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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.56 no.4 São Paulo  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302010000400022 

ARTIGO ORIGINAL

 

Aspectos epidemiológicos e clínicos da endometriose pélvica - uma série de casos

 

 

Patrick BellelisI, *; João Antônio Dias JrI; Sergio PodgaecI, II; Midgley GonzalesI, II; Edmund Chada BaracatIII; Maurício Simões AbrãoIV

IMédicos Assistentes do Setor de Endometriose da disciplina de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - HCFMUSP, São Paulo, SP
IIDoutor em ginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - HCFMUSP, São Paulo, SP
IIILivre-docente - Professor Titular da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP, São Paulo, SP
IVProfessor Livre-docente e Chefe do Setor de Endometriose da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP, São Paulo, SP

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Descrever aspectos clínicos e epidemiológicos das pacientes portadoras de endometriose pélvica operadas em nosso serviço.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo de 892 pacientes submetidas a videolaparoscopia com confirmação histológica do diagnóstico de endometriose.
RESULTADOS: A média de idade foi de 33,2 ± 6,3 anos, sendo 78,7% brancas. Observamos 76,9% de mulheres com 2º ou 3º graus completos; 56,5% das pacientes eram nulíparas e 62,2% relataram dismenorreia como principal queixa. A dor pélvica crônica foi o sintoma mais prevalente, seguido pela dispareunia de profundidade, sendo referidos por 56,8% e 54,7% das pacientes, respectivamente. A infertilidade foi referida por 39,8% das 892 pacientes.
CONCLUSÃO: A endometriose é uma doença geralmente diagnosticada na 4º década da vida das pacientes, as quais apresentam queixas clínicas relacionadas com frequência à dor pélvica e infertilidade, que devem sempre ser questionadas para orientar a hipótese diagnóstica.

Unitermos: Endometriose. Epidemiologia. Dispareunia. Dor pélvica.


 

 

INTRODUÇÃO

Endometriose representa uma afecção ginecológica comum, atingindo de 5%-15% das mulheres no período reprodutivo e até 3%-5% na fase pós-menopausa.1 Estima-se que o número de mulheres com endometriose seja de sete milhões nos EUA e de mais de 70 milhões no mundo.2 Em países industrializados, é uma das principais causas de hospitalização ginecológica.3

Essa doença é definida pelo implante de estroma e/ou epitélio glandular endometrial em localização extrauterina,4 podendo comprometer diversos locais, entre eles ovários, peritônio, ligamentos úterossacros, região retro-cervical, septo reto-vaginal, reto/sigmoide, íleo terminal, apêndice, bexiga e ureteres.2,3,5,6,7 Algumas pacientes portadoras de endometriose não são sintomáticas, no entanto, a maioria apresenta sintomas, em diferentes intensidades, sendo os principais dismenorreia, dor pélvica crônica, infertilidade, dispareunia de profundidade, sintomas intestinais e urinários cíclicos, como dor ou sangramento ao evacuar/urinar durante o período menstrual. A inespecificidade do quadro clínico, além da eventual dificuldade a métodos diagnósticos especializados, podem explicar a demora no diagnóstico da endometriose.2,5,8-12. Muitos estudos têm tentado estabelecer fatores de risco e proteção para o desenvolvimento da endometriose, além de uma melhor caracterização de população acometida. Como é doença sabidamente estrogênio-dependente, imagina-se que em condições que aumentem a exposição a este hormônio, possa se observar um maior risco de aparecimento desta enfermidade. Assim, pode ser mais prevalente em mulheres com menarca precoce, gestações tardias e grande diferença de tempo entre menarca e primeira gravidez, mas em mulheres obesas, onde também temos uma maior exposição ao estrogênio, parece haver uma proteção, talvez por apresentarem maiores índices de anovulação crônica e irregularidade menstrual.8,13-16 Além disto, situações em que possa ocorrer diminuição à exposição como a prática de exercícios físicos e o tabagismo, parecem ser protetoras.3,17

Alguns aspectos da doença continuam sendo alvo de pesquisa, destacando-se a busca pela etiopatogenia, tendo em vista que ao se entender o motivo do desenvolvimento do foco de endometriose, seria possível direcionar esforços para melhorar o diagnóstico e tratamento18,19. Duas correntes principais de hipóteses etiopatogênicas são citadas há quase um século:

· teoria da metaplasia celômica, onde ocorreria transformação de mesotélio em tecido endometrial20.

· teoria da menstruação retrógrada, que postula o implante de células endometriais provenientes do refluxo do sangue menstrual pelas trompas para a cavidade abdominal21 que ocorreria pela influência de um ambiente hormonal favorável e de fatores imunológicos que não eliminariam tais células deste local impróprio22,23.

Além disto, nos últimos anos, muito se tem estudado acerca dos fatores imunológicos na patogênese da endometriose e muitas anomalias foram encontradas, sendo que o principal mecanismo avaliado é complementar à teoria da menstruação retrógrada. Por algum motivo, ainda incerto, as células endometriais que adentram a cavidade endometrial não seriam eliminadas e deste modo, permitiria que elas se implantassem e desenvolvessem a doença.24

Até o momento, poucos estudos consistentes foram feitos com o intuito de se caracterizar as pacientes portadoras de endometriose. Sabe-se que em pacientes assintomáticas submetidas à ligadura tubária pode-se fazer o diagnósticos de endometriose em 2% a 18% destas mulheres.25 Porém, muito se pode aprender com a caracterização de pacientes portadoras de endometriose pois, provavelmente, antecedentes familiares, pessoais, hábitos e estilo de vida podem influenciar no desenvolvimento da doença. Assim, os objetivos desse estudo são descrever aspectos epidemiológicos e clínicos da endometriose que possam auxiliar na caracterização das pacientes portadoras da doença.

 

MÉTODOS

Trata-se de uma série de casos, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da instituição, no qual foram avaliados dados epidemiológicos e clínicos obtidos no período de julho de 1999 a dezembro de 2009. Oitocentos e noventa e duas pacientes consecutivas foram submetidas à videolaparoscopia com confirmação histológica do diagnóstico de endometriose no setor de Endometriose da Disciplina de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Foram incluídas em nosso estudo todas as pacientes submetidas à videolaparoscopia que obtiveram confirmação histológica de diagnóstico da doença em questão.

Mulheres com queixas clínicas sugestivas de endometriose foram avaliadas através de história clínica e exame físico. Além disto, tal avaliação foi complementada por ultrassonografia transvaginal e/ou ressonância magnética, quando apropriada, para se investigar a presença de endometriomas ovarianos e/ou doença infiltrativa profunda. Quando os dados de história e imagem sugeriam a presença de um destes dois tipos de doença ou quando as queixas clínicas das pacientes sugeriam endometriose peritoneal, mas que não é confirmada pelos exames de imagem, temos a indicação de videolaparoscopia. As biópsias foram realizadas durante o procedimento cirúrgico, de modo a providenciar confirmação histológica do diagnóstico da doença.

Todas as pacientes avaliadas responderam a um questionário pré-operatório, com a discriminação de seus dados demográficos, quadro clínico, principal sintoma, eventuais tratamentos anteriores, antecedentes pessoais, obstétricos e familiares. Para o presente estudo, foram avaliados especificamente sintomas objetivos como dismenorreia, dor pélvica crônica, dispareunia de profundidade, infertilidade, queixas intestinais e urinárias cíclicas. Os quadros de dor foram classificados em quatro subtipos: leve, moderado, severo ou incapacitante. Foi definido como um quadro leve, aquele que não necessitava de medicação para controlá-lo. O quadro moderado é aquele em que analgésicos comuns, administrados em casa, controlavam o quadro álgico. Já o severo necessitava da administração de medicação parenteral em ambiente hospitalar e o incapacitante impediria a paciente de exercer suas funções habituais. Consideramos para fins de tabulação e análise estatística apenas sintomas classificados como severos ou incapacitantes. As pacientes com infertilidade apresentavam ao menos um ano de tentativa de gravidez, com vida sexual regular e sem utilização de métodos contraceptivos. Consideramos sintomas intestinais ou urinários cíclicos como a presença de dor e/ou sangramento intestinal ou urinário no período menstrual.

Estes dados foram armazenados e tabulados juntamente com os achados intra e pós-operatórios em banco de dados Access (Microsoft Office 2004 - Windows). A análise estatística foi realizada utilizando o programa SPSS Statistics 17.0, 2008 e os dados foram descritivos.

 

RESULTADOS

A média de idade das 892 pacientes com endometriose foi de 33,2 ± 6,3 anos, com uma predominância da população branca (78,7%) e de mulheres casadas ou com união estável (69,5%). Importante destacar a maior prevalência de mulheres com alto grau de instrução, sendo que 76,9% possuíam 2º ou 3º graus completos, como pode ser observado na Tabela 1.

 

 

Aproximadamente 5,3% das pacientes relatavam antecedentes familiares de primeiro grau com história de endometriose. Quando avaliamos os antecedentes obstétricos, podemos observar que 56,5% das pacientes eram nulíparas e que das 387 pacientes (43,4%) que já haviam ficado grávidas, 440 apresentavam uma única gestação (49,3%).

Nas Tabelas 2 e 3, observamos o quadro clínico referido pelas 892 pacientes. A Tabela 2 mostra o principal sintoma referido pelas portadoras de endometriose, ao passo que a Tabela 3 mostra todos os sintomas objetivamente referidos pelas pacientes portadoras de endometriose.

 

 

 

 

Na Tabela 2 verificamos que a principal queixa relatada foi dismenorreia, com uma prevalência de 62,2%. Entretanto, quando consideramos todos os sintomas relatados e não somente o principal, temos que a dor pélvica crônica foi o sintoma mais prevalente, seguido pela dispareunia de profundidade, sendo referidos por 56,8% e 54,7% das pacientes, respectivamente. A infertilidade também foi sintoma prevalente, sendo referido por 355 das 892 pacientes (39,8%), no entanto, temos que 237 pacientes (26,6%) nunca haviam tentado engravidar.

Na Tabela 4 podemos observar o estadiamento cirúrgico das pacientes operadas e verificamos uma prevalência de 66,4% de estádios avançados (III e IV) da doença, mostrando a severidade das pacientes operadas em nosso serviço.

 

 

DISCUSSÃO

A endometriose é uma doença rara antes da menarca e tende a diminuir após a menopausa.11,16 Encontramos em nosso estudo uma média de idades de 33,2 anos, indo ao encontro do publicado na literatura5, tanto com relação a mulheres inférteis quanto àquelas com queixas álgicas. Arruda et al., em 2003, demonstrou idade média de diagnóstico de endometriose de 30 anos para mulheres inférteis e de 33 anos para pacientes com queixas álgicas.

Observa-se uma predominância de mulheres brancas acometidas pela endometriose em nosso estudo. A literatura demonstra taxas que podem chegar a até 97% de mulheres caucasianas acometidas pela doença e outras que demonstram uma predominância de mulheres japonesas1,9,10. Observamos ainda uma diferença importante entre as raças negra e amarela, em que segunda representou somente 4,6% do total de pacientes. Deve ser lembrado que a maioria dos estudos encontra diferenças na prevalência entre as diversas raças, porém, estas não são estatisticamente significantes8, o que leva a não creditar diferenças raciais entre fatores de risco para a doença.

Em 2002, Kuohung et al., encontrou idade semelhante ao visto pelo nosso grupo em pacientes portadoras de endometriose dos Estados Unidos e Reino Unido, porém, observou uma predominância de mulheres brancas (88%) com uma diferença significativa quando comparadas às não-brancas (13%)26.

O nível educacional entre mulheres com endometriose tende a ser mais elevado, assim como o nível socioeconômico8,9. Concordante com a primeira informação, tem-se no grupo de interesse 51,9% de mulheres com nível universitário. Isto pode se dever ao viés de maior acesso a cuidados médicos e por maior preocupação com a saúde individual em se tratando de dor pélvica ou infertilidade8,16,27,28.

Em relação aos antecedentes obstétricos, a nuliparidade vem sendo constantemente retratada como tendo forte associação com a endometriose26. Na realidade não é possível a determinação da nuliparidade como fator de risco para a doença ou se pacientes portadoras de endometriose têm uma maior dificuldade em engravidar1. Abortamentos parecem não estar relacionados à endometriose ou ao seu risco8,16, sendo que na presente análise, há prevalência maior de nuligestas, nulíparas e pacientes que nunca tiveram abortamentos.

Do mesmo modo, a endometriose confere até 20 vezes mais chance de infertilidade2, e é interessante observar nos dados extraídos que cerca de 40% das pacientes são inférteis, primária ou secundariamente. Sabe-se, no entanto, que tais situações podem levar a uma maior exposição ao estrogênio, propiciando condições mais favoráveis ao aparecimento desta enfermidade. Além disso, podemos observar associação com outras doenças estrogênio-dependentes, como o leiomioma uterino ou o câncer de endométrio9.

A base genética e hereditária da endometriose é cada dia mais evidenciada. Encontramos 5,3% de nossas pacientes com parentes afetadas. Há estudos com taxas de endometriose de 4,8% a 8,8% em irmãs de portadoras de endometriose29. Ainda sem evidência do modo exato de transmissão, foi observado que o risco genético deve ser mais provavelmente devido a diversos genes (e não apenas a um gene altamente penetrante), cada um responsável por um pequeno incremento de risco. Diversos trabalhos encontraram risco aumentado em três a nove vezes para irmãs e mães de mulheres com endometriose10,30-34, além de estudos com gêmeos mostrarem que a concordância entre gêmeas monozigóticas é duas vezes maior que a concordância entre dizigóticas35.

O principal sintoma relatado foi a dismenorreia (62,2%) sendo importante frisar que em nosso estudo só levamos em consideração aquelas pacientes referindo sintomas severos ou incapacitantes. A endometriose pode ser classificada como superficial quando sua profundidade é menor do que 5 mm e profunda quando esta profundidade é maior do que 5 mm. Sabe-se ainda que a profundidade da lesão reflete na severidade dos sintomas e nos guia na sua terapêutica36. Como os casos avaliados são de um serviço de referência, onde operamos predominantemente casos em estádios avançados e muitas pacientes com endometriose profunda, a alta prevalência de sintomas exuberantes pode ser explicada por esse viés de seleção das pacientes.

Além da dismenorreia, importante associação pode ser feita entre endometriose e dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica e infertilidade. Com uma prevalência de 54,7% das pacientes, a dispareunia de profundidade é um sintoma bastante relacionado com a endometriose, podendo nos indicar ainda a presença de doença profunda, provavelmente acometendo a região retrocervical ou ainda a fáscia reto-vaginal37. Também, com aproximadamente 57% das pacientes acometidas, a dor pélvica crônica é um sintoma bastante comum e de difícil controle clínico.

A endometriose intestinal pode ser encontrada entre 6% e 30% das mulheres com endometriose profunda. Em poucos casos, estas mulheres são assintomáticas, sendo para a grande maioria das pacientes a provável causa de dores abdominais, constipação, sensação de pressão ao evacuar, dor, sangramento ou mesmo estenose e oclusão intestinal38,39. Encontramos em nosso grupo 48,3% das mulheres com queixas intestinais cíclicas, que incluíam sangramento e/ou dor à evacuação no período menstrual. Apenas 3,7% do total de pacientes relataram este como o principal sintoma. Em geral, tais pacientes possuíam outros sintomas associados, que consideravam mais relevantes, como os citados anteriormente. Outra razão para esta menor proporção de pacientes com tais sintomas talvez seja a dificuldade de diferenciação da presença de sangue nas fezes com o sangue proveniente da menstruação.

A endometriose do trato urinário é uma entidade rara e acomete aproximadamente 1% de todas as pacientes com endometriose. Sua sintomatologia pode ser variada e inespecífica. Quando do acometimento vesical, em geral temos sintomas urinários irritativos, como disúria, hematúria e até mesmo infecções urinárias de repetição. Entretanto, quando do acometimento ureteral, o quadro clínico é extremamente inespecífico, podendo evoluir silenciosamente para a falência renal. Encontramos em nossas pacientes apenas 11,7% com queixas urinárias, sendo que somente 0,1% das mulheres consideraram este quadro como o sintoma principal. Postula-se hoje que a doença vesical e ureteral sejam entidades distintas, em que a segunda aparece como uma extensão lateral da doença retro-cervical40,41.

 

CONCLUSÃO

Assim, na avaliação sistemática com questionário uniformizado de um número expressivo de pacientes, acompanhadas em um único serviço, podemos perceber que a endometriose é uma doença diagnosticada na quarta década da vida das pacientes, as quais apresentam queixas relacionadas à dor pélvica e à infertilidade, que devem sempre ser questionadas para orientar a hipótese diagnóstica.

Conflito de interesse: não há

 

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Artigo recebido: 29/3/10
Aceito para publicação: 9/5/10

 

 

Trabalho realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
* Correspondência: R Dr. Homem de Mello, 1020 - Perdizes, São Paulo - SP - CEP: 05007-002 - Tel: 3673-3885/3868-1957 pbellelis@yahoo.com.br