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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.54 no.3 São Paulo May/June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302008000300023 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Genes e epilepsia I: epilepsia e alterações genéticas

 

Genes and epilepsy I: epilepsy and genetic alterations

 

 

Daniel L. G. Gitaí*; Rodrigo N. Romcy-Pereira; Lívia L. G. Gitaí; João P. Leite; Norberto Garcia-Cairasco; Maria Luisa Paço-Larson

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: Epilepsia é uma desordem neurológica caracterizada por crises espontâneas e recorrentes, que afeta de 2% a 3 % da população mundial. As crises epilépticas refletem atividade elétrica anormal e paroxística, preferencialmente em uma ou várias áreas do córtex cerebral, que podem ser causadas por inúmeras patologias estruturais ou neuroquímicas. Dentre os importantes estudos das últimas décadas no campo da epileptologia, destaca-se a identificação de genes associados a certos tipos de epilepsia.
OBJETIVO: Nesta revisão, descrevemos as principais alterações genéticas associadas ao processo epileptogênico, discutindo as mais recentes descobertas e suas contribuições para a compreensão das bases genéticas das epilepsias idiopáticas monogênicas (EIM) e das epilepsias geneticamente complexas.
RESULTADOS E CONCLUSÃO: Estudos de ligação e associação mostram que alterações em genes que codificam canais iônicos são as principais causas genéticas das epilepsias idiopáticas monogênicas e de predisposição nas epilepsias geneticamente complexas. Além disso, as síndromes nas quais a epilepsia é um aspecto importante do quadro clínico podem ser provocadas por genes envolvidos em diferentes vias celulares, tais como: migração neuronal, metabolismo de glicogênio e cadeia respiratória. Portanto, acredita-se que diferentes categorias de genes possam atuar na determinação do traço epiléptico. A identificação de tais famílias de genes não apenas nos ajudará a entender as vias moleculares associadas à hiperexcitabilidade neuronal e ao processo epileptogênico, mas também poderá conduzir ao desenvolvimento de novas e mais precisas estratégias de tratamento da epilepsia.

Unitermos: Mutação. Polimorfismo de nucleotídeo único. SNP. Epilepsia idiopática. Canal iônico.


SUMMARY

INTRODUCTION: Epilepsy is a neurological disorder characterized by spontaneous and recurrent seizures with an estimated prevalence of 2-3 % in the world population. Epileptic seizures are the result of paroxystic and hypersynchronous electrical activity, preferentially in cortical areas, caused by panoply of structural and neurochemical dysfunctions. Recent advances in the field have focused on the molecular mechanisms involved in the epileptogenic process.
OBJECTIVES: In the present review, we describe the main genetic alterations associated to the process of epileptogenesis and discuss the new findings that are shedding light on the molecular substrates of monogenic idiopathic epilepsies (MIE) and on genetically complex epilepsies (GCE).
RESULTS AND CONCLUSION: Linkage and association studies have shown that mutations in ion channel genes are the main causes of MIE and of predisposition for GCE. Moreover, mutations in genes involved in neuronal migration, glycogen metabolism and respiratory chain are associated to other syndromes involving seizures. Therefore, different gene classes contribute to the epileptic trait. The identification of epilepsy-related gene families can help us understand the molecular mechanisms of neuronal hyperexcitability and recognize markers of early diagnosis as well as new treatments for these epilepsies.

Key words: Mutation. SNPs. Idiopathic epilepsy.


 

 

INTRODUÇÃO

Epilepsia é um tipo de disfunção cerebral caracterizada clinicamente por alterações comportamentais súbitas ("crises epilépticas") que tendem a se repetir ao longo da vida do paciente. Essas crises refletem atividade elétrica anormal e paroxística, acometendo preferencialmente uma ou várias áreas do córtex cerebral e podem ser causadas por inúmeras patologias estruturais ou neuroquímicas1,2. Há, portanto, uma diferença entre a definição de epilepsia e de crise epiléptica. Em geral, o diagnóstico de epilepsia implica uma anormalidade epileptogênica persistente do cérebro, provocando crises recorrentes e espontâneas. Em contraposição, pessoas sem epilepsia podem apresentar crise epiléptica provocada por atividade elétrica anormal como resposta isolada do cérebro a um insulto transitório ou a perda de homeostase. Assim, epilepsia presume a existência de uma anormalidade epileptogênica intrínseca, endógena ao próprio cérebro e que está presente mesmo entre as crises, independente de qualquer condição ou insulto agudo. Esta propriedade do "cérebro epiléptico" pode gerar crises recorrentes durante um período de tempo relativamente curto, ou durante muitos anos, ou mesmo durante toda a vida do indivíduo3. Devido a fatores como alta prevalência (1% - 3 % da população mundial), gravidade, morbidade e impacto socioeconômico, as pesquisas científicas no campo da epileptologia têm adquirido caráter prioritário nas políticas de saúde pública4,5. Uma das frentes de estudo que tem evoluído muito nas últimas décadas diz respeito às investigações de vias moleculares associadas ao processo epileptogênico. Muitos esforços têm sido realizados para identificar genes associados à epilepsia6,7. Neste trabalho, descrevemos e discutimos os resultados mais relevantes, obtidos em estudos com pacientes e em modelos experimentais. Para fins de maior clareza, a revisão foi dividida em duas partes: a primeira trata das bases genéticas das epilepsias idiopáticas monogênicas e das epilepsias geneticamente complexas; a segunda refere-se aos genes que apresentam expressão modulada pelas crises epilépticas.

Processo epileptogênico

A atividade epiléptica cerebral pode ser desencadeada por diversos fatores, e por isso a epilepsia é considerada uma disfunção complexa e multifatorial. Existem duas categorias etiológicas básicas: a) distúrbio epileptogênico específico, que gera epilepsia em indivíduos susceptíveis; b) fatores precipitantes, que são perturbações endógenas ou exógenas e que evocam crises epilépticas agudas em determinados períodos de tempo8. Os distúrbios epileptogênicos específicos podem ser lesões como trauma, infecção, neoplasia, malformação vascular; malformações congênitas e anormalidades genéticas, como mutações gênicas pontuais ou aberrações cromossômicas. Nos casos em que é possível identificar e tratar esses distúrbios (ex.: remoção cirúrgica de neoplasia), a condição epiléptica é abolida. É interessante notar que várias vias celulares associadas a esses insultos, tais como, morte celular (por apoptose ou necrose), reorganização axonal, inflamação e astrogliose, também ocorrem de forma secundária às crises recorrentes. Portanto, as próprias crises epilépticas, potencialmente, poderiam perpetuar ou agravar, em maior ou menor grau, o processo de epileptogênese9, 10.

Fatores como consumo de álcool, febre e privação de sono podem precipitar crises ocasionais em muitas pessoas com epilepsia ou causar crises reativas em indivíduos sem epilepsia. Esses indivíduos, porém, têm uma sensibilidade específica a determinados fatores8.

A natureza do distúrbio epileptogênico é essencial para classificação etiológica das epilepsias. Neste sentido, as epilepsias generalizadas e focais têm sido classificadas em sintomáticas, idiopáticas ou provavelmente sintomáticas11,12. As epilepsias sintomáticas são aquelas em que é possível a detecção de lesões anatômicas ou histológicas, como nos casos de neoplasias ou malformações. Quando não é possível a detecção da disfunção primária da epilepsia sintomática, esta é denominada "provavelmente sintomática" (anteriormente chamada de criptogênica). Nas epilepsias idiopáticas, por sua vez, o processo de epileptogênese não é atribuído a nenhum insulto endógeno ou exógeno específico. Neste caso, diz-se que a epilepsia é própria do indivíduo (idios - próprio; pathos - doença). Hoje, sabe-se que a maioria das epilepsias idiopáticas é causada por mutações genéticas6,13.

Por outro lado, é importante constatar que tanto os distúrbios epileptogênicos quanto os fatores precipitantes não são suficientes para a ocorrência de crises epilépticas, idiopáticas ou sintomáticas, as quais dependem, também e necessariamente, do limiar de susceptibilidade do indivíduo à epilepsia. É possível que o limiar de susceptibilidade à epilepsia seja determinado por uma ação sinérgica entre inúmeros fatores de predisposição inespecíficos, destacando-se o background genético do indivíduo, como componente importante nesse processo8.

De um modo geral, indivíduos com alto limiar de susceptibilidade à epilepsia não apresentam crises epilépticas mesmo quando expostos a distúrbios epileptogênicos e/ou fatores precipitantes de crises. Por outro lado, indivíduos com baixo limiar de susceptibilidade apresentam crises crônicas ou reativas quando expostos, respectivamente, a distúrbios epileptogênicos ou a fatores precipitantes de crises. Nesse último caso, a ação combinada desses elementos influenciará na gravidade e freqüência das crises, podendo levar, em uma situação extrema, à instalação de status epilepticus (SE).

Buscando uma visão sintética do processo de epileptogênese, com base no discutido acima, podemos inferir que os distúrbios epileptogênicos e fatores precipitantes, em um ambiente genético facilitador, induzem alterações em determinadas vias moleculares, as quais interferem, direta ou indiretamente, nos circuitos elétricos cerebrais, podendo ocasionar a emergência das crises epilépticas. Estas, por sua vez, provocam alterações moleculares e histológicas secundárias, as quais eventualmente podem contribuir para a progressão das crises. A identificação dessas vias moleculares é essencial para o entendimento do processo epileptogênico e, por conseguinte, abre perspectivas para ações preventivas e intervenções terapêuticas mais efetivas.

Genes e epilepsia

Muitos dos aproximadamente 30 mil genes humanos podem estar associados à epilepsia por meio de alterações genéticas ou de alterações na expressão gênica. As alterações genéticas são aquelas que ocorrem na estrutura física do gene, como as mutações ou polimorfismos, e contribuem para epileptogênese agindo diretamente como causa primária ou, indiretamente, no estabelecimento do limiar de susceptibilidade. Embora algumas dessas alterações possam ser adquiridas de novo, a maior parte delas é transmitida hereditariamente. Por outro lado, as alterações de expressão gênica são aquelas que interferem estritamente na modulação da atividade gênica, sem o envolvimento de lesões físicas no DNA. Esse tipo de alteração geralmente reflete mudanças nos níveis ou na localização dos produtos gênicos e é deflagrada por insultos epileptogênicos.

A alteração genética é causa primária da epilepsia quando o seu efeito é determinante para o estabelecimento das crises recorrentes. Neste caso, os pacientes geralmente são portadores de mutações em um único locus gênico, o que confere ao traço epiléptico um padrão Mendeliano de herança. Tais grupos de epilepsia são os do tipo idiopático, sendo denominadas de epilepsias idiopáticas monogênicas ou Mendelianas (EIM). Por outro lado, quando uma alteração genética atua aumentando discretamente o risco de ocorrência de crises epilépticas recorrentes, diz-se que ela contribui para o estabelecimento do limiar de susceptibilidade, e os genes portadores de tais lesões são denominados de genes de susceptibilidade. Pressupõe-se que muitas dessas alterações são polimórficas, do tipo SNPs (Single Nucleotides Polymorphisms), e podem induzir pequenas alterações fisiológicas na atividade de proteínas portadoras. Os genes de susceptibilidade, isoladamente, não são determinantes para a ocorrência de epilepsia, mas dependem de uma ação aditiva ou epistática de outros genes e/ou fatores ambientais. Os efeitos de cada gene no limiar de susceptibilidade, portanto, vão depender do genótipo em outros loci (interação gene-gene) e da história de exposição a fatores ambientais (interação gene-ambiente)14-17. Pelo fato de muitos genes contribuírem para o fenótipo e devido ao envolvimento de múltiplos fatores ambientais, considera-se que tais desordens seguem o modelo poligênico-multifatorial18. Nesse modelo se enquadram tanto as epilepsias idiopáticas não-monogênicas quanto as epilepsias sintomáticas, tendo a primeira uma influência genética muito maior do que a segunda, que envolve principalmente alterações no controle da expressão gênica19. Embora exista uma influência genética na susceptibilidade a crises provocadas por insulto ambiental, o que justifica o fato de que somente um subconjunto de indivíduos expostos aos mesmos insultos desenvolve epilepsia, inúmeros estudos têm mostrado que o risco genético de um familiar desenvolver crises epilépticas é maior quando o probando tem epilepsia idiopática comparado com os que têm epilepsia sintomática17, 20. Este tipo de consideração é importante principalmente no âmbito do processo de aconselhamento clínico.

Pode-se dizer, então, que de uma maneira geral, os genes estão envolvidos no processo epileptogênico por três modos diferentes: sendo causa primária, determinando o limiar de suscetibilidade ou respondendo por meio de expressão diferencial a insultos epileptogênicos. Neste sentido, enquanto as EIM têm contribuído na identificação de genes que agem como causa primária, as epilepsias complexas (idiopáticas e sintomáticas) têm sido objetos de pesquisa dos genes de susceptibilidade. As epilepsias sintomáticas, em particular, também vêm sendo muito importantes nas pesquisas de genes que sofrem modulação de expressão em resposta a insultos epileptogênicos. Nos tópicos subseqüentes, abordaremos a questão das alterações genéticas no processo epileptogênico, discutindo que tipo de informação vem sendo gerada, e como esses achados têm contribuído para o estudo das bases genéticas das epilepsias idiopática monogênicas e das epilepsias geneticamente complexas.

Epilepsias idiopáticas monogênicas

As epilepsias idiopáticas mendelianas são as mais raras. As crises epilépticas podem seguir um perfil generalizado ou parcial e geralmente apresentam uma evolução benigna. Devido ao fato de que, nesses casos, mutações em um único locus gênico conferem um efeito maior no estabelecimento das crises, o traço epiléptico apresenta um padrão de segregação Mendeliano que geralmente é do tipo autossômico21-23.

Nas últimas décadas tem ocorrido um esforço muito grande para identificar genes responsáveis pelas epilepsias monogênicas. Esta investigação vem sendo realizada, principalmente, por meio de estudos de ligação acoplados à clonagem posicional. Tal abordagem envolve quatro etapas principais: 1) identificação de famílias contendo múltiplos indivíduos afetados; 2) estabelecimento de diagnóstico de maneira criteriosa para todos os membros da família; 3) análises de ligação para localizar a região cromossômica que está co-segregando com o traço epiléptico; 4) seqüenciamento de genes localizados na região cromossômica ligada para identificar a(s) mutação(ões) que poderia(m) estar causando a emergência das crises epilépticas24.

Até o momento, foram identificados 12 genes que atuam como causa primária das epilepsias idiopáticas (Tabela 1).

Desde que quase todos esses genes codificam subunidades de canais iônicos moduladores da atividade neural, têm-se referido a esse grupo de epilepsias como canalopatias25. Os canais envolvidos nas epilepsias idiopáticas monogênicas pertencem à classe de canais voltagem dependentes, que são importantes para geração e controle do potencial de ação, ou à classe dos canais ligantes dependentes, que estão envolvidos, principalmente, com a transmissão sináptica. Mutações em canais de sódio, potássio e cloro voltagem-dependente, tanto quanto mutações em receptores de acetilcolina e GABA (ácido aminobutyrico-?, subunidade A) causam diferentes formas de epilepsias idiopáticas. Essas mutações induzem à crise, provavelmente, por mecanismos que levam a uma facilitação dos estímulos excitatórios ou um impedimento das vias inibitórias. Por exemplo, as vias inibitórias podem ser prejudicadas, diretamente, pela presença de um receptor GABA mutado, ou indiretamente, por meio de mutação em um canal de cloro voltagem dependente, que são responsáveis pela via de influxo de cloro associado a respostas gabaérgicas26-28. Mutações de perda de função da subunidade b dos canais de sódio voltagem-dependente diminuem o ritmo de inativação dos canais e causam hiperexcitabilidade por meio do aumento de influxo de sódio. Mutações em subtipos específicos de canais de potássio responsáveis pela repolarização da membrana levam a uma despolarização neuronal prolongada e, portanto, a um aumento na freqüência de potenciais de ação.

Os exemplos citados acima mostram que canais mutados podem causar uma hiperexcitabilidade neuronal por meio de inúmeros mecanismos patogênicos. Deste modo, a despeito da importância dos canais iônicos nas epilepsias idiopáticas, deve-se considerar que alterações em outras proteínas podem também levar a uma hiperexcitabilidade neuronal. Um dos genes associados à EIM e que não pertence ao grupo de canais iônicos é LgI1 (leucine rich gene, glioma inactivated). Mutações neste gene foram associadas à ADLTE (epilepsia do lobo temporal lateral autossômica dominante). Em camundongos foi mostrado que uma deleção parcial no gene MASS/VLGR1 (very large G-protein coupled receptor) é a causa de epilepsia audiogênica autossômica recessiva na cepa FRINGS. Existe um relato que a mutação em um ortólogo humano desse gene está associada a uma forma rara de convulsão febril13. Análises comparativas das seqüências dessas proteínas mostraram que elas compartilham uma região contendo repetições diretas de 50 resíduos de aminoácidos, que forma uma estrutura do tipo b-pregueada característica de domínios envolvidos em interações proteína-proteína. Uma vez que tal região foi encontrada no produto dos dois únicos exemplos de genes não canais iônicos associados à epilepsia, essa região foi denominada de região associada à epilepsia e é provável que promova a formação de complexos protéicos com significado fisiológico no processo epileptogênico. De fato, recentemente foi demonstrado que a Lgl1 é uma proteína secretada que, por meio desse domínio b-pregueada, interage diretamente com a proteína transmembranal ADAM22. ADAM22 é uma proteína ancorada ao complexo de densidade pós-sináptica por meio da proteína PSD-95. Esse complexo regula a transmissão sináptica mediada por receptores de glutamato do tipo AMPA29. Em estudo independente, foi relatado que Lgl1 forma um complexo com canal de potássio voltagem dependente contendo a subunidade Kv1.1 e inibe a inativação desses por meio da proteína regulatória citoplasmática Kvb130.

É importante observar que mesmo nas epilepsias mendelianas há certa complexidade na correlação genótipo-fenótipo. Estudos nas famílias mostram que a penetrância dessas mutações é freqüentemente menor do que 100%, e que a idade de início, bem como a gravidade do fenótipo, varia dentro da família24. Isto indica que genes modificadores (equivalentes aos genes de susceptibilidade para epilepsias complexas) influenciam os efeitos do gene mutado, modulando o fenótipo final. Assim, embora as epilepsias monogênicas sejam determinadas por mutação em um único gene, outros genes com efeitos menores e fatores ambientais podem modular a expressão do distúrbio. Isto explica o fato, por exemplo, de que mutações no mesmo gene podem produzir variados fenótipos epilépticos.

Além das epilepsias idiopáticas, existem mais de 200 síndromes monogênicas nas quais a epilepsia é um aspecto mais ou menos grave no quadro sintomatológico. Nessas síndromes, as crises epilépticas são acompanhadas de outros sintomas neurológicos, tais como retardo mental, demência ou ataxia. Ao contrário das epilepsias idiopáticas, a evolução dessas doenças geralmente não é benigna, destacando-se:

1) As epilepsias mioclônicas progressivas, como a doença de Unverricht–Lundborg e a doença de Lafora. Ambas as condições apresentam um padrão de segregação autossômico recessivo e as mutações genéticas responsáveis por essas doenças foram mapeadas, respectivamente, nos genes CSTB (cystatina B, também stefina B) e laforina. CSTB é membro da família das cistatinas do tipo 1, que são inibidores intracelulares de cisteína proteases e provavelmente atuam protegendo o organismo de proteólises deflagradas por proteases endógenas. A laforina atua como uma fosfatase, provavelmente envolvida na regulação do metabolismo de glicogênio31.

2) As lissencefalias são malformações cerebrais, caracterizadas em sua forma clássica ou LIS1, pela presença de uma superfície cerebral lisa e córtex espesso. Essa doença apresenta um padrão de segregação ligado ao cromossomo X, herdada dominantemente e está associada a mutações no gene da doublecortina (DCX). Este gene codifica uma proteína associada ao microtúbulo, envolvida no processo de migração neuronal32.

3) Desordens mitocondriais são caracterizadas por alterações no genoma mitocondrial, ou em genes nucleares, que afetam o metabolismo dos mitocôndrios. A MERRF (Myoclonic epilepsy with ragged red fibres) é a síndrome mitocondrial mais bem estudada e pode ser causada por mutações em pelo menos dois genes mitocondriais diferentes, mttk e mttl1, que codificam, respectivamente, para RNAs transportadores de lisina e leucina. Defeitos nesses genes resultam em graves defeitos na tradução de genes mitocondriais, causando deficiências na cadeia respiratória celular13, 33.

É interessante notar que os genes responsáveis pelas condições descritas acima estão envolvidos em diferentes vias celulares (como metabolismo do glicogênio, transporte de elétrons na cadeia respiratória e desenvolvimento cerebral), reforçando a idéia de que o processo epileptogênico não se limita a alterações primárias de canais iônicos.

Epilepsias geneticamente complexas

O conceito de epilepsia geneticamente complexa reside na idéia de que muitos genes e fatores ambientais contribuem, por meio de uma ação sinérgica, para a sua etiologia. Neste caso, nenhum fator, isoladamente, teria um efeito determinante para o estabelecimento das crises epilépticas recorrentes. A grande maioria das síndromes epilépticas faz parte deste grupo que encerram as epilepsias idiopáticas não monogênicas e as epilepsias sintomáticas. O componente genético nas epilepsias complexas apenas determina um limiar genético de susceptibilidade e, portanto, a história familiar dos pacientes é inconsistente com o padrão de herança mendeliano. As investigações de genes de susceptibilidade associados às epilepsias complexas têm avançado muito lentamente quando comparadas aos estudos realizados nos modelos de epilepsia idiopática monogênica. A natureza poligênica e multifatorial dessas desordens ocasiona uma série de restrições metodológicas. Nessas epilepsias, como o efeito da alteração em um gene contribui muito discretamente para o fenótipo final, o poder estatístico para detecção de ligação entre o gene e o traço epiléptico fica comprometido. Só recentemente é que estudos de associação têm sido usados, como alternativa aos estudos de ligação, para identificar genes associados à epilepsia e a outras desordens complexas19,34. Estes estudos buscam detectar alelos que contribuem para a predisposição ou proteção à epilepsia por meio da investigação de diferenças significativas na freqüência de polimorfismos entre indivíduos epilépticos e indivíduos normais de uma mesma população. Polimorfismos com freqüência significativamente maior nos indivíduos epilépticos estão localizados em genes que devem estar associados a mecanismos de susceptibilidade, enquanto os polimorfismos com freqüência significativamente maior nos indivíduos não-epilépticos devem estar associados à haplótipos de proteção à epilepsia. Geralmente, os polimorfismos analisados são SNPs e a maioria dos estudos de associação tem focalizado nos polimorfismos presentes em determinados genes que, com base na sua função, são fortes candidatos a influenciar o limiar de susceptibilidade (tais como os genes que codificam canais iônicos). No entanto, recentemente os pesquisadores têm começado a considerar seriamente a aplicabilidade de estudos de associação em larga escala35.

Um grande número de estudos de associação nas epilepsias geneticamente complexas tem sido publicado. Muitos desses estudos, porém, não têm sido reprodutíveis devido a limitações como tamanho da amostra, falta de grupo controle apropriado e ausência de análises independentes em outras populações34. Assim, os estudos de associação acoplados a uma validação funcional dos polimorfismos são os que têm maior valor informativo. Com base nesses critérios, até agora apenas dois genes de susceptibilidade associados à epilepsia foram identificados. O canal de cálcio tipo T (CACNAIH), envolvido na regulação dos disparos neuronais, foi associado à epilepsia de ausência na infância (CAE); enquanto a subunidade gama do receptor GABA, envolvido na mediação de sinapses inibitórias, foi associado à epilepsia generalizada idiopática. Estudos em culturas de células demonstraram que polimorfismos nesses genes levam a alterações eletrofisiológicas compatíveis com susceptibilidade à epilepsia36. Assim, embora a investigação de genes de susceptibilidade associados à epilepsia ainda esteja numa etapa inicial, a estratégia de se acoplar uma validação funcional aos estudos de associação surge como uma abordagem de grande potencial.

Estudos em modelos genéticos

Embora a maior parte das publicações baseadas em estudos de associação e ligação tenha se restringido a humanos, é interessante sinalizar que cepas selecionadas geneticamente podem ser utilizadas como ferramentas para o estudo das relações entre genética e epilepsias.

Por exemplo, dentre as existentes na literatura, cepas de roedores como os Genetically epilepsy-prone rats (GEPRs), Wistar audiogenic rats (WARs), camundongos Frings, starggazer e lethargic são extremamente úteis para o estudo da influência do background genético em múltiplos tipos de epilepsia generalizada primária, geralmente idiopáticas como as tônico-clônicas generalizadas e as ausências típicas25, 37-39.

Nesses modelos experimentais, a combinação de um background genético susceptível com experiência de crises induzidas por estímulos elétricos, químicos ou sensoriais gera um universo muito mais próximo da situação clínica do que aquele onde os modelos experimentais se baseiam na indução de crises em animais não selecionados geneticamente40.

 

CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS

O estabelecimento da condição epiléptica é um processo complexo e multifatorial, dependente de interações entre fatores epileptogênicos e o componente genético do indivíduo. De acordo com o grau de associação desses fatores na patogênese, as epilepsias podem ser classificadas em mendelianas ou monogênicas, quando uma mutação em um único locus gênico é suficiente para o estabelecimento da condição; e em epilepsias complexas ou poligênicas, quando o componente genético apenas determina um limiar de susceptibilidade. Durante a última década, grande progresso tem sido feito na descoberta de genes que causam ou que influenciam o estabelecimento da condição epiléptica. Tem-se observado que alteração em canais iônicos é uma das principais causas das epilepsias idiopáticas monogênicas e de predisposição nas epilepsias geneticamente complexas. Por outro lado, também se tem observado que as síndromes nas quais a epilepsia é um aspecto importante do quadro clínico podem ser provocadas por genes envolvidos em diferentes vias celulares, tais como: migração neuronal, metabolismo de glicogênio e atividade na cadeia respiratória. Assim, acredita-se que diferentes categorias de genes possam atuar na determinação do traço epiléptico. A identificação de tais famílias de genes não apenas nos ajudará a entender as vias moleculares associadas à hiperexcitabilidade neuronal e, por conseguinte, ao processo epileptogênico, mas deverá também levar ao desenvolvimento de novas e mais precisas estratégias de tratamento da epilepsia.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores gostariam de agradecer a todos os membros dos laboratórios envolvidos, assim como às agências financiadoras FAPESP, CNPq, CAPES, FAEPA e PROEX pelos auxílios destinados a pesquisa e ensino.

Conflito de interesse: não há

 

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Artigo recebido: 06/08/07
Aceito para publicação: 30/01/08

 

 

Trabalho realizado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
* Correspondência: Laboratório de Biologia celular e Molecular Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde - ICBS Universidade Federal de Alagoas Praça Afrânio Jorge, s/n - Prado CEP 57010-020 - Maceió - AL Tel: (82) 3223-5613 R 220 / (82) 9118-9511 danielgitai@gmail.com

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