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Revista da Associação Médica Brasileira

versão impressa ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. v.54 n.3 São Paulo maio/jun. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302008000300015 

ARTIGO ORIGINAL

 

Consumo de medicamentos e internet: análise crítica de uma comunidade virtual

 

Medicine consumption and the internet: critical evaluation of a virtual community

 

 

João Fábio R. de Souza*; Carmem L. C. Marinho; Maria Cristina R. Guilam

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Discute-se a promoção do uso de medicamentos na mídia a partir da análise dos diálogos de uma comunidade virtual, cujos participantes utilizam a substância benzidamina em altas dosagens, em busca de seus efeitos adversos.
MÉTODOS: Privilegiou-se uma abordagem qualitativa em que, através da técnica de análise de conteúdo, os comentários de um grupo reunido em um Serviço de Rede Social (SRS), disponível na rede mundial de computadores (internet), foram analisados. Dados de 385 participantes foram reunidos e utilizados para a identificação do perfil dos indivíduos.
RESULTADOS: O perfil encontrado foi de jovens entre 18 e 20 anos, predominantemente do sexo masculino e com escolaridade média. Verificou-se a partir da análise dos comentários, uma tendência ao consumo de 16 a 20 drágeas do medicamento, acompanhadas ou não de álcool, com o predomínio dos seguintes efeitos: alucinações visuais, insônia e distúrbios gastrointestinais. Pôde-se identificar nos diálogos, duas correntes: uma, que incentiva seu uso não-terapêutico e outra, que o desaconselha.
CONCLUSÃO: Uma comunidade virtual organizada em torno da discussão de uso não-terapêutico de um medicamento pode contribuir para a sua promoção, principalmente em jovens. Tal fato reforça a necessidade de maiores campanhas de alerta sobre a automedicação e o cumprimento das leis sanitárias pelas farmácias e drogarias.

Unitermos: Automedicação. Droga ilícitas. Internet. Uso de medicamentos.


SUMMARY

OBJECTIVE: Discuss the promotion of medicines in the media by the analysis of dialogs from a virtual community, whose members use benzydamine in high doses seeking the collateral effects.
METHODS: Opinions from a group in a Social Network Service (SNS) available in the internet were evaluated by the Analysis of Content Technique, whereas data from 385 members from this group were used to identify a profile of the individuals.
RESULTS: The profile found was male, age between 18 and 20 years and in high school. Analysis of opinions revealed the consumption of 16 to 20 tablets of the medicine, sometimes along with alcohol and the occurrence of the following symptoms: visual hallucinations, insomnia and gastrointestinal effects. In the dialogs, two discourses were identified: one recommends this non-therapeutic use and the other tries to dissuade individuals from using it.
CONCLUSION: A virtual community organized to discuss a non-therapeutic use of a medicine may contribute to its use. This fact reaffirms the necessity of a major campaign to alert individuals about the dangers of self-medication and also the importance of pharmacies and drugstores to comply with the sanitary legislation.

Key words: Self-medication. Street drugs. Internet. Drug utilization.


 

INTRODUÇÃO

Este estudo teve como proposta discutir a promoção do uso de medicamentos na mídia a partir da análise dos diálogos de uma comunidade virtual. Reunida através de um Serviço de Rede Social (SRS) disponível na internet, um grupo discute os efeitos do uso do medicamento Benflogin em altas dosagens.

O uso indiscriminado e indevido de medicamentos constitui um grave problema de saúde pública, principalmente nos casos de automedicação, ou seja, na ausência de prescrição médica. Por ser esta uma atribuição técnica e legal do profissional médico, qualquer indivíduo que aconselhe a utilização de um fármaco incorre em exercício ilegal da medicina, crime previsto no Código Penal (1940), em seu artigo 2821. Da mesma forma, a reutilização de receitas antigas pode ser caracterizada como automedicação, uma vez que o medicamento em questão pode não ser necessariamente de uso continuado2.

Como em outros países, no Brasil a automedicação é uma prática amplamente difundida3,4. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA) estimam que na década de 90 aproximadamente 80 milhões de pessoas no país eram adeptas da automedicação5.

A automedicação, assim como a prescrição errônea, pode resultar em efeitos indesejáveis, desde o mascaramento de doenças em evolução até o surgimento de enfermidades iatrogênicas. No Brasil, onde a maioria da população possui baixa escolaridade e pouco acesso à informação com relação ao uso correto de medicamentos, a prática torna-se particularmente perigosa4.

Outra preocupação sobre o uso inadequado de medicamentos corresponde ao aumento da resistência microbiana aos antibióticos6. Estima-se que dois terços das vendas de antibióticos tenham se originado da automedicação7, embora os médicos também prescrevam antibióticos desnecessariamente, como nos casos de infecções virais do trato respiratório superior6.

Figuram entre as causas do uso indiscriminado de medicamentos entre a população, sobretudo a automedicação, a multiplicidade de produtos farmacêuticos no mercado e sua maciça publicidade; a dificuldade de acesso da população de baixa renda aos serviços médicos; as tímidas campanhas de conscientização sobre os possíveis agravos à saúde resultantes desta prática, assim como a possibilidade de obter informações sobre medicamentos através dos meios de comunicação, particularmente, da internet3.

Vilarino et al.8 defendem que, uma vez que a automedicação dificilmente poderá ser eliminada, "... é necessário que a sociedade se adapte, recebendo informação científica sobre os medicamentos de venda livre, sem estímulo ao consumo desenfreado ou ao mito de cura milagrosa, ao mesmo tempo em que seja incentivada a procura do profissional médico, revelando os pontos positivos que uma consulta médica pode ter em relação à automedicação."

Discutem-se alguns benefícios potenciais da automedicação para o sistema de saúde, ao reduzir os atendimentos médicos desnecessários3, o que pode ser especialmente importante nos países em desenvolvimento, como o Brasil, por complementar os serviços de saúde4. Nos países desenvolvidos, a automedicação vem sendo utilizada experimentalmente por meio de programas institucionais que objetivam fornecer maior autonomia ao paciente9.

Alguns autores defendem a internet como meio para a divulgação de informações relativas à saúde9,10,11, propiciando ao indivíduo uma maior iniciativa em termos de autocuidado. Tal possibilidade beneficiaria, particularmente, indivíduos com doenças estigmatizadas, como depressão e doenças sexualmente transmissíveis, que na ausência de um possível constrangimento e por intermédio do anonimato, privacidade e conveniência que a internet proporciona, podem obter informações sobre seus sintomas, motivando-os a buscar tratamento médico12.

Entretanto, a internet exerce um papel considerável na promoção do uso indiscriminado de medicamentos. Castiel e Vasconcellos-Silva13 manifestam esta preocupação com a seguinte indagação: "Como lidar com a possibilidade de estímulo à automedicação e a suposta proliferação de "cybercondríacos". Para esta pergunta ainda não existe uma resposta definitiva, contudo, as facilidades trazidas pelas farmácias on line e pelos "no prescription web sites" (NPWs), em que é possível comprar medicamentos controlados sem prescrição, conferem à internet um papel facilitador para a automedicação14,15.

A informação encontrada em sites e grupos de discussão, principalmente aqueles destinados a discutir doenças, é a principal responsável pela promoção da automedicação na internet. Muitas vezes, informações como indicação e posologia estão disponíveis, permitindo que um indivíduo inicie um tratamento sem uma prévia consulta ao médico e o correto diagnóstico14.

Crocco et al.16 enumeram conseqüências a que se expõem tais indivíduos, como danos à saúde, efeitos adversos e agravamento de doenças, falsas esperanças ou ansiedade em relação ao prognóstico da doença e compra desnecessária de medicamentos. Outras vezes, as informações sobre os riscos dos medicamentos e efeitos colaterais estão sonegadas ou subestimadas nos sites, recaindo sobre o consumidor o julgamento se a informação é de qualidade e confiável, o que para um indivíduo sem conhecimento técnico torna-se difícil14,17.

Na tentativa de coibir práticas deste tipo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)18 publicou em 30 de novembro de 2000 a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 102, que em seu artigo 10, inciso I e V proíbe, respectivamente, o estímulo ao uso indiscriminado de medicamentos e a alegação da ausência de efeitos colaterais ou contra-indicações na propaganda e publicidade de medicamentos de venda sem exigência de prescrição destinada ao público em geral. O artigo 13 da referida RDC restringe ainda a publicidade de medicamentos de venda sob prescrição aos meios de comunicação destinados exclusivamente aos profissionais de saúde habilitados a prescrever ou dispensá-los. Ressalte-se, no entanto, que tal regulamentação não proíbe a veiculação de propaganda de medicamentos sem exigência de prescrição nos diversos tipos de mídia. De acordo com Nascimento et al.19, grande parte dos recursos destinados ao marketing são empregados na veiculação de propagandas em rádio, mídia impressa, redes de televisão, inclusive com a participação de artistas e atletas famosos que, pelo padrão de beleza, aparente confiabilidade ou desempenho físico existentes, podem induzir o consumo do medicamento anunciado por eles.

Segundo a organização Consumers International20, com o desenvolvimento e expansão da internet, surgiram novas estratégias de marketing, adotadas pela indústria farmacêutica, como grupos de chat e páginas de informação sobre doenças, que promoveriam seus medicamentos. Atenta a essa possibilidade, a ANVISA18 , por meio da RDC mencionada anteriormente restringiu, em seu artigo 5º, a publicidade na internet de medicamentos com exigência de prescrição a profissionais habilitados em prescrever e dispensar medicamentos por meio de acesso exclusivo.

Serviços de Rede Social

O conceito de comunidade sofreu profundas alterações desde os primeiros estudos sociológicos, datados do século XIX. Inicialmente, a comunidade era relacionada a aspectos familiares e emocionais, delimitada por um espaço físico21. Com o desenvolvimento tecnológico das comunicações, particularmente com o advento da internet, a interação entre indivíduos não requer mais um local específico, podendo ocorrer no mundo virtual22.

As relações entre pessoas e grupos numa comunidade virtual constituem as redes sociais que, esquematicamente, podem ser vistas como "nós", constituídos por indivíduos e seus laços23. Para Tomaél et al.24, tais redes são estratégicas para o compartilhamento de informações entre os indivíduos.

Embora existam na literatura diversas definições para "comunidades virtuais", verifica-se a seguinte congruência: consistem de indivíduos que estabelecem entre si uma conexão através da internet21. Acompanhando o desenvolvimento da internet, diversas tecnologias e infra-estruturas fomentaram a criação de tais comunidades, destacando-se entre elas as listas de correio eletrônico e as salas de bate-papo23.

A criação da primeira comunidade virtual data da década de 70, quando a internet foi concebida como uma ferramenta estratégica de comunicação militar. Posteriormente, passou a ser utilizada para troca de informações entre os centros de pesquisa nas universidades e somente em 1992, quando surgiu a World Wide Web (WWW) e uma interface gráfica que facilitou o seu uso, é que a internet experimentou um crescimento exponencial21,25. Embora no Brasil as primeiras conexões tenham surgido em 1987, só a partir de 1995, com seu uso público e comercial regulamentado, é que a internet obteve crescimento mais significativo26.

A popularidade da internet como um meio de interação social ampliou-se com o surgimento de ferramentas de comunicação, como e-mail, listas de discussão, weblogs ou simplesmente blogs, comunicadores instantâneos e os Serviços de Rede Social (SRS), que podem reunir em sua interface todas essas ferramentas24,25. Os SRSs oferecem inúmeras possibilidades comerciais, atraindo crescente atenção das empresas, que podem coletar informações a respeito das preferências do usuário, direcionando sua propaganda de acordo com esse perfil, ou receber um feedback de seus produtos através de comunidades criadas para discuti-los22.

Tais serviços integram os indivíduos de acordo com interesses afins, como esportes, hobbies e culinária, podendo, no entanto, reuni-los em torno de pornografia infantil, aliciamento de menores, promoção de intolerância religiosa, racismo, homofobia ou neo-nazismo, apologia e incitação a crimes contra a vida e à crueldade com animais. Conseqüentemente, no Brasil, têm atraído a atenção do Ministério Público e de entidades ligadas à proteção dos Direitos Humanos na internet, que recebem e encaminham às autoridades competentes denúncias de comunidades ou de indivíduos que adotem tais condutas. Prática igualmente criminosa é o uso dos SRSs para venda e apologia ao uso de drogas, tanto aquelas de caráter ilícito como também de plantas e medicamentos27.

Para este estudo, selecionou-se uma comunidade reunida em torno da discussão dos efeitos adversos do medicamento denominado Benflogin, cujo princípio ativo é a benzidamina, um antiinflamatório não-esteroidal, indicado nos processos inflamatórios e dolorosos. A benzidamina é utilizada em diversas especialidades clínicas como otorrinolaringologia, pneumologia, ginecologia, ortopedia, urologia, angiologia e neurologia28. Segundo Baldock et al.29, é um medicamento seguro, bem tolerado e eficaz, apresentando poucas contra-indicações. A aquisição do medicamento é feita mediante prescrição médica, sendo favorecida por seu preço reduzido no mercado.

A utilização por um número crescente de jovens do medicamento Benflogin como droga alucinógena, de acordo com a reportagem da revista Época30, intitulada "LSD com tarja vermelha", associada à existência de uma comunidade destinada à promoção deste uso não-terapêutico num SRS amplamente utilizado por jovens, motivou a elaboração deste estudo.

 

MÉTODOS

A pesquisa pelo nome comercial do fármaco resultou em 20 comunidades. Optou-se por uma comunidade que, criada em 2004, reunia maior número de indivíduos (7.900). Para participar do Serviço de Rede Social, é necessário que o usuário construa seu perfil através do envio de informações, segmentadas em três categorias: geral, profissional e pessoal.

Dentre as informações gerais, constam nome e sobrenome, sexo, estado civil, data de nascimento, cidade, estado, CEP e país. O cadastro possibilita ainda a inclusão dos possíveis interesses dos participantes, como religião, opção política, orientação sexual, fumo e ingestão de bebidas alcoólicas. O usuário encontra local para detalhar suas preferências por livros, programas de televisão e esportes. Na categoria profissional, o usuário pode disponibilizar seus interesses profissionais, suas habilidades, seu grau de instrução e profissão. Com relação às informações pessoais, destacam-se a definição das características que desejariam encontrar em um parceiro ideal. Concluída a construção do perfil, o usuário adquire o direito de convidar outros indivíduos a participar de sua rede de amigos.

O acesso a essa comunidade no dia 26 de setembro de 2007 permitiu a obtenção de uma lista completa de participantes, que, disponível off-line após armazenamento em disco, possibilitou elaborar um perfil aproximado desses indivíduos pela reunião das informações descritas acima. Ressalte-se, no entanto, que o SRS não dispõe de ferramentas que atestem a veracidade dos dados fornecidos, o que implica em relativizar o perfil do usuário obtido pela pesquisa. Acredita-se que, por tratar-se de amostra aleatória, os dados representem indivíduos provenientes de diferentes lugares na estrutura social e seus discursos guardem estreita relação com o contexto sociocultural nos quais são produzidos, expressando concepções ideológicas de instituições ou grupos diferenciados.

Selecionamos 385 perfis de usuários aleatoriamente, conferindo à amostra uma margem de erro de 0,05 e nível de confiança de 95%. Foram reunidos ainda grande parte dos comentários dos usuários nos tópicos relacionados ao consumo, efeitos colaterais e experiências vividas sob influência do uso da droga.

Para subsidiar o diálogo com o material reunido, efetuou-se revisão bibliográfica, utilizando-se livros, periódicos indexados e documentos de trabalho. Em sua grande maioria, os periódicos indexados foram localizados através de bases de dados bibliográficos: Medline, SCIELO – Scientific Eletronic Library Online e Bireme através da qual pode-se acessar a BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) e o LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde).

Buscou-se articular as abordagens quantitativa e qualitativa, em que a quantitativa considerou os dados referentes ao perfil dos indivíduos como idade, sexo, escolaridade. Privilegiou-se, para a análise qualitativa, a técnica de análise de conteúdo, que consiste em descobrir os "núcleos de sentido" identificados pela freqüência de aparição de temas nos discursos estudados.

Segundo Bardin31, a análise de conteúdo pode ser definida como um conjunto de técnicas de análise de comunicação que visam extrair das mensagens, através de procedimentos sistemáticos e objetivos, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens. Esta técnica contribui para a compreensão do que está por trás dos conteúdos explicitados, permitindo desvelar além das aparências do que está sendo analisado32.

A noção de tema, central para a técnica utilizada neste estudo, está ligada a uma afirmação a respeito de determinado assunto e comporta um feixe de relações que pode ser expresso por uma palavra, uma frase ou um fragmento de discurso33.

"Fazer uma análise temática consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação, cuja presença ou freqüência signifiquem alguma coisa para o objeto analítico visado."

Para operacionalizar a análise temática foram percorridas as seguintes etapas: identificação das idéias centrais (núcleos de sentido) das "falas dos usuários"; comparação entre os diferentes núcleos de sentido presentes na produção bibliográfica estudada; descoberta de eixos temáticos e discussão das categorias temáticas encontradas.

 

RESULTADOS

A análise dos dados, reunidos a partir de uma amostra de 385 usuários, permitiu a definição de um perfil de usuários com as características sistematizadas nas Tabelas 1 e 2.

 

 

 

 

O material reunido consistiu de 602 comentários, cuja linguagem predominante é coloquial, com erros abundantes de ortografia e concordância, preservados na elaboração do estudo. Ressalte-se que tal linguagem guarda relação estreita com a internet onde os usuários estabelecem uma linguagem própria em que convencionam, informalmente, abreviações/códigos, que facilitam o diálogo, conferindo rapidez e dinamismo à comunicação.

A análise desse material permitiu a identificação de eixos temáticos que foram agrupados em duas categorias: caracterização do uso e efeitos do medicamento. Optou-se por apresentar os resultados através de tais categorias.

Caracterização do uso

A caracterização do uso destina-se a apresentar os comentários relativos a informações sobre a quantidade necessária, bem como o uso concomitante de álcool e outras drogas para atingir os efeitos desejados. Os participantes da comunidade discutem entre si "a melhor maneira" de otimizar os efeitos adversos do medicamento, como pode ser observado nas falas abaixo:

"Quantos comprimidos você toma ou tomava??" (...) "Qual foi o maximo q vcs ja tomaram?" (...) "Me explikem td...plix" (...) "Nunca tomei!! Eu quero Benflogin!!"

Buscam ainda informações sobre a necessidade de ingestão concomitante com álcool e outras substâncias:

"Tenque toma com Goro ou naum?!?" (...) "Com alcool ou sem?" (...) "com maconha!?" (...) "Com o que vc mistura?"

Usuários mais "experientes" repassam as orientações necessárias:

"vc vai ser a 1º vez que vai tomar....sei lá.... toma 12 vc que sabe... eu só tomo 20" cartela"....faça o que vc quiser.a vida é sua" (...) "Bem, o ben... eu geralmente to entre 15 e 20... mas faz tempao que tomo... se vai começar... e acha que eh forte... toma de 10 a 15... Que vai ter uma briza legal.... vai ver coisasm, pessoas, etc... toma com vodka ou destilados..." (...) "Vc pode começar com 10, mas a dose correta é 1 ben para cada 5kg de seu peso, assim vc sentira o "full power" da coisa, o alcool é uma lenda, eu garanto, jah tomo issu a 7 anos"

As sugestões variam de quatro a 46 drágeas, muitas das quais recomendando a ingestão concomitante de álcool:

"Só um pouquinhoPeguei escondido da minha tia... uns 4" (...) "(duas caixas) e uns poucos. acho q chegou a 46" (...) ""se for pra tomar benflogin,tem q ser a cartela duma vez...senaum tu nem curte as pala forte.." (...) "...tomei com alcool e ainda fumei um baseado..."

Comercialmente, o medicamento está disponível em duas apresentações: caixa com 20 drágeas, contendo 50 mg de cloridrato de benzidamina cada uma; e frasco contendo 20 ml da solução aquosa de cloridrato de benzidamina com concentração igual a 30 mg/ml, de modo que a ingestão de uma caixa corresponde a 1.000 mg, enquanto para o frasco, a 600 mg. A facilidade com que são adquiridos é expressa por alguns usuários:

"custa por volta dos 6 reais,depende da farmacia. e é liberado...só ir lá pedir ....e fica ben."

Efeitos do medicamento

Esta categoria reúne comentários a respeito dos principais efeitos da intoxicação descritos pelos usuários. Observa-se, por vezes, a discussão em torno daqueles considerados negativos:

"qt teMpo seM doRmiR???" (...) "Ben deixa sequelas" (...) "Galera do BeN...Cuidado com a overdose!" (...) "O estomago de vcs fica zuado"

O relato das experiências vivenciadas sob influência da droga foi igualmente discutido:

"Alucinações! Conte as Suas! O Que Aconteceu Com Vc" (...) "coisa mais loka que vi sob efeito do benflogin..." (...) "EU VI A MORTE ! FALEI CUM ELA ! E VCS!?"

Verificou-se o predomínio das alucinações visuais sobre as auditivas, sendo relatadas por um grande número de usuários visões de animais e insetos, e em menor número, pessoas e objetos:

"vi aranha, leao, me perdi na sala de casa... e sem contar os raiozinhos" (...) "...do nada as coisa começaro cria vida, os fio do pc viro cobra, chinelo viro lagarto" (...) "...eu vi aranha, vi um cara dançando na minha janela..." (...) "eu vejos varios demonios e vozez eu adoro"

Os principais efeitos da intoxicação considerados como indesejados foram: insônia, distúrbios gastrointestinais e dores no estômago.

"...fritei muito n coseguia dormir uns dois dias" (...) "...oq eu mais odiava era a dor de estomago depois e moh vontade de vomita"

A superdosagem, além das alucinações, produziu em muitos usuários, sensação de perseguição e medo, e em outros, tristeza e abatimento:

"parecia qui alguem tava me perceguindo" (...) "geral me olhando.. mo sensação q ia morrer.." (...) "vi um cara tentando me matar..." (...)

"...fikei com medo dps" (...) "...fiquei desesperada" (...) "nunca senti tanto medo na minha vida!!!" (...) "dps da lokura..eu fikei mto triste" (...) "me senti muito mal no segundo dia. não sei bem porque, parecia que nada tinha a mínima graça eu queria a tudo custo ir pra casa e chorar"

Comentários expõem opiniões que incentivam o uso ou o desencorajam:

"Ultima vez..." (...) "viagem errada" (...) "alguem mais ai odeia essa "droga"?" (...) "com ou sem alcool...mas tome benflogin" (...) "...eu amo benflogin..." (...) "minha dica pra quem nunca tomo: NAO TOME!!!ruim demais" (...) "FOI HORRIVEL, FIQUEI LOUCO POR 3 DIAS NUNCA MAIS!!!"

 

DISCUSSÃO

A internet amplia vertiginosamente o acesso do indivíduo à comunicação, ao entretenimento e à informação. Através da rede, comunidades virtuais surgem para troca de experiências numa escala sem precedentes. O presente estudo situa-se na interface entre informação e consumo e aponta para as ilimitadas possibilidades da rede, que se mostra fora do alcance de mecanismos de controle atuais previstos pela sociedade.

Estudo realizado pelo Ministério da Saúde34, em diversas capitais brasileiras, confirma maior consumo de álcool que de fumo entre a população jovem, padrão igualmente verificado no presente estudo. É provável que tal diferença decorra, em boa parte, das inúmeras campanhas contra o fumo realizadas no País. O consumo de álcool, no entanto, ainda que socialmente, tem maior aceitação junto à sociedade e seus efeitos são menos discutidos na mídia.

O elevado número de indivíduos (243=63,1%) que optaram por ocultar a idade no SRS sugere a possibilidade da não correspondência entre a idade exigida e a idade real. Mesmo aqueles que alegaram possuir entre 18-20 anos podem apresentar idade inferior, já que o SRS não possui meios de comprovação da idade ou de impossibilitar o acesso de menores. Segundo Eggers35, o conteúdo principal das alucinações visuais em crianças é a visão de animais, de porte grande, em sua maioria, e ameaçadores. Tal visão freqüentemente é acompanhada de medo. Embora apresentem formas tridimensionais, as alucinações são desordenadas, sem relação entre si e não constituem cenas. Nos adolescentes, as alucinações possuem as seguintes características: sucessão de cenas e predomínio de visões de pessoas e objetos. O predomínio de alucinações com animais, revelados pelo estudo, parece sugerir uma imaturidade dos usuários do medicamento. A participação de indivíduos que declararam o ensino fundamental fortalece tal possibilidade, que se torna mais evidente, como observado em alguns comentários:

"eu tomei antes de ir por colégio..." (...) "jah tomei ants d i pra aula!!!" (...) "tomei antes d ir pra escola"

Saldanha et al.36 discutem o caso de um jovem de 20 anos, universitário, que alegou ter utilizado benzidamina com finalidade recreativa por cinco vezes, em associação com álcool, após ter sido recomendado por outros usuários. Tal perfil coincide com o encontrado no estudo.

Embora tenham sido encontradas dosagens variando de quatro a 46 drágeas, verificou-se que um grande número de usuários utiliza 16a 20 drágeas (800 a 1.000 mg) para obtenção dos efeitos desejados, quantidades correspondentes àquelas descritas na literatura como capazes de causar alucinações. Eggers35 relata a intoxicação em duas crianças: a primeira, com três anos e dois meses e a segunda, com dois anos e dois meses, que ingeriram, respectivamente, dez e seis drágeas de um medicamento contendo 50 mg de benzidamina. Saldanha et al.36, em relato de caso, encontraram doses de 400 a 1000 mg. Gómez-López et al37, descrevem a ingestão acidental por uma criança de seis anos de 500 mg de benzidamina dissolvidas em 100 ml de água. Em todos os casos houve alucinações, que regrediram espontaneamente após quatro e 17 horas, sem seqüelas.

O uso concomitante com álcool e/ou outras drogas, maconha principalmente, foi freqüentemente relatado nos diálogos reunidos. Buscariolo et al.38 demonstram a interação farmacológica entre o álcool e a benzidamina, que exerce uma atividade antagonista aos efeitos estimulatórios de baixas doses de álcool. Não foram encontrados estudos que correlacionassem possíveis interações da benzidamina com drogas ilícitas.

Os efeitos encontrados neste estudo correspondem àqueles descritos na bula do medicamento28, que adverte a possibilidade de, em pessoas sensíveis, ocasionar as seguintes reações adversas: ansiedade, insônia, agitação, convulsões, alterações visuais, bem como manifestações gástricas, como náusea, ardor epigástrico e sensação de queimação retroesternal. Cabe ressaltar que a dose de uma drágea é 50 mg, e que a ingestão de uma quantidade maior que a preconizada favorece o aparecimento das referidas reações adversas. Nas informações sobre a superdosagem as alucinações são claramente descritas, porém não se verifica a presença dos outros sintomas relatados pelos usuários, como sensação de perseguição, medo e tristeza.

Verificou-se neste estudo uma assistência, através de informações, por parte de usuários mais experientes, às dúvidas dos indivíduos dispostos a utilizar pela primeira vez a substância. Boyer et al.9 referem que indivíduos dotados de uma compreensão significativa sobre o uso de substâncias psicoativas podem funcionar como vetores, através do qual o conhecimento sobre drogas é disseminado aos iniciantes.

Segundo estes autores, a informação sobre drogas na internet pode modificar o padrão de consumo de drogas de alguns indivíduos, seja através de uma nova via de administração, utilização de novas substâncias, isoladamente ou em associação, ou, com base nas possíveis conseqüências do uso continuado, cessar o uso, ou pelo menos, adotar comportamentos que minimizem os danos. Allman et al.39 reconhecem que comunidades de usuários de drogas possam incentivar o uso, porém ressaltam a possibilidade delas também se oporem aos perigos associados ao consumo de tais substâncias, através do compartilhamento de informações que minimizem os danos e perigos. Neste estudo, observa-se ênfase nos efeitos considerados "bons", enquanto aqueles considerados "ruins" não são discutidos com o mesmo interesse.

A utilização do trocadilho entre "ben", originário do nome comercial Benflogin ou da substância benzidamina, e o adjetivo bem, como observado em "qntas hras no maximo eu posso ficar sobre o efeito do ben" e "eu tb pratico o "BeN"", parece conferir ao medicamento a propriedade de causar bem-estar, ou ausência de efeitos nocivos.

Os discursos que promovem o uso de drogas repercutem, particularmente, em indivíduos predispostos, isto é, que apresentem fatores de risco e careçam de fatores de proteção. De acordo com Schenker et al.40, os fatores de risco estão relacionados principalmente à educação parental, autoritária ou excessivamente permissiva, e à fragilidade dos vínculos afetivos entre pais e filhos. As amizades são consideradas relevantes enquanto modelos de comportamento que podem utilizar ou ser tolerantes em relação às drogas. Como fatores protetores, as características individuais, como elevada auto-estima e satisfação com a vida, além da existência de objetivos definidos, que se relacionem às perspectivas no futuro, e um ambiente familiar acolhedor desempenham papel fundamental. Ressalte-se que, o uso de drogas, em alguns casos, pode estar relacionado também com doenças psiquiátricas, sobretudo a depressão41. Dessa maneira, tal uso não pode ser encarado meramente através de uma abordagem psicológica.

 

CONCLUSÃO

Buscou-se, ao longo deste estudo, delinear um cenário que configura a automedicação, através das opiniões sobre o uso não-terapêutico de um medicamento. Tais comentários refletem a crença dos indivíduos na ausência de perigos e de conseqüências negativas de seu uso. Embora não se tenham relatos de intoxicações fatais pela benzidamina, mesmo em crianças pequenas, o seu uso como droga através da superdosagem é preocupante por reforçar no indivíduo tal crença, tornando-o inclinado a experimentar outros medicamentos, cuja dose excessiva pode trazer conseqüências irreversíveis, como a morte.

Uma comunidade orientada em torno da discussão de um uso não-terapêutico de um fármaco, pode, sobretudo em um SRS utilizado predominantemente por jovens, ser capaz de promover o uso indevido de medicamentos. Além de reunir orientações sobre formas de obtenção de efeitos desejados como as alucinações, contém opiniões que podem influenciar um indivíduo a usar o medicamento, com relatos ricos em detalhes e entusiasmo, aguçando a curiosidade dos participantes.

Outra maneira através da qual uma comunidade deste tipo pode promover tal uso indevido é a valorização do consumo de um medicamento como veículo de identidade com o grupo, contribuindo assim para a formação de hábitos de consumo.

Mesmo tendo sido constatado o abuso deste fármaco por jovens, não se recomenda maior rigor para a aquisição do medicamento, como a venda com retenção de receita, e sim o cumprimento das normas sanitárias pelas farmácias e drogarias e o fortalecimento das ações de vigilância e fiscalização. A naturalidade expressa pelos indivíduos ao relatarem um uso não-terapêutico de um medicamento sugere a necessidade de intensificação das campanhas de alerta sobre os perigos da automedicação e de maior atenção sobre a promoção do uso indevido de medicamentos, principalmente na internet.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos às contribuições do psiquiatra Ricardo Aquino e do professor de estatística Geraldo Marcelo da Cunha da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz.

Conflito de interesse: não há

 

REFERÊNCIAS

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Artigo recebido: 05/04/07
Aceito para publicação: 09/01/08

 

 

Trabalho realizado na Escola Nacional de Saúde Pública/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, RJ
* Correspondência Av. Leopoldo Bulhões, 1480 Manguinhos – Rio de Janeiro CEP 21041-210 Tel. (21)25982814/25982551, joaofabiodesouza@hotmail.com