL, LDL pequenas e grandes), cujo conteúdo de colesterol é variável. Somente uma molécula de apo B-100 está presente em cada uma dessas frações. A apo B-100 é essencial para ligação das partículas de LDL aos receptores celulares, permitindo a entrada de LDL nas células; logo um excesso de apo B representa um fator desencadeante para o processo aterogênico. As atuais Diretrizes1-2 admitem, como já dissemos, a importância da fração não HDL-c na aterogênese. Os valores desta fração, determinada indiretamente, correlacionam-se significantemente aos de apo B: essa correlação varia de 0,87 a 0,926-9. Se levarmos em conta os valores dessa correlação, as variações de colesterol nas partículas constituintes de não HDL-c, a possibilidade de determinação direta da concentração sangüínea de apo B, o conteúdo de apo B em LDL, podemos inferir que a dosagem de apo B representa uma alternativa para a determinação de LDL-c e não HDL-c3.

Para determinar os valores sangüíneos de apo B, não é necessário jejum. São determinados por imunoturbidimetria ou nefelometria, método automatizado, com padronização pela Organização Mundial de Saúde e Federação Internacional de Química Clínica (WHO-IFCC), incluem a somatória de apo B-48 e apo B-10010. São desejáveis quando inferiores a 1,2 g/L4. O coeficiente de variação (precisão) é de 2,6%, semelhante ao de CT (< 3%) e menor que o de HDL-c (< 4%). A variação diária individual é de 5% a 7%, semelhante à de CT, inferior a de LDL-c e não HDL-c (9% )6.

APO A4 – Apresenta também duas formas: A-I e A-II. Ligam-se essencialmente às HDL. Estas, de acordo como conteúdo de apo A-I e A-II, são separadas em HDLA-I ou Lp AI (só possuem A-I) e HDL A-I: A-II ou Lp A-I: A-II (possuem A-I e A-II).

A apo A-I é sintetizada no fígado e no intestino, age como co-fator para a lecitina colesterol-aciltransferase (LCAT), é ligante para o cassete ABCA-I (transportador que promove o fluxo de colesterol livre e fosfolípides das células) e, portanto, está envolvida no transporte reverso do colesterol4,11-12. Experimentalmente, a apo A-II mostrou-se capaz de inibir a atividade das lipases hepática e lipoprotéica.

A determinação de apo A inclui A-I e A-II; na prática, determina-se somente a concentração de apo A-I, cujo método já está padronizado pela WHO-IFCC e não requer jejum13. Consideram-se indesejáveis os valores de apo A-I inferiores a 1,2 g/L em geral ou menores que 1,15 e 1,25 g/L, respectivamente, para homens e mulheres. O coeficiente de variação é de 2,4% (o de HDL-c é < 4,0%) e a variação diária individual é de 6,5%.

Relação APO B / APO A – I3,4,14 – Esta relação reflete, de modo simples, o balanço do transporte do colesterol. Algumas investigações clinico-epidemiológicas a apontam como determinante de risco de aterosclerose. Consideram-se como de risco valores superiores a 0,9 no homem e 0,8 na mulher.

Demais APOS4 – As outras apos não são determinadas na rotina clínica e laboratorial. A apo C inclui as formas C-I, C-II, C-III e C-IV. A apo C-I inibe a captura de VLDL pelos receptores hepáticos, inibe a CETP e interfere na captura de ácidos graxos; a apo C-II ativa a lipase lipoprotéica; a apo C-III inibe a lipólise das lipoproteínas ricas em triglicérides (TG) e a apo C-IV está envolvida na regulação da absorção dos lípides. A apo E, cujo gen é polimórfico, tem ação protetora em relação à aterogênese por mecanismos não suficientemente esclarecidos. Engloba três subtipos: apo E2, apo E3 e apo E4. O alelo E4 tem efeito pró-aterogênico. A apo D associa-se a HDL e seu papel não está ainda esclarecido. A apo (a) entra na formação da Lp (a) e compete com o plasminogênio por sítios de ligação a células endoteliais.

Estudos clinico-epidemiológicos

Valores de apo B, apo A-I e da relação apo B/apo A-I foram objeto de diversos estudos clínico-epidemiológicos que visavam a avaliação do risco de doença aterosclerótica coronariana (DAC). Serão abordados os mais relevantes.15-28

Bogalusa Heart Study15 – Em crianças cujos pais foram acometidos por infarto do miocárdio, Freedman et al. verificaram taxas sanguíneas maiores de apo B, menores de apo A-I e maiores da relação apo B/apo A-I, embora os níveis de LDL-c e HDL-c estivessem dentro dos limites da normalidade.

Québec Cardiovascular Study16-17 – Neste estudo, foram seguidos 2.155 homens, de 45 a 76 anos (em média 56,5), durante cinco anos, com a finalidade de avaliar os fatores relacionados ao aparecimento de sinais clínicos de doença cardíaca isquêmica-DCI (angina aos esforços , infarto do miocárdio não fatal, morte por DAC). Foram avaliados a idade, a pressão arterial sistólica, a presença de diabete melito e de tabagismo, CT e TG (por auto-analyser), LDL-c (pela equação de Friedewald), apo B e apo A-I por imunoeletroforese. O valor inicial mediano de apo B foi igual a 116 mg/dL e o da relação CT/HDL-c foi igual a 5,65. Após cinco anos, o aumento da concentração plasmática de CT e o de apo B mostraram-se significantemente associados ao desencadear de DCI (risco relativo (RR)=1,46 e 1,44 respectivamente), independentemente de outras variáveis (idade, tabagismo, diabete melito, hipertensão arterial) mesmo após ajustes para TG, HDL-c e CT/HDL-c. O mesmo não ocorreu em relação às taxas de apo A-I e HDL-c: o risco não diminui significantemente com a elevação dessas taxas (RR=0,85 e 0,97 respectivamente). Mas, a probabilidade de sobrevida sem DCI foi maior no tercil inferior de apo B (significantemente) e no superior de apo A-I (não significante). Ficou demonstrada também, neste estudo, a falta de interação aditiva apo B e CT/ HDL-c: para o valor mediano de CT/HDL-c inferior a 5,65, os valores de apo B elevados (acima de 116 mg/dL) aumentaram o risco; entretanto, para CT/HDL-c superior a 5,65, o risco relativo aumentava significantemente, independentemente dos níveis de apo B. Após 13 anos de seguimento, 230 dentre 2.072 homens que iniciaram o estudo tiveram IM não fatal ou morte coronariana. Comparando o tercil mais elevado ao mais baixo, o risco relativo para eventos isquêmicos foi igual a 1,89 para apo B (após ajustes para fatores lipídicos e não lipídicos) e de 2,02 para LDL-c (independentemente de outros fatores lipídicos ou não). A associação de valores de apo B > 128 mg/dL e LDL-c > 166 mg/dL aumentou o risco relativo duas vezes, ao passo que a associação de apo B < 128 mg/dL e LDL-c > 166 mg/dL aumentou 1,53. A curva ROC (Receiver Operating Characteristic, estima a habilidade discriminativa para o primeiro evento em 10 anos) indicou que os níveis plasmáticos de apo B são melhores preditores para DAC em pacientes com altas taxas de LDL-c (área sob a curva =58% para apo B e 53,5% para LDL-c).

European Concerted Action on Thrombosis and Disabilities (ECAT) Angina Pectoris Study18 – Envolveu três mil anginosos, seguidos por dois anos. Taxas baixas de HDL-c e de apo A-I mostraram ser mais fortes preditoras para infarto do miocárdio independentemente de outros valores lipídicos e de outros fatores de risco. Ocorreu também associação significativa entre o aumento de apo B e eventos coronarianos, mas não independente de HDL-c.

Apolipoprotein-related Mortality Risk Study (AMORIS)19-22 – Realizado na Suécia, este amplo estudo foi delineado para verificar: 1) o poder de apo B, apo A-I e da relação apo B/apo A-I para prever IM fatal ou morte súbita; 2) se esse poder é superior ao de CT, TG e LDL-c. Dele participaram 175.553 indivíduos, sendo 98.772 homens (em média = 47,1 anos), e 76.831 mulheres (em média 49,5 anos), seguidos respectivamente por 66,8 e 64,4 meses. No tratamento estatístico por análise univariada, os valores aumentados de apo B, de apo B/apo A-I e os baixos de apo A-I mostraram-se altamente preditores para o risco de IM fatal ou morte súbita. Por análise multivariada (ajuste para a idade, CT e TG), valores mostraram ainda ser mais fortes que LDL-c, CT e TG. Quando comparados os quartis mais elevados aos mais baixos, o risco relacionado a apo B aumentou três vezes, a apo B/apo A-I aumentou quatro vezes no homem e três vezes na mulher; relacionado a apo A-I reduziu-se em 50%. Esses resultados foram semelhantes em homens e mulheres, tanto abaixo como acima dos 70 anos. Em homens e mulheres com idade superior a 40 anos e LDL-c<115,8 mg/dL, o risco relativo (comparando o tercil mais elevado ao mais baixo), aumentou de modo significativo para apo B/apo A-I (2,67x), para TG (2,56x) e não significativo para LDL-c (1,26x).

No seguimento de 98 meses de indivíduos com idade acima de 40 anos, 1.183 homens (dentre os 69.030) e 560 mulheres (dentre 57.168) morreram por IM. O risco de IM fatal mostrou-se forte e diretamente associado a aumento de apo B/apo A-I e de apo B e inversamente associado ao aumento de apo A-I. A relação apo B/apo A-I foi superior a outras relações lipídicas (LDL/HDL-c, não HDL-c/HDL-c) e ainda mais evidente se LDL-c<140 mg/dL20. E, no segmento de 10,3 anos, taxas aumentadas apo B/apo A-I e também de apo B e diminuídas de apo A-I foram preditivas para acidente vascular cerebral, principalmente para o de natureza isquêmica21.

O aumento da relação LDL-c/apo B reflete a presença de LDL grandes, ao passo que a sua diminuição sinaliza para LDL pequenas, de maior importância na aterogênese. No acompanhamento de 10 anos do estudo AMORIS, ficou evidente a relação inversa entre o risco de IM fatal e LDL-c/apo B, após ajuste para idade e sexo. O risco relativo para LDL-c/apo B foi 0,93, para apo B=1,34 (aumento de 34% do risco) e para apo B/apo A-I foi 1,41 (aumento de 41% do risco). Esses resultados evidenciaram que o tamanho de LDL não adicionou informação maior que o da relação apo B/apo A-I e permitem inferir que a determinação de apo A-I melhora o poder preditivo.

The Atherosclerotic Risk in Communities study (ARIC)23 – O risco para DAC (morte por DAC, IM silencioso ou não, procedimentos de revascularização), foi avaliado em acompanhamento de 10 anos em 12.339 indivíduos, de 45 a 64 anos. Comparando o quintil mais elevado ao mais baixo, o risco relativo foi, em homens e mulheres respectivamente para LDL-c 2,5 e 2,7, para apo B 2,4 e 2,8, HDL-c 0,36 e 0,16, apo A-I 0,50 e 0,38. A apo B não foi preditor independente para o risco de DAC, com a ressalva de que o método empregado para sua determinação não foi padronizado e o coeficiente de variação foi alto.

Northwick Park Study24 – Este estudo foi delineado inicialmente para avaliar o risco de DAC relacionado a fatores hemostáticos. Foram seguidos 2.508 homens, sem DAC, de 50 a 61 anos, durante seis anos, para verificar o risco de DAC (IM silencioso ou não, de procedimentos de revascularização miocárdica). Após seis anos ocorreram 163 desses eventos. Comparando o quartil mais elevado ao mais baixo, o risco relativo de DAC foi 2,90 para apo B 0,52 para apo A-I, 3,58 para apo B/apo A-I, 2,15 para TG, 2,56 para CT, 2,67 para LDL-c, 0,42 para HDL-c, 4,05 para apo B+TG e 8,38 para apo B + HDL-c. Na análise multivariada, o aumento de apo A-I não diminuiu o risco relativo. Esta investigação mostrou que a relação apo B/apo A-I e associação apo B + HDL-c são mais importantes que a apo B isoladamente para o prognóstico de risco.

Monica/Kora Augsburg Study25 (Monitoring of Trends and Determinants in Cardiovascular Disease, Cooperative Research in the Region of Augsburg) – Neste estudo de coorte, foram acompanhados por 13 anos, cidadãos alemães, sendo 1.414 homens e 1.436 mulheres, de 35 a 64 anos, para avaliar o risco de IM fatal e não fatal e morte súbita. Ocorreram 114 eventos (53 fatais e 61 não fatais) nos homens e 31 (18 fatais, 13 não fatais) nas mulheres. Valores aumentados de CT, de CT/HDL-c, apo B, apo B/apo A-I associaram-se a maior risco, e os de HDL-c e de apo A-I a menor risco. A associação do risco com outros fatores, como diabete melito, hipertensão arterial, obesidade, tabagismo e idade também foi encontrada. A relação apo B/apo A-I e apo B constituíram fatores preditores, tanto na análise um como na multivariada, ao passo que a apo A-I não foi significante. A análise das curvas ROC não mostrou diferenças das relações CT/HDL-c e apo B/apo A-I, quer em homens quer em mulheres (área sob a curva em homens, respectivamente 0,65 e 0,64 e em mulheres 0,76 e 0,74). Houve semelhança quanto à sensibilidade e especificidade da relação apo B/apo A-I com a relação CT/HDL-c, indicando valor prognóstico análogo.

InterHeart Study26 – Estudo caso-controle objetivou avaliar nove fatores de risco para aterosclerose em 262 centros cardiológicos, distribuídos em 52 países, inclusive no Brasil. Envolveu 15.152 pacientes (em média = 58 anos) hospitalizados por episódio de IM pela primeira vez e 14.820 indivíduos controles, pareados para idade e sexo. A relação apo B/apo A-I foi o índice considerado para indicar anormalidade lipídica, sua mediana foi 0,85 nos pacientes e 0,80 nos controles. A OR (Odds ratio) para o aumento de apo B/ apo A-I foi 3,25, constituindo o mais importante fator de risco em todas as regiões (tabagismo 2,87, diabete 2,37, hipertensão 1,91, adiposidade abdominal 1,12, fatores psico-sociais 2,67, consumo diário de frutas e vegetais 0,70, consumo regular de álcool 0,91 e atividade física regular 0,86). Comparando o último decil de apo B/apo A-I ao primeiro decil, a OR alcançou o valor de 4,73. E, quando associados o apo B/apo A-I (no último quintil) ao tabagismo, diabete, hipertensão, a OR atingiu 42,3. As associações foram semelhantes em homens e mulheres, velhos e jovens, em todas as etnias e regiões. No conjunto, os nove fatores de risco analisados foram responsáveis por 90% do PAR (risco atribuído a população) no homem e 94% na mulher. Apesar das limitações do estudo (desenho caso-controle, realizado somente em hospitalizados, com pequeno número apresentando oito ou nove fatores de risco, avaliação pouco precisa de alguns fatores, como história de diabete melito e hipertensão arterial), os resultados permitem admitir que os métodos de prevenção devem ser semelhantes em todo o mundo e que a relação apo B/apo A-I pode ser considerada como o mais importante fator de risco, o melhor marcador do balanço das lipoproteínas aterogênicas e não-aterogênicas.

Health Professionals Follow – up study27 – O objetivo deste trabalho foi comparar apo B, não HDL-c e outros fatores lipídicos como preditores de doença coronária (IM fatal e não fatal). Envolveu 18.255 homens, sadios de 40 a 75 anos, acompanhados por seis anos; 266 apresentaram o evento. Comparando o quintil mais elevado ao mais baixo, o RR foi para não HDL-c=2,76 (após ajustes para idade, tabagismo e mês da coleta de sangue, passou para 0,70 não significativo) apo B=3,01 (após ajuste 4,18); LDL-c=1,81, HDL-c =0,31, TG=2,41, Lp(a) =1,42). Considerando os tercis de HDL-c (< 39,4, 39,4 - 49,1, > 49,2 mg/dL), de apo B (< 81,6, 81,6-100,6, > 100,7 mg/dL) e de não HDL-c (< 139,6, 139,6 - 171,3, > 171,4 mg/dL), os autores verificaram que: 1) em cada tercil de HDL-c, o risco aumenta com o aumento do tercil de apo B; 2) em cada tercil de apo B, o risco diminuiu com o aumento do tercil de HDL-c; 3) em cada tercil de não HDL-c, o risco aumenta com o tercil de apo B; 4) em cada tercil de apo B, o risco não aumenta com o aumento do tercil de não HDL-c. Concluiu-se que apo B e não HDL-c são mais fortes preditores que LDL-c, mas apo B é ainda mais forte que não HDL-c.

Women's Health Study28 – Neste estudo prospectivo de coorte, foram acompanhados por dez anos, 15.632 mulheres sadias, de 48 a 59 anos (aproximadamente = 54,4 anos), não submetidas à terapêutica de reposição hormonal no período basal, com o objetivo de avaliar o risco de doença cardiovascular. As determinações das taxas lipídicas e de apo foram realizadas uma só vez em sangue estocado e a dosagem de LDL-c foi por método direto. Foram obtidas as seguintes correlações (r de Pearson): LDL-c/apo B -100 = 0,81; LDL-c não HDL-c = 0,92; LDL-c/CT = 0,91; HDL-c/ apo A-I = 0,80; CT/ não HDL-c = 0,94; não HDL-c/ apo B - 100 = 0,87. A análise estatística expressa pelo HR (hazard-ratio), após ajustes para outros fatores de risco como idade, tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, índice de massa, mostrou no quintil superior os seguintes resultados: LDLc = 1,62; apo A-I = 1,75; CT = 2,08; HDL-c = 2,32; apo B-100 = 2,50; não HDL-c = 2,51; proteína C Reativa (PCR)= 2,98; apo B/apo A-I = 3,01; LDL-c/HDL-c = 3,18; apo B-100/HDL-c = 3,56; CT/HDL-c = 3,81. Como se pode apreciar, não HDL-c foi preditor semelhante a apo B-100, mas a relação CT/HDL-c foi melhor que a relação apo B-100/ apo A-I. Por outro lado, a PCR após ajustes adicionou informação prognóstica às medidas lipídicas tradicionais.

Outros estudos - No Health Professionals Follow-up Study, participaram 746 homens diabéticos, de 46 a 81 anos, dos quais 103 apresentaram angina, IM, AVC ou foram submetidos à revascularização miocárdica ao final de seis anos; entre os fatores de risco estudados encontravam-se o LDL-c, apo B, não HDL-c e a relação CT/HDL-c. Comparando o quartil mais elevado ao mais baixo, o RR para os eventos citados foi semelhante para apo B e não HDL-c (respectivamente 2,31 e 2,34), porém mais elevados que o de LDL-c (1,74). Pela curva ROC, verificou-se que apo B e não HDL-c são melhores preditores que LDL-c (área sob a curva respectivamente 0,691, 0,695 e 0,685), mas o melhor prognóstico foi atribuído à relação CT/HDL-c (área sob a curva= 0,722)29.

No Insulin-Resistance Atherosclerosis Study (IRAS), foram incluídos 1.522 indivíduos (719 homens, 905 mulheres), de 40 a 69 anos, 712 euglicêmicos, 353 intolerantes a glicose, 559 diabéticos. O grupo de participantes com o aumento de apo B, mas com LDL-c normal, comparado ao grupo com apo B normal e LDL-c aumentada, apresentou maior freqüência de obesidade abdominal, dislipidemia, resistência à insulina e trombose. Ficou evidenciada a associação entre valores de apo B elevados a outros fatores de risco. Também a apo B mostrou-se mais fortemente associada àqueles fatores de risco de que não HDL-c no grupo com síndrome metabólica30-31.

Lind et al., em 1.826 homens, examinados aos 50 anos, seguimento mediano de 26,8 anos, verificaram que síndrome metabólica e a relação apo B/apo A-I foram independentes preditores para IM (HR=1,48 e 1,69 respectivamente), após ajustes para LDL-c e tabagismo32.

Estudos de intervenção terapêutica

A importância das apos para a avaliação do risco para aterosclerose também foi observada em estudos, de longo prazo, de intervenção terapêutica nas dislipidemias, embora não tenham sido delineados para tal3-5,33.

No estudo de prevenção primária de DAC, AFCAPS/Tex CAPS (Air Force/ Texas Coronary Atherosclerosis Prevention Study), foram considerados preditores para um primeiro evento: 1) no período basal, apo B, apo A-I, apo B/apo A-I, LDL-c/HDL-c, CT/HDL-c, HDL-c. Para cada aumento de 0,25 na relação apo B/apo A-1, o risco aumentou 36%; 2) após um ano, tanto no grupo placebo como no tratado com lovastatina (20-40 mg/dia), apo B, apo A-I e apo B/apo A-I. A mais forte relação foi a de apo B/ apo A-I33. No 4S (Scandinavian Simvastatin Survival Study, estudo de prevenção secundária), a apo B e LDL-c foram preditores, após um ano, tanto grupo placebo como no tratado com sinvastatina. No LIPID (Long-Term Intervention with Pravastatin in Ischemic Disease), outro estudo de prevenção secundária, após um ano, a apo B/apo A-I foi mais forte preditora de eventos do que CT/HDLc, nos grupos placebo e tratado com pravastatina35. Em investigação mais curta e com menor número de dislipidêmicos, também se verificou a importância das apo. No Familial Atherosclerosis Treatment Study (FATS)36, a diminuição das taxas sangüíneas de apo B, induzida pelo tratamento com lovastatina, colestipol e niacina, mostrou-se associada a menor progressão e maior regressão das lesões coronarianas e diminuição de eventos coronarianos.

Em 675 homens (em média = 64,2 anos) e 173 mulheres (em média = 66,9 anos) com DAC comprovada por angiografia, seguidos por três anos, as vastatinas levaram à diminuição em média de 30% de CT. Foram considerados preditivos para IM e/ou mortalidade total: apo A-I nos homens e nas mulheres, apo B e relação apo B/apo A-I no conjunto, HDL-c só nas mulheres; CT e TG não foram preditores37.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A determinação da concentração sangüínea das apos é direta, já está padronizada, o coeficiente de variação é pequeno e não requer jejum. Independente do tamanho e conteúdo lipídico, há uma molécula de apo para cada lipoproteína. Os resultados de estudos clinico-epidemiológicos e de intervenção terapêutica nas dislipidemias apontam para a importância da determinação de apos B e da relação apo B/apo A-I para o prognóstico de risco. Diante do anteriormente citado, discute-se se os valores das apo devem ser considerados na avaliação do risco individual e como objetivo terapêutico. Nesse sentido, já existe uma proposta para modificação da diretriz americana38-40, incluindo os valores de apo B a serem atingidos de acordo com a categoria de risco (Quadro 2).

 

 

Recentemente, 30 especialistas de 10 países assumiram que: 1) a relação apo B/ apo A-I pode ser aceita como alternativa a CT/HDL-c para calcular o risco de aterosclerose; 2) valores-alvo de apo B podem ser adotados como alternativa aos de LDL-c ou não HDL-c3.

Na rotina clínica, o cálculo da concentração plasmática de LDL-c, apesar de requerer jejum, tem-se mostrado, na imensa maioria dos pacientes, suficiente para a estratificação do risco, orientação terapêutica e objetivo a ser atingido. E, a nosso ver, na prática, a determinação de apo B deve ser reservada àqueles pacientes com valores desejáveis de LDL-c ou na impossibilidade de seu cálculo e a de apo A-I, somente quando os valores de HDL-c forem muito baixos. Apesar do esforço de educação nos últimos anos, as metas preconizadas ainda não são atingidas a contento, quer quanto ao valor dos parâmetros lipídicos, quer quanto ao percentual de médicos que têm demonstrado interesse e adesão ao programa. Paralelamente, atenção maior para as taxas de não HDL-c ainda está por ser incrementada, apesar de os estudos salientarem a relevância desse parâmetro. É nosso pensamento que a incorporação de apo B nas próximas diretrizes poderá acarretar dispersão na atuação dos clínicos, trazendo prejuízo ao tratamento adequado, além do custo operacional de tal determinação.

Conflito de interesse: não há

 

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Artigo recebido: 09/11/06
Aceito para publicação: 04/12/06

 

 

Trabalho realizado pela Disciplina de Cardiologia FMUSP - Instituto do Coração HCFMUSP
* Correspondência R. Fernão Dias, 98 ap.81 Cep: 05427-000 São Paulo SP nforti@incor.usp.br