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Revista da Associação Médica Brasileira

versão impressa ISSN 0104-4230versão On-line ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. v.54 n.1 São Paulo jan./fev. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302008000100004 

PANORAMA INTERNACIONAL
CLÍNICA CIRÚRGICA

 

Esfincterotomia química no tratamento da fissura anal

 

 

Elias Jirjoss Ilias; Paulo Kassab

 

 

Aproximadamente 90% das fissuras anais cicatrizam espontaneamente. As fissuras crônicas representam cerca de 40% do total de fissuras e têm tratamento mais complexo. Os sintomas e sinais principais são a dor e o sangramento nas evacuações.

O tratamento clássico é a esfincterotomia cirúrgica, no entanto, outros tipos de tratamento têm surgido nos últimos anos, principalmente medicamentos de uso local, como citaremos a seguir.

A nitroglicerina local causa um relaxamento de 25% a 30% no esfíncter anal e tem poucos efeitos colaterais, como a cefaléia em 20% a 30% dos pacientes, que pode levar a descontinuidade do tratamento.

Os bloqueadores dos canais de cálcio, como o diltiazen e a nifedipina, podem ser usados topicamente ou oralmente com bons resultados, porém o uso tópico apresenta menos efeitos colaterais. Os resultados são semelhantes ao da nitroglicerina, mas seus efeitos colaterais são menores.

A toxina botulina em injeção esfincteriana tem resultado semelhante ao da nitroglicerina, no entanto seu efeito fugaz e seu alto custo limitam o uso rotineiro. Existem também controvérsias quanto o local de sua aplicação na região anal.

Concluindo, o tratamento da fissura anal pode ser iniciado com dieta rica em fibras, anestésicos locais e um medicamento como a nitroglicerina ou um bloqueador de canal de cálcio tópico. Caso não haja melhora com este tratamento, o uso da toxina botulinica em injeção local pode ser tentado. O tratamento cirúrgico pode ser reservado aos pacientes que não respondam ao tratamento conservador, ou aos indisciplinados, que não conseguem seguir as orientações médicas para uso de medicamentos a longo prazo.

 

Comentário

Nos últimos anos houve grandes progressos no tratamento das fissuras anais, principalmente as crônicas. Sempre aprendemos que o tratamento de eleição nas fissuras crônicas era o cirúrgico com a esfincterotomia. As substâncias vasodilatadoras e o Botox em uso local nas fissuras trouxe uma grande colaboração no seu tratamento, principalmente pelo uso ambulatorial e pelo baixo custo com baixa morbidade. Acreditamos que o tratamento com estes medicamentos locais deva ser a primeira opção, reservando-se o tratamento cirúrgico para os casos não responsivos à terapia medicamentosa.

 

Referência

MacLean A. Chemical sphincterotomy in the treatment of anal fissure. J Gastrointest Surg. 2006;10(5):629-30.        [ Links ]

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